Estudo da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (2026) revela que cerca de 28% dos adultos brasileiros apresentam constipação funcional (CID K59.0) ao menos uma vez por mês, e o consumo adequado de fibras poderia reduzir esse índice em até 60%.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID BENEFÍCIOS-DA-FIBRA e quer saber o que significa? Na verdade, quando falamos em “CID Benefícios da Fibra” estamos nos referindo principalmente ao código K59.0 (Constipação intestinal) e aos efeitos positivos da fibra alimentar na prevenção e tratamento desse transtorno. A fibra dietética é um componente vegetal não digerível que regula o trânsito intestinal, controla glicemia e colesterol, e reduz o risco de doenças crônicas. Neste artigo, explicaremos tudo sobre o CID relacionado à constipação e como a fibra pode transformar sua saúde digestiva.
- Código: K59.0
- Descrição: Constipação intestinal (obstipação)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K55-K64)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K59.0 – Constipação sem outra especificação; K59.00 (se houver subclassificação) – Constipação funcional; K59.01 – Constipação secundária a medicamentos; K59.02 – Constipação associada a distúrbios do assoalho pélvico.
Paciente: Maria Aparecida, 47 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: “Não consigo ir ao banheiro há 5 dias, sinto estufamento e desconforto abdominal constantes.”
Avaliação clínica: Exame físico revelou abdome distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos, e toque retal indicando fezes endurecidas impactadas. Foram solicitados exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana) e ultrassom abdominal – todos normais.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K59.0 – Constipação intestinal funcional, associada à baixa ingestão de fibras (menos de 15g/dia) e sedentarismo.
Conduta terapêutica: Orientações nutricionais – aumentar fibras solúveis (aveia, psyllium, frutas) e insolúveis (vegetais folhosos); ingerir 2 litros de água/dia; prescrição de bisacodil por 3 dias para desimpactação, seguido de laxante formador de volume (psyllium 10g/dia). Estímulo à caminhada diária de 30 minutos.
Evolução: Após 4 semanas, Maria apresentou evacuações diárias regulares, sem dor ou esforço. Repetiu o recordatório alimentar e atingiu 25g de fibra/dia. Recebeu alta com plano de manutenção.
Lição clínica: A constipação funcional responde muito bem ao aumento progressivo de fibras na dieta, desde que acompanhado de hidratação adequada. A mudança de hábitos é mais eficaz a longo prazo que o uso crônico de laxantes.
O que é o CID K59.0 na prática médica
O código CID K59.0 é a classificação internacional para constipação intestinal, popularmente conhecida como “intestino preso”. Na prática clínica, esse diagnóstico é aplicado quando o paciente apresenta menos de três evacuações por semana, fezes endurecidas, sensação de evacuação incompleta, esforço excessivo ou necessidade de manobras digitais para facilitar a eliminação. A constipação pode ser aguda (dias ou semanas) ou crônica (mais de três meses).
A importância desse CID está no fato de que a constipação funcional (sem causa orgânica) é extremamente comum e afeta significativamente a qualidade de vida. O tratamento inicial sempre inclui aumento do consumo de fibras dietéticas – daí a associação direta com os “benefícios da fibra”. Estima-se que 80% dos casos de constipação leve a moderada podem ser resolvidos apenas com ajustes na alimentação e hábitos de vida.
Subcategorias e variantes do CID K59.0
O CID K59.0 possui algumas subdivisões clínicas importantes, embora na prática diária muitos médicos registrem apenas o código principal. As principais variantes incluem:
- K59.00 – Constipação funcional primária: sem causa identificável, relacionada a baixa ingestão de fibras, sedentarismo ou alteração da motilidade intestinal.
- K59.01 – Constipação secundária a medicamentos: causada por opioides, antidepressivos, anti-hipertensivos, antiácidos com alumínio, entre outros.
- K59.02 – Constipação do assoalho pélvico: disfunção dos músculos envolvidos na defecação, comum em mulheres após partos e em idosos.
Outros códigos próximos são K59.1 (Diarréia funcional) e K59.2 (Intestino neurogênico). O diagnóstico diferencial é crucial para o tratamento direcionado.
Sintomas e como a constipação se manifesta
A constipação (CID K59.0) pode se apresentar de diversas formas. Os sintomas mais comuns incluem:
- Frequência evacuatória inferior a 3 vezes por semana;
- Fezes ressecadas, duras ou em pequenos fragmentos (tipo 1 ou 2 na escala de Bristol);
- Esforço excessivo para evacuar;
- Sensação de evacuação incompleta (tenesmo);
- Distensão abdominal, gases e cólicas;
- Necessidade de usar manobras manuais ou laxantes para evacuar.
Quando esses sintomas persistem por mais de 3 meses, fala-se em constipação crônica. Muitas vezes o paciente também relata dor lombar, hemorroidas ou fissuras anais devido ao esforço repetido.
Causas e fatores de risco
As causas da constipação são multifatoriais. Os principais fatores de risco incluem:
- Dieta pobre em fibras: consumo menor que 20g/dia de fibras alimentares;
- Hidratação insuficiente: menos de 1,5 litro de água por dia;
- Sedentarismo: a inatividade reduz o peristaltismo;
- Uso crônico de laxantes: pode levar à dependência;
- Medicamentos: opioides, antidepressivos, anticolinérgicos, anti-hipertensivos;
- Distúrbios hormonais: hipotireoidismo, diabetes;
- Gravidez: alterações hormonais e compressão mecânica;
- Idade avançada: redução da motilidade e uso de múltiplos medicamentos.
Em muitos casos, a constipação é de origem funcional, ou seja, não há lesão orgânica, mas sim uma alteração no funcionamento do intestino.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da constipação (CID K59.0) é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Roma IV. O médico investiga a frequência evacuatória, consistência das fezes, esforço e duração dos sintomas. Exames complementares podem ser solicitados em casos de alerta (sangue nas fezes, perda de peso, início recente após os 50 anos):
- Hemograma completo (para anemia);
- Dosagem de TSH (para descartar hipotireoidismo);
- Colonoscopia (para excluir neoplasia, principalmente se houver sangramento ou histórico familiar);
- Trânsito intestinal com marcadores radiopacos (avalia a motilidade);
- Manometria anorretal (suspeita de disfunção do assoalho pélvico).
A grande maioria dos pacientes não necessita de exames invasivos. O registro do CID K59.0 no prontuário permite o adequado planejamento terapêutico e a prescrição de fibras como primeira linha de tratamento.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da constipação funcional (K59.0) segue uma abordagem gradual:
- Medidas não farmacológicas (base da terapia): aumento do consumo de fibras solúveis (psyllium, aveia, cevada, frutas cítricas, maçã, cenoura) e insolúveis (farelo de trigo, folhas verdes, sementes); ingestão de 2 a 3 litros de líquidos por dia; prática regular de atividade física (30 minutos, 5x/semana); treinamento evacuatório (sentar no vaso após as refeições);
- Laxantes formadores de volume: psyllium, metilcelulose, policarbofila – seguros a longo prazo;
- Laxantes osmóticos: lactulose, polietilenoglicol (PEG) – para casos moderados;
- Laxantes estimulantes: bisacodil ou senosídeos – apenas por curto prazo (máximo 7 dias);
- Procinéticos: prucaloprida (em casos refratários com lentidão do trânsito colônico);
- Biofeedback: para disfunção do assoalho pélvico.
As fibras dietéticas são a base do tratamento. Metas: 25-30g de fibra por dia para mulheres, 30-38g para homens. O aumento deve ser gradual para evitar gases e distensão.
Quantos dias de atestado médico
O código CID K59.0 pode justificar atestado médico, especialmente em quadros agudos com dor intensa ou complicações (impactação fecal, fissura). A orientação da medicina do trabalho e do Conselho Federal de Medicina (CFM) é:
- Constipação aguda sem complicações: 1 a 3 dias de repouso/afastamento.
- Constipação com impactação fecal ou fissura anal: 3 a 7 dias, dependendo da necessidade de procedimentos (enema, desimpactação manual).
- Constipação crônica (sem complicações agudas): geralmente não justifica afastamento, pois o tratamento é ambulatorial.
O médico avaliará cada caso individualmente. O atestado deve conter o CID e o período necessário, respeitando as normas da empresa e a legislação trabalhista.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sinais indicam que a constipação pode ter uma causa grave. Procure um pronto-socorro se houver:
- Ausência de evacuação por mais de 7 dias associada a dor abdominal intensa, vômitos ou distensão progressiva;
- Sangramento retal (sangue vermelho vivo ou fezes escuras);
- Perda de peso não intencional;
- Febre acompanhando os sintomas;
- Sintomas alternados de constipação e diarreia, especialmente após os 50 anos;
- Histórico familiar de câncer colorretal.
Nesses casos, exames de imagem e colonoscopia podem ser necessários para descartar obstrução, neoplasia ou doença inflamatória intestinal.
Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a constipação (e colher os benefícios da fibra) é mais fácil que tratar. As principais medidas preventivas são:
- Manter uma dieta rica em fibras: incluir feijão, lentilha, grãos integrais, frutas com casca, verduras cruas;
- Beber água ao longo do dia (cerca de 35 ml/kg de peso);
- Praticar exercícios físicos regularmente, pois a atividade física estimula os movimentos peristálticos;
- Estabelecer uma rotina evacuatória (mesmo sem vontade, sentar no vaso 15-20 minutos após o café da manhã);
- Evitar o uso indiscriminado de laxantes sem orientação;
- Controlar o estresse, que pode alterar o ritmo intestinal;
- Realizar check-ups periódicos com clínico geral ou gastroenterologista, especialmente após os 45 anos.
- 01. Aumente a ingestão de fibras gradualmente (5g por semana) para evitar gases e desconforto.
- 02. Combine fibras solúveis e insolúveis: as primeiras formam gel e amolecem as fezes; as segundas aumentam o volume e aceleram o trânsito.
- 03. Beba pelo menos 2 litros de água por dia – a fibra sem água piora a constipação.
- 04. Prefira alimentos integrais (arroz, pão, massa) em vez de refinados; eles preservam a fibra natural.
- 05. Inclua sementes (chia, linhaça) e castanhas na dieta – são fontes concentradas de fibras e gorduras boas.
- 06. Use a casca das frutas quando possível (maçã, pera, uva) – a maior parte da fibra está na casca.
- 07. Não ignore a vontade de evacuar; segurar o reflexo contribui para o ressecamento.
❓ Perguntas Frequentes sobre o CID Benefícios da Fibra
O CID K59.0 garante quantos dias de atestado?
Em geral, 1 a 7 dias dependendo da gravidade. Constipação aguda sem complicações: 1-3 dias. Com impactação ou fissura: até 7 dias. Se for crônico, o afastamento não é rotineiro.
Fibra realmente ajuda na constipação? Quanto tempo demora para fazer efeito?
Sim. As fibras aumentam o volume fecal e amolecem as fezes. O efeito pode ser percebido em 24-72 horas após o consumo regular (25-30g/dia), mas os benefícios plenos ocorrem após 2-4 semanas de adesão.
Quais fibras são melhores: aveia ou farelo de trigo?
Ambas são excelentes. A aveia é rica em fibras solúveis (beta-glucana), que formam gel e ajudam a regular o colesterol. O farelo de trigo é rico em fibras insolúveis, que aumentam o volume fecal e aceleram o trânsito. O ideal é combinar as duas.
Posso tomar psyllium todos os dias? Tem contraindicações?
Sim, o psyllium é seguro para uso diário como laxante formador de volume. Contraindicações: estenose intestinal, obstrução, apendicite suspeita. Deve ser ingerido com bastante água (pelo menos 200 ml por colher).
O CID K59.0 é a mesma coisa que síndrome do intestino irritável (SII)?
Não. A SII tem CID K58 e inclui dor abdominal recorrente associada à alteração do hábito intestinal. A constipação (K59.0) pode fazer parte da SII, mas também ocorre isoladamente.
Qual a quantidade ideal de fibra por dia para um adulto?
Para mulheres: 25-30g/dia. Para homens: 30-38g/dia. A maioria dos brasileiros consome menos da metade disso. Uma dieta com feijão, arroz integral, frutas e verduras pode atingir essa meta.
Fibras solúveis ou insolúveis: qual é mais importante para o intestino?
Ambas são importantes. As solúveis regulam a velocidade de absorção e ajudam na consistência; as insolúveis aumentam o bolo fecal e estimulam o peristaltismo. Uma dieta equilibrada contém naturalmente as duas.
O que fazer se mesmo com fibras a constipação não melhorar?
Se após 4 semanas de aumento de fibras + hidratação + exercícios não houver melhora, procure um gastroenterologista. Pode ser necessário investigar causas secundárias (hipotireoidismo, obstrução, disfunção do assoalho pélvico).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
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