sábado, junho 6, 2026

O que é Descolamento da retina tracional

O que é Descolamento da retina tracional?

O descolamento da retina tracional é uma condição grave que acontece quando a retina – a fina camada de tecido sensível à luz na parte de trás do olho – é puxada e levantada do seu lugar normal por cicatrizes ou membranas que se formam dentro do olho. Diferente de outros tipos de descolamento, aqui a causa não é um buraco ou rasgo, mas sim uma tração (puxão) exercida por tecido cicatricial. No dia a dia do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse tipo de descolamento aparece com mais frequência em pacientes com retinopatia diabética proliferativa – uma complicação do diabetes mal controlado que atinge milhares de brasileiros.

Estima-se que, no Brasil, cerca de 7% a 10% dos pacientes com diabetes tipo 2 desenvolvam retinopatia diabética, e destes, até 50% podem evoluir para a forma proliferativa, que é a porta de entrada para o descolamento tracional. Dados do Ministério da Saúde apontam que o diabetes é a principal causa de cegueira evitável em adultos no país, e o descolamento da retina tracional é uma das emergências oftalmológicas mais comuns nesse grupo. Na prática clínica, vejo muitos pacientes que chegam ao posto de saúde ou à clínica popular com queixas de visão embaçada, “moscas volantes” (pontinhos flutuando) e flashes de luz, mas que muitas vezes já estão com um descolamento em estágio avançado porque não procuraram ajuda antes.

Esse verbete foi escrito para ajudar você a entender o que é essa condição, como identificá-la e quando buscar atendimento. Lembre-se: o descolamento da retina tracional é uma emergência médica e, quanto mais cedo for tratado, maiores as chances de preservar a visão. Aqui na clínica, sempre orientamos que qualquer mudança súbita na visão merece uma avaliação oftalmológica urgente.

Como funciona / Características

Para entender o descolamento da retina tracional, imagine a retina como um papel de parede colado na parede interna do olho. Quando há inflamação ou sangramento – comum na retinopatia diabética – o corpo tenta cicatrizar formando uma espécie de “teia” de tecido fibroso (chamada de membrana epirretiniana ou fibrose vítrea). Essas membranas se contraem com o tempo e puxam a retina, levantando-a do seu leito natural. Esse puxão lento e progressivo é o que chamamos de tração.

No consultório, vejo essa condição principalmente em pacientes que tiveram hemorragia vítrea (sangue dentro do olho) causada por vasos anormais que se rompem. Com a reabsorção do sangue, as cicatrizes se formam e começam a “encolher”, puxando a retina. Os sintomas típicos incluem:

  • Moscas volantes: pontos, fios ou teias que flutuam no campo de visão.
  • Fotopsias: flashes de luz, especialmente ao mover os olhos.
  • Escotomas: manchas escuras ou sombra que começa na periferia e avança para o centro da visão.
  • Perda súbita de visão: como se uma cortina estivesse descendo sobre o olho.

O processo pode ser insidioso – o paciente demora a perceber porque um olho compensa o outro. Mas uma vez que a mácula (centro da visão) é atingida, a perda visual é rápida e muitas vezes irreversível se não tratada. No SUS, a fila para cirurgia de vitrectomia (procedimento que remove o vítreo e as membranas) pode ser longa, por isso é fundamental que o paciente com diabetes ou com histórico de sangramentos oculares faça exames de fundo de olho periódicos.

Tipos e Classificações

O descolamento da retina tracional pode ser classificado de acordo com a extensão e a localização das aderências. Na prática brasileira, usamos a classificação clínica com base no exame de fundo de olho e na ultrassonografia ocular (quando a visão está muito comprometida):

  • Descolamento tracional localizado: quando apenas uma área da retina é puxada, geralmente na periferia. Pode ser estável por meses.
  • Descolamento tracional extenso: envolve múltiplos quadrantes e ameaça a mácula. É o tipo que mais comumente exige cirurgia urgente.
  • Descolamento tracional combinado: quando há também um rasgo retinal (componente regmatogênico) associado à tração. Isso torna o quadro ainda mais grave e a cirurgia mais complexa.

Além disso, classificamos conforme a localização em relação à mácula: descolamento mácula-on (a mácula ainda está colada, melhor prognóstico) e descolamento mácula-off (a mácula já descolou, pior prognóstico visual). No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que todo paciente diabético seja rastreado anualmente com mapeamento de retina para prevenir essas complicações.

Quando procurar um médico

Se você tem diabetes, hipertensão ou já teve episódios de sangramento ocular, fique atento a estes sinais de alerta que indicam a necessidade de uma consulta oftalmológica de urgência (não espere a consulta agendada de rotina):

  • Aumento súbito de moscas volantes ou teias na visão (especialmente se acompanhado de flashes).
  • Sensação de uma cortina ou sombra escura cobrindo parte do campo visual.
  • Perda súbita da visão central – dificuldade para ler, reconhecer rostos ou enxergar cores.
  • Dor ocular (mais comum quando há inflamação associada, mas sempre deve ser investigada).

No SUS, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Se o médico da atenção primária suspeitar de descolamento, ele encaminhará para uma emergência oftalmológica de referência (como um hospital público com serviço de oftalmologia 24h). Em clínicas populares, a conduta é a mesma: não tentar esperar em casa; o descolamento da retina tracional requer cirurgia dentro de dias, idealmente em até 48 a 72 horas após o descolamento da mácula. O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que o atendimento deve ser imediato, e qualquer profissional de saúde deve orientar o paciente sem demora.

Termos Relacionados

  • Retinopatia Diabética Proliferativa: estágio avançado do diabetes que causa crescimento de vasos anormais na retina, levando a sangramentos e fibrose – a principal causa de descolamento tracional no Brasil.
  • Vitrectomia Posterior: cirurgia que remove o humor vítreo e as membranas tracionais, permitindo que a retina se recolha. É o tratamento padrão no SUS para descolamento tracional.
  • Membrana Epirretiniana: camada de tecido cicatricial que se forma sobre a retina, podendo causar tração e descolamento.
  • Hemorragia Vítrea: sangramento dentro do olho, comum na retinopatia diabética, que pode preceder o descolamento tracional.
  • Mapeamento de Retina: exame de fundo de olho que permite visualizar a retina e diagnosticar precocemente alterações como tração ou descolamento.
  • Fotocoagulação a Laser: tratamento a laser usado para queimar vasos anormais e reduzir o risco de sangramentos e tração, indicado na retinopatia proliferativa.
  • Descolamento Regmatogênico: outro tipo de descolamento causado por um rasgo na retina, diferente do tracional por não ter tecido cicatricial puxando.
  • Mácula: região central da retina responsável pela visão detalhada; quando descola, a perda visual é grave e muitas vezes permanente.

Perguntas Frequentes sobre O que é Descolamento da retina tracional

O descolamento da retina tracional tem cura?

Sim, o tratamento cirúrgico (vitrectomia) pode recolocar a retina no lugar e evitar a progressão da perda visual. No entanto, a recuperação completa da visão depende de quanto tempo a mácula ficou descolada. Quanto mais precoce a cirurgia, melhores os resultados. Em muitos casos, mesmo após a cirurgia, pode haver sequelas como visão embaçada ou campo visual reduzido.

O que causa descolamento da retina tracional?

A causa mais comum no Brasil é a retinopatia diabética proliferativa, que leva à formação de vasos sanguíneos anormais e frágeis. Outras causas incluem: oclusão de veia da retina, retinite por toxoplasmose, trauma ocular ou cirurgias intraoculares prévias. O denominador comum é a formação de tecido fibroso que traciona a retina.

Como diferenciar de outros tipos de descolamento de retina?

O descolamento tracional não começa com um rasgo – a retina é puxada por dentro. No descolamento regmatogênico, há um buraco por onde o líquido vaza. O exame de ultrassom ocular e a oftalmoscopia permitem ao médico distinguir. Na prática, muitos pacientes têm uma combinação dos dois tipos, o que requer avaliação especializada.

O diabetes sempre leva a esse problema?

Nem todo paciente diabético desenvolverá descolamento tracional. O risco é maior em quem tem diabetes descontrolado por muitos anos, especialmente se já apresenta retinopatia proliferativa. O controle rigoroso da glicemia, da pressão arterial e a realização de exames de retina anuais reduzem drasticamente o risco. O SUS oferece acompanhamento multidisciplinar para diabéticos, incluindo o rastreio oftalmológico.

Quanto tempo demora a cirurgia pelo SUS?

O tempo de espera varia conforme a região e a complexidade do caso. Em grandes centros, a cirurgia de urgência pode ser feita em poucos dias. Em áreas mais remotas, a fila pode se estender por semanas. Por isso, insistimos na prevenção e no encaminhamento precoce. O CFM orienta que o descolamento tracional com envolvimento macular deve ser operado em até 72 horas para melhores chances visuais.

Existem exercícios ou colírios que tratam o descolamento tracional?

Não. Não há colírio ou exercício que reverta a tração causada por membranas cicatriciais. O único tratamento eficaz é a cirurgia vitreorretiniana. Colírios anti-inflamatórios ou antibióticos podem ser usados no pós-operatório, mas não curam o descolamento. Qualquer produto ou técnica que prometa “dissolver” as membranas sem cirurgia é enganoso – sempre consulte um médico oftalmologista de confiança.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


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