sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Conjuntivite

O que é Conjuntivite?

A conjuntivite é uma inflamação ou infecção da conjuntiva — a fina membrana transparente que reveste a parte branca do olho (esclera) e o interior das pálpebras. No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, essa é uma das queixas mais comuns no pronto-atendimento oftalmológico e nas unidades básicas de saúde, especialmente durante os surtos sazonais. Como médico que atende há 15 anos na rede pública e em clínicas particulares de bairro, posso afirmar: praticamente todo brasileiro já teve ou conhece alguém que teve conjuntivite. O termo técnico é **conjuntivite**, mas os pacientes costumam chamar de “olho vermelho”, “remela” ou “inflamação nos olhos”.

No Brasil, a conjuntivite viral é responsável por epidemias recorrentes, principalmente no verão e no início do outono, quando o calor e a aglomeração facilitam a transmissão. Dados do Ministério da Saúde mostram que a conjuntivite representa cerca de 3% a 5% de todas as consultas de emergência oftalmológica no país, com picos que podem chegar a 20% durante os surtos. Na prática clínica, vejo famílias inteiras chegando ao consultório com os mesmos sintomas — olhos vermelhos, lacrimejamento intenso e secreção —, o que reforça o caráter altamente contagioso da forma viral. A ANVISA e as secretarias municipais de saúde emitem alertas sazonais e orientam medidas de prevenção, como lavar as mãos com frequência e evitar compartilhar toalhas e travesseiros.

É fundamental entender que a conjuntivite não é uma doença única: existem diferentes causas (vírus, bactérias, alergias, agentes irritantes), e o tratamento correto depende do tipo. Muitos pacientes chegam ao consultório já usando colírios por conta própria, o que pode agravar o quadro. Por isso, reforço sempre: automedicação em oftalmologia é perigosa. O olho vermelho pode ser sinal de problemas mais graves, como ceratite (inflamação da córnea) ou glaucoma agudo. Um bom exame com lâmpada de fenda, disponível na maioria das unidades do SUS e em clínicas populares, é essencial para o diagnóstico preciso.

Como funciona / Características

A conjuntivite se manifesta quando a conjuntiva é agredida por um agente infeccioso (vírus ou bactéria), uma substância irritante (produtos químicos, poluição, cloro de piscina) ou um alérgeno (pólen, poeira, ácaros). O organismo reage com dilatação dos vasos sanguíneos — daí o olho ficar vermelho — e produção de secreção. Dependendo da causa, essa secreção pode ser mais aquosa (viral), mais espessa e amarelada (bacteriana) ou clara e associada a coceira intensa (alérgica).

No cotidiano da clínica, o relato típico é: “Doutor, acordei com o olho grudado, cheio de remela, e está ardendo muito.” Muitas vezes o paciente teve contato com alguém na escola, no trabalho ou no transporte público. A transmissão ocorre por contato direto com a secreção do olho infectado ou com objetos contaminados (mãos, toalhas, maçanetas, óculos). O período de incubação varia de 12 horas a 3 dias, e a pessoa pode transmitir o vírus ou a bactéria enquanto houver secreção — geralmente de 7 a 14 dias.

Uma característica marcante da conjuntivite viral é o chamado “sinal da dor à palpação do canto do olho” (dor ao pressionar a região do saco lacrimal), que ajuda a diferenciar de outras causas. Já na conjuntivite bacteriana, a secreção purulenta e a crosta nos cílios pela manhã são quase patognomônicas. Na prática, muitas vezes não é fácil distinguir clinicamente, e exames laboratoriais são raramente necessários, exceto em casos graves ou recidivantes.

Tipos e Classificações

A classificação mais usada no Brasil, tanto no SUS quanto na oftalmologia privada, divide a conjuntivite de acordo com a etiologia:

– **Conjuntivite viral**: a mais frequente, causada principalmente por adenovírus, mas também por enterovírus e herpesvírus. Costuma ser bilateral, com lacrimejamento abundante, sensação de areia nos olhos e fotofobia. Pode vir acompanhada de sintomas gripais (febre baixa, dor de garganta). É altamente contagiosa e não responde a antibióticos.
– **Conjuntivite bacteriana**: causada por bactérias como *Staphylococcus aureus*, *Streptococcus pneumoniae* ou *Haemophilus influenzae*. Apresenta secreção purulenta espessa, olhos grudados pela manhã e geralmente começa em um olho, podendo atingir o outro. O tratamento é com colírios antibióticos, mas a maioria dos casos leves se resolve espontaneamente em 7 a 10 dias.
– **Conjuntivite alérgica**: muito comum em pacientes com rinite alérgica, asma ou dermatite atópica. Os sintomas são coceira intensa, lacrimejamento, olhos vermelhos e “olheiras alérgicas” (escurecimento periorbitário). Não é contagiosa. O tratamento inclui colírios antialérgicos e compressas frias.
– **Conjuntivite por irritantes**: causada por cloro de piscina, fumaça, produtos químicos ou uso excessivo de colírios com conservantes. A queixa principal é ardor, vermelhidão e sensação de corpo estranho. Melhora com lavagem ocular e afastamento do agente irritante.

Além disso, existe a classificação quanto ao curso clínico: aguda (duração de até 3 semanas) — que é a imensa maioria dos casos — e crônica (que persiste por mais de 3 semanas ou recidiva). Na prática do SUS, a crônica está muitas vezes associada a blefarite (inflamação da borda das pálpebras) ou a condições alérgicas não tratadas adequadamente.

Quando procurar um médico

Muitos casos de conjuntivite viral ou alérgica leve podem ser manejados em casa com compressas frias e higiene, mas existem sinais de alerta que exigem avaliação médica urgente:

– **Dor ocular intensa** que não melhora com compressas.
– **Fotofobia grave** (dificuldade de abrir os olhos na luz).
– **Secreção purulenta abundante** que persiste por mais de 2 dias.
– **Visão turva ou perda de visão**.
– **Sensação de corpo estranho** que não sai com lavagem.
– **Olho muito vermelho** associado a náuseas e vômitos (pode ser glaucoma agudo).
– **Piora progressiva** apesar do uso de colírios caseiros ou prescritos.

Crianças menores de 2 anos, idosos, imunossuprimidos e portadores de lentes de contato devem ser avaliados mais precocemente. Na rede SUS, o encaminhamento para o oftalmologista pode ser feito pela UBS ou UPAs. Nas clínicas populares, o clínico geral pode iniciar o tratamento e, se necessário, referenciar para o especialista.

Jamais use colírios com corticoides por conta própria — eles podem agravar infecções virais ou bacterianas e levar a complicações como ceratite herpética. Também evite colírios vasoconstritores por mais de 3 dias, pois podem causar efeito rebote.

Termos Relacionados

  • Ceratite: inflamação da córnea, geralmente mais grave que a conjuntivite. Causa dor intensa, fotofobia e visão turva. Pode ser consequência de uma conjuntivite não tratada ou do uso inadequado de lentes de contato.
  • Blefarite: inflamação crônica das bordas das pálpebras, muito comum em pacientes com pele oleosa ou rosácea. Cursa com crostas nos cílios, coceira e vermelhidão nas pálpebras.
  • Olho vermelho: termo popular para qualquer quadro de hiperemia conjuntival. Pode ser conjuntivite, mas também hemorragia subconjuntival, uveíte ou glaucoma agudo.
  • Secreção ocular: produção excessiva de muco, pus ou lágrimas. Na conjuntivite viral é aquosa; na bacteriana é purulenta; na alérgica é clara e filamentosa.
  • Fotofobia: sensibilidade anormal à luz, comum na conjuntivite viral e na ceratite. Em crianças, pode ser sinal de sarampo ou outras viroses.
  • Lacrimejamento reflexo: aumento da produção de lágrimas como resposta à irritação ocular. Presente em todos os tipos de conjuntivite.
  • Colírio lubrificante: lágrima artificial indicada para alívio sintomático, especialmente na conjuntivite viral e alérgica. Não contém medicamentos ativos.
  • Adenovírus: principal agente causador da conjuntivite viral epidêmica no Brasil. Transmissão fecal-oral e respiratória, além do contato direto com secreções.

Perguntas Frequentes sobre Conjuntivite

Conjuntivite pega? Como é a transmissão?

Sim, as conjuntivites virais e bacterianas são altamente contagiosas. A transmissão ocorre pelo contato direto com a secreção do olho infectado ou com objetos contaminados (mãos, toalhas, fronhas, maçanetas, óculos). O período de contágio dura enquanto houver secreção, geralmente de 7 a 14 dias. Por isso, é essencial lavar as mãos frequentemente, não compartilhar objetos pessoais e evitar aglomerações durante o surto.

Quanto tempo dura a conjuntivite?

Depende do tipo. A conjuntivite viral geralmente dura de 7 a 14 dias, com melhora gradual. A bacteriana, quando tratada com antibiótico, melhora em 48 a 72 horas, mas a infecção pode se resolver espontaneamente em 7 a 10 dias. A conjuntivite alérgica pode durar semanas ou meses se o alérgeno não for removido. Lembrando que mesmo depois da melhora dos sintomas, a vermelhidão residual pode persistir por mais alguns dias.

Posso usar colírio caseiro para conjuntivite?

Não. O uso de colírios caseiros (como água boricada, chá de camomila ou soro caseiro) não é recomendado e pode agravar o quadro, causar queimaduras químicas ou introduzir bactérias no olho. O correto é usar colírios prescritos por médico, após diagnóstico. Para alívio imediato, compressas frias com água filtrada ou soro fisiológico estéril são seguras.

Criança com conjuntivite pode ir para a escola?

Não, durante o período de transmissão (enquanto houver secreção). A recomendação do Ministério da Saúde e das secretarias de educação é que a criança fique em casa por pelo menos 24 horas após o início do tratamento (no caso bacteriano) ou até a melhora significativa dos sintomas (no caso viral). Isso reduz a disseminação para colegas e professores.

Conjuntivite pode causar cegueira?

Na grande maioria dos casos, não. A conjuntivite simples, quando tratada adequadamente, não causa sequelas permanentes. No entanto, complicações como ceratite, úlcera de córnea ou glaucoma secundário podem levar à perda de visão. Por isso, sintomas como dor intensa, fotofobia ou visão turva exigem avaliação oftalmológica urgente.

Qual a diferença entre conjuntivite e terçol?

O terçol (hordéolo) é uma infecção localizada nas glândulas das pálpebras, geralmente causada por bactéria, que forma um “calombo” doloroso e inchaço local. A conjuntivite afeta toda a conjuntiva, causando vermelhidão difusa e secreção. Enquanto o terçol é localizado e não contamina o olho como um todo, a conjuntivite é mais difusa e contagiosa.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.