O que é Doença renal policística?
A doença renal policística é uma condição hereditária em que múltiplos cistos (bolsas cheias de líquido) se formam nos rins, fazendo com que eles aumentem de tamanho e percam gradativamente a função de filtrar o sangue. Na prática de uma clínica popular ou no SUS, é comum atender pacientes que chegam com queixas de dor lombar persistente, pressão alta de difícil controle ou infecções urinárias de repetição. Muitas vezes o diagnóstico ocorre durante um exame de ultrassom solicitado por outros motivos, como uma simples dor abdominal.
No Brasil, a doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) é a forma mais frequente, afetando aproximadamente 1 em cada 1.000 pessoas. Segundo dados do Censo Brasileiro de Diálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 10% dos pacientes que entram em tratamento dialítico têm essa doença como causa base. Ela é responsável por grande parte dos casos de insuficiência renal crônica em adultos jovens, representando um desafio para a rede pública de saúde, que precisa oferecer acompanhamento nefrológico, exames de imagem e, quando necessário, terapia renal substitutiva (diálise ou transplante).
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza diretrizes clínicas para o manejo da doença renal policística no âmbito da Atenção Primária e Especializada. A ANVISA já aprovou medicamentos específicos para desacelerar a progressão dos cistos em alguns casos (como o tolvaptan), que são incorporados ao SUS conforme critérios de eficácia e custo‑efetividade. Contudo, na rotina das clínicas populares, o foco principal ainda é o controle da pressão arterial, a prevenção de infecções e o encaminhamento precoce ao nefrologista.
Como funciona / Características
Para entender a doença renal policística na prática do consultório, imagine um rim normal do tamanho de um punho fechado. Na pessoa com a doença, o rim vai crescendo lentamente, podendo chegar a 3 ou 4 vezes o tamanho normal, parecendo um cacho de uvas. Os cistos se desenvolvem ao longo dos anos e, ao ocupar espaço, comprimem o tecido renal saudável, prejudicando a filtração do sangue.
No dia a dia de uma clínica popular, o paciente mais comum é um adulto entre 30 e 50 anos que relata:
– “Doutor, sinto uma dor surda na lateral da barriga, que piora quando faço esforço.”
– “Minha pressão não baixa, mesmo tomando vários remédios.”
– “Já tive três infecções urinárias no último ano.”
Além da dor e da hipertensão, a doença renal policística também pode causar sangue na urina (hematúria), cálculo renal e infecções nos próprios cistos. Com o passar do tempo, a função renal cai progressivamente, levando à síndrome urêmica (inchaço, cansaço, falta de apetite, coceira). A velocidade com que isso acontece varia de pessoa para pessoa, mas fatores como sexo masculino, hipertensão não controlada e mutações genéticas mais agressivas aceleram a perda renal.
Tipos e Classificações
A doença renal policística é classificada principalmente de acordo com o padrão de herança genética e a idade de apresentação:
1. Doença renal policística autossômica dominante (DRPAD): é a forma mais comum (cerca de 90% dos casos). Geralmente se manifesta na vida adulta (dos 30 aos 50 anos). Cada filho de um pai afetado tem 50% de chance de herdar a mutação. No Brasil, a maioria dos diagnósticos em clínicas populares e no SUS se enquadra nesse tipo.
2. Doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR): é rara, aparece na infância ou mesmo antes do nascimento. Os rins são muito aumentados logo ao nascimento e a criança pode ter insuficiência renal precoce. O diagnóstico é feito por ultrassom pré‑natal ou no primeiro ano de vida.
Na prática clínica brasileira, a classificação também usa o estadiamento da doença renal crônica (DRC) – estágios 1 a 5 – com base na taxa de filtração glomerular (TFG). Exames de imagem como ecografia e ressonância magnética medem o volume renal total, que ajuda a prever a progressão. Em clínicas populares, a ultrassonografia de rins é o método mais acessível e frequentemente o primeiro exame a levantar a suspeita da doença renal policística.
Quando procurar um médico
É fundamental que a pessoa procure atendimento médico ao apresentar qualquer um dos seguintes sinais de alerta, especialmente se houver história familiar de rins policísticos ou insuficiência renal:
– Dor lombar ou abdominal persistente, que não melhora com repouso ou analgésicos comuns.
– Urina com sangue (hematúria), mesmo que em pequena quantidade.
– Pressão arterial elevada em adultos jovens (< 40 anos) de difícil controle.
- Infecções urinárias de repetição (mais de três episódios por ano), com febre ou dor ao urinar.
– Inchaço nas pernas, pés ou ao redor dos olhos.
– Cansaço excessivo, falta de apetite, náuseas ou coceira na pele (sinais de insuficiência renal avançada).
Na Atenção Primária do SUS, o médico generalista ou clínico da família pode solicitar exames simples como creatinina sérica, urina tipo I e ultrassom de rins. Confirmada a suspeita, o paciente é referenciado para o nefrologista. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de retardar a progressão da doença com medidas como controle rigoroso da pressão, dieta com baixo teor de sódio e evitar medicamentos tóxicos para os rins (como anti‑inflamatórios não esteroides – AINEs).
Termos Relacionados
- Cisto renal – Bolsa cheia de líquido que se forma dentro do rim. Na doença policística, são múltiplos e bilaterais. Cistos simples isolados são comuns e geralmente benignos, mas na doença hereditária sinalizam progressão.
- Hipertensão arterial secundária – Pressão alta causada por uma doença de base (no caso, a renal policística). Exige tratamento medicamentoso específico e, muitas vezes, uso de bloqueadores do sistema renina‑angiotensina.
- Insuficiência renal crônica (IRC) – Perda progressiva e irreversível da função dos rins. A doença policística é uma das principais causas de IRC terminal no Brasil, levando à necessidade de diálise ou transplante.
- Hemodiálise – Tratamento que filtra o sangue artificialmente quando os rins não funcionam mais. No SUS, é oferecido em clínicas de diálise espalhadas pelo país. O paciente precisa realizar sessões três vezes por semana.
- Transplante renal – Opção de tratamento definitivo para insuficiência renal terminal. Pacientes com doença policística podem transplantar – às vezes é necessário retirar os rins policísticos se causarem complicações como dor intensa ou infecções.
- Nefrologista – Médico especialista em doenças renais. É o profissional que acompanha a evolução da doença policística, ajusta medicamentos e indica a terapia renal substitutiva.
- Ecografia renal (ultrassom) – Exame de imagem simples, barato e sem radiação, muito usado no SUS para detectar cistos renais e medir o tamanho dos rins. É o primeiro exame a sugerir o diagnóstico.
- Aconselhamento genético – Orientações sobre o risco de transmissão da doença para os filhos. Pode ser solicitado pelo médico da família ou nefrologista, especialmente em unidades de genética do SUS ou serviços de referência.
Perguntas Frequentes sobre Doença renal policística
1. A doença renal policística tem cura?
Não há cura definitiva, pois é uma condição genética. O tratamento visa retardar a progressão da perda renal, controlar a pressão, evitar complicações e preparar o paciente para terapia substitutiva (diálise ou transplante) quando necessário. O diagnóstico precoce e o acompanhamento nefrológico fazem diferença na qualidade de vida.
2. Preciso fazer cirurgia para retirar os cistos?
Em geral, não. A cirurgia (cistectomia ou nefrectomia) é reservada para casos específicos: dor intratável, sangramento com risco de vida, infecções de repetição nos cistos que não respondem a antibióticos, ou antes de um transplante renal em rins muito grandes. A maioria das pessoas convive com os cistos sem necessidade de operação.
3. A doença passa para os filhos?
Na forma mais comum (autossômica dominante), cada filho de um portador tem 50% de chance de herdar a mutação e desenvolver a doença ao longo da vida. Existem testes genéticos para confirmar, mas o diagnóstico clínico (por ultrassom e história familiar) é suficiente na maioria dos casos. O aconselhamento genético pode ajudar as famílias a planejar.
4. O que posso fazer para evitar que a doença piore?
Controle rigoroso da pressão arterial (meta < 130/80 mmHg), dieta com pouco sal, evitar anti‑inflamatórios (como ibuprofeno e diclofenaco), não fumar, manter o peso adequado e fazer exames de rotina com o nefrologista. Em alguns casos, o médico pode prescrever tolvaptan – um medicamento que reduz o crescimento dos cistos, disponível no SUS para pacientes com rápida progressão.
5. Vou precisar de diálise? Quando?
Cerca de 50% das pessoas com doença renal policística autossômica dominante desenvolvem insuficiência renal terminal por volta dos 55‑65 anos. A progressão é variável: alguns chegam perto dos 70 anos sem diálise, outros precisam mais cedo. O nefrologista acompanha a taxa de filtração renal: quando cai abaixo de 15 mL/min, a diálise ou o transplante são indicados.
6. No SUS, tenho direito a tratamento gratuito?
Sim. O SUS oferece consultas com nefrologista, exames de imagem (ultrassom, tomografia, ressonância conforme necessidade), medicamentos (inclusive tolvaptan para casos selecionados), sessões de hemodiálise e acesso ao transplante renal. Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro para iniciar o acompanhamento e ser referenciado para o serviço especializado.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.
Fontes confiáveis:


