Em 2026, a gastrite crônica atinge cerca de 35% da população brasileira, sendo a segunda causa mais frequente de atendimentos ambulatoriais em gastroenterologia. A infecção por Helicobacter pylori ainda é responsável por 70% dos casos de gastrite crônica não erosiva no país.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID GASTROENTEROLOGIA-ENTENDA-OS-CODIGOS-E-TRATAMENTOS e quer saber o que significa? Na prática, os códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID) usados em gastroenterologia identificam condições que vão desde azia ocasional até doenças inflamatórias crônicas. Este artigo explica o significado do código mais comum — CID K29 (gastrite e duodenite) — e orienta quando procurar ajuda médica.
- Código: K29
- Descrição: Gastrite e duodenite (CID-10)
- Categoria: Capítulo XI — Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K29.0 (Gastrite aguda hemorrágica), K29.1 (Outras gastrites agudas), K29.2 (Gastrite alcoólica), K29.3 (Gastrite crônica superficial), K29.4 (Gastrite crônica atrófica), K29.5 (Gastrite crônica não especificada), K29.6 (Duodenite), K29.7 (Gastrite não especificada), K29.8 (Duodenite não especificada), K29.9 (Gastroduodenite não especificada)
Paciente: Marcos Oliveira, 43 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Dor epigástrica em queimação há 3 meses, piora após refeições e à noite; azia frequente e sensação de estufamento. Negava perda de peso ou sangramento.
Avaliação clínica: Exame físico revelou dor à palpação no epigástrio. Solicitaram-se endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia e teste de urease para Helicobacter pylori. A EDA mostrou mucosa gástrica com erosões puntiformes no antro; biópsia confirmou gastrite crônica ativa com positividade para H. pylori.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K29.3 — Gastrite crônica superficial associada à infecção por Helicobacter pylori.
Conduta terapêutica: Foi prescrito esquema tríplice por 14 dias (omeprazol 20mg 2x/dia, amoxicilina 1g 2x/dia e claritromicina 500mg 2x/dia) seguido de manutenção com omeprazol 20mg/dia por mais 4 semanas. Recomenda-se dieta fracionada, evitar alimentos gordurosos, café, álcool e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).
Evolução: Após 6 semanas, o paciente relatou melhora significativa da dor e da azia. Nova EDA de controle em 3 meses mostrou cicatrização completa das erosões e teste de urease negativo. O paciente retornou ao trabalho sem limitações.
Lição clínica: A gastrite crônica é uma condição tratável, mas requer diagnóstico preciso e erradicação do H. pylori quando presente. A adesão ao tratamento reduz o risco de complicações como úlcera péptica e transformação neoplásica.
O que é o CID K29 na prática médica
O CID K29 compreende todas as formas de inflamação da mucosa gástrica (gastrite) e da mucosa duodenal (duodenite). Na prática clínica, é um dos códigos mais utilizados em gastroenterologia. A gastrite pode ser aguda (surgimento súbito, geralmente por agressores como medicamentos ou álcool) ou crônica (instalação lenta, frequentemente associada à infecção por Helicobacter pylori). O código permite que médicos e sistemas de saúde padronizem diagnósticos, orientem condutas e registrem a doença em prontuários e atestados.
Embora muitas pessoas confundam gastrite com “dispepsia” (desconforto digestivo inespecífico), o CID K29 só deve ser usado quando houver confirmação endoscópica ou histopatológica de inflamação gástrica. A classificação em subcategorias (K29.0 a K29.9) detalha o tipo e a localização da inflamação, auxiliando na escolha terapêutica.
Subcategorias e variantes do CID K29
O CID K29 é subdividido em dez códigos de 4 caracteres, que especificam a natureza da inflamação e o local exato. As principais variantes incluem:
- K29.0 – Gastrite aguda hemorrágica: Inflamação com sangramento ativo, geralmente induzida por AINEs, estresse severo ou ingestão de substâncias corrosivas. Requer internação e suporte intensivo.
- K29.2 – Gastrite alcoólica: Associada ao consumo excessivo de álcool, geralmente reversível com abstinência.
- K29.3 – Gastrite crônica superficial: A forma mais comum; o infiltrado inflamatório fica restrito à camada superficial da mucosa. Frequentemente associada a H. pylori.
- K29.4 – Gastrite crônica atrófica: Perda de glândulas gástricas, podendo levar à acloridria e deficiência de vitamina B12. Fator de risco para adenocarcinoma gástrico.
- K29.6 – Duodenite: Inflamação do duodeno, comum em pacientes com doença ulcerosa ou infecção por H. pylori.
Cada subcategoria implica prognóstico e tratamento específicos. Por exemplo, a gastrite atrófica (K29.4) exige acompanhamento endoscópico periódico para detecção precoce de displasia.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da gastrite e duodenite variam conforme a intensidade e a causa. Os mais comuns são:
- Dor ou desconforto na região epigástrica (“boca do estômago”), em queimação ou pontada.
- Azia e regurgitação ácida.
- Sensação de estufamento após as refeições, náuseas e eructação frequente (arrotos).
- Perda de apetite e, em alguns casos, perda de peso.
- Na gastrite hemorrágica: vômitos com sangue (hematêmese) ou fezes escuras e pastosas (melena).
A gastrite crônica pode ser oligossintomática por anos, manifestando-se apenas com anemia ferropriva (por sangramento oculto) ou deficiência de B12 (gastrite atrófica). Por isso, a presença de sintomas “leves” não exclui a doença. O médico deve ficar atento a sinais de alarme como emagrecimento, disfagia (dificuldade para engolir) e massa abdominal palpável.
Causas e fatores de risco
As causas da gastrite podem ser divididas em infecciosas, químicas, imunológicas e outros agentes. Os principais fatores de risco incluem:
- Infecção por Helicobacter pylori: Responsável por mais de 70% das gastrites crônicas no Brasil. Transmissão fecal-oral, comum na infância.
- Uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): Como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e ácido acetilsalicílico. Inibem a produção de prostaglandinas protetoras da mucosa.
- Álcool e tabagismo: O álcool lesa diretamente a barreira mucosa; o tabaco reduz o fluxo sanguíneo gástrico.
- Estresse agudo grave: Situações como cirurgia de grande porte, trauma, queimaduras ou sepse podem levar à gastrite hemorrágica de estresse.
- Doenças autoimunes: Gastrite atrófica autoimune (associada à anemia perniciosa).
- Condições inflamatórias crônicas: Doença de Crohn pode causar gastroduodenite específica.
Outros fatores incluem ingestão de substâncias cáusticas, radioterapia e idade avançada (maior fragilidade da mucosa).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de gastrite/duodenite baseia-se na história clínica, exame físico e exames complementares. O padrão-ouro é a endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsia. Durante o exame, o médico visualiza a mucosa e coleta fragmentos para análise histopatológica. O teste de urease na biópsia identifica a presença de H. pylori.
Outros exames úteis:
- Teste respiratório da ureia com carbono-13 (método não invasivo para detectar H. pylori ativo).
- Pesquisa de antígeno fecal (também para H. pylori).
- Hemograma completo (avalia anemia por sangramento oculto ou deficiência de B12).
- Dosagem de vitamina B12, ferro e ferritina na suspeita de gastrite atrófica.
A endoscopia permite classificar a gastrite como erosiva (sangramento ativo ou petéquias) ou não erosiva (apenas eritema e edema). A biópsia define o grau de inflamação, atividade e presença de metaplasia ou displasia.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da gastrite depende da causa subjacente. As principais estratégias terapêuticas são:
- Erradicação do Helicobacter pylori: Esquema tríplice por 14 dias: inibidor da bomba de prótons (IBP) + amoxicilina + claritromicina (ou metronidazol em caso de resistência). Após a erradicação, a gastrite regride na maioria dos pacientes.
- Supressão ácida: IBPs como omeprazol, pantoprazol ou esomeprazol (dose padrão 20-40 mg/dia por 4-8 semanas). Os antagonistas H2 (ranitidina) também podem ser usados, mas são menos potentes.
- Proteção da mucosa: Sucralfato (200 mg/kg/dia) ou bismuto coloidal.
- Modificação do estilo de vida: Dieta fracionada (5-6 refeições leves ao dia); evitar alimentos gordurosos, ácidos, condimentados, café, álcool e tabaco. Suspender AINEs sempre que possível.
- Tratamento específico para gastrite atrófica autoimune: Reposição de vitamina B12 intramuscular (cianocobalamina 1.000 µg/mês) e acompanhamento endoscópico a cada 1-2 anos para rastreio de neoplasia.
Em casos de gastrite hemorrágica aguda, pode ser necessária hemostasia endoscópica (termocoagulação, injeção de adrenalina) e transfusão sanguínea. A cirurgia é excepcional (úlcera perfurada ou sangramento refratário).
