# O que é Disfunção erétil?
A disfunção erétil (DE) é a dificuldade persistente ou recorrente para obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Diferente do que muitos pensam, não se trata de um quadro isolado de “falha” eventual — todos os homens podem ter dificuldades de ereção em momentos de estresse, cansaço ou baixa libido. A DE é considerada um problema médico quando o sintoma dura pelo menos três meses e causa sofrimento significativo ao paciente ou ao casal.
Na minha prática diária no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, atendo homens de 30 a 70 anos que chegam ao consultório com vergonha ou receio de falar sobre o assunto. Muitos vêm acompanhados da esposa ou companheira, que muitas vezes é quem sugere a consulta. O estigma ainda é forte: o homem associa a ereção à sua masculinidade e, quando falha, sente-se diminuído. Por isso, o primeiro passo é sempre acolher, desmistificar e explicar que a disfunção erétil tem tratamento e, na maioria das vezes, causa identificável.
No Brasil, estima-se que cerca de 50% dos homens acima de 40 anos apresentem algum grau de DE, e a prevalência aumenta com a idade: entre os 60 e 69 anos, chega a 60-70% (dados da Sociedade Brasileira de Urologia). O Ministério da Saúde, por meio da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, inclui a abordagem da disfunção erétil na atenção primária, com oferta de medicamentos como a sildenafila (genérica) nas farmácias do SUS desde 2014. A ANVISA regula todos os medicamentos para DE, garantindo segurança e eficácia, enquanto o CFM estabelece normas éticas para a prescrição — inclusive proibindo a venda sem receita médica, o que infelizmente ainda ocorre em algumas farmácias.
## Como funciona / Características
A ereção é um processo complexo que envolve o cérebro, hormônios, nervos, vasos sanguíneos e músculos lisos do pênis. Quando um homem fica excitado, o cérebro envia sinais nervosos que relaxam os músculos das artérias penianas, permitindo que o sangue flua e preencha os corpos cavernosos (câmaras esponjosas dentro do pênis). O sangue fica retido, tornando o pênis rígido. Qualquer interrupção nesse sistema — seja por problemas emocionais, neurológicos, vasculares, hormonais ou medicamentosos — pode resultar em disfunção erétil.
No consultório, vejo padrões diferentes. O paciente jovem (30-40 anos) geralmente relata dificuldade que surgiu de repente, muitas vezes após uma situação de estresse no trabalho ou problemas no relacionamento. A ereção matinal costuma estar preservada, o que sugere causa mais psicológica do que orgânica. Já o paciente mais velho (50+) frequentemente tem comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou colesterol alto. Nesses casos, a dificuldade aparece aos poucos: a ereção demora mais para acontecer, fica menos firme e pode não se sustentar durante o ato. A ereção noturna ou matinal também diminui de frequência.
Um exemplo clássico que atendi semana passada: José, 58 anos, diabético há 10 anos, hipertenso, em uso de enalapril e metformina. Ele contou que há seis meses começou a ter dificuldade para manter a ereção e que já havia tentado “comprar um comprimido na farmácia” (sildenafila) sem receita. Funcionou uma vez, mas nas seguintes teve dor de cabeça forte e rubor facial, e ficou com medo. Após exames, constatamos neuropatia diabética e disfunção endotelial. Ajustamos o controle glicêmico, indicamos exercícios físicos e prescrevemos tadalafila 5 mg diária (aprovada pela ANVISA), com bom resultado. Esse caso mostra como a DE é um marcador precoce de doenças cardiovasculares — muitas vezes a ereção falha antes mesmo de um infarto ou AVC.
## Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos a disfunção erétil de acordo com a causa predominante:
– **Psicogênica**: causada por ansiedade de desempenho, depressão, estresse, problemas de relacionamento, traumas passados ou disfunção sexual do parceiro. É mais comum em homens jovens e tem início abrupto. A ereção matinal e a masturbatória costumam estar normais.
– **Orgânica**: relacionada a doenças físicas. Subdivide-se em:
– *Vascular* (doença arterial, fuga venosa) — a mais frequente, associada a aterosclerose, hipertensão, diabetes, tabagismo.
– *Neurológica* (lesões medulares, neuropatia diabética, esclerose múltipla, cirurgia pélvica).
– *Hormonal* (hipogonadismo — baixa testosterona, hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana).
– *Medicamentosa* (antidepressivos, anti-hipertensivos como betabloqueadores e diuréticos, corticoides, drogas ilícitas).
– *Estrutural* (doença de Peyronie — curvatura peniana, fibrose pós-trauma).
– **Mista**: a maioria dos pacientes acima de 50 anos apresenta componente orgânico e psicológico sobreposto. Por exemplo, um homem com diabetes que, após uma falha, desenvolve ansiedade de desempenho que agrava o quadro.
