Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil ocupa o 5º lugar no mundo em número de adultos com diabetes, com mais de 16,8 milhões de casos em 2025. As doenças endócrinas e metabólicas, especialmente o diabetes tipo 2 e obesidade, representam a terceira maior carga de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs) no país, com projeção de aumento de 12% até 2030.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENÇAS-ENDÓCRINAS-E-METABÓLICAS-ENTENDA-SUA-IMPORTANCIA-4 e quer saber o que significa? Na verdade, este código se refere ao Capítulo IV da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que abrange um conjunto amplo de condições que afetam glândulas endócrinas, metabolismo e nutrição – desde diabetes mellitus até distúrbios da tireoide e obesidade. Entender esse capítulo é essencial para reconhecer a gravidade dessas doenças, que estão entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. Este artigo explica, com um estudo de caso clínico real, os principais aspectos dessas condições, sintomas, tratamento e como lidar com o diagnóstico no dia a dia.
- Código: E00-E90
- Descrição: Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (Capítulo IV da CID-10)
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias:
- E00-E07 – Distúrbios da glândula tireoide
- E10-E14 – Diabetes mellitus
- E15-E16 – Outros distúrbios da regulação da glicose
- E20-E35 – Distúrbios de outras glândulas endócrinas
- E40-E46 – Desnutrição
- E50-E90 – Outras doenças metabólicas e nutricionais
Paciente: Sra. Maria Aparecida, 58 anos, professora aposentada
Queixa principal: Sede excessiva, urinar muitas vezes à noite, cansaço e perda de peso não intencional nos últimos 3 meses
Avaliação clínica: Exame físico: IMC 31 (obesidade grau I), glicemia capilar em jejum 238 mg/dL, hemoglobina glicada (HbA1c) 9,2%. Exames laboratoriais confirmaram glicemia de jejum elevada, glicosúria e cetonúria leve. Função tireoideana normal.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID E11.9 — Diabetes mellitus não insulinodependente (tipo 2) sem complicações. A paciente apresentava resistência insulínica e produção insuficiente de insulina.
Conduta terapeutica: Iniciou metformina 850 mg 2x/dia, orientação nutricional com redução de carboidratos simples e aumento de fibras, programa de atividade física aeróbica 150 min/semana e monitoramento domiciliar da glicemia. Foi encaminhada a nutricionista e educador físico. Prescrição de atestado médico de 7 dias para reorganização do tratamento.
Evolucao: Apos 12 semanas de tratamento, a HbA1c reduziu para 7,1%. A paciente perdeu 4,5 kg, mantendo glicemias de jejum entre 110-130 mg/dL. Relata melhora significativa da energia e ausência de poliúria noturna. Ajuste da metformina para 1 g 2x/dia devido a boa tolerância.
Licao clinica: O diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar são fundamentais para evitar complicações crônicas do diabetes, como neuropatia, retinopatia e doença renal. Mesmo com obesidade, mudanças no estilo de vida podem reverter parte do quadro metabólico.
O que é o CID E00-E90 na prática médica
O CID E00-E90 abrange um grupo heterogêneo de doenças que afetam a produção hormonal, o metabolismo de nutrientes e o estado nutricional. Na prática clínica, é o capítulo mais utilizado para diagnosticar diabetes, obesidade, dislipidemias, doenças da tireoide (hipotireoidismo, hipertireoidismo), distúrbios das glândulas paratireoides, suprarrenais e hipófise, além de desnutrição e erros inatos do metabolismo. Médicos de todas as especialidades – clínica médica, endocrinologia, pediatria e medicina da família – recorrem a esses códigos para registrar condições que têm impacto direto na qualidade de vida e no risco cardiovascular. Em 2025, estima-se que 60% das consultas em clínica médica envolvam ao menos um código deste capítulo, seja como diagnóstico principal ou comorbidade.
Subcategorias e variantes do CID E00-E90
O capítulo se organiza em grandes grupos:
- E00-E07: Tireoide – inclui hipotireoidismo congênito (E03.0), tireoidite de Hashimoto (E06.3) e bócio difuso tóxico (E05.0).
- E10-E14: Diabetes – E10 (tipo 1), E11 (tipo 2), E12 (desnutrição relacionada), E13 (outros tipos específicos) e E14 (não especificado).
- E15-E16: Outros distúrbios glicêmicos – hipoglicemia (E16.0-E16.2), hiperinsulinemia (E16.8).
- E20-E35: Outras glândulas – hiperparatireoidismo (E21), insuficiência adrenal (E27.1), síndrome de Cushing (E24), hipopituitarismo (E23).
- E40-E46: Desnutrição – desde desnutrição proteico-calórica leve (E44.0) até grave (E43).
- E50-E90: Outras – obesidade (E66), dislipidemias (E78.0-E78.5), fibrose cística com manifestações metabólicas (E84), amiloidose (E85) e distúrbios do metabolismo de aminoácidos (E70-E72).
Cada subcategoria contém ainda desdobramentos com 4 e 5 caracteres que permitem detalhar a complicação ou o estágio da doença.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas variam enormemente conforme a condição específica. No diabetes (E10-E14), os sinais clássicos são poliúria (urinar muito), polidipsia (sede intensa), polifagia (fome excessiva) e perda de peso inexplicada. No hipotireoidismo (E03.9), predominam cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca e depressão. Já no hipertireoidismo (E05), observa-se taquicardia, sudorese, perda de peso, tremor e irritabilidade. A obesidade (E66) manifesta-se pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, associando-se a dispneia, dores articulares e apneia do sono. Desnutrição (E40-E46) cursa com perda de massa muscular, fadiga, edema e comprometimento imunológico. A dislipidemia (E78) é frequentemente assintomática, mas pode levar a xantelasmas ou arco corneano. É importante ressaltar que muitas doenças endócrinas e metabólicas são silenciosas por anos até que complicações – como infarto, AVC ou insuficiência renal – se manifestem.
Causas e fatores de risco
As causas são multifatoriais. Para diabetes tipo 2 (E11), destacam-se obesidade, sedentarismo, histórico familiar e alimentação hipercalórica. Diabetes tipo 1 (E10) é autoimune, com destruição das células beta pancreáticas. Hipotireoidismo pode ser autoimune (Hashimoto), iatrogênico (cirurgia, radiação) ou por deficiência de iodo. Hipertireoidismo na maioria dos casos é devido à doença de Graves (autoimune). Obesidade resulta do balanço energético positivo, influenciado por genética, ambiente e fatores psicológicos. Desnutrição está ligada à pobreza, doenças crônicas (câncer, HIV) e transtornos alimentares. Síndrome de Cushing (E24) é causada por uso crônico de corticoides ou tumores hipofisários. A identificação precoce dos fatores de risco modificáveis – como dieta, atividade física e controle de peso – é a principal estratégia de prevenção primária.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico baseia-se em história clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais. No diabetes: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL em duas ocasiões, HbA1c ≥ 6,5%, ou teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com glicemia de 2h ≥ 200 mg/dL. Para tireoide: TSH e T4 livre são os exames iniciais; anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina ajudam na etiologia autoimune. Dislipidemia: perfil lipídico com colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Obesidade: IMC ≥ 30 kg/m², com avaliação de circunferência abdominal. Síndrome de Cushing: cortisol urinário de 24h, teste de supressão com dexametasona. Desnutrição: albumina sérica, transferrina, contagem linfocitária e avaliação antropométrica. Exames de imagem (ultrassom de tireoide, tomografia de suprarrenais, ressonância de hipófise) podem ser necessários. O diagnóstico diferencial é amplo, pois sintomas como fadiga e ganho de peso aparecem em várias condições.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia conforme a condição, mas geralmente combina farmacoterapia, mudanças no estilo de vida e acompanhamento multidisciplinar.
- Diabetes tipo 2: metformina, sulfonilureias, inibidores de SGLT2, agonistas GLP-1, insulina se necessário. Controle glicêmico + metas de HbA1c < 7%.
- Diabetes tipo 1: insulinoterapia intensiva (múltiplas doses ou bomba de insulina), monitoramento contínuo de glicose.
- Hipotireoidismo: reposição com levotiroxina sódica, com ajuste de dose baseado no TSH.
- Hipertireoidismo: medicamentos antitireoidianos (metimazol, propiltiouracila), iodo radioativo ou tireoidectomia.
- Obesidade: orientação nutricional, atividade física estruturada, medicamentos (orlistate, liraglutida, semaglutida) e cirurgia bariátrica em casos selecionados.
- Dislipidemia: estatinas, ezetimiba, fibratos e mudança dietética.
- Desnutrição: suplementação oral ou enteral, tratamento da causa base.
- Síndrome de Cushing: cirurgia para tumor, inibidores da síntese de cortisol (cetoconazol, metirapona).
A adesão ao tratamento e o monitoramento regular são cruciais para evitar complicações. A abordagem deve ser centrada no paciente, considerando suas preferências e comorbidades.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado varia conforme a doença e a gravidade. Em geral:
- Diabetes recém-diagnosticado sem complicações: 3 a 7 dias para ajuste dietético e medicamentoso.
- Crise tireotóxica ou cetoacidose diabética: 10 a 15 dias de internação hospitalar.
- Cirurgia bariátrica: 30 a 45 dias de afastamento.
- Desnutrição grave com internação: 15 a 30 dias.
- Ajuste de medicação para hipotireoidismo: geralmente 1 a 2 dias.
- Procedimentos ambulatoriais (ex.: biópsia de tireoide): 1 a 2 dias.
O médico assistente define o período com base na resposta clínica, necessidade de acompanhamento e exigências ocupacionais. Atestados superiores a 15 dias requerem perícia médica do INSS para afastamento previdenciário. É importante que o paciente apresente o atestado ao empregador dentro de 48 horas.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais que indicam necessidade de atendimento de urgência incluem:
- Glicemia capilar > 300 mg/dL com sintomas (náuseas, vômitos, dor abdominal, hálito cetônico) – suspeita de cetoacidose diabética.
- Hipoglicemia grave (glicemia < 50 mg/dL) com confusão, perda de consciência ou convulsões.
- Crise tireotóxica: febre alta, taquicardia descontrolada, agitação, delírio.
- Coma mixedematoso: hipotermia, bradicardia, sonolência extrema em hipotireoidismo grave.
- Insuficiência adrenal aguda (crise addisoniana): hipotensão, vômitos, dor abdominal, hiperpigmentação.
- Desnutrição grave com IMC < 16 kg/m² e sinais de infecção.
- Obesidade mórbida com síndrome de hipoventilação (insuficiência respiratória).
Pacientes com diagnóstico conhecido devem ter um plano de ação para emergências, incluindo contato do médico e medicamentos de resgate (ex.: glucagon para hipoglicemia).
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das doenças endócrinas e metabólicas baseia-se em hábitos saudáveis: alimentação equilibrada (rica em fibras, pobre em açúcares e gorduras trans), prática regular de atividade física (150 minutos/semana de moderada intensidade), manutenção do peso corporal adequado (IMC entre 18,5-24,9 kg/m²), não fumar, evitar consumo excessivo de álcool e realizar check-ups periódicos com exames de glicemia, perfil lipídico e função tireoidiana, especialmente após os 40 anos ou com histórico familiar positivo. Para pacientes já diagnosticados, o cuidado contínuo envolve adesão ao tratamento, automonitoramento (glicemia, peso, pressão arterial), consultas regulares com endocrinologista, nutricionista e educador físico, além de rastreamento anual de complicações (fundo de olho, microalbuminúria, eletroneuromiografia). A educação em saúde empodera o paciente a reconhecer sinais de descompensação e buscar ajuda precocemente.
- 01. Mantenha um diário alimentar e de glicemia – ele ajuda o médico a ajustar a medicação e identificar padrões.
- 02. Nunca interrompa o tratamento com corticoides ou hormônios tireoidianos bruscamente – pode desencadear crise grave.
- 03. Realize exames de rotina anualmente, mesmo sem sintomas: doenças metabólicas são traiçoeiras e silenciosas.
- 04. Em viagens, leve sempre a medicação de uso contínuo e um cartão com seu diagnóstico e contato de emergência.
- 05. Busque apoio psicológico se necessário – transtornos alimentares e estresse impactam diretamente o controle hormonal.
Perguntas Frequentes sobre o CID E00-E90
O CID E00-E90 garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia conforme a condição específica. Para diabetes tipo 2 não complicado, geralmente 3 a 7 dias. Para cetoacidose ou tireotoxicose, de 10 a 15 dias. Consulte seu médico para avalição individualizada.
CID E11 é diabetes tipo 2? Qual a diferença para E10?
Sim, E11 é diabetes mellitus tipo 2, normalmente associado a resistência insulínica. E10 é diabetes tipo 1, de origem autoimune e deficiência absoluta de insulina. O tratamento e o manejo são diferentes.
Quem tem hipotireoidismo precisa tomar remédio para sempre?
Na maioria dos casos, sim. O hipotireoidismo primário (Hashimoto) geralmente exige reposição vitalícia de levotiroxina. Já hipotireoidismo subclínico pode não necessitar de tratamento imediato, mas requer monitoramento.
O CID E66 (obesidade) dá direito a cirurgia bariátrica pelo SUS?
Sim, o SUS oferece cirurgia bariátrica para pacientes com IMC ≥ 40 kg/m² ou IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades (diabetes, hipertensão, apneia) que não responderam ao tratamento clínico por pelo menos 2 anos.
Quais exames são usados para diagnosticar dislipidemia (E78)?
O diagnóstico é feito pelo perfil lipídico de jejum (colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos) ou por coleta não jejum. Valores alterados exigem confirmação e investigação de causas secundárias.
Crianças também podem ter doenças metabólicas do capítulo E00-E90?
Sim. Exemplos: diabetes tipo 1 (E10) é comum em crianças; erros inatos do metabolismo (E70-E90) são diagnosticados na infância; obesidade infantil (E66) e desnutrição (E40-E46) também são frequentes.
O que significa E03.9? Preciso me preocupar?
E03.9 é hipotireoidismo não especificado, indicando baixa função tireoidiana sem causa definida. É um código genérico. O médico deve investigar a etiologia (autoimune, medicamentosa, etc.) e iniciar reposição hormonal conforme necessário.
Como evitar complicações do diabetes? Existe cura?
Não há cura, mas o controle rigoroso da glicemia, pressão e colesterol reduz drasticamente o risco de complicações. A remissão do diabetes tipo 2 é possível com perda de peso significativa e mudanças no estilo de vida.
Revisão medica: Conteudo revisado pela equipe medica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministerio da Saude do Brasil.
Ultima atualizacao: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza voce encontra consultas acessiveis com medicos que explicam seu diagnostico e orientam o melhor tratamento.
Este conteudo tem carater exclusivamente informativo e educacional. O diagnostico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo medico responsavel com base no exame clinico completo. Nao use este artigo como base para autodiagnostico ou prescricao.
Consulte a lista completa de códigos do Capítulo IV no CID10.com.br |
Informações sobre Doenças Endócrinas (MedlinePlus)
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