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho depende da gravidade do quadro e da profissão do paciente:
- Gastrite aguda leve a moderada: 3 a 7 dias de repouso, com retorno gradual após melhora da dor e da azia. O CID K29 (genérico) geralmente sugere 5 dias de atestado para quadros não complicados.
- Gastrite hemorrágica ou internação: 5 a 10 dias, podendo chegar a 15 dias se houve intervenção endoscópica ou cirúrgica.
- Caso crônico sem complicação: O atestado não é rotineiro; quando necessário para realização de exames (ex.: endoscopia), 1 a 2 dias são suficientes.
- Profissões de alto risco (operadores de máquinas, motoristas): O médico pode estender o afastamento até a completa remissão dos sintomas para evitar acidentes relacionados a uso de analgésicos ou tontura.
É importante que o atestado contenha o código CID específico (ex.: K29.3) e a data de retorno. A decisão final cabe ao médico assistente, considerando a avaliação clínica individual.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alarme que indicam necessidade de atendimento imediato:
- Hematêmese: Vômitos com sangue vermelho vivo ou em borra de café (sangue digerido).
- Melena: Fezes escuras, pastosas e fétidas (sangramento digestivo alto).
- Dor abdominal violenta e súbita: Pode significar perfuração de úlcera.
- Perda de peso inexplicada (mais de 5% do peso corporal em 3 meses).
- Disfagia progressiva: Dificuldade para engolir alimentos sólidos primeiro, depois líquidos.
- Anemia ferropriva sem causa aparente (identificada em exames de rotina).
- Sinais de desidratação: Vômitos incoercíveis, sede intensa, redução da diurese.
Pacientes com mais de 50 anos com sintomas novos ou persistentes devem ser avaliados com endoscopia para excluir neoplasia. Nunca ignore sangramento digestivo – mesmo em pequena quantidade pode indicar doença ulcerosa ou tumoral.
Prevenção e cuidados contínuos
Medidas preventivas reduzem significativamente o risco de gastrite e suas complicações:
- Evitar o uso crônico e sem orientação de AINEs e corticosteroides. Quando necessário, associar IBP protetor.
- Manter alimentação equilibrada, com horários regulares; evitar refeições volumosas e muito condimentadas.
- Reduzir consumo de álcool e eliminar o tabagismo.
- Tratar a infecção por H. pylori quando diagnosticada – a erradicação diminui o risco de úlcera e câncer gástrico em até 40%.
- Realizar exames de sangue anuais para rastreio de anemia e deficiência de vitamina B12 em pacientes com gastrite atrófica.
- Pacientes com história familiar de câncer gástrico ou metaplasia intestinal devem seguir protocolo de vigilância endoscópica individualizado.
A educação em saúde é fundamental para evitar automedicação e atraso diagnóstico. Buscar um gastroenterologista ao primeiro sintoma persistente é a melhor conduta.
- 01. Mantenha um diário alimentar para identificar alimentos que pioram a azia e a dor epigástrica. Anotar sintomas ajuda o médico a personalizar a dieta.
- 02. Ao receber prescrição de AINEs (por exemplo, ibuprofeno ou diclofenaco), pergunte ao seu médico se precisa de proteção gástrica com omeprazol – muitos casos de gastrite hemorrágica poderiam ser evitados.
- 03. A erradicação do H. pylori exige que você tome todos os antibióticos nos horários certos, sem pular doses. Após 30 dias do término, faça o teste respiratório para confirmar a cura.
- 04. Prefira refeições pequenas e frequentes (a cada 3 horas) em vez de grandes volumes. Isso reduz a pressão no esfíncter esofágico inferior e evita refluxo.
- 05. Se você tem gastrite atrófica (CID K29.4), não deixe de fazer as endoscopias de seguimento – o risco de câncer gástrico é maior e a detecção precoce salva vidas.
- 06. Nunca compartilhe medicamentos para gastrite com outras pessoas. Cada caso é único e o tratamento sem diagnóstico pode mascarar doenças mais sérias.
Perguntas Frequentes sobre o CID K29 (Gastrite e Duodenite)
O CID K29 garante quantos dias de atestado?
Para gastrite aguda não complicada, o atestado médico costuma ser de 3 a 7 dias. Em casos de gastrite hemorrágica ou complicada, pode chegar a 10-15 dias. O código K29 genérico é compatível com 5 dias de repouso na maioria das recomendações. Consulte o médico para adequar ao seu caso.
A gastrite é contagiosa?
A gastrite em si não é contagiosa, mas a causa mais frequente, a infecção