quinta-feira, julho 2, 2026

Cid Cálculo Biliar






Cid Cálculo Biliar

Dado epidemiológico 2026

Em 2026, estima-se que cerca de 15% da população adulta brasileira apresente cálculos biliares assintomáticos, e a incidência de colecistectomia (cirurgia de retirada da vesícula) ultrapassa 200 mil procedimentos anuais no SUS. A doença é duas vezes mais prevalente em mulheres na faixa etária de 40 a 60 anos.

Introdução

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CÁLCULO BILIAR e quer saber o que significa? Trata-se da condição conhecida como colelitíase, ou formação de pedras (cálculos) na vesícula biliar. Este artigo explica, em linguagem clara e baseada em evidências, todos os aspectos da doença – desde os sintomas e causas até o tratamento, dias de atestado e prevenção. Ao final, você encontrará um estudo de caso real que ilustra o manejo na prática clínica.

Identificação do CID

  • Código: K80
  • Descrição: Colelitíase (Cálculo Biliar)
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: K80.0 (Cálculo da vesícula biliar com colecistite aguda), K80.1 (Cálculo da vesícula biliar com colecistite crônica), K80.2 (Cálculo da vesícula biliar sem colecistite), K80.3 (Cálculo do ducto biliar com colangite), K80.4 (Cálculo do ducto biliar com colecistite), K80.5 (Cálculo do ducto biliar sem colangite ou colecistite), K80.8 (Outras formas de colelitíase).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria Aparecida, 52 anos, professora aposentada

Queixa principal: Dor intensa no lado direito do abdome superior, irradiando para as costas, após refeição gordurosa, associada a náuseas e sensação de empachamento.

Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava sinal de Murphy positivo (interrupção da inspiração durante palpação do hipocôndrio direito). Ultrassonografia abdominal revelou múltiplos cálculos na vesícula biliar, o maior com 1,8 cm, além de espessamento parietal sugestivo de colecistite crônica. Exames laboratoriais mostraram leucocitose discreta e leve elevação de fosfatase alcalina.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K80.1 — Cálculo da vesícula biliar com colecistite crônica, caracterizado por inflamação crônica da vesícula associada à presença de cálculos.

Conduta terapêutica: Foi indicada colecistectomia videolaparoscópica eletiva. No pré-operatório, prescreveu-se dieta zero em gorduras e uso de analgésicos (dipirona 500 mg de 6/6h se dor) e antiespasmódicos (butilbrometo de escopolamina 10 mg sublingual). A cirurgia foi realizada sem intercorrências.

Evolução: A paciente recebeu alta hospitalar 48 horas após o procedimento. Retornou às atividades leves após 7 dias e à plena atividade após 17 dias de atestado. Em consulta de retorno com 30 dias, estava assintomática, alimentando-se normalmente.

Lição clínica: Casos de colelitíase sintomática com colecistite crônica têm indicação cirúrgica bem estabelecida. O atestado deve ser individualizado, considerando o tipo de trabalho e a via de acesso cirúrgico.

Atenção: Nunca ignore dores abdominais persistentes ou recorrentes. O cálculo biliar pode complicar com colecistite aguda, colangite ou pancreatite biliar, condições potencialmente graves. Procure avaliação médica imediata se apresentar febre, icterícia (olhos amarelados) ou vômitos incoercíveis.

O que é o CID K80 na prática médica

O CID K80 (cálculo biliar) classifica a presença de concreções sólidas no interior da vesícula biliar ou nos ductos biliares. Esses cálculos são compostos principalmente por colesterol (80% dos casos) ou por bilirrubina (cálculos pigmentares). A doença é extremamente comum: cerca de 10 a 20% dos adultos no mundo ocidental possuem cálculos biliares, embora a maioria permaneça assintomática. Quando os cálculos obstruem o ducto cístico ou o colédoco, desencadeiam sintomas como cólica biliar, inflamação (colecistite) e, em casos graves, infecção ou pancreatite.

Subcategorias e variantes do CID K80

O CID-10 descreve oito subcategorias principais para a colelitíase:

  • K80.0 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite aguda: quadro doloroso intenso, febre, leucocitose.
  • K80.1 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite crônica: inflamação de longa data, dor recorrente.
  • K80.2 – Cálculo da vesícula biliar sem colecistite: achado incidental em exames de imagem.
  • K80.3 – Cálculo do ducto biliar com colangite: infecção das vias biliares, urgência médica.
  • K80.4 – Cálculo do ducto biliar com colecistite: associação entre obstrução ductal e inflamação vesicular.
  • K80.5 – Cálculo do ducto biliar sem colangite ou colecistite: cálculo assintomático no colédoco.
  • K80.8 – Outras formas de colelitíase, como cálculos intra-hepáticos.

O código específico utilizado pelo médico depende dos achados clínicos e de imagem. Por isso, o CID K80 deve ser interpretado com o contexto completo do paciente.

Sintomas e como a doença se manifesta

Até 80% das pessoas com cálculo biliar não apresentam sintomas (são assintomáticas). Quando os sintomas surgem, o mais característico é a cólica biliar: dor súbita e intensa no quadrante superior direito do abdome, que pode irradiar para as costas ou para o ombro direito, geralmente após refeições ricas em gordura. Outros sintomas incluem:

  • Náuseas e vômitos
  • Sensação de empachamento e gases
  • Dor que dura de 30 minutos a várias horas
  • Febre e calafrios (indicam colecistite aguda ou colangite)
  • Icterícia (pele e olhos amarelados) – sinal de obstrução biliar
  • Urina escura e fezes claras (acólicas)

A intensidade da dor pode ser tão forte que leva o paciente ao pronto-socorro. É fundamental diferenciar a cólica biliar de outras causas de abdome agudo, como úlcera perfurada ou pancreatite.

Causas e fatores de risco

A formação dos cálculos biliares é multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:

  • Sexo feminino: mulheres têm 2 a 3 vezes mais chances devido ao efeito do estrogênio que aumenta a saturação de colesterol na bile.
  • Idade: a prevalência aumenta após os 40 anos.
  • Obesidade e síndrome metabólica: elevam a secreção de colesterol biliar.
  • Diabetes mellitus: associado a dismotilidade vesicular.
  • Gravidez: as alterações hormonais e a compressão mecânica favorecem a litíase.
  • Uso de anticoncepcionais orais ou terapia hormonal: aumento de estrogênio.
  • Perda rápida de peso: dietas muito restritivas ou cirurgia bariátrica podem precipitar a formação de cálculos.
  • Fatores genéticos: história familiar positiva aumenta o risco.
  • Cirrose hepática e hemólise crônica: predispõem a cálculos pigmentares.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com a história clínica detalhada e o exame físico. O sinal de Murphy (parada inspiratória à palpação do hipocôndrio direito) é um marco semiológico. Os exames complementares principais são:

  • Ultrassonografia abdominal: exame de escolha, com sensibilidade >95% para detecção de cálculos vesiculares. Mostra também espessamento parietal, lama biliar, dilatação de vias biliares.
  • Tomografia computadorizada: útil na suspeita de complicações (abscesso, perfuração) ou na avaliação de cálculos do colédoco.
  • Ressonância magnética (colangioRM): excelente para visualizar cálculos nos ductos biliares.
  • Exames laboratoriais: hemograma, provas de função hepática (bilirrubinas, fosfatase alcalina, GGT, transaminases), amilase e lipase (para excluir pancreatite).
  • CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica): procedimento terapêutico e diagnóstico para cálculos no colédoco.

O CID K80 é registrado somente após a confirmação por imagem.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento depende da presença de sintomas e complicações:

  • Assintomáticos (K80.2): conduta expectante – não há indicação de cirurgia, apenas orientação dietética (evitar excesso de gorduras) e acompanhamento.
  • Cólica biliar isolada: analgesia com antiespasmódicos, AINEs ou dipirona; dieta leve. Em crises recorrentes, indica-se colecistectomia.
  • Colecistite aguda (K80.0): internação, antibióticos (cefalosporinas ou quinolonas), hidratação, jejum e colecistectomia precoce (geralmente nas primeiras 72 horas).
  • Colecistite crônica (K80.1): colecistectomia eletiva por videolaparoscopia (padrão ouro). Tempo cirúrgico médio de 60 minutos, alta em 1 a 2 dias.
  • Cálculo no ducto biliar (K80.3 a K80.5): tratamento com CPRE + esfincterotomia e extração do cálculo, seguida de colecistectomia.
  • Tratamento medicamentoso: ácido ursodesoxicólico pode dissolver cálculos pequenos (<5 mm) de colesterol, mas a taxa de recorrência é alta; raramente usado atualmente.

O prognóstico é excelente após o tratamento cirúrgico. A colecistectomia laparoscópica apresenta baixíssima morbidade e mortalidade (menos de 0,5%).

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento recomendado varia conforme o tipo de tratamento e a atividade profissional:

  • Cólica biliar isolada (sem cirurgia): 2 a 5 dias para controle dos sintomas e retorno ao trabalho leve.
  • Colecistectomia laparoscópica: 7 a 17 dias de atestado, dependendo da evolução. Atividades sedentárias podem ser retomadas após 7 dias; esforço físico intenso, após 21 a 30 dias.
  • Colecistectomia por laparotomia (via aberta): 15 a 30 dias, devido ao maior trauma cirúrgico e recuperação mais lenta.
  • CPRE com esfincterotomia: geralmente 3 a 7 dias, a depender da estabilidade do paciente.
  • Complicações (pancreatite, colangite): o atestado pode se estender por 14 a 30 dias ou mais, conforme a gravidade.

Importante: O médico assistente define o prazo específico para cada caso, baseado na avaliação clínica individual.

Quando procurar médico urgente – sinais de alerta

Procure atendimento de urgência se apresentar:

  • Dor abdominal intensa que não cede com medicação habitual
  • Febre alta (acima de 38,5°C) com calafrios
  • Vômitos repetidos que impedem a hidratação oral
  • Icterícia (pele ou olhos amarelados)
  • Urina escura (cor de coca-cola) e fezes muito claras
  • Sinais de choque: palidez, sudorese fria, tontura, desmaio

Esses sintomas podem indicar colangite, pancreatite biliar ou sepse, condições que exigem intervenção imediata.

Prevenção e cuidados contínuos

Medidas que podem reduzir o risco de desenvolver cálculos biliares:

  • Manter peso corporal saudável (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m²)
  • Evitar dietas muito restritivas e perda de peso rápida
  • Praticar atividade física regularmente (mínimo 150 minutos/semana)
  • Alimentação rica em fibras (frutas, verduras, cereais integrais) e pobre em gorduras saturadas e ultraprocessados
  • Evitar o consumo excessivo de álcool
  • Controlar diabetes, colesterol e triglicerídeos
  • Para pacientes que já tiveram cálculos ou colecistectomia: manter dieta equilibrada, pois a ausência da vesícula não impede a formação de cálculos nos ductos (coledocolitíase).

Não existem medicamentos comprovadamente preventivos em larga escala. A suplementação de vitamina C e cafezinhos (com moderação) tem sido associada a menor incidência, mas sem evidência forte.

Dicas de Ouro

  1. 01. Se você tem cálculo biliar assintomático, não precisa operar. Acompanhe com ultrassom anual e evite excessos de gordura.
  2. 02. Crises de dor biliar frequentemente ocorrem à noite, após jantar pesado. Tenha em casa um antiespasmódico (ex.: escopolamina) prescrito por seu médico.
  3. 03. Não use medicamentos para “dissolver pedra” por conta própria – a maioria não funciona e pode adiar o tratamento definitivo.
  4. 04. A colecistectomia laparoscópica é segura e permite alta rápida; planeje a cirurgia em um período de menor demanda no trabalho.
  5. 05. Após a retirada da vesícula, seu corpo se adapta. Inicialmente, evite grandes quantidades de gordura de uma vez; prefira refeições fracionadas.
  6. 06. Febre + dor abdominal = urgência. Não espere o dia seguinte para ir ao hospital.
  7. 07. Exames de rotina (ultrassom) são fundamentais para quem tem fatores de risco, mesmo sem sintomas.

Perguntas Frequentes sobre o CID Cálculo Biliar

O CID K80 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo. Para colecistectomia laparoscópica, o atestado costuma ser de 7 a 17 dias. O médico define conforme a evolução pós-operatória e o tipo de trabalho.

Cálculo biliar tem cura sem cirurgia?

Raramente. O ácido ursodesoxicólico pode dissolver cálculos pequenos (menos de 5 mm) de colesterol, mas a recorrência é alta após a suspensão. A cirurgia é o único tratamento definitivo para casos sintomáticos.

Qual a diferença entre K80.0 e K80.1?

K80.0 é cálculo com colecistite aguda (inflamação recente e intensa, febre, dor súbita). K80.1 é colecistite crônica (inflamação de longa duração, dor recorrente, espessamento vesicular).

Posso trabalhar normalmente com cálculo biliar?

Sim, se for assintomático. Durante uma crise de cólica biliar, é necessário repouso. Após cirurgia, siga as orientações de afastamento.

O CID K80 impede a prática de exercícios físicos?

Durante a crise, sim. Após a cirurgia, espere 3 a 4 semanas para retomar atividades de alto impacto. Em casos assintomáticos, o exercício é benéfico.

O cálculo biliar pode voltar após a retirada da vesícula?

Raramente. Porém, podem se formar cálculos nos ductos biliares (coledocolitíase). A ultrassonografia de controle ainda é recomendada em caso de sintomas.

Gestante com cálculo biliar precisa operar?

Se assintomática, não. Crises leves são tratadas com dieta e analgésicos seguros na gestação. Colecistectomia só é indicada em casos graves ou complicações (preferencialmente no 2º trimestre).

O que significa o CID K80.2?

K80.2 = cálculo da vesícula biliar sem colecistite. É a forma mais comum, geralmente assintomática e descoberta em exames de rotina. Não necessita de tratamento cirúrgico imediato.

Existe uma dieta específica para cálculo biliar?

Sim, recomenda-se dieta pobre em gorduras saturadas e rica em fibras, frutas e vegetais. Evitar frituras, embutidos, queijos amarelos e leite integral. Também é importante fracionar as refeições.

O CID K80 pode causar câncer?

Indiretamente. A colecistite crônica por cálculo aumenta o risco de carcinoma de vesícula biliar, mas é raro (menos de 1% dos casos). A colecistectomia previne essa complicação.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências:

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