quarta-feira, abril 29, 2026

Vertigem: quando correr ao médico e sinais de alerta

Você já sentiu o chão girar de repente, como se estivesse em um carrossel, mesmo estando parado? Essa sensação de rotação ilusória, que muitas vezes vem acompanhada de náusea e uma profunda insegurança, tem nome: vertigem. É mais comum do que se imagina e pode surgir em qualquer idade, transformando tarefas simples como levantar da cama ou dirigir em verdadeiros desafios.

O que muitos não sabem é que nem toda tontura é igual. Enquanto uma simples sensação de cabeça leve pode passar rápido, a vertigem verdadeira costuma ser mais intensa e desorientadora. Ela não é uma doença em si, mas um sintoma que pode ter origem em diferentes partes do nosso sistema de equilíbrio, principalmente no ouvido interno ou no cérebro. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), distúrbios do equilíbrio afetam uma parcela significativa da população global, impactando a qualidade de vida.

Compreender as causas, que vão desde problemas benignos no ouvido até condições neurológicas mais sérias, é o primeiro passo para buscar o tratamento adequado e recuperar a estabilidade. A vertigem pode ser classificada em dois tipos principais: periférica e central. A vertigem periférica, a mais comum, tem origem no labirinto (ouvido interno) ou no nervo vestibular. Já a vertigem central está relacionada a problemas no cérebro, especificamente no tronco cerebral ou no cerebelo, que são responsáveis por processar as informações de equilíbrio.

O que é Vertigem? Entendendo a Sensação de “Mundo Girando”

A vertigem é definida como uma ilusão de movimento, seja do próprio corpo (vertigem subjetiva) ou do ambiente ao redor (vertigem objetiva). Diferente de uma tontura vaga ou sensação de desmaio iminente, a vertigem é tipicamente descrita como uma rotação, como se a pessoa ou o quarto estivessem girando. Essa falsa percepção ocorre devido um conflito entre as informações enviadas ao cérebro pelos três sistemas que mantêm nosso equilíbrio: o sistema vestibular (ouvido interno), a visão e a propriocepção (sensação da posição do corpo vinda das articulações e músculos).

Quando há uma disfunção em qualquer uma dessas vias, o cérebro recebe sinais contraditórios, resultando na sensação de desequilíbrio e no mal-estar característico. É uma experiência que pode ser extremamente incapacitante, levando a quedas, dificuldade para focar a visão e uma intensa necessidade de se agarrar a algo firme. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde oferece materiais informativos sobre o tema, destacando sua relevância para a saúde pública.

Causas da Vertigem: Do Ouvido Interno ao Cérebro

As causas da vertigem são diversas e identificar a origem é crucial. As causas periféricas, geralmente menos graves mas muito incômodas, incluem a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), a Doença de Ménière e a Neurite Vestibular. A VPPB é a causa mais frequente e ocorre quando pequenos cristais de carbonato de cálcio no ouvido interno se deslocam para canais semicirculares, onde não deveriam estar, desencadeando crises breves de vertigem com movimentos específicos da cabeça.

Já a Doença de Ménière é um distúrbio caracterizado pelo acúmulo de fluido no ouvido interno, causando episódios de vertigem intensa que duram de 20 minutos a várias horas, acompanhados de zumbido, sensação de ouvido tampado e perda auditiva flutuante. A Neurite Vestibular, por sua vez, é uma inflamação aguda do nervo vestibular, provavelmente de origem viral, que causa uma crise de vertigem violenta e prolongada, com náuseas e vômitos intensos, mas sem perda auditiva.

Entre as causas centrais, que exigem atenção médica imediata, estão acidentes vasculares cerebrais (AVC) que afetam o cerebelo ou tronco cerebral, esclerose múltipla, tumores (como o neuroma do acústico) e enxaqueca vestibular. A vertigem de origem central frequentemente vem acompanhada de outros sinais neurológicos, como visão dupla, dificuldade para falar ou engolir, fraqueza em um lado do corpo e descoordenação motora. O INCA, ao abordar tumores do sistema nervoso, reforça a importância da investigação de sintomas como a vertigem persistente.

Sintomas que Acompanham a Vertigem

A sensação de rotação é o sintoma principal, mas raramente vem sozinha. É comum a ocorrência de náuseas e vômitos, suor frio, palidez e uma sensação de mal-estar generalizado. Muitas pessoas também relatam nistagmo (movimentos oculares rápidos e involuntários), dificuldade para focar a visão (oscilopsia), desequilíbrio e tendência a cair para um lado.

A intensidade e a duração dos sintomas variam conforme a causa. Enquanto na VPPB as crises duram segundos a poucos minutos, na Doença de Ménière podem persistir por horas. A presença de sintomas auditivos, como zumbido, plenitude auricular (sensação de ouvido cheio) ou perda auditiva, é um forte indicador de que a origem do problema está no ouvido interno (causa periférica). A ausência desses sintomas auditivos, associada a sinais neurológicos, aponta para uma causa central.

Diagnóstico: Como o Médico Investiga a Vertigem?

O diagnóstico começa com uma detalhada história clínica. O médico (geralmente um otorrinolaringologista ou neurologista) perguntará sobre a natureza da tontura (rotação, flutuação, impressão de desmaio), duração, fatores desencadeantes (como movimentos da cabeça), sintomas associados e histórico médico prévio. O exame físico é fundamental e inclui a avaliação do nistagmo e testes de equilíbrio.

Um dos testes mais comuns para diagnosticar a VPPB é a manobra de Dix-Hallpike, onde o médico posiciona a cabeça do paciente de uma forma específica para observar o nistagmo característico. Exames complementares podem ser solicitados, como a videonistagmografia (para avaliar a função vestibular), audiometria (para testar a audição) e exames de imagem, como ressonância magnética do crânio, quando há suspeita de causas centrais como AVC ou tumor. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece diretrizes para a prática médica segura e ética nesses processos diagnósticos.

Tratamentos Disponíveis: Da Reabilitação à Cirurgia

O tratamento é direcionado à causa específica. Para a VPPB, o tratamento de escolha são as manobras de reposicionamento canalicular, como a manobra de Epley, que visam recolocar os cristais deslocados no ouvido interno em sua posição original, com alta taxa de sucesso em poucas sessões.

No caso da Doença de Ménière, o tratamento envolve mudanças na dieta (redução de sal, cafeína e álcool), medicamentos diuréticos, corticoides e, em casos refratários, procedimentos mais invasivos ou cirurgia. Para a Neurite Vestibular, o foco inicial é no controle dos sintomas agudos com medicamentos supressores vestibulares e antieméticos, seguido de um programa de reabilitação vestibular – uma fisioterapia especializada com exercícios que ajudam o cérebro a se adaptar ao desequilíbrio e a compensar a função vestibular deficiente.

A reabilitação vestibular é também uma ferramenta valiosa para muitos outros tipos de vertigem crônica. Medicamentos de uso prolongado para vertigem são geralmente evitados, pois podem atrasar o processo natural de compensação do cérebro. Em casos muito específicos e graves, como tumores ou fistulas perilinfáticas, o tratamento cirúrgico pode ser considerado.

Prevenção e Quando Procurar um Médico

Embora nem todas as causas de vertigem sejam preveníveis, adotar um estilo de vida saudável pode reduzir riscos. Controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia ajuda a prevenir AVCs, uma causa central. Gerenciar o estresse e identificar e tratar a enxaqueca são importantes, pois a enxaqueca é um gatilho comum para crises de vertigem.

É urgente buscar atendimento médico se a vertigem vier acompanhada de: dor de cabeça muito forte e súbita, febre alta, visão dupla, perda de audição súbita, dificuldade para falar, fraqueza ou dormência no rosto ou membros, ou descoordenação motora. Esses podem ser sinais de um AVC ou outra condição neurológica grave que requer intervenção imediata. Para crises isoladas e leves, sem sinais de alarme, marcar uma consulta com um clínico geral, otorrinolaringologista ou neurologista para uma avaliação é o caminho adequado.

FAQ: Perguntas Frequentes sobre Vertigem

1. Qual a diferença entre tontura e vertigem?

Tontura é um termo amplo para qualquer sensação de desequilíbrio ou instabilidade. Vertigem é um tipo específico de tontura, caracterizado pela ilusão de movimento (rotação, balanço ou inclinação). Enquanto a tontura pode ser uma leve sensação de cabeça vazia, a vertigem é tipicamente mais intensa e desorientadora.

2. A vertigem tem cura?

Depende da causa. Muitas formas de vertigem, como a VPPB, têm tratamento altamente eficaz e resolutivo. Outras, como a Doença de Ménière, são condições crônicas que podem ser controladas com tratamento adequado, reduzindo drasticamente a frequência e a intensidade das crises e permitindo uma vida normal.

3. Existem exercícios caseiros para aliviar a vertigem?

Para a VPPB, existem manobras de reposicionamento que podem ser feitas em casa após instrução médica, como a manobra de Epley. No entanto, é fundamental ter o diagnóstico correto primeiro. Exercícios genéricos de equilíbrio e de reabilitação vestibular também podem ser prescritos por um fisioterapeuta para serem realizados em domicílio.

4. A labirintite é a mesma coisa que vertigem?

Não. Labirintite é o termo popular (e muitas vezes usado de forma imprecisa) para designar qualquer problema no labirinto (ouvido interno) que cause vertigem. Medicamente, labirintite é uma inflamação específica do labirinto, geralmente de origem viral ou bacteriana. A vertigem é o sintoma principal da labirintite e de outras doenças vestibulares.

5. O estresse pode causar vertigem?

Sim. O estresse e a ansiedade podem desencadear ou piorar crises de vertigem, especialmente em pessoas com enxaqueca vestibular ou síndrome do pânico. O estresso afeta o sistema nervoso central e pode alterar o processamento das informações de equilíbrio, além de piorar a percepção dos sintomas.

6. Quanto tempo dura uma crise de vertigem?

A duração varia enormemente. Pode ser de alguns segundos (como na VPPB), minutos, horas (como na Doença de Ménière ou enxaqueca vestibular) ou até dias (como na fase aguda da Neurite Vestibular). O padrão de duração é uma pista importante para o diagnóstico.

7. Quais medicamentos são usados para tratar a vertigem?

No ataque agudo, podem ser usados medicamentos supressores vestibulares (como a betaistina, a cinarizina ou a meclizina) e antieméticos (para náuseas e vômitos). É importante ressaltar que esses remédios são para controle da crise e não devem ser usados por longos períodos. O tratamento de base depende da causa e pode incluir diuréticos, corticoides ou medicamentos profiláticos para enxaqueca.

8. A vertigem é um sinal de AVC?

Pode ser. Embora a maioria dos casos de vertigem tenha origem periférica (no ouvido), a vertigem isolada pode ser o principal ou único sintoma de um AVC cerebelar. É crucial ficar atento aos “sinais de alarme” mencionados anteriormente, como dor de cabeça súbita, fraqueza, dificuldade para falar ou visão dupla. Na dúvida, sempre busque atendimento de urgência.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.