Em 2026, a constipação intestinal crônica atinge aproximadamente 32% da população adulta brasileira, sendo uma das queixas mais comuns em consultórios de clínica médica e gastroenterologia. Estima-se que sete em cada dez pacientes que procuram ajuda para problemas intestinais apresentam dietas inadequadas em fibras e hidratação.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DIETA-PARA-CONSTIPAÇÃO e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças, o código que abrange a constipação intestinal é o K59.0 (Obstipação). Este artigo esclarece o que é essa condição, como ela se relaciona com a alimentação, quais os tratamentos baseados em dieta e como você pode melhorar sua saúde intestinal de forma segura e eficaz.
- Código: K59.0
- Descrição: Obstipação (constipação intestinal)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K55-K63)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K59.0 é o código principal; variações clínicas incluem K59.1 (diarreia funcional), K59.2 (intestino neurogênico), K59.3 (megacólon), K59.4 (espasmo anal), K59.8 (outros transtornos funcionais do intestino) e K59.9 (transtorno funcional intestinal não especificado).
Paciente: Sr. Antônio Carlos, 52 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Dificuldade para evacuar há cerca de 6 meses, com sensação de evacuação incompleta, esforço excessivo e períodos de até 4 dias sem ir ao banheiro. Refere dor abdominal tipo cólica.
Avaliação clínica: Exame físico mostrou abdome pouco doloroso à palpação, sem massas palpáveis. Toque retal apresentou fezes endurecidas na ampola. Foi solicitada colonoscopia para excluir lesões orgânicas; resultado normal.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID K59.0 (Obstipação) — que significa constipação intestinal funcional, sem causa estrutural identificada.
Conduta terapêutica: Prescrito aumento progressivo de fibras solúveis (aveia, chia, psyllium), ingestão de 2,5 a 3 litros de água por dia, atividade física (caminhada 30 min/dia) e uso de supositório de glicerina ocasional. Orientação alimentar detalhada com nutricionista.
Evolução: Após 6 semanas, o paciente relatou evacuações diárias, fezes mais pastosas, sem dor. Reduziu uso de supositórios para uma vez por semana. Manteve a dieta e melhorou qualidade de vida.
Licao clínica: A constipação funcional responde muito bem a mudanças sustentáveis na alimentação e nos hábitos de vida. A dieta para constipação é a base do tratamento, e o acompanhamento multiprofissional potencializa os resultados.
1. O que é o CID K59.0 na prática médica
O código K59.0 equivale à obstipação, popularmente conhecida como constipação intestinal ou “intestino preso”. Trata-se de um transtorno funcional do intestino caracterizado por evacuações infrequentes (menos de três por semana), esforço para evacuar, fezes endurecidas ou sensação de bloqueio. Na prática clínica, o médico utiliza esse código para registrar o diagnóstico quando não há causa orgânica (como tumores, estenoses ou doença de Hirschsprung).
É importante destacar que a dieta desempenha papel central tanto no aparecimento quanto no manejo da condição. Por isso, o termo “dieta para constipação” é frequentemente associado ao CID K59.0, pois as orientações nutricionais constituem a primeira linha de tratamento, muitas vezes evitando o uso de medicamentos laxantes.
2. Subcategorias e variantes do CID K59.0
Embora o código principal seja K59.0, a CID-10 oferece subcategorias para outras condições funcionais intestinais:
- K59.1 – Diarreia funcional (intestino irritável com predomínio de diarreia)
- K59.2 – Intestino neurogênico (disfunção intestinal por lesão neurológica)
- K59.3 – Megacólon (dilatação anormal do cólon, não congênita)
- K59.4 – Espasmo anal (contração involuntária do esfíncter)
- K59.8 – Outros transtornos funcionais do intestino (ex.: síndrome do intestino irritável mista)
- K59.9 – Transtorno funcional intestinal não especificado
Para a dieta para constipação, o foco principal é o K59.0, mas muitas dessas condições também se beneficiam de ajustes alimentares.
3. Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da constipação podem variar de leves a graves. Os mais frequentes incluem:
- Menos de três evacuações por semana
- Necessidade de fazer força excessiva para evacuar
- Fezes duras, secas ou grumosas (tipo 1 ou 2 na escala de Bristol)
- Sensação de evacuação incompleta (“não terminou”)
- Inchaço abdominal, flatulência e cólicas
- Dor retal ou sangramento leve devido a fissuras por fezes endurecidas
Em casos crônicos, pode haver perda de apetite, mau hálito e hemorroidas. A manifestação depende da causa subjacente e da duração do quadro.
4. Causas e fatores de risco
A constipação funcional geralmente é multifatorial. As principais causas e fatores de risco incluem:
- Dieta pobre em fibras: Alimentos ultraprocessados, baixo consumo de frutas, verduras e cereais integrais.
- Baixa ingestão hídrica: A hidratação insuficiente endurece as fezes.
- Sedentarismo: A falta de atividade física reduz a motilidade intestinal.
- Ignorar a vontade de evacuar: Segurar as fezes por muito tempo leva ao ressecamento.
- Uso de medicamentos: Opioides, antiácidos com cálcio ou alumínio, antidepressivos, suplementos de ferro.
- Condições médicas: Hipotireoidismo, diabetes, doença de Parkinson, síndrome do intestino irritável, gestação.
- Fatores psicológicos: Estresse, ansiedade e depressão podem alterar o ritmo intestinal.
5. Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da constipação funcional é essencialmente clínico. O médico segue os Critérios de Roma IV para definir o quadro. As etapas incluem:
- Anamnese detalhada: Frequência e características das evacuações, tempo de duração, sintomas associados, medicações em uso e hábitos alimentares.
- Exame físico: Palpação abdominal, toque retal para avaliar tônus esfincteriano e presença de fezes impactadas.
- Exames complementares: Podem ser solicitados para afastar causas orgânicas: colonoscopia (indicada se idade >45 anos ou sinais de alarme), manometria anorretal, trânsito colônico, exames de sangue (função tireoidiana, cálcio, glicemia).
- Registro do CID: Confirmado o diagnóstico de obstipação funcional, o médico utiliza o código K59.0.
O diagnóstico diferencial inclui obstrução intestinal, câncer colorretal, doença inflamatória intestinal e distúrbios da estática pélvica.
6. Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da constipação é escalonado. A dieta para constipação é a base, mas medidas farmacológicas podem ser necessárias.
6.1. Mudanças na dieta e estilo de vida
- Fibras: 25-35 g/dia, com aumento gradual. Preferir fibras solúveis (psyllium, aveia, chia) para evitar distensão.
- Hidratação: Mínimo de 2 litros de água por dia.
- Probióticos: Iogurtes naturais, kefir, suplementos com Lactobacillus e Bifidobacterium.
- Atividade física: 150 minutos/semana de exercícios aeróbicos.
- Regularidade: Estabelecer horário fixo para evacuar, preferencialmente após o café da manhã.
6.2. Tratamento farmacológico
- Laxantes formadores de volume: Psyllium, metilcelulose, policarbofila.
- Laxantes osmóticos: Lactulose, polietilenoglicol (PEG), leite de magnésia.
- Laxantes estimulantes: Bisacodil, sene (uso eventual, não contínuo).
- Procinéticos: Prucaloprida (para casos refratários).
- Supositórios e enemas: Glicerina, fosfato de sódio (uso pontual).
O tratamento deve ser individualizado. O acompanhamento com nutricionista e a adesão às orientações dietéticas reduzem a necessidade de laxantes a longo prazo.
7. Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID K59.0 varia conforme a gravidade e a resposta ao tratamento. Em casos leves, o médico pode conceder 1 a 3 dias para repouso e início da dieta. Em situações mais debilitantes (cólicas intensas, impactação fecal, necessidade de procedimentos como enema), o atestado pode se estender por 3 a 7 dias. Pacientes com constipação crônica em acompanhamento ambulatorial geralmente não necessitam de afastamento do trabalho, mas sim de orientações para adaptação da rotina alimentar. O médico avaliará cada caso individualmente.
8. Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a constipação seja comum, alguns sinais exigem avaliação médica imediata:
- Sangue nas fezes ou sangramento anal intenso
- Dor abdominal severa e persistente
- Incapacidade de eliminar gases ou fezes (suspeita de obstrução)
- Perda de peso inexplicada
- Febre associada
- Náuseas e vômitos repetidos
- Mudança súbita no hábito intestinal em pacientes acima de 50 anos
Esses sintomas podem indicar complicações como impactação fecal, volvo intestino, neoplasia ou doença inflamatória. Procure um pronto-socorro ou agende consulta urgente.
9. Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a constipação é mais eficaz do que tratá-la. As principais estratégias incluem:
- Manter uma alimentação rica em fibras (frutas com casca, verduras cruas, leguminosas, grãos integrais)
- Ingerir líquidos ao longo do dia (água, chás, sucos naturais)
- Praticar exercícios físicos regularmente
- Não ignorar a vontade de evacuar
- Evitar uso excessivo de laxantes sem prescrição
- Controlar o estresse com técnicas de relaxamento, meditação ou terapia
- Realizar check-ups médicos periódicos, especialmente após os 45 anos
Para quem já tem constipação crônica, o acompanhamento com clínico geral ou gastroenterologista, associado ao nutricionista, é fundamental para manter a qualidade de vida.
- 01. Aumente o consumo de fibras de forma gradual: comece com 10 g/dia e suba até 30 g/dia em 2 a 3 semanas para evitar gases e inchaço.
- 02. Combine fibras com bastante água — sem hidratação adequada, as fibras podem piorar a constipação.
- 03. Inclua probióticos naturais diariamente: iogurte natural, kefir ou kombucha ajudam a equilibrar a flora intestinal.
- 04. Estabeleça um horário fixo para evacuar, de preferência 20 minutos após o café da manhã, aproveitando o reflexo gastro-cólico.
- 05. Evite o consumo de laxantes estimulantes por mais de uma semana sem orientação médica — eles podem causar dependência e lesão no cólon.
Perguntas Frequentes sobre o CID DIETA
O CID DIETA garante quantos dias de atestado?
O código K59.0 (Obstipação) pode gerar de 1 a 7 dias de atestado, dependendo da intensidade dos sintomas. Casos leves: 1 a 3 dias; impactação fecal ou cólicas fortes: até 7 dias. O médico define o período com base na avaliação clínica.
Posso usar laxantes por conta própria se tiver CID K59.0?
Não é recomendado. O uso inadequado de laxantes pode mascarar doenças graves e causar dependência. A dieta e as mudanças no estilo de vida devem ser priorizadas; laxantes só devem ser usados sob prescrição médica.
Qual a melhor dieta para constipação?
Uma dieta rica em fibras solúveis (aveia, psyllium, banana, maçã cozida), vegetais folhosos, frutas com casca, leguminosas (feijão, lentilha) e cereais integrais. Evitar ultraprocessados, frituras e excesso de carnes vermelhas. Beber no mínimo 2 litros de água por dia.
Constipação pode ser sinal de câncer?
Sim, embora a maioria dos casos seja funcional, a constipação persistente pode ser sintoma de câncer colorretal, especialmente se acompanhada de sangramento, perda de peso ou mudança súbita do hábito intestinal após os 50 anos. Procure um médico para investigação.
Qual a diferença entre constipação funcional e orgânica?
A constipação funcional (K59.0) não tem causa estrutural identificável; é relacionada a fatores dietéticos, emocionais e hábitos. A orgânica é causada por doenças como tumores, estenoses, doença de Hirschsprung ou hipotireoidismo, exigindo tratamento específico.
Quanto tempo leva para a dieta fazer efeito?
Geralmente, os primeiros resultados aparecem entre 3 e 7 dias após o início das mudanças alimentares e hídricas. A regularização completa do trânsito intestinal pode levar de 2 a 6 semanas.
Posso tomar probióticos todos os dias?
Sim, probióticos como Lactobacillus e Bifidobacterium podem ser consumidos diariamente, de preferência em alimentos fermentados ou suplementos com orientação profissional. Eles auxiliam na saúde intestinal e podem prevenir recidivas.
Exercícios físicos realmente ajudam?
Sim. A atividade aeróbica (caminhada, corrida leve, natação) estimula o peristaltismo intestinal. O recomendado é pelo menos 30 minutos, 5 vezes por semana. Mesmo pequenas caminhadas após as refeições ajudam.
Grávidas podem usar dieta para constipação?
Sim, a dieta para constipação é segura e recomendada na gestação, desde que supervisionada pelo obstetra. Aumento de fibras, hidratação e atividade física moderada são benéficos. Laxantes osmóticos como lactulose podem ser usados sob orientação.
Crianças com CID K59.0 devem fazer dieta especial?
Sim, a abordagem em crianças inclui aumento de fibras (frutas, verduras, cereais), hidratação adequada, e estímulo a hábitos regulares. Evitar açúcar refinado e farináceos. O pediatra pode prescrever laxantes suaves se necessário.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Ultima atualização: 21/06/2026
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