O que é O que é O que é Arteriosclerose?
Na minha rotina aqui no SUS e nas clínicas populares de Fortaleza, arteriosclerose é um daqueles diagnósticos que aparecem quase todo dia, principalmente em pacientes acima dos 50 anos. De forma simples, é o envelhecimento e o endurecimento das artérias – os vasos que levam sangue rico em oxigênio para o coração, o cérebro, as pernas e todos os órgãos. Imagine um cano de água velho, com ferrugem e sujeira grudada nas paredes: o fluxo fica prejudicado. É mais ou menos isso que acontece com as artérias de quem tem arteriosclerose.
No Brasil, a arteriosclerose é a base da maioria das doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Na prática, atendo muitos pacientes que chegam com pressão alta descontrolada, diabetes mal cuidada ou que já tiveram um infarto ou um AVC. A doença é silenciosa por anos – a pessoa não sente nada até que a artéria entupa o suficiente para causar sintomas. Por isso, na atenção básica do SUS, o foco é prevenir: controlar a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto e incentivar a atividade física.
Vale destacar que arteriosclerose não é a mesma coisa que aterosclerose, embora os termos sejam usados como sinônimos no dia a dia. A arteriosclerose é o termo geral para qualquer endurecimento arterial; a aterosclerose é o tipo mais comum, causado pelo acúmulo de placas de gordura (ateromas). No consultório, quando falo com o paciente, explico que o “entupimento” das artérias é uma forma de arteriosclerose, e que o tratamento começa com mudanças no estilo de vida e, se necessário, com remédios como estatinas e anti-hipertensivos, todos disponíveis na farmácia popular e no SUS.
Como funciona / Características
O processo da arteriosclerose é lento e progressivo. Começa ainda na juventude, com pequenas lesões na camada interna das artérias – causadas por pressão alta, fumo, diabetes, colesterol elevado ou mesmo pelo envelhecimento natural. O corpo tenta reparar essas lesões, mas acaba depositando colesterol, cálcio e outras substâncias, formando placas. Com o tempo, as placas crescem, estreitam o canal da artéria e reduzem o fluxo sanguíneo. Se uma placa se rompe, pode formar um coágulo que obstrui totalmente o vaso, provocando infarto ou AVC.
No cotidiano de uma clínica popular, atendo senhores que reclamam de dor nas panturrilhas ao caminhar algumas quadras – isso é a claudição intermitente, um sinal clássico de arteriosclerose nas pernas. Outros relatam falta de ar ou dor no peito ao fazer esforço, que melhora com o repouso (angina estável). Muitas vezes, o paciente só descobre a doença depois de um exame de rotina, como um ultrassom Doppler ou um ecocardiograma solicitado na UBS. O importante é entender que a arteriosclerose não tem cura, mas pode ser controlada – e o SUS oferece acompanhamento gratuito com médico da família, nutricionista e enfermeiro.
Características comuns que observo:
– Endurecimento das artérias (perda da elasticidade)
– Estreitamento progressivo do vaso
– Formação de placas de gordura e cálcio
– Aumento da pressão arterial (o coração precisa fazer mais força para bombear)
– Risco aumentado de coágulos
Tipos e Classificações
Na medicina brasileira, classificamos a arteriosclerose de acordo com o tipo de lesão e o tamanho da artéria afetada. As principais são:
- Aterosclerose: é a forma mais frequente. As placas são ricas em gordura (ateromas) e afetam artérias grandes e médias, como as coronárias (do coração), carótidas (pescoço) e femorais (pernas). No Brasil, responde pela maioria dos infartos e AVCs.
- Arteriolosclerose: atinge as pequenas artérias (arteríolas), principalmente nos rins, cérebro e retina. Muito associada à hipertensão arterial crônica e ao diabetes. É comum em pacientes idosos com pressão mal controlada.
- Esclerose de Monckeberg: caracteriza-se por calcificação da camada média da artéria, sem obstrução significativa do fluxo. Geralmente não causa sintomas, mas aparece em exames de imagem, como raios-X, principalmente em pessoas com diabetes ou doença renal.
Na prática, o que mais vejo é a aterosclerose. O SUS segue as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cardiologia para classificar o risco cardiovascular e orientar o tratamento – desde a atenção primária até os hospitais de referência para cirurgia de ponte de safena ou colocação de stents.
Quando procurar um médico
Muitos pacientes me perguntam: “Doutor, quando devo me preocupar?” A arteriosclerose é traiçoeira porque fica quieta por muito tempo. Mas existem sinais de alerta que não podem ser ignorados:
- Dor no peito (aperto, queimação ou peso) que aparece ao esforço e melhora com repouso – pode ser angina.
- Falta de ar súbita ou progressiva, especialmente ao fazer atividades que antes eram fáceis.
- Dor, cãibra ou cansaço nas pernas ao caminhar, que passa quando para (claudiça intermitente).
- Tontura, desmaio ou fraqueza repentina de um lado do corpo – sinal de AVC.
- Feridas que não cicatrizam nos pés ou pernas, com pele fria e pálida.
- Pressão arterial muito elevada (acima de 140/90 mmHg) mesmo com remédios.
Na rede SUS, o primeiro passo é ir à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O médico da família pode avaliar, medir a pressão, pedir exames de sangue (colesterol, glicemia) e, se necessário, encaminhar para um cardiologista ou angiologista. Em clínicas populares, muitos procuram atendimento por conta própria – e aí oriento o mesmo: não espere o sintoma piorar. Quanto antes detectarmos a arteriosclerose, maior a chance de evitar complicações graves como infarto, AVC ou amputação.
Termos Relacionados
- Aterosclerose: Tipo mais comum de arteriosclerose, caracterizado por placas de gordura (ateromas) que estreitam as artérias. É a principal causa de infarto e AVC no Brasil.
- Colesterol: Gordura essencial para o corpo, mas em excesso contribui para a formação das placas de ateroma. O LDL (“ruim”) é o principal vilão.
- Placa de ateroma: Depósito de gordura, cálcio e outras substâncias na parede arterial. Pode romper e causar trombose.
- Infarto agudo do miocárdio: Morte do músculo cardíaco por obstrução de uma artéria coronária – consequência direta da aterosclerose.
- Acidente Vascular Cerebral (AVC): Interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro, geralmente por uma placa ou coágulo originado da arteriosclerose.
- Hipertensão arterial: Pressão alta constante, que lesa as artérias e acelera o processo de arteriosclerose. É o principal fator de risco no Brasil.
- Diabetes mellitus: Doença que danifica os vasos sanguíneos e aumenta muito o risco de arteriosclerose, principalmente nas pernas e rins.
- Claudição intermitente: Dor nas pernas ao caminhar, causada pela arteriosclerose nas artérias das pernas (doença arterial periférica). Melhora com repouso.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é O que é Arteriosclerose?
A arteriosclerose tem cura?
Não, a arteriosclerose é uma doença crônica que não tem cura, mas tem tratamento. Com mudanças no estilo de vida (alimentação saudável, exercícios, parar de fumar) e uso correto de medicamentos (estatinas, anti-hipertensivos, antidiabéticos), é possível desacelerar a progressão, estabilizar as placas e prevenir complicações. Muitos pacientes meus vivem décadas com qualidade de vida depois do diagnóstico, desde que sigam o acompanhamento médico.
Como é feito o diagnóstico da arteriosclerose?
O diagnóstico começa com a suspeita clínica – histórico de fatores de risco como pressão alta, diabetes, tabagismo, colesterol elevado, idade acima de 50 anos. No SUS, o médico da família pode solicitar exames de sangue (perfil lipídico, glicemia), eletrocardiograma, ecocardiograma e, em casos específicos, ultrassom Doppler das carótidas ou das pernas. Exames mais avançados como angiografia ou tomografia das coronárias são feitos em serviços especializados, quando há indicação.
Qual a diferença entre arteriosclerose e aterosclerose?
É uma dúvida comum. Arteriosclerose é o termo geral para o endurecimento e espessamento das artérias, independentemente da causa. Já a aterosclerose é um tipo específico de arteriosclerose, causado pelo acúmulo de placas de gordura (ateromas). Na prática, quando o médico fala em “entupimento das artérias”, está se referindo à aterosclerose, que é responsável pela maioria dos infartos e AVCs. Mas ambos os termos são usados no dia a dia.
A arteriosclerose atinge só idosos?
Não. Embora seja mais comum após os 50 anos, o processo começa na juventude, com o acúmulo de lesões nas artérias. Já atendi pacientes na faixa dos 30 anos com sinais precoces de arteriosclerose, especialmente


