Você acabou de passar por uma cirurgia de pterígio e, junto com a esperança de um olho mais saudável, veio uma sensação incômoda: a ardência que não passa. É normal ficar preocupado quando o desconforto parece não dar trégua, especialmente depois de um procedimento tão delicado.
Uma leitora de 45 anos nos escreveu contando que, no segundo dia após a cirurgia, sentia como se tivesse areia dentro do olho. Ela se perguntava se aquilo era parte da recuperação ou um sinal de que algo havia dado errado. A boa notícia é que, na maioria das vezes, a ardência é esperada e temporária. Mas existem situações que realmente exigem atenção.
O que é ardência no olho após cirurgia de pterígio
Na prática, a ardência é uma queimação superficial que o cérebro interpreta como lesão ou irritação da córnea e da conjuntiva. Após a remoção do tecido do pterígio, a superfície ocular fica bastante sensível porque houve corte, cauterização e pontos de sutura (ou adesivos biológicos, dependendo da técnica).
O que muitos não sabem é que essa sensação não vem só da incisão. Durante a cirurgia, o olho fica exposto por mais tempo que o normal, o que resseca a lágrima e agrava o desconforto. É por isso que a ardência no olho após cirurgia de pterígio costuma ser mais intensa nos primeiros três dias e vai diminuindo gradualmente.
Ardência no olho após cirurgia de pterígio é normal?
Sim, na grande maioria dos casos. Estudos indicam que mais de 70% dos pacientes relatam algum grau de queimação na primeira semana de pós-operatório. O problema é quando a ardência não melhora ou piora com o passar dos dias.
É mais comum do que parece sentir ardência ao piscar, ao expor o olho ao vento ou ao usar colírios prescritos. Alguns medicamentos tópicos, especialmente antibióticos ou corticoides, podem causar uma leve queimação momentânea — isso é esperado e costuma passar em segundos.
Segundo relatos de pacientes, a ardência tende a ser mais forte ao acordar, porque durante o sono os olhos podem ficar parcialmente abertos, ressecando ainda mais a córnea. Se você perceber que a sensação melhora com a lubrificação e piora com ambientes secos, provavelmente está dentro do esperado.
Ardência no olho após cirurgia de pterígio pode indicar algo grave?
Embora a ardência isolada raramente seja um sinal de alarme, ela pode sim mascarar complicações mais sérias. As principais condições que merecem investigação são:
- Ceratite puntata superficial: inflamação da córnea que causa ardência intensa e sensibilidade à luz.
- Deiscência de sutura: quando os pontos se soltam antes do tempo, expondo a ferida.
- Infecção pós-operatória: além da ardência, cursa com secreção amarelada, vermelhidão acentuada e piora progressiva.
- Recidiva precoce do pterígio: em casos raros, o tecido pode começar a crescer novamente e gerar irritação.
De acordo com as diretrizes da FEBRASGO sobre cuidados oftalmológicos pós-cirúrgicos, qualquer ardência que persista além de 10 dias ou que piore após o quinto dia deve ser reavaliada pelo cirurgião.
Causas mais comuns
Cicatrização natural do tecido
A conjuntiva e a córnea levam de 2 a 4 semanas para se regenerar completamente. Durante esse período, as terminações nervosas expostas disparam sinais de dor e queimação.
Olho seco pós-cirúrgico
A cirurgia pode alterar temporariamente a produção e a distribuição da lágrima. A falta de lubrificação adequada é uma das principais causas de ardência no olho após cirurgia de pterígio.
Exposição a agentes irritantes
Poeira, fumaça, ar condicionado, luz solar intensa e até o shampoo durante o banho podem irritar a superfície ainda sensível.
Uso de colírios com conservantes
Alguns colírios contêm benzalcônio, um conservante que pode ser agressivo na fase de cicatrização. Converse com seu médico se a ardência coincidir com a aplicação das gotas.
Sintomas associados
Além da queimação, é comum notar:
- Vermelhidão localizada no local da cirurgia
- Lacrimejamento excessivo (o olho tenta “lavar” a irritação)
- Sensação de corpo estranho, como se houvesse um cisco
- Visão levemente borrada, especialmente ao acordar
- Fotofobia (incômodo com a luz)
Esses sintomas, quando moderados e decrescentes, fazem parte da recuperação normal. Mas se a dor se tornar latejante ou se a visão piorar repentinamente, procure o oftalmologista.
Como é feito o diagnóstico
O médico avalia a ardência por meio de exames simples no consultório. O principal é a biomicroscopia (lâmpada de fenda), que permite ver detalhes da córnea, da conjuntiva e dos pontos cirúrgicos.
Em casos de suspeita de infecção, pode ser solicitado o exame de raspado conjuntival. Já o teste de Schirmer mede a produção lacrimal e ajuda a diagnosticar olho seco. A revisão mais recente da PubMed sobre cuidados pós-cirúrgicos oculares reforça que a avaliação precoce reduz o risco de complicações tardias.
Tratamentos disponíveis
O tratamento depende da causa identificada. Em geral, as estratégias incluem:
- Lubrificantes sem conservantes: lágrimas artificiais em frasco dose única, aplicadas de hora em hora nos primeiros dias.
- Compressas frias: usar gaze estéril levemente umedecida com soro fisiológico gelado sobre as pálpebras fechadas por 5 minutos, até 3 vezes ao dia.
- Ajuste da medicação tópica: se a ardência for provocada pelo colírio, o médico pode trocar a fórmula por outra que não contenha conservantes.
- Anti-inflamatórios sistêmicos: apenas em casos de inflamação moderada a intensa, sob prescrição.
- Oclusão lacrimal temporária: pequenos plugs que ajudam a manter a lágrima no olho por mais tempo.
É importante lembrar que automedicação com colírios anestésicos pode mascarar sintomas graves e retardar o diagnóstico.
O que NÃO fazer
- Coçar ou esfregar os olhos de jeito nenhum — isso pode deslocar o enxerto conjuntival e causar sangramento.
- Usar colírios de terceiros ou receitas antigas de cirurgias anteriores.
- Aplicar compressas quentes, que aumentam a inflamação.
- Dirigir, usar maquiagem nos olhos ou frequentar piscinas/ praias até liberação médica.
- Ignorar sinais de alerta como secreção purulenta, dor progressiva ou perda visual.
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre ardência no olho após cirurgia de pterígio
Quanto tempo dura a ardência no olho após cirurgia de pterígio?
Geralmente de 2 a 7 dias, mas pode persistir por até 2 semanas em pessoas com olho seco prévio. Se passar de 10 dias sem melhora, vale reconsultar.
A ardência pode voltar depois de melhorar?
Sim, se o olho voltar a ressecar (ar condicionado, tela de computador, vento) ou se houver exposição a agentes irritantes. O retorno da ardência após melhora completa merece atenção.
É normal sentir ardência ao colocar o colírio?
Uma leve queimação nos primeiros segundos pode ocorrer com colírios que contêm conservantes ou princípios ativos ácidos. Se a ardência durar mais de 1 minuto ou for intensa, informe o médico.
Pode ser alergia a algum medicamento?
Sim. Vermelhidão intensa, coceira e inchaço nas pálpebras associados à ardência sugerem reação alérgica. Nesse caso, o oftalmologista pode substituir a medicação.
Dormir com a cabeça elevada ajuda?
Ajuda sim, pois reduz o inchaço palpebral e o acúmulo de secreção, o que indiretamente diminui a ardência matinal.
Posso usar colírio lubrificante por conta própria?
Prefira sempre consultar o médico antes de acrescentar qualquer produto ao tratamento. Mas se o lubrificante foi orientado na alta, use sem conservantes.
Ardência e olho seco estão sempre relacionados?
Na maioria das vezes sim. A cirurgia de pterígio reduz temporariamente a estabilidade do filme lacrimal, e a secura leva à queimação.
Quando a ardência indica infecção?
Quando vem acompanhada de secreção amarelada ou esverdeada, piora progressiva, dor forte, inchaço nas pálpebras e febre. Aí é emergência.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Entenda os riscos, o preparo e a recuperação antes de qualquer procedimento cirúrgico.
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