Cerca de 10 a 15% da população adulta brasileira apresenta cálculos biliares, sendo a condição duas vezes mais frequente em mulheres. Em 2026, a colecistectomia laparoscópica continua sendo o procedimento cirúrgico mais realizado no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da colelitíase sintomática.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CAUSAS-CALCULO-BILIAR (K80) e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa o que é a colelitíase, quais são as causas do cálculo biliar, os sintomas, os tratamentos e quanto tempo de afastamento do trabalho pode ser necessário. Acompanhe o estudo de caso clínico e todas as informações baseadas na CID-10 e nas melhores evidências médicas atuais.
- Código: K80
- Descrição: Colelitíase (cálculos da vesícula biliar)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K80.0 (cálculo da vesícula com colecistite aguda), K80.1 (cálculo da vesícula com colecistite), K80.2 (cálculo da vesícula sem colecistite), K80.3 (cálculo do ducto biliar com colangite), K80.4 (cálculo do ducto biliar com colecistite), K80.5 (cálculo do ducto biliar sem colangite ou colecistite), K80.8 (outras formas), K80.9 (não especificada)
Paciente: Laura Oliveira, 38 anos, recepcionista
Queixa principal: Dor intensa no lado direito do abdômen, iniciada após almoço com frituras, acompanhada de náuseas e vômitos. A dor irradiava para as costas e durou mais de 4 horas.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava sinal de Murphy positivo (interrupção da inspiração ao palpar o hipocôndrio direito). A ultrassonografia abdominal revelou vesícula distendida com parede espessada (4 mm) e múltiplos cálculos de até 1,2 cm. Exames laboratoriais mostraram leucocitose (14.500/mm³) e aumento discreto de bilirrubinas (1,8 mg/dL).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K80.0 — cálculo da vesícula biliar com colecistite aguda. A condição explica a inflamação da vesícula desencadeada pela obstrução do ducto cístico por um dos cálculos.
Conduta terapêutica: Internação hospitalar, hidratação venosa, antibioticoterapia (ceftriaxona + metronidazol) e analgesia com anti-inflamatórios não esteroides. No segundo dia, foi submetida a colecistectomia laparoscópica. Recebeu alta no pós-operatório imediato com orientações dietéticas.
Evolução: Após 15 dias, Laura retornou ao trabalho sentindo-se bem, sem dor e com cicatrização adequada. A ultrassonografia de controle não mostrou cálculos residuais e a função hepática normalizou.
Lição clínica: Dores abdominais recorrentes após refeições gordurosas nunca devem ser ignoradas. O diagnóstico precoce da colelitíase evita complicações como pancreatite biliar ou colangite. A colecistectomia eletiva é segura e curativa para a maioria dos pacientes.
O que é o CID K80 na prática médica
O código CID K80 agrupa todas as condições relacionadas à presença de cálculos (pedras) no sistema biliar, principalmente na vesícula biliar (colelitíase) e nos ductos biliares (coledocolitíase). Na prática clínica, é um dos diagnósticos mais comuns em pronto-atendimentos e consultas gastroenterológicas. Quando o médico registra esse CID, ele está afirmando que o paciente apresenta formação de concreções sólidas compostas principalmente por colesterol ou bilirrubina no interior da vesícula ou vias biliares. Esses cálculos podem ser assintomáticos (descobertos em exames de imagem de rotina) ou causar crises de dor abdominal, inflamação e até obstrução grave. O CID K80 é fundamental para a codificação correta de internações, cirurgias e atestados médicos, garantindo o registro adequado no sistema de saúde e o direito ao afastamento do trabalho quando necessário.
Subcategorias e variantes do CID K80
O CID K80 é subdividido em várias categorias que refletem a localização do cálculo e a presença de inflamação ou infecção associada. As principais subcategorias são:
- K80.0 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite aguda. É a situação de emergência mais frequente, com inflamação da parede da vesícula.
- K80.1 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite (sem especificar aguda). Inclui colecistite crônica.
- K80.2 – Cálculo da vesícula biliar sem colecistite. É o cálculo assintomático ou com sintomas leves e intermitentes.
- K80.3 – Cálculo do ducto biliar com colangite (infecção do ducto biliar). Condição grave que requer antibióticos e drenagem urgente.
- K80.4 – Cálculo do ducto biliar com colecistite. Combinação de obstrução ductal e inflamação da vesícula.
- K80.5 – Cálculo do ducto biliar sem colangite ou colecistite. Pode ser assintomático ou causar icterícia obstrutiva.
- K80.8 – Outras formas de colelitíase.
- K80.9 – Colelitíase não especificada. Usada quando o exame confirma cálculo, mas não detalha a localização ou complicação.
Cada subcategoria orienta condutas diferentes, desde o simples acompanhamento até a cirurgia de urgência. Por isso, é essencial que o médico especifique a subcategoria correta no atestado ou prontuário.
Sintomas e como a doença se manifesta
A colelitíase pode ser completamente assintomática (cálculo “silencioso”) – cerca de 60 a 80% dos casos. Quando os sintomas aparecem, o mais característico é a “cólica biliar”: dor forte e constante no quadrante superior direito do abdômen, que pode irradiar para as costas ou para o ombro direito. A dor geralmente surge de 30 a 60 minutos após uma refeição rica em gorduras e pode durar de 30 minutos a várias horas. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, sensação de inchaço, indigestão e arrotos. Se houver inflamação (colecistite aguda), a dor se torna mais intensa e contínua, acompanhada de febre, calafrios e mal-estar geral. Quando o cálculo obstrui o ducto colédoco, pode ocorrer icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras, indicando colestase. A pancreatite biliar, uma complicação grave, manifesta-se com dor abdominal intensa que irradia para as costas, vômitos persistentes e instabilidade hemodinâmica. Reconhecer esses sintomas precocemente é crucial para evitar complicações.
Causas e fatores de risco
Os cálculos biliares se formam quando há um desequilíbrio na composição da bile, que é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula. Os principais tipos de cálculo são de colesterol (80% dos casos) e de bilirrubina (cálculos pigmentados). Os fatores de risco mais bem estabelecidos incluem:
- Sexo feminino: Mulheres têm duas a três vezes mais chances de desenvolver cálculos, especialmente durante a gravidez e com uso de anticoncepcionais orais, devido ao efeito do estrogênio que aumenta a saturação de colesterol na bile.
- Obesidade: O excesso de peso eleva a produção de colesterol hepático e reduz a motilidade da vesícula.
- Dieta rica em gorduras e pobre em fibras: Alimentos gordurosos e ultraprocessados favorecem a formação de cálculos.
- Idade acima de 40 anos: A prevalência aumenta progressivamente com a idade.
- História familiar: Parentes de primeiro grau com colelitíase têm maior risco.
- Doenças metabólicas: Diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, síndrome metabólica e cirrose hepática.
- Perda rápida de peso: Dietas muito restritivas ou cirurgia bariátrica podem precipitar a formação de cálculos.
- Medicamentos: Certos antilipêmicos (fibratos), ceftriaxona e contraceptivos orais.
Compreender esses fatores ajuda na prevenção e no aconselhamento médico.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da colelitíase começa pela história clínica detalhada e exame físico. O sinal de Murphy (dor à palpação do hipocôndrio direito durante a inspiração profunda) sugere inflamação da vesícula. O exame padrão-ouro para confirmar a presença de cálculos é a ultrassonografia abdominal, que detecta cálculos com sensibilidade acima de 95%. Ela também avalia espessamento da parede vesicular, presença de lama biliar, dilatação dos ductos biliares e outras alterações. Em casos suspeitos de coledocolitíase (cálculo no ducto biliar), podem ser solicitados exames laboratoriais (bilirrubinas, fosfatase alcalina, GGT, amilase/lipase) e exames de imagem adicionais como colangiorressonância magnética, ultrassonografia endoscópica ou CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica). A tomografia computadorizada não é o primeiro exame, pois pode deixar passar cálculos pequenos (menos de 3 mm). O diagnóstico precoce evita complicações e permite planejar o tratamento adequado.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da presença de sintomas, do tamanho e localização dos cálculos e da existência de complicações. As opções incluem:
- Conduta expectante: Para cálculos assintomáticos e sem alterações na vesícula, muitos pacientes não necessitam de intervenção imediata. Apenas seguem com acompanhamento clínico e orientações dietéticas.
- Medicamentos: Ácidos biliares orais (ácido ursodesoxicólico) podem ser usados para dissolver cálculos pequenos (menos de 5 mm) de colesterol em pacientes com vesícula funcionante. O tratamento é longo (6 a 24 meses) e a taxa de recorrência alta após a suspensão.
- Cirurgia: A colecistectomia (remoção da vesícula biliar) é o tratamento definitivo para cálculos sintomáticos. Atualmente, a via laparoscópica é padrão-ouro, com menor dor pós-operatória, internação curta (1 a 2 dias) e rápido retorno às atividades. Em casos de colecistite aguda grave ou impossibilidade técnica, pode-se optar pela cirurgia aberta.
- Procedimentos endoscópicos: Para cálculos no ducto biliar (coledocolitíase), a CPRE com esfincterotomia e extração do cálculo é o tratamento de escolha, podendo ser combinada com colecistectomia posterior.
- Tratamento de complicações: Antibióticos, drenagem percutânea ou internação em UTI para casos graves.
O médico deve individualizar a conduta baseada no caso clínico, nas comorbidades e nas preferências do paciente.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho para pacientes com CID K80 varia conforme a gravidade e o tratamento realizado. Em geral:
- Crise de cólica biliar sem cirurgia: De 1 a 3 dias para controle da dor e repouso.
- Colecistite aguda tratada com antibióticos e cirurgia laparoscópica: Atestado de 7 a 14 dias, dependendo da atividade profissional e recuperação pós-operatória.
- Cirurgia aberta: De 14 a 30 dias, pois a recuperação é mais lenta.
- CPRE para coledocolitíase: De 3 a 7 dias, salvo complicações.
- Pacientes assintomáticos sem intervenção: Não há necessidade de atestado, a menos que exames ou sintomas interfiram no trabalho.
O médico é quem define o período de afastamento baseado na avaliação clínica individual. O atestado deve especificar o CID correto (ex.: K80.0) e o período necessário.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Nem toda dor abdominal é apenas “cólica”. Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Dor abdominal intensa, persistente e que não melhora com analgésicos comuns.
- Febre acima de 38°C, calafrios ou suores noturnos.
- Icterícia (pele e olhos amarelados) ou urina escura (cor de coca-cola).
- Vômitos repetidos que impedem a ingestão de líquidos.
- Fezes claras ou acinzentadas.
- Distensão abdominal importante.
- Confusão mental, tontura ou desmaio (sinais de sepse).
- Taquicardia (coração acelerado) ou sudorese fria.
Esses sinais podem indicar complicações como colecistite gangrenosa, peritonite, colangite ou pancreatite aguda – condições que exigem hospitalização imediata e, muitas vezes, cirurgia de emergência.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem todos os fatores de risco sejam modificáveis (como idade e genética), algumas medidas podem reduzir a chance de formação de cálculos e evitar crises em quem já tem o diagnóstico:
- Dieta equilibrada: Reduza o consumo de gorduras saturadas, frituras e alimentos ultraprocessados. Aumente a ingestão de fibras (frutas, verduras, cereais integrais).
- Controle do peso: Evite obesidade e perda de peso muito rápida. O emagrecimento gradual (0,5 a 1 kg por semana) é mais seguro.
- Atividade física regular: Exercícios aeróbicos (caminhada, natação) ajudam a manter o peso e melhoram a motilidade da vesícula.
- Hidratação: Beba bastante água ao longo do dia para manter a bile fluida.
- Evitar jejuns prolongados: Fazer refeições regulares estimula a contração da vesícula e impede a estagnação da bile.
- Controle de doenças crônicas: Tratar diabetes, dislipidemia e síndrome metabólica reduz o risco.
- Acompanhamento médico periódico: Quem já tem diagnóstico de colelitíase deve fazer consultas regulares e ultrassom de controle conforme orientação médica.
Para pacientes que já realizaram colecistectomia, não há restrições alimentares significativas a longo prazo, mas algumas pessoas podem apresentar diarreia ou intolerância a grandes quantidades de gordura nas primeiras semanas – isso tende a melhorar com a adaptação do organismo.
- 01. Não ignore dores abdominais após refeições gordurosas. A cólica biliar recorrente é um sinal de alerta para cálculo biliar. Procure um clínico geral ou gastroenterologista para investigação.
- 02. A ultrassonografia abdominal é simples, barata e altamente precisa. Se houver suspeita, não demore a realizar o exame.
- 03. Se tiver indicação de cirurgia, não adie o procedimento. A colecistectomia eletiva é segura e evita complicações graves que podem exigir internação em UTI.
- 04. Mantenha um peso saudável de forma gradual. Dietas muito restritivas aumentam o risco de novos cálculos. Consulte um nutricionista se precisar emagrecer.
- 05. Leve seu atestado médico ao trabalho com o CID correto. O código K80 (com a subcategoria adequada) garante seus direitos trabalhistas durante o afastamento.
- 06. Esteja atento aos sinais de complicação. Febre, icterícia e dor incapacitante exigem atendimento de emergência imediato.
Perguntas Frequentes sobre o CID K80
O CID K80 garante quantos dias de atestado?
Sim, o atestado médico baseado no CID K80 (cálculo biliar) pode conceder de 1 a 3 dias para cólica biliar simples, de 7 a 14 dias para colecistectomia laparoscópica, e de 14 a 30 dias para cirurgia aberta. O médico avaliará cada caso individualmente.
O que significa CID K80 na prática?
Significa que o paciente tem cálculos na vesícula biliar (colelitíase) ou nos ductos biliares. É um dos códigos mais comuns em gastroenterologia e cirurgia geral.
Preciso operar se tenho CID K80?
Nem sempre. Se os cálculos são assintomáticos e a vesícula está normal, o médico pode optar por acompanhamento. Já se houver sintomas, complicações ou cálculos grandes, a cirurgia é geralmente recomendada.
Quais alimentos devo evitar com cálculo biliar?
Evite frituras, carnes gordas, embutidos, queijos amarelos, leite integral, manteiga, creme de leite, alimentos processados e bebidas alcoólicas. Dê preferência a alimentos cozidos, grelhados, frutas, verduras e grãos integrais.
O cálculo biliar pode voltar após a cirurgia?
Com a retirada da vesícula, os cálculos não se formam mais dentro dela. No entanto, podem surgir cálculos nos ductos biliares (coledocolitíase) em cerca de 5 a 10% dos pacientes ao longo da vida, especialmente se houver fatores de risco.
Existe tratamento medicamentoso para dissolver os cálculos?
Sim, o ácido ursodesoxicólico pode dissolver cálculos pequenos (até 5 mm) de colesterol, mas o tratamento é demorado (6 a 24 meses) e a taxa de recorrência após a parada é alta. Não funciona para cálculos pigmentados.
O CID K80 é considerado doença grave?
A colelitíase em si não é grave na maioria dos casos. Porém, se não tratada adequadamente, pode evoluir para complicações sérias como colecistite aguda, pancreatite biliar, colangite ou sepse, que são graves e exigem internação.
Gestantes podem ter cálculo biliar?
Sim, a gravidez é um fator de risco devido ao aumento do estrogênio. O tratamento durante a gestação é conservador, evitando-se cirurgia no primeiro e terceiro trimestres. Em casos de emergência, a colecistectomia laparoscópica pode ser realizada com segurança no segundo trimestre.
Qual a diferença entre K80.0 e K80.2?
K80.0 indica cálculo da vesícula com colecistite aguda (inflamação ativa), enquanto K80.2 é cálculo sem colecistite (assintomático ou com sintomas leves). O tratamento e o tempo de afastamento diferem significativamente.
Preciso de repouso total após a cirurgia de vesícula?
Não, o repouso é relativo. Após a laparoscopia, o paciente pode retomar atividades leves em poucos dias, mas deve evitar esforços físicos intensos e levantamento de peso por 2 a 4 semanas. O atestado médico orienta o período adequado.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Saiba mais: CID K80 no CID10.com.br | Gallstones – MedlinePlus (em inglês)
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