Estima-se que, em 2026, cerca de 12% da população brasileira adulta apresente níveis elevados de ácido úrico (hiperuricemia), condição frequentemente registrada sob o código CID 509. A gota, principal manifestação clínica, já atinge mais de 2 milhões de brasileiros, com aumento de 15% nos diagnósticos nos últimos cinco anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 509 e quer saber o que significa? Esse código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) refere-se aos transtornos do metabolismo das purinas e pirimidinas, principalmente a hiperuricemia e a gota. Neste artigo completo, explicamos os sintomas, causas, tratamento e tudo que você precisa saber sobre essa condição metabólica comum.
- Código: E79.9 (popularmente referido como CID 509)
- Descrição: Transtorno do metabolismo das purinas e pirimidinas, não especificado
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E79.0 (Hiperuricemia sem sinais de gota), E79.1 (Síndrome de Lesch-Nyhan), E79.8 (Outros transtornos especificados), E79.9 (Não especificado)
Paciente: Carlos Antunes, 47 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Dor intensa e edema no hálux esquerdo, iniciada há 36 horas, sem trauma. Relata consumo de carne vermelha e cerveja no dia anterior.
Avaliação clínica: Exame físico mostrou podagra clássica – articulação metacarpofalângica quente, rubor e impotência funcional. Solicitei dosagem de ácido úrico sérico (9,8 mg/dL; valor normal < 7,0) e radiografia que descartou fratura. Hemograma com leucocitose leve.
Diagnóstico: Ataque agudo de gota – após avaliação completa, o médico registrou o CID E79.9 (CID 509) – transtorno do metabolismo das purinas não especificado, manifestado por artrite gotosa.
Conduta terapêutica: Prescrito colchicina 0,5 mg a cada 2 horas (máximo 6 doses/dia) por 48 horas, associado a ibuprofeno 600 mg 3x/dia para dor. Recomendação de hidratação vigorosa, repouso e elevação do membro. Após a crise, iniciar alopurinol 100 mg/dia, com ajuste progressivo.
Evolução: Após 3 dias o paciente já referia melhora significativa da dor e do edema. Em 7 dias estava assintomático. Retornou em 30 dias com ácido úrico de 6,2 mg/dL, mantendo alopurinol e orientações dietéticas.
Lição clínica: O CID 509 não é uma sentença – com tratamento adequado, mudanças alimentares e acompanhamento, a maioria dos pacientes controla a hiperuricemia e evita novas crises.
O que é o CID 509 na prática médica
O CID 509 (E79.9) agrupa distúrbios do metabolismo das purinas e pirimidinas, substâncias que formam o DNA celular. O principal representante é a hiperuricemia, quando os níveis de ácido úrico no sangue ultrapassam 7,0 mg/dL em homens e 6,0 mg/dL em mulheres. Na prática, o médico utiliza esse código quando identifica alterações laboratoriais consistentes com excesso de ácido úrico, mas sem uma causa mais específica determinada. Saiba mais sobre outros CID relacionados.
A hiperuricemia pode ser assintomática por anos, mas frequentemente evolui para gota (artrite por cristais de urato), formação de cálculos renais ou, em casos graves, doença renal crônica. Estima-se que 20% dos pacientes com hiperuricemia desenvolverão gota ao longo da vida. O CID 509 também pode ser usado em síndromes genéticas raras, como a Síndrome de Lesch-Nyhan (E79.1).
Subcategorias e variantes do CID 509
Embora o código “509” seja uma referência popular, os números oficiais da CID-10 para este grupo são:
- E79.0 – Hiperuricemia sem sinais de gota: quando o paciente tem ácido úrico elevado, mas nunca apresentou crise de artrite.
- E79.1 – Síndrome de Lesch-Nyhan: doença genética ligada ao cromossomo X, caracterizada por hiperuricemia, movimentos involuntários e deficiência intelectual.
- E79.8 – Outros transtornos especificados do metabolismo das purinas e pirimidinas: inclui deficiências enzimáticas raras.
- E79.9 – Transtorno não especificado (nosso CID 509): usado quando o quadro clínico é compatível mas não se encaixa nas subcategorias acima. Veja outros códigos semelhantes.
Na rotina dos consultórios, a maioria dos diagnósticos de gota é registrada como M10.0 (gota idiopática) ou M10.9 (gota não especificada). Já o CID 509 é mais empregado quando o foco está no distúrbio metabólico propriamente dito, e não na manifestação articular.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas dependem da condição específica:
- Hiperuricemia assintomática: nenhum sintoma; descoberta em exames de rotina.
- Crise aguda de gota: dor excruciante no hálux (podagra), tornozelo, joelho ou punho; início súbito, geralmente à noite; articulação quente, vermelha e inchada; febre baixa pode acompanhar.
- Gota tofácea crônica: após anos de crises não tratadas, formam-se nódulos de urato (tofos) em orelhas, cotovelos, tendões.
- Nefrolitíase por ácido úrico: dor lombar intensa tipo cólica, hematúria, disúria.
- Síndrome de Lesch-Nyhan: hiperuricemia desde o nascimento, movimentos coreoatetóticos, automutilação, atraso no desenvolvimento.
É importante notar que nem toda hiperuricemia causa sintomas – mas o risco de complicações aumenta com níveis acima de 9 mg/dL. Condições de ansiedade podem piorar a percepção da dor.
Causas e fatores de risco
A hiperuricemia pode ser causada por:
- Produção excessiva de ácido úrico – dieta rica em purinas (carne vermelha, frutos do mar, miúdos, cerveja); obesidade; síndrome metabólica; doenças mieloproliferativas; quimioterapia.
- Eliminação renal reduzida – insuficiência renal crônica; uso de diuréticos tiazídicos; baixa ingestão hídrica; acidose metabólica.
- Fatores genéticos – polimorfismos nos transportadores urato (SLC2A9, ABCG2); Síndrome de Lesch-Nyhan.
- Medicamentos – aspirina em baixa dose, ciclosporina, levodopa, etambutol.
- Outros – desidratação, trauma articular, pós-operatório, consumo excessivo de álcool.
Os principais fatores de risco evitáveis são dieta inadequada, obesidade e sedentarismo. Homens entre 40 e 60 anos são os mais acometidos. Aprenda sobre outros CID associados à síndrome metabólica.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a história clínica e exame físico detalhados. O achado clássico de podagra em paciente com níveis elevados de ácido úrico já é forte indicativo. Exames complementares:
- Dosagem de ácido úrico sérico – valor de referência: homens 3,4-7,0 mg/dL; mulheres 2,4-6,0 mg/dL.
- Análise do líquido sinovial – padrão ouro: presença de cristais de urato monossódico birrefringentes à microscopia com luz polarizada.
- Radiografia – nas crises agudas pode ser normal; na gota crônica, erosões ósseas “em saca-bocado”.
- Ultrassonografia articular – sinal do duplo contorno nos tofos.
- Função renal – creatinina, ureia, EAS, proteinúria de 24h para descartar nefropatia.
- Exames genéticos – indicados se suspeita de Síndrome de Lesch-Nyhan ou outras doenças raras.
O médico utiliza o CID 509 quando confirma a hiperuricemia como foco principal, mesmo que a gota seja a manifestação clínica. CID R11 (náuseas) pode surgir durante o tratamento com colchicina.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento divide-se em duas frentes: controle da crise aguda e prevenção de novas crises.
Crise aguda de gota
- Colchicina – 1,0 mg no início, seguido de 0,5 mg após 1 hora; máximo 3 mg/dia. Eficaz nas primeiras 12 horas.
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) – ibuprofeno, naproxeno, indometacina. Evitar em insuficiência renal ou úlcera péptica.
- Corticosteroides – prednisona 30-40 mg/dia por 5-7 dias, ou injeção intra-articular em monoatrite.
Controle da hiperuricemia a longo prazo
- Alopurinol – primeira linha; inibe a xantina oxidase. Iniciar com 100-300 mg/dia, ajustar até alvo de ácido úrico < 6,0 mg/dL.
- Febuxostate – alternativa para alérgicos ou intolerantes ao alopurinol; 40-80 mg/dia.
- Uricosúricos – probenecida, benzbromarona; aumentam a excreção renal de urato. Usar com cautela em nefropatas.
- Rasburicase e pegloticase – medicações intravenosas para casos refratários e doença tofácea grave.
O tratamento não medicamentoso inclui hidratação de 2-3L/dia, dieta com restrição de purinas, controle de peso e redução de álcool. O refluxo gastroesofágico (CID K21) pode piorar com AINEs.
Quantos dias de atestado médico
Para uma crise aguda de gota, o atestado médico costuma variar de 3 a 7 dias, dependendo da intensidade dos sintomas, localização e profissão do paciente. Trabalhadores que realizam atividades que exigem deambulação ou uso contínuo das mãos podem precisar de afastamento maior. O médico avalia criteriosamente a resposta ao tratamento: se a dor não ceder em 48-72 horas, o período pode ser estendido. A legislação brasileira prevê que o atestado deve ser emitido com o CID (E79.9) e a nº de dias necessários para a recuperação funcional. Para dores nas costas (CID M54), o atestado pode ser semelhante.
É fundamental que o paciente apresente o atestado ao empregador e, se necessário, solicite prorrogação junto ao INSS. A média nacional para gota aguda é de 5 dias de repouso.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
- Dor articular súbita e incapacitante, especialmente no hálux – início noturno é característico.
- Febre alta (>38,5°C) associada à articulação quente – pode simular artrite séptica.
- Impossibilidade de apoiar o pé ou usar a mão afetada.
- Diminuição do débito urinário ou dor lombar intensa – suspeita de cálculo renal.
- Tofos ulcerados ou infectados.
- Reações adversas a medicamentos (erupção cutânea, diarreia intensa, insuficiência renal).
- Paciente com diagnóstico de hiperuricemia que apresenta vômitos, desidratação ou confusão mental – pode ser síndrome de lise tumoral.
Não espere a crise passar sozinha: o tratamento precoce reduz o dano articular. Infecções respiratórias (CID J06) podem precipitar crises de gota.
Prevenção e cuidados contínuos
A hiperuricemia é uma condição crônica, mas amplamente controlável. Medidas fundamentais:
- Hidratação adequada – 2 a 3 litros de água por dia, preferencialmente entre as refeições.
- Dieta com baixo teor de purinas – evitar carnes vermelhas, vísceras, frutos do mar, molhos concentrados, cerveja e destilados. Preferir laticínios com baixo teor de gordura, ovos, cereais integrais, frutas e vegetais.
- Controle de peso – obesidade está intimamente ligada à hiperuricemia; perda de 5-10% já reduz níveis de ácido úrico.
- Atividade física regular – recomenda-se 150 min/semana de exercícios aeróbicos moderados.
- Uso contínuo de medicamentos – alopurinol ou febuxostate não devem ser interrompidos sem orientação médica; mesmo em períodos assintomáticos.
- Monitorização periódica – dosar ácido úrico a cada 6-12 meses, além de função renal e lipidograma.
Pacientes com gota devem manter uma meta de ácido úrico sérico abaixo de 6,0 mg/dL para dissolver cristais e prevenir recidivas. Rinite alérgica (CID J30) não interfere, mas o uso de alguns anti-histamínicos pode.
- 01. Mantenha um diário alimentar por 1 mês – identifique quais alimentos ou bebidas desencadeiam suas crises.
- 02. Beba um copo de água a cada hora durante o dia; a urina deve ficar clara e abundante.
- 03. Nunca pare o alopurinol por conta própria – a interrupção abrupta pode precipitar crises severas.
- 04. Ao menor sinal de crise (dor leve), tome colchicina ou AINE imediatamente – quanto mais cedo, mais eficaz.
- 05. Faça exames de sangue a cada 6 meses: ácido úrico, creatinina, TGO/TGP e hemograma completo.
Perguntas Frequentes sobre o CID 509
O CID 509 garante quantos dias de atestado?
Em média, 3 a 7 dias para crise aguda de gota, dependendo da gravidade e da profissão. O médico define o período conforme a evolução clínica e a necessidade de repouso funcional.
O CID 509 é contagioso?
Não. Os transtornos do metabolismo das purinas não são transmitidos de pessoa para pessoa. São condições metabólicas internas, muitas vezes de origem genética ou adquirida.
Hiperuricemia sempre causa gota?
Não. Apenas 20% dos pacientes com hiperuricemia desenvolverão gota ao longo da vida. Muitos permanecem assintomáticos, mas o risco de lesão renal e cálculos aumenta com níveis elevados.
Qual a dieta ideal para quem tem CID 509?
Dieta com restrição de purinas: evitar carnes vermelhas, frutos do mar, miúdos, extrato de carne, cerveja e refrigerantes. Preferir laticínios desnatados, ovos, arroz, batata, legumes e frutas como cereja, morango e uva.
Posso tomar cerveja se estou controlado?
O ideal é evitar completamente bebidas alcoólicas, especialmente cerveja e destilados. Mesmo em pacientes controlados, o álcool pode elevar o ácido úrico e desencadear crises. Cerveja sem álcool também contém purinas.
O CID 509 tem cura?
Não existe cura definitiva, mas o tratamento adequado permite controlar os níveis de ácido úrico, prevenir crises e evitar complicações. A condição é crônica e exige acompanhamento contínuo.
Crianças podem ter CID 509?
Sim, mas é raro. Na infância, a hiperuricemia está geralmente associada a síndromes genéticas como Lesch-Nyhan (E79.1) ou doenças renais. Qualquer caso exige investigação detalhada.
O estresse piora a hiperuricemia?
Indiretamente, sim. O estresse crônico pode levar a maus hábitos alimentares, consumo de álcool e sedentarismo, fatores que elevam o ácido úrico. Além disso, o cortisol pode influenciar o metabolismo das purinas.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes confiáveis:
CID10.com.br – E79.9 oficial |
MedlinePlus – Gota (espanhol) |
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde


