quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Asma

O que é Asma?

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, ou seja, uma condição que afeta os brônquios – os canais que levam o ar para dentro dos pulmões. Essa inflamação faz com que os brônquios fiquem mais sensíveis e, diante de certos estímulos (alérgenos, infecções, poeira, frio, cheiros fortes), eles se estreitam, causando crises de falta de ar, chiado no peito, tosse (especialmente à noite ou ao acordar) e sensação de aperto no peito. No meu dia a dia como clínico no SUS e em clínicas populares, vejo muitos pacientes que chegam com o diagnóstico de “bronquite” ou “chiado”, mas na verdade apresentam asma não tratada adequadamente. A dificuldade está em diferenciar os sintomas e orientar o tratamento correto, porque a asma, embora não tenha cura, tem excelente controle quando acompanhada direitinho.

No Brasil, estima-se que cerca de 6 a 10% da população tenha asma, o que representa aproximadamente 20 milhões de pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Essa é uma das doenças crônicas mais comuns na atenção primária, especialmente em crianças e adultos jovens. Infelizmente, o subdiagnóstico ainda é grande: muitos pacientes vivem anos usando apenas “bombinhas de alívio” (como o salbutamol) sem um tratamento de manutenção com corticoide inalatório, o que leva a crises frequentes, idas ao pronto-socorro e piora da qualidade de vida. Na rede pública, o SUS oferece esses medicamentos gratuitamente, mas a adesão ao tratamento contínuo ainda é um desafio por falta de informação e acesso a consultas regulares.

É importante destacar que a asma não é uma doença infecciosa ou contagiosa. Ela tem forte componente genético e alérgico, mas também pode ser desencadeada por fatores ocupacionais, emocionais (estresse) e até pelo exercício físico. Cada pessoa tem seu próprio padrão de crises e gatilhos, por isso o tratamento deve ser individualizado. No contexto das clínicas populares, costumo explicar para o paciente: “A asma é como um ‘pavio curto’ dos seus brônquios – eles se inflamam e se fecham fácil. Nosso objetivo é usar uma medicação diária para apagar essa inflamação, e não apenas apagar o incêndio na hora da crise”. Com essa metáfora, muitos entendem melhor a necessidade do tratamento preventivo.

Como funciona / Características

O mecanismo da asma pode ser explicado de forma simples: as paredes internas dos brônquios ficam inflamadas – é como se estivessem sempre “inchadas” e sensíveis. Além disso, os músculos lisos que circundam esses canais se contraem (broncoespasmo) e há produção excessiva de muco. Tudo isso reduz o espaço por onde o ar passa, dificultando a respiração. O chiado é o som do ar passando por esses canais estreitos, e a tosse é uma tentativa do corpo de limpar o muco.

Um exemplo prático que vejo na clínica: a dona Maria, 45 anos, chega reclamando de tosse seca há semanas, principalmente à noite. Ela diz que acorda tossindo e tem que usar a bombinha azul. Também sente falta de ar quando limpa a casa (poeira) ou quando vai à igreja (cheiro de incenso). No exame, ochiado é facilmente auscultado. Esse quadro clássico mostra como a asma varia com os gatilhos. Outra situação comum é a criança que chia sempre que pega um resfriado. Muitas mães ouvem que é “bronquite asmática”, mas na verdade asma é o diagnóstico correto – e precisa de tratamento preventivo, não apenas antibióticos ou xaropes.

No SUS, muitos pacientes não fazem o acompanhamento adequado porque falta orientação sobre o uso correto da bombinha. Uma técnica errada – como não usar o espaçador (câmara de inalação) em crianças ou não prender a respiração após inalar – reduz drasticamente a eficácia do medicamento. Por isso, na minha rotina, sempre mostro na prática como usar a bombinha, e oriento que levem para casa um espaçador feito com garrafa pet (em locais onde o SUS não fornece o dispositivo). Outra característica importante: a asma é reversível, ao contrário da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). Isso significa que, com o tratamento correto, a função pulmonar pode voltar ao normal entre as crises.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, usamos duas principais classificações: a baseada na frequência dos sintomas (intermitente ou persistente) e a baseada no controle (controlada, parcialmente controlada ou não controlada). A classificação mais recente, proposta pela Global Initiative for Asthma (GINA) e adotada pelo Ministério da Saúde, orienta o tratamento em degraus.