Além disso, o Ministério da Saúde e a SBU utilizam o **Índice Internacional de Função Erétil (IIEF-5)**, um questionário de cinco perguntas que classifica a gravidade em leve, moderada ou grave. Esse instrumento é usado no SUS para avaliar resposta ao tratamento e indicar encaminhamento ao urologista.
## Quando procurar um médico
O ideal é procurar um médico sempre que a dificuldade de ereção se tornar frequente (pelo menos três meses) e causar angústia. Não espere chegar a um ponto extremo. A DE pode ser o primeiro sinal de uma doença silenciosa, como diabetes, hipertensão ou doença coronariana.
**Sinais de alerta para buscar atendimento com urgência:**
– Ereção súbita e persistente sem desejo sexual (priapismo) — emergência médica.
– Perda abrupta da ereção associada a dor lombar intensa ou perda de sensibilidade nas pernas.
– Surgimento de nódulo ou curvatura peniana dolorosa (Doença de Peyronie).
– Sangue na urina ou dor ao urinar associados.
Na atenção primária do SUS, o clínico geral ou médico de família é o primeiro contato. Fazemos anamnese detalhada (história sexual, medicações, comorbidades, uso de álcool/tabaco/drogas), exames físicos (palpação de testículos, avaliação de pulsos femorais, toque retal a partir dos 50 anos) e solicitamos exames simples: glicemia em jejum, perfil lipídico, testosterona total, TSH, ureia e creatinina. Conforme o CFM, medicamentos para disfunção erétil (inibidores da fosfodiesterase tipo 5 — sildenafila, tadalafila, vardenafila) só podem ser prescritos após essa avaliação inicial, e o paciente deve ser informado sobre contraindicações (uso de nitratos, por exemplo).
**Oriento aos pacientes:**
– Nunca compre medicamentos sem receita — além de ilegal, você pode ter uma interação perigosa.
– Se já usa algum medicamento para pressão ou coração, informe ao médico antes.
– A DE tem tratamento eficaz na maioria dos casos; não tenha vergonha de conversar abertamente.
## Termos Relacionados
- Ereção matinal — Ereção que ocorre durante o sono REM, geralmente ao acordar. A presença dela sugere que o sistema vascular e neurológico está funcionando, indicando causa psicogênica. A ausência pode indicar causa orgânica.
- Inibidores da PDE5 — Classe de medicamentos orais para DE (sildenafila, tadalafila, vardenafila, avanafila). Agem aumentando o fluxo sanguíneo peniano. Aprovados pela ANVISA e disponíveis no SUS (sildenafila genérica). Contraindicados com nitratos.
- Hipogonadismo — Condição de baixa produção de testosterona pelos testículos. Pode causar DE, redução da libido, cansaço, perda de massa muscular. O diagnóstico é laboratorial (testosterona total e livre) e o tratamento com reposição hormonal deve ser avaliado por urologista ou endocrinologista.
- Priapismo — Ereção prolongada e dolorosa que dura mais de 4 horas sem estímulo sexual. É uma emergência médica que pode levar à necrose do pênis se não tratada rapidamente. Pode ser causada por medicamentos para DE (raro), anemia falciforme ou trauma.
- Doença de Peyronie — Formação de placa fibrosa no tecido do pênis, causando curvatura e dor durante a ereção. Pode dificultar a penetração e está associada à DE. O tratamento inclui medicamento oral, injeções locais ou cirurgia em casos graves.
- Libido — Desejo sexual. Embora relacionado, é diferente de ereção: um homem pode ter libido normal e dificuldade de ereção, ou baixa libido (por baixa testosterona, depressão) e ereções preservadas. O diagnóstico correto depende de distinguir ambos.
- Fator psicológico — Causa comum de DE, especialmente em jovens. Inclui ansiedade de desempenho, estresse, depressão, traumas sexuais, problemas conjugais. O tratamento pode envolver psicoterapia e/ou terapia de casal, além de medicamentos.
- Saúde do Homem no SUS — Política nacional que promove ações de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças masculinas, incluindo DE. Oferece consultas, exames e medicamentos gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Mais informações no site do Ministério da Saúde.
## Perguntas Frequentes sobre O que é Disfunção erétil
É normal ter disfunção erétil com o passar da idade?
A idade avançada é um fator de risco, mas a disfunção erétil não é uma consequência inevitável do envelhecimento. Com o tempo, a produção de testosterona cai gradualmente, os vasos perdem elasticidade e podem surgir doenças crônicas. No entanto, um homem saudável de 70 anos pode manter uma vida sexual ativa se cuidar da alimentação, exercício e tratar comorbidades. Muitos idosos têm DE tratável com sucesso. O importante é não normalizar a dificuldade como “coisa da idade” e buscar ajuda, pois a qualidade de vida pode melhorar muito.
O que fazer se os medicamentos para disfunção erétil não funcionarem?
Se um inibidor da PDE5 como sildenafila ou tadalafila não funcionar adequadamente, várias possibilidades devem ser investigadas:


