O que é Colpocitologia oncótica

O que é Colpocitologia oncótica?

Colpocitologia oncótica – também conhecida popularmente como exame preventivo de câncer do colo do útero ou Papanicolau – é um teste simples, rápido e indolor que analisa células da superfície do colo do útero (a parte mais baixa do útero, que faz ligação com a vagina). O principal objetivo é detectar alterações celulares que possam evoluir para câncer, permitindo o tratamento antes mesmo de a doença se estabelecer. No Brasil, esse exame é a principal estratégia de rastreamento do câncer de colo do útero, sendo oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também em clínicas populares.

Na minha prática diária, tanto no SUS quanto em clínicas populares, vejo muitas mulheres que chegam com medo ou vergonha de fazer o exame. É comum ouvirmos: “Doutor, dizem que dói”, “Não vou porque estou menstruada”, “Já estou na menopausa, não preciso mais”. Por isso, é essencial desmistificar o procedimento e reforçar que a colpocitologia oncótica é indolor, dura menos de um minuto e pode salvar vidas. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras (excluindo o de pele não melanoma), com cerca de 17 mil novos casos estimados por ano e quase 7 mil mortes. A boa notícia é que, quando detectado precocemente, a chance de cura ultrapassa 90%.

O exame é recomendado para todas as mulheres que já tiveram relação sexual, dos 25 aos 64 anos (faixa etária com maior risco), e deve ser repetido anualmente. Após dois exames normais consecutivos, a periodicidade pode ser ampliada para cada três anos. Infelizmente, dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 20% das mulheres nessa faixa etária nunca fizeram o preventivo, o que reforça a importância de campanhas de conscientização e acesso facilitado, como as realizadas em clínicas populares e mutirões.

Como funciona / Características

O procedimento é feito durante a consulta ginecológica com a paciente deitada em posição ginecológica (pernas afastadas e apoiadas). O médico insere um espéculo (aquele instrumento de metal ou plástico) na vagina para visualizar o colo do útero. Com uma espátula de madeira e uma escova cervical, faz-se uma leve raspagem da superfície do colo e do canal cervical. Esse material é imediatamente transferido para uma lâmina de vidro e fixado com um spray especial (ou colocado em líquido preservativo, no caso da técnica de base líquida). A amostra é encaminhada para um laboratório de citopatologia, onde será analisada por um profissional especializado.

No laboratório, as células são coradas e examinadas ao microscópio. O resultado classifica as alterações celulares em categorias que vão desde dentro da normalidade até lesões precursoras de câncer. O tempo médio para liberação do laudo é de 10 a 15 dias, mas em clínicas populares e no SUS há variações regionais. Uma característica importante: a colpocitologia oncótica também pode identificar infecções como candidíase, tricomoníase e vaginose bacteriana, que são tratadas durante a mesma consulta ou em retorno.

No dia a dia de uma clínica popular, orientamos a paciente a evitar relações sexuais nas 24 horas anteriores ao exame, não usar duchas vaginais, absorventes internos ou cremes vaginais nos dois dias que antecedem a coleta. Também é preferível não estar menstruada, pois o sangue pode atrapalhar a visualização. Mas se a paciente estiver menstruada, ainda é possível realizar o exame, apenas com uma avaliação mais cuidadosa.

Tipos e Classificações

No Brasil, o laudo da colpocitologia oncótica segue o Sistema Bethesda, que padroniza as categorias de forma clara para o médico. As principais categorias são:

  • Negativo para lesão intraepitelial ou malignidade: resultado normal. Não há células anormais.
  • Alterações celulares reativas: relacionadas a inflamação, infecção ou reparo celular. Geralmente inofensivas.
  • ASC-US: células escamosas atípicas de significado indeterminado. Uma alteração leve que requer acompanhamento ou repetição do exame.
  • LSIL: lesão intraepitelial de baixo grau. Geralmente relacionada a infecção por HPV (papilomavírus humano) de baixo risco, com alta chance de regressão espontânea.
  • HSIL: lesão intraepitelial de alto grau. Alteração mais preocupante, que pode evoluir para câncer se não tratada. Exige colposcopia e biópsia.
  • Carcinoma in situ ou invasor: células cancerosas já estabelecidas. O tratamento é urgente.

Antigamente, era comum o uso da classificação de NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical) (NIC 1, 2 e 3), que ainda aparece em alguns laudos. O Sistema Bethesda hoje é o padrão nacional, mas os termos podem ser correlacionados.

Quando procurar um médico

Toda mulher com vida sexual ativa e idade entre 25 e 64 anos deve fazer o exame preventivo regularmente, mesmo sem sintomas. Procure uma UBS, clínica popular ou consultório particular para realizar a coleta. No entanto, existem sinais de alerta que exigem consulta imediata, independentemente da idade ou de exames anteriores:

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual, após a relação sexual ou após a menopausa.
  • Corrimento anormal, com odor forte ou com presença de sangue.
  • Dor pélvica persistente ou dor durante a relação sexual.
  • Alteração no ciclo menstrual ou sangramento mais intenso que o habitual.

Lembrem-se: o câncer de colo do útero é silencioso nas fases iniciais. Por isso, não espere sintomas para fazer o exame. A prevenção é o melhor remédio. Se você nunca fez o preventivo ou está há mais de três anos sem repeti-lo, agende uma consulta hoje mesmo.

Termos Relacionados

  • HPV (Papilomavírus Humano): vírus sexualmente transmissível responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do útero. A infecção é muito comum e geralmente desaparece sozinha, mas quando persistente pode causar lesões precursoras.
  • Colo do útero (cérvix): porção inferior do útero, que se projeta dentro da vagina. É o local de onde são coletadas as células no exame.
  • Papanicolau: nome popular da colpocitologia oncótica, em homenagem ao médico grego George Papanicolaou, que desenvolveu a técnica.
  • Colposcopia: exame que amplia a visão do colo do útero com um aparelho especial (colposcópio) e permite realizar biópsia de áreas suspeitas.
  • NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical): classificação antiga das lesões precursoras, dividida em NIC 1 (baixo grau), NIC 2 e NIC 3 (alto grau).
  • Rastreamento: estratégia de saúde pública para detectar doenças em pessoas assintomáticas. No Brasil, o rastreamento do câncer de colo do útero é feito com a colpocitologia oncótica.
  • Biopópsia de colo: retirada de um pequeno fragmento de tecido do colo para análise definitiva, indicada quando a colpocitologia ou colposcopia mostram alterações suspeitas.
  • Conização: procedimento cirúrgico que remove um cone de tecido do col