De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil ocupa o 5º lugar no mundo em número de adultos com diabetes, com aproximadamente 18,4 milhões de casos em 2026. O diabetes tipo 2 representa mais de 90% desses diagnósticos, sendo um dos principais desafios de saúde pública no país.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DIABETES-TIPO-2 e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa o CID E11 – Diabetes mellitus não insulinodependente (tipo 2). Você vai entender as subcategorias, os sintomas, as causas, o tratamento, quantos dias de atestado pode esperar e quando procurar ajuda de emergência. Tudo baseado em evidências científicas e na prática clínica diária.
- Código: E11
- Descrição: Diabetes mellitus não insulinodependente (diabetes tipo 2)
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E11.0 (coma), E11.1 (cetoacidose), E11.2 (complicações renais), E11.3 (complicações oculares), E11.4 (complicações neurológicas), E11.5 (complicações circulatórias), E11.6 (outras complicações especificadas), E11.7 (múltiplas complicações), E11.8 (não especificado), E11.9 (sem complicações)
Paciente: Carlos Alberto, 56 anos, motorista de caminhão
Queixa principal: Sede excessiva, urinar muitas vezes durante a noite e perda de peso involuntária de 8 kg nos últimos 3 meses
Avaliação clínica: Glicemia de jejum 278 mg/dL, HbA1c 9,4%, glicemia pós-prandial 345 mg/dL. Exame físico: IMC 31 kg/m², pressão arterial 148/92 mmHg, acantose nigricans em pescoço e axilas. Ausculta cardíaca normal.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E11 (Diabetes tipo 2) – condição caracterizada por resistência à insulina e deficiência relativa de insulina, sem necessidade imediata de insulinoterapia.
Conduta terapêutica: Prescrição de metformina 850 mg duas vezes ao dia, combinada com orientação nutricional individualizada (redução de carboidratos simples e controle de porções) e programa de caminhadas 30 min/dia. Encaminhamento para exame de fundo de olho e avaliação do pé diabético.
Evolução: Após 12 semanas de tratamento, o paciente retornou com glicemia de jejum 132 mg/dL, HbA1c 7,1% e perda de 4 kg. Relatou melhora significativa da sede e da noctúria. A pressão arterial foi controlada com mudanças no estilo de vida.
Lição clínica: O diabetes tipo 2 é frequentemente assintomático em fases iniciais; por isso, exames de rotina são fundamentais. O diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar (médico, nutricionista, educador físico) permitem evitar complicações micro e macrovasculares.
O que é o CID E11 na prática médica
O código CID E11 classifica o diabetes mellitus tipo 2, também chamado de diabetes não insulinodependente. Na prática clínica, essa condição é marcada por resistência periférica à ação da insulina e uma produção insuficiente desse hormônio pelo pâncreas ao longo do tempo. Diferentemente do diabetes tipo 1 (CID E10), os pacientes com E11 geralmente não dependem de insulina exógena para sobreviver, embora muitos possam necessitar dela em fases avançadas ou em situações de descompensação.
O CID E11 é o mais prevalente entre todos os tipos de diabetes, correspondendo a mais de 90% dos casos. Está fortemente associado ao excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e histórico familiar. Quando não controlado, pode levar a complicações como nefropatia, retinopatia, neuropatia, doença arterial coronariana e acidente vascular cerebral.
Subcategorias e variantes do CID E11
A CID-10 detalha o diabetes tipo 2 em subcategorias que indicam a presença de complicações associadas. As principais são:
- E11.0 – Diabetes mellitus não insulinodependente com coma (cetoacidótico ou hiperosmolar)
- E11.1 – Com cetoacidose (sem coma)
- E11.2 – Com complicações renais (nefropatia diabética)
- E11.3 – Com complicações oculares (retinopatia diabética)
- E11.4 – Com complicações neurológicas (neuropatia diabética)
- E11.5 – Com complicações circulatórias (doença vascular periférica, pé diabético)
- E11.6 – Com outras complicações especificadas (catarata, dermatopatias, etc.)
- E11.7 – Com múltiplas complicações
- E11.8 – Não especificado, sem complicações
- E11.9 – Sem complicações
O uso correto da subcategoria é essencial para o registro clínico, faturamento de serviços de saúde e estudos epidemiológicos.
Sintomas e como a doença se manifesta
O diabetes tipo 2 pode permanecer assintomático por anos. Quando os sintomas aparecem, incluem:
- Polidipsia (sede excessiva)
- Poliúria (aumento do volume urinário, principalmente à noite)
- Polifagia (fome aumentada), muitas vezes paradoxal com perda de peso
- Fadiga e fraqueza
- Visão turva (por alteração osmótica do cristalino)
- Infecções de repetição (pele, trato urinário, candidíase)
- Cicatrização lenta de feridas
- Formigamento ou dormência nas extremidades (neuropatia)
Nos estágios avançados, podem surgir sinais de complicações já instaladas, como úlceras nos pés, perda progressiva da visão ou insuficiência renal.
Causas e fatores de risco
O diabetes tipo 2 é uma doença multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:
- Obesidade e sobrepeso (especialmente obesidade abdominal) – a resistência à insulina está diretamente relacionada ao acúmulo de gordura visceral.
- Sedentarismo – a baixa atividade física reduz a captação periférica de glicose.
- Alimentação não saudável – dietas ricas em carboidratos refinados, açúcares e gorduras saturadas.
- Histórico familiar – parentes de primeiro grau com diabetes aumentam o risco.
- Idade avançada – o risco aumenta progressivamente após os 45 anos.
- Diabetes gestacional prévio ou síndrome dos ovários policísticos (SOP).
- Hipertensão arterial, dislipidemia e tabagismo – atuam como agravantes.
Estima-se que cerca de 80% dos casos de diabetes tipo 2 poderiam ser evitados ou retardados com mudanças no estilo de vida.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é baseado em exames laboratoriais. Os critérios da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e da Sociedade Brasileira de Diabetes são:
- Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (em duas ocasiões)
- Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%
- Glicemia pós-prandial (2 horas após 75 g de glicose) ≥ 200 mg/dL
- Glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos
Exames complementares incluem perfil lipídico, função renal (creatinina, albuminúria), fundo de olho, eletrocardiograma e avaliação dos pulsos periféricos.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do diabetes tipo 2 visa controlar a glicemia, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Divide-se em medidas não farmacológicas e farmacológicas:
Medidas não farmacológicas: reeducação alimentar (dieta balanceada com redução de carboidratos simples e aumento de fibras), prática regular de atividade física (150 min/semana de atividade aeróbica moderada) e perda de peso (redução de 5 a 10% do peso corporal já melhora significativamente o controle glicêmico).
Tratamento farmacológico: a primeira linha é a metformina (dose inicial 500 mg/dia, podendo chegar a 2550 mg/dia). Quando necessário, associa-se outras classes como sulfonilureias, inibidores DPP-4, agonistas GLP-1, inibidores SGLT-2 ou insulinoterapia. A escolha depende do perfil do paciente, comorbidades, função renal e presença de doença cardiovascular.
O monitoramento da HbA1c deve ser feito a cada 3-6 meses, com meta individualizada (geralmente <7% na maioria dos adultos).
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o diabetes tipo 2 depende do quadro clínico e da necessidade de ajuste terapêutico. Em geral:
- Paciente com diabetes tipo 2 estável, em consulta de rotina: 1 a 2 dias (para realização de exames e orientação).
- Paciente com descompensação inicial (glicemia elevada, sintomas leves): 3 a 7 dias para reavaliação e início de tratamento.
- Paciente com complicações agudas (cetoacidose, estado hiperosmolar, infecção grave): 14 a 30 dias ou mais, muitas vezes necessitando internação hospitalar.
O médico responsável define o período de afastamento com base na avaliação clínica, na função laboral do paciente e na necessidade de adaptação terapêutica. O atestado deve conter o CID E11 e, se aplicável, a subcategoria.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Glicemia capilar > 400 mg/dL ou < 60 mg/dL
- Respiração rápida e profunda (respiração de Kussmaul)
- Náuseas, vômitos, dor abdominal intensa
- Confusão mental, sonolência, perda de consciência
- Sinais de infecção grave (febre alta, feridas com pus)
- Feridas nos pés que não cicatrizam, com sinais de infecção
- Perda súbita da visão ou turvação visual intensa
- Dor no peito, falta de ar ou fraqueza em um lado do corpo (AVC)
Esses sinais podem indicar complicações graves como cetoacidose, estado hiperosmolar, infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral, que exigem intervenção imediata.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção do diabetes tipo 2 baseia-se em três pilares:
- Alimentação saudável: preferir alimentos integrais, frutas, legumes e proteínas magras, evitando ultraprocessados e bebidas açucaradas.
- Atividade física regular: pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana (caminhada, natação, bicicleta) associada a exercícios de resistência duas vezes por semana.
- Controle do peso – manter IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m² e circunferência abdominal < 94 cm (homens) e < 80 cm (mulheres).
Para quem já tem o diagnóstico, o cuidado contínuo inclui monitoramento glicêmico domiciliar, consultas regulares (a cada 3-6 meses), exames periódicos de HbA1c, função renal e fundo de olho, além de cuidados com os pés (exame diário, hidratação, calçados adequados) e vacinação em dia (influenza, pneumococo, hepatite B).
- 01. Nunca interrompa o tratamento medicamentoso sem orientação médica, mesmo que a glicemia normalize.
- 02. Realize o automonitoramento da glicemia conforme recomendação do seu médico – o registro ajuda no ajuste da terapêutica.
- 03. Use o prontuário de vacinação em dia, especialmente as vacinas contra influenza e pneumococo, para evitar infecções que descompensam o diabetes.
- 04. Examine seus pés todos os dias em busca de feridas, bolhas ou alterações de cor e textura – a prevenção do pé diabético salva membros.
- 05. Mantenha um diário alimentar por pelo menos uma semana a cada mês para identificar padrões que elevam a glicemia.
- 06. Durma bem e gerencie o estresse – sono inadequado e estresse elevado aumentam a resistência à insulina.
Perguntas Frequentes sobre o CID DIABETES
O CID DIABETES garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia conforme a condição clínica. Para consulta de rotina, geralmente 1 a 2 dias. Para descompensação moderada, de 3 a 7 dias. Em casos de complicações agudas graves, pode chegar a 30 dias ou mais, a critério médico.
O diabetes tipo 2 tem cura?
Não há cura definitiva, mas é possível atingir a remissão (HbA1c normal sem medicação) com perda de peso significativa, alimentação saudável e atividade física, especialmente em fases iniciais. Porém, a vigilância deve ser contínua.
Quais são os primeiros sintomas do diabetes tipo 2?
Muitas vezes são sutis: sede aumentada, boca seca, cansaço, visão embaçada, infecções frequentes (candidíase, infecção urinária), vontade de urinar várias vezes à noite. Em muitos pacientes, os sintomas só aparecem quando a glicemia já está muito elevada.
Preciso tomar insulina se tenho diabetes tipo 2?
Nem sempre. A maioria dos pacientes começa com metformina e medidas não farmacológicas. Caso o controle não seja alcançado, pode-se associar outros medicamentos orais ou injetáveis (agonistas GLP-1). A insulina é indicada quando há falência progressiva das células beta do pâncreas ou em situações de estresse metabólico.
O diabetes tipo 2 pode ser prevenido?
Sim, com hábitos saudáveis – dieta equilibrada, exercícios, controle do peso e evitar tabagismo. Estudos mostram que mudanças no estilo de vida podem reduzir em até 58% o risco de progressão para diabetes em indivíduos com pré-diabetes.
É seguro praticar exercícios com diabetes tipo 2?
Sim, e é altamente recomendado. No entanto, é importante monitorar a glicemia antes e depois do exercício, evitar atividades quando estiver acima de 250 mg/dL com presença de corpos cetônicos, e ter sempre um carboidrato de rápida absorção disponível para casos de hipoglicemia.
O que significa CID E11.9?
CID E11.9 é a subcategoria “Diabetes mellitus não insulinodependente sem complicações”. É o código usado quando não há evidências de comprometimento renal, ocular, neurológico ou circulatório associado.
Gestantes com diabetes tipo 2 devem usar qual CID?
Gestantes com diabetes tipo 2 prévio devem ser classificadas com O24.1 (Diabetes mellitus pré-existente, tipo 2) e podem ter o CID E11 como complemento, se necessário. O acompanhamento pré-natal deve ser especializado.
O diabetes tipo 2 afeta a visão?
Sim. O excesso de glicose no sangue pode causar retinopatia diabética, catarata precoce e glaucoma. Por isso, recomenda-se exame de fundo de olho ao diagnóstico e anualmente após o primeiro ano.
Posso consumir álcool se tenho diabetes tipo 2?
Com moderação e sob orientação médica. O álcool pode causar hipoglicemia retardada, principalmente se consumido sem alimentos. Não exceda 1 dose para mulheres e 2 doses para homens ao dia, e sempre acompanhado de refeições.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministerio da Saude do Brasil.
Ultima atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem carácter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links de referência externa:
Conteúdos relacionados no nosso site:
- CID R11 – Náusea e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID F41 – Ansiedade
- CID M54 – Dorsalgia
- CID J06 – Infecção Respiratória


