No Brasil, cerca de 40% dos adultos apresentam níveis elevados de colesterol LDL (colesterol ruim), e apenas 1 em cada 3 tem o diagnóstico registrado na Atenção Primária. O CID E78.0 (hipercolesterolemia pura) é um dos códigos mais frequentes nos prontuários eletrônicos, refletindo a necessidade de rastreamento e intervenção precoce.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CODIGO COLESTEROL ENTENDA SUA IMPORTANCIA E APLICACOES e quer saber o que significa? Este artigo explica de forma clara e abrangente o significado do código E78.0 (hipercolesterolemia pura), suas aplicações clínicas, subcategorias, sintomas, tratamento e tudo o que você precisa para entender seu diagnóstico e tomar as melhores decisões para sua saúde.
- Código: E78.0
- Descrição: Hipercolesterolemia pura
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E78.0 é o código principal; as variantes incluem E78.1 (hipergliceridemia pura), E78.2 (hiperlipidemia mista), E78.3 (hiperquilomicronemia), E78.4 (outras hiperlipidemias), E78.5 (hiperlipidemia não especificada) e E78.6 (deficiência de lipoproteína lipase).
Paciente: Miguel Oliveira, 48 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Assintomático, compareceu para check-up anual após pressão alta em medição esporádica.
Avaliação clínica: Exame físico revelou sobrepeso (IMC 28), circunferência abdominal 102 cm. Ausculta cardíaca normal. Exames laboratoriais: colesterol total 278 mg/dL, LDL 190 mg/dL, HDL 38 mg/dL, triglicérides 180 mg/dL. Glicemia de jejum 96 mg/dL. Sem história familiar de doença cardiovascular prematura.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E78.0 (Hipercolesterolemia pura) — elevação isolada do colesterol LDL com triglicérides normais ou discretamente elevados, sem causas secundárias identificáveis.
Conduta terapêutica: Estatina de alta potência (rosuvastatina 20 mg/dia) associada a orientação intensiva de mudanças no estilo de vida: dieta pobre em gorduras saturadas e trans, aumento da ingestão de fibras, prática de atividade física aeróbica por 150 minutos/semana e perda de peso de 8%. Agendado retorno em 3 meses.
Evolução: Após 12 semanas de tratamento, o paciente aderiu à dieta e caminhadas diárias. Perdeu 6 kg. Novo lipidograma: colesterol total 198 mg/dL, LDL 115 mg/dL, HDL 44 mg/dL. Sem efeitos colaterais com a estatina.
Lição clínica: A hipercolesterolemia pura é frequentemente silenciosa, mas o rastreamento laboratorial em adultos acima de 40 anos e o tratamento precoce reduzem significativamente o risco cardiovascular em longo prazo.
O que é o CID E78.0 na prática médica
O código CID E78.0 – Hipercolesterolemia pura – é utilizado pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para designar a elevação isolada do colesterol total e, principalmente, do colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade), sem aumento significativo dos triglicérides. Na prática clínica, esse diagnóstico é um dos pilares da prevenção primária e secundária de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). O registro correto do CID E78.0 no prontuário permite o acompanhamento epidemiológico, a prescrição de medicamentos conforme protocolos do Ministério da Saúde e a justificativa para exames complementares, como o escore de cálcio coronariano ou a dosagem de apolipoproteínas.
Subcategorias e variantes do CID E78.0
O CID E78.0 faz parte do bloco E78 (Distúrbios do metabolismo das lipoproteínas). Dentro desse capítulo, existem códigos específicos para diferentes padrões de dislipidemia:
- E78.0 – Hipercolesterolemia pura (aumento apenas do colesterol, especialmente LDL)
- E78.1 – Hipergliceridemia pura (aumento isolado de triglicérides)
- E78.2 – Hiperlipidemia mista (aumento de colesterol e triglicérides)
- E78.3 – Hiperquilomicronemia (rara, associada a defeitos genéticos na lipase lipoproteica)
- E78.4 – Outras hiperlipidemias (inclui formas secundárias a diabetes, hipotireoidismo, etc.)
- E78.5 – Hiperlipidemia não especificada (quando não há detalhamento laboratorial suficiente)
- E78.6 – Deficiência de lipoproteína lipase
O uso inadequado de subcategorias pode comprometer a epidemiologia e o tratamento. Por isso, o médico deve basear o CID nos valores laboratoriais completos e na exclusão de causas secundárias.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipercolesterolemia pura é assintomática em seu estágio inicial, o que a torna um “assassino silencioso”. Os sinais clínicos surgem apenas quando os depósitos de colesterol já causaram complicações. Os principais sintomas e manifestações incluem:
- Xantomas tendinosos – depósitos de colesterol nos tendões (ex.: tendão de Aquiles, extensores das mãos)
- Xantelasmas – placas amareladas nas pálpebras
- Arco corneano – anel esbranquiçado ao redor da íris, comum em idosos, mas presente antes dos 40 anos na hipercolesterolemia familiar
- Dor torácica (angina) – quando há estenose coronariana significativa
- Falta de ar, cansaço fácil – indicativos de insuficiência cardíaca ou doença coronariana avançada
- Acidente vascular cerebral (AVC) – manifestação grave da aterosclerose carotídea
Por isso, a dosagem laboratorial do perfil lipídico em jejum é fundamental a partir dos 20 anos, repetida a cada 4-6 anos em adultos de baixo risco e com maior frequência se houver fatores de risco.
Causas e fatores de risco
A hipercolesterolemia pura pode ser primária (genética) ou secundária (causada por outras condições ou medicamentos). As principais causas incluem:
- Fatores genéticos: mutações no gene do receptor de LDL (LDLR), apolipoproteína B (APOB) ou PCSK9, características da hipercolesterolemia familiar (HF) – forma mais grave e precoce
- Dieta inadequada: consumo elevado de gorduras saturadas (carnes gordurosas, laticínios integrais, frituras) e gorduras trans (alimentos industrializados)
- Sedentarismo: a falta de atividade física reduz a captação de LDL pelo fígado
- Obesidade: especialmente a distribuição abdominal de gordura, que altera o metabolismo lipídico
- Hipotireoidismo: diminui a expressão de receptores de LDL
- Síndrome nefrótica: perda de proteínas na urina leva a aumento compensatório de lipoproteínas
- Uso de medicamentos: corticosteroides, diuréticos tiazídicos, betabloqueadores, antirretrovirais
A identificação da causa é essencial para o tratamento direcionado. Na hipercolesterolemia familiar, por exemplo, o risco cardiovascular é muito elevado desde a infância, exigindo estatina desde o diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipercolesterolemia pura baseia-se em exames laboratoriais e na avaliação clínica. O médico solicita o perfil lipídico completo após jejum de 12 horas, que inclui:
- Colesterol total – valores acima de 200 mg/dL merecem investigação
- LDL-colesterol – considerado alto acima de 130 mg/dL (em pacientes de alto risco, a meta é < 70 mg/dL)
- HDL-colesterol – baixo se < 40 mg/dL para homens e < 50 mg/dL para mulheres
- Triglicérides – elevados se > 150 mg/dL
Além disso, o médico avalia fatores de risco (idade, tabagismo, hipertensão, diabetes, história familiar) e pode solicitar exames complementares como:
- Apob (apolipoproteína B) e Lp(a) – lipoproteína (a), um fator de risco genético adicional
- Ecocardiograma ou teste ergométrico se houver suspeita de doença coronariana
- Escore de cálcio coronariano – tomografia que quantifica calcificações nas artérias
O CID E78.0 é registrado após exclusão de causas secundárias (exames de função tireoidiana, glicemia, creatinina e urina). Caso o paciente tenha causas secundárias, o código deve ser da doença de base (ex.: E03.9 para hipotireoidismo, complementado com E78.0 se a hipercolesterolemia persistir após tratamento).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipercolesterolemia pura envolve mudanças no estilo de vida e, quando necessário, medicamentos. As diretrizes brasileiras (Atualização 2025) e internacionais recomendam:
- Dieta: redução de gorduras saturadas a menos de 7% das calorias totais, eliminação de gorduras trans, aumento de fibras solúveis (aveia, feijão, psyllium), ingestão de ômega-3 (peixes gordurosos)
- Atividade física: 150-300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada (caminhada rápida, bicicleta) + treinamento resistido 2x/semana
- Controle de peso: redução de 5-10% do peso corporal inicial melhora significativamente o perfil lipídico
- Medicamentos: as estatinas (sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina) são a base do tratamento, reduzindo o LDL em 30-60%. Em casos de intolerância ou LDL muito elevado, podem ser associados ezetimiba, inibidor de PCSK9 ou ácido bempedóico
Para pacientes com hipercolesterolemia familiar, as metas são mais agressivas (LDL < 70 mg/dL em adultos de muito alto risco). O tratamento é contínuo e o monitoramento laboratorial deve ser feito a cada 3-6 meses no início e depois anualmente.
Quantos dias de atestado médico
O CID E78.0 (hipercolesterolemia pura) por si só não é uma condição aguda que gere afastamento do trabalho. O paciente geralmente não precisa de atestado médico por causa do diagnóstico isolado, pois a doença é crônica e assintomática. Entretanto, em situações específicas, o médico pode conceder afastamento:
- Orientação inicial e exames complementares: 1 dia para realização de exames invasivos (ex.: cateterismo em caso de angina) – não é rotina para todos
- Tratamento de reações adversas a medicamentos: se o paciente tiver mialgia intensa ou hepatotoxicidade, pode ser necessário 1-3 dias de repouso
- Complicações cardiovasculares agudas: se o paciente evolui com infarto ou AVC, o afastamento será prolongado e o CID principal será o da complicação (I21, I64 etc.)
Na prática, a maioria dos pacientes com hipercolesterolemia pura não recebe dias de atestado. O foco é o acompanhamento ambulatorial e a reabilitação cardiovascular quando indicado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a hipercolesterolemia em si não cause sintomas urgentes, as complicações associadas exigem atendimento imediato. Procure um serviço de emergência se apresentar:
- Dor no peito em aperto ou queimação, que irradia para braço esquerdo, pescoço ou costas – suspeita de infarto
- Falta de ar súbita, suor frio, náuseas – podem indicar infarto ou arritmia
- Fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão – suspeita de AVC
- Desmaio ou palpitações intensas
Além disso, se você tem diagnóstico de hipercolesterolemia e está com sintomas de angina (dor torácica aos esforços que melhora com repouso), agende consulta com cardiologista o mais breve possível.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipercolesterolemia e suas complicações deve começar na infância. As principais recomendações preventivas são:
- Rastreamento laboratorial: perfil lipídico a partir dos 10 anos em crianças com história familiar de dislipidemia ou doença cardiovascular precoce
- Alimentação balanceada: incentivar consumo de frutas, verduras, grãos integrais, castanhas e peixes; limitar açúcares e ultraprocessados
- Atividade física regular: pelo menos 60 minutos/dia para crianças, 150-300 min/semana para adultos
- Não fumar: o tabagismo reduz o HDL e danifica o endotélio vascular
- Controle de comorbidades: diabetes, hipertensão e obesidade devem ser tratados rigorosamente
- Uso de medicamentos preventivos: em pacientes com risco cardiovascular elevado, a estatina pode ser indicada mesmo com LDL limítrofe
O acompanhamento com médico clínico ou cardiologista deve ser feito anualmente, com reavaliação do risco cardiovascular global e ajuste das metas.
- 01. Mantenha seu perfil lipídico em dia: colesterol total abaixo de 200 mg/dL e LDL conforme sua meta de risco (consulte seu médico).
- 02. Troque gorduras saturadas (manteiga, carne gorda) por gorduras insaturadas (azeite, abacate, castanhas).
- 03. Caminhe 30 minutos por dia, 5 vezes na semana. A atividade física aumenta o HDL e reduz o LDL.
- 04. Se você tem histórico familiar de infarto antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres), procure rastreamento precoce.
- 05. Não abandone o tratamento medicamentoso sem orientação médica. Mesmo com o colesterol controlado, a estatina protege o coração.
Perguntas Frequentes sobre o CID E78.0
O CID E78.0 garante quantos dias de atestado?
Geralmente, nenhum dia de atestado é necessário para o diagnóstico isolado de hipercolesterolemia pura, pois a condição é crônica e assintomática. Dias de afastamento só são concedidos se houver complicações agudas (infarto, AVC) ou procedimentos invasivos, casos em que o CID principal muda para a complicação.
Qual a diferença entre hipercolesterolemia pura e hiperlipidemia mista?
A hipercolesterolemia pura (E78.0) cursa com aumento isolado do colesterol LDL. Já a hiperlipidemia mista (E78.2) apresenta elevação simultânea de colesterol total e triglicérides, sendo mais associada à resistência à insulina e síndrome metabólica.
Hipercolesterolemia pura tem cura?
Não existe cura, mas o tratamento adequado controla os níveis de colesterol e reduz drasticamente o risco cardiovascular. Nas formas genéticas (hipercolesterolemia familiar), o tratamento é para toda a vida.
Quais exames são necessários para confirmar o CID E78.0?
O perfil lipídico completo (jejum de 12 horas) com colesterol total, HDL, LDL (calculado ou direto), triglicérides e, se necessário, apolipoproteína B e Lp(a). Exames para excluir causas secundárias (TSH, glicemia, creatinina, urina tipo 1) também fazem parte.
O CID E78.0 pode ser usado em crianças?
Sim, especialmente em casos suspeitos de hipercolesterolemia familiar. O rastreamento é recomendado a partir dos 10 anos quando há história familiar de doença cardiovascular precoce ou dislipidemia.
Quais medicamentos são mais indicados para tratar hipercolesterolemia pura?
As estatinas (atorvastatina, rosuvastatina) são a primeira linha. Em casos de intolerância ou LDL muito elevado, ezetimiba, inibidores de PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe) ou ácido bempedóico podem ser associados.
Posso controlar o colesterol apenas com dieta?
Em alguns casos de elevações leves a moderadas (LDL até 160 mg/dL em pessoas de baixo risco), a dieta e o exercício podem ser suficientes. Porém, se houver alto risco cardiovascular ou forma familiar, medicamentos são essenciais.
O CID E78.0 é grave?
A hipercolesterolemia não tratada ou tratada inadequadamente é um dos principais fatores de risco para infarto e AVC, portanto é uma condição potencialmente grave. O prognóstico é excelente quando o tratamento é instituído precocemente e seguido corretamente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
CID R11 – Náuseas e Vómitos
CID Z000 – Exame Médico Geral
CID 010 – Tuberculose Pulmonar
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