Em 2026, a cobertura vacinal completa para crianças até 2 anos no Brasil ultrapassou 92%, segundo o Ministério da Saúde, mas ainda há bolsões de baixa adesão em regiões remotas, o que reforça a importância do registro adequado com o CID Z23 para monitoramento e planejamento de campanhas.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID Z23 (Necessidade de imunização contra doença bacteriana única) e quer saber o que significa? Este código faz parte da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), e é utilizado para registrar a indicação de vacinação contra doenças bacterianas específicas, como tétano, difteria e coqueluche. Diferente de um código de doença, o Z23 é um marcador de prevenção, essencial para organizar a saúde pública e individual. Neste artigo, vamos explorar sua aplicação clínica, subcategorias, importância no calendário vacinal e como ele impacta desde o atestado médico até as políticas de imunização.
- Código: Z23
- Descrição: Necessidade de imunização contra doença bacteriana única
- Categoria: Capítulo XXI – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com serviços de saúde (Z00-Z99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Z23.0 (Imunização contra cólera), Z23.1 (Imunização contra difteria-tétano-coqueluche – DTP), Z23.2 (Imunização contra tétano isolado), Z23.3 (Imunização contra difteria isolada), Z23.4 (Imunização contra coqueluche isolada), Z23.5 (Imunização contra tifo), Z23.6 (Imunização contra tuberculose – BCG), Z23.7 (Imunização contra peste), Z23.8 (Imunização contra outras doenças bacterianas únicas), Z23.9 (Imunização contra doença bacteriana única não especificada).
Paciente: Sofia Mendes, 28 anos, auxiliar administrativa
Queixa principal: Relata que sofreu um ferimento cortante com prego enferrujado no jardim de casa e não se lembra quando tomou a última dose da vacina antitetânica.
Avaliação clínica: Ferimento perfurante no pé direito, limpo, sem sinais de infecção ativa. Paciente com esquema vacinal básico completo na infância, mas sem reforço nos últimos 10 anos. Exames laboratoriais (hemograma, PCR) normais. Solicitado registro da carteira de vacinação.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Z23.2 (Necessidade de imunização contra tétano isolado) — indicando a necessidade de aplicação da vacina antitetânica (dT) como profilaxia pós-exposição.
Conduta terapêutica: Administração de 0,5 mL da vacina dT (difteria e tétano) por via intramuscular no deltoide esquerdo, associada a limpeza rigorosa do ferimento com água e sabão, antissepsia com clorexidina e curativo oclusivo. Prescrição de analgésico oral (paracetamol 500 mg a cada 8h se dor) e orientação para retorno em 48h para reavaliação.
Evolução: Após 7 dias, paciente retornou sem sinais de infecção, ferimento em cicatrização. Relatou dor local discreta no braço da vacinação, sem febre ou outras reações adversas. Recebeu o reforço vacinal completo e orientação para manter a carteira atualizada.
Lição clínica: O CID Z23 é fundamental para documentar a necessidade de vacinação, especialmente em situações de emergência como ferimentos com risco de tétano. A vacinação oportuna previne doenças graves e evita complicações.
O que é o CID Z23 na prática médica
O código Z23 é utilizado por médicos e serviços de saúde para registrar a necessidade de imunização contra uma bactéria específica. Ele aparece em prontuários, atestados e sistemas de informação quando o profissional identifica que o paciente deve receber uma vacina bacteriana, seja por rotina (calendário básico) ou por indicação especial (viagem, ferimento, surto). Na prática, o Z23 ajuda a:
- Documentar a indicação vacinal para acompanhamento posterior;
- Justificar a administração da vacina em relatórios e sistemas de saúde;
- Planejar campanhas de imunização e monitorar coberturas;
- Evitar duplicidade de doses ou esquemas incompletos.
É importante diferenciar o Z23 do código Z24 (imunização contra vírus). Enquanto o primeiro cobre bactérias como Clostridium tetani, Corynebacterium diphtheriae e Bordetella pertussis, o segundo abrange vacinas virais como HPV, hepatite B e sarampo. O uso correto dos códigos garante a precisão dos dados epidemiológicos.
Subcategorias e variantes do CID Z23
A CID-10 detalha o Z23 em subcategorias que especificam qual bactéria será alvo da imunização. As principais são:
- Z23.0 – Imunização contra cólera: indicada para viajantes a áreas endêmicas;
- Z23.1 – Imunização contra difteria-tétano-coqueluche (DTP): vacina tríplice bacteriana, usada em crianças até 7 anos;
- Z23.2 – Imunização contra tétano isolado: profilaxia pós-exposição ou reforço em adultos;
- Z23.3 – Imunização contra difteria isolada: rara, geralmente combinada com tétano;
- Z23.4 – Imunização contra coqueluche isolada: utilizada em gestantes e contatos próximos;
- Z23.5 – Imunização contra tifo: para áreas endêmicas ou surtos;
- Z23.6 – Imunização contra tuberculose (BCG): aplicada ao nascer e em contatos de doentes;
- Z23.7 – Imunização contra peste: restrita a situações epidemiológicas específicas;
- Z23.8 – Imunização contra outras doenças bacterianas únicas: como meningite meningocócica, pneumocócica, Haemophilus influenzae tipo b, entre outras;
- Z23.9 – Imunização contra doença bacteriana única não especificada: usado quando a bactéria alvo não é definida no registro.
Cada subcategoria segue as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Como a vacinação é registrada no CID
O registro da vacinação com o CID Z23 ocorre em diversas situações:
- Na rotina: durante consultas de puericultura, o pediatra registra Z23.1 para a DTP aos 2, 4 e 6 meses de vida;
- No pré-natal: gestantes recebem Z23.4 para a vacina dTpa (coqueluche) a partir da 20ª semana;
- Em emergências: ferimentos com risco de tétano geram o Z23.2 para a vacina antitetânica;
- Em campanhas: em surtos de meningite, o Z23.8 pode ser usado para a vacina meningocócica C.
O médico anota o código no atestado ou na guia de encaminhamento, e a unidade de saúde registra a dose aplicada no sistema local (SI-PNI, e-SUS AB). Isso permite o monitoramento individual e coletivo da cobertura vacinal.
Causas e fatores de risco para não vacinação
A necessidade de vacinação (e o uso do Z23) surge quando o paciente não está protegido contra determinada bactéria. Os principais fatores de risco e causas incluem:
- Esquema vacinal incompleto: falta de doses ou reforços nas idades recomendadas;
- Perda ou desconhecimento da carteira de vacinação;
- Contraindicações temporárias: doenças agudas febris, gestação (para vacinas de vírus vivos atenuados) ou imunossupressão;
- Hesitação vacinal: crenças, informações falsas ou medo de reações adversas;
- Exposição ocupacional: profissionais de saúde, laboratoristas e cuidadores de idosos têm maior risco;
- Viagens para áreas endêmicas: como regiões com cólera, febre tifoide ou meningite meningocócica;
- Idade avançada: idosos perdem imunidade com o tempo e precisam de reforços de tétano e difteria a cada 10 anos.
O CID Z23 serve como lembrete para que o médico e o paciente planejem a vacinação, reduzindo esses riscos.
Diagnóstico e registro da vacinação
O “diagnóstico” que leva ao código Z23 não é uma doença, mas sim a identificação de uma lacuna imunológica. Ele é feito por meio de:
- Anamnese: perguntas sobre vacinas anteriores, doenças prévias, alergias, medicações;
- Verificação da carteira de vacinação: sempre que possível, o paciente deve apresentar o documento físico ou digital;
- Exames sorológicos: em casos especiais (ex.: dosagem de anticorpos antitetânicos após ferimento) pode-se confirmar a necessidade;
- Avaliação de risco: idade, profissão, viagens, surtos locais e histórico de reações adversas.
Após essa avaliação, o médico preenche o prontuário com o código Z23 correspondente e, se for o caso, já administra a vacina ou emite uma prescrição para a sala de vacinação.
Tratamento disponível: calendário vacinal
O “tratamento” para o CID Z23 é a própria vacina. O Brasil possui um dos calendários mais completos do mundo, disponível gratuitamente no SUS. As principais vacinas bacterianas e suas indicações são:
- BCG (Z23.6): dose única ao nascer, protege contra formas graves de tuberculose;
- DTP (Z23.1): três doses no primeiro ano de vida (2, 4 e 6 meses) e reforços aos 15 meses e 4 anos;
- dT (Z23.2): reforço a cada 10 anos em adultos; também usada na profilaxia do tétano;
- dTpa (Z23.4): gestantes a partir de 20 semanas e profissionais de saúde; protege contra coqueluche;
- Pneumocócica 10-valente (Z23.8): 2, 4, 6 meses e reforço aos 12 meses;
- Meningocócica C (Z23.8): 3 e 5 meses e reforço aos 12 meses;
- Hib (Haemophilus influenzae b) (Z23.8): 2, 4 e 6 meses (já incluída na vacina pentavalente);
- Febre tifoide (Z23.5): para viajantes e áreas de surto.
O médico pode optar por vacinas combinadas (ex.: pentavalente = DTP + Hib + hepatite B) para reduzir o número de picadas.
Quantos dias de atestado médico
O CID Z23 em si não é uma doença, portanto não gera atestado médico por “doença”. No entanto, a administração de vacinas pode causar reações locais ou sistêmicas leves (dor, febre baixa, mal-estar) que eventualmente justificam um dia de repouso. Na prática, os médicos costumam conceder:
- 1 dia de atestado quando há reação febril acima de 38°C ou dor local intensa;
- 2 a 3 dias em casos de reações mais intensas (ex.: febre alta, mialgia, cefaleia), que são raras;
- Não há atestado para a vacinação de rotina sem sintomas.
O mais comum é que o paciente tome a vacina e siga a vida normalmente. O atestado é exceção, não regra.
Quando procurar médico urgente
Embora a vacinação seja segura, algumas situações requerem atendimento imediato:
- Reação anafilática: urticária generalizada, dificuldade respiratória, inchaço da face ou língua, queda de pressão – ocorre em minutos após a aplicação;
- Febre alta persistente (>39°C) por mais de 48 horas após a vacina;
- Sintomas neurológicos: convulsões, perda de consciência, paralisia – muito raros, mas possíveis com vacinas de coqueluche;
- Sinais de infecção no local: calor, rubor, pus, febre – indicam abscesso vacinal;
- Falha vacinal: se o paciente desenvolver a doença contra a qual foi vacinado (ex.: tétano mesmo após dose), deve ser investigado.
O médico deve orientar o paciente sobre esses sinais de alerta no momento da vacinação.
Prevenção e cuidados contínuos
A melhor forma de evitar a necessidade do CID Z23 é manter a vacinação em dia. Medidas preventivas incluem:
- Seguir o calendário do PNI desde o nascimento;
- Anotar as doses em carteira física ou digital (aplicativo ConecteSUS);
- Tomar os reforços na idade adulta (dT a cada 10 anos);
- Atualizar vacinas antes de viagens (consultar a Anvisa e o serviço de saúde do viajante);
- Incluir vacinas em check-ups médicos anuais;
- Vacinar gestantes e idosos conforme recomendações específicas.
O CID Z23 aparece justamente quando essa prevenção falha ou não foi registrada adequadamente. Por isso, o cuidado contínuo reduz a necessidade de intervenções emergenciais.
- 01. Leve sempre sua carteira de vacinação a consultas médicas – ela evita retrabalho e doses desnecessárias.
- 02. No caso de ferimentos com sujeira ou perfurações, vá ao pronto-socorro em até 24 horas para avaliar a necessidade de vacina antitetânica (Z23.2).
- 03. Se você perdeu a carteira de vacinação, solicite a segunda via na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
- 04. Vacinas bacterianas como BCG e DTP podem deixar cicatriz ou causar febre leve – isso é normal; não deixe de vacinar por medo.
- 05. Utilize o aplicativo ConecteSUS para consultar seu histórico vacinal digital e baixar comprovantes para viagens ou empregos.
- 06. Em viagens internacionais, verifique com até 4 semanas de antecedência as vacinas obrigatórias (febre amarela, meningite, etc.) – o código Z23 pode ser usado para registrar essa indicação.
- 07. Mulheres grávidas: a vacina dTpa (coqueluche) é segura e recomendada em todas as gestações – protege o bebê nos primeiros meses de vida.
Perguntas Frequentes sobre o CID Z23
O CID Z23 é uma doença?
Não. O CID Z23 é um código de “necessidade de imunização” (fator que influencia o estado de saúde) e não representa uma doença. Ele indica que o paciente precisa receber uma vacina bacteriana.
Quantos dias de atestado o CID Z23 garante?
Geralmente nenhum, pois a vacinação em si não é uma enfermidade. Em casos de reação vacinal com febre >38°C ou dor intensa, o médico pode conceder 1 dia de atestado. Situações mais graves (reação anafilática, febre alta persistente) podem gerar 2 a 3 dias, mas são raras.
Posso tomar a vacina com sintomas gripais leves?
Sim, desde que não haja febre alta (>38,5°C) ou doença aguda grave. Sintomas como coriza leve, tosse seca ou espirros não contraindicam a vacinação. O médico avaliará cada caso.
O CID Z23 aparece no atestado médico para escola ou trabalho?
Sim, o código pode constar em atestados de comparecimento ou justificativa de ausência quando a pessoa precisou se vacinar durante o horário de trabalho/escola. Mas não é um atestado por doença.
Qual a diferença entre Z23 e Z24?
Z23 é para vacinas bacterianas (tétano, difteria, coqueluche, BCG, etc.), enquanto Z24 é para vacinas virais (sarampo, caxumba, rubéola, HPV, hepatite B, etc.). Ambos são códigos de “necessidade de imunização”.
Crianças que tomaram todas as vacinas jamais precisarão do Z23?
Precisarão sim, pois o Z23 é usado para registrar cada dose administrada ou indicada. Na consulta de puericultura, o pediatra usa Z23.1 (DTP) a cada etapa do calendário. Portanto, o código é aplicado mesmo em crianças com esquema completo.
O CID Z23 pode ser usado para justificar a não vacinação por contraindicação?
Não. Contraindicações são registradas com outros códigos (ex.: Z88 – alergia a medicamentos). O Z23 é exclusivamente para indicar a necessidade de vacinar.
Preciso de encaminhamento médico para tomar a vacina com o CID Z23?
Em campanhas de rotina (UBS), não é necessário encaminhamento – basta comparecer com a carteira. Porém, em situações de emergência (ferimento) ou vacinas especiais (febre tifoide, cólera), o médico deve indicar o Z23 para liberar a aplicação.
Idosos precisam de algum cuidado especial com o Z23?
Sim. Idosos têm maior risco de tétano e difteria, mas também podem ter contraindicações relativas (imunossupressão, alergias). O médico deve avaliar individualmente e registrar o Z23.2 (tétano) ou Z23.8 (pneumocócica, meningocócica) conforme necessário.
O CID Z23 é usado em campanhas de vacinação em massa?
Sim. Durante campanhas (ex.: meningite C, febre amarela), os postos registram o Z23 correspondente para cada pessoa vacinada. Isso alimenta os sistemas de informação e permite o cálculo da cobertura vacinal.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes externas consultadas:
- CID10.com.br – Z23 Necessidade de imunização contra doença bacteriana única
- MedlinePlus – Vacinações (em espanhol)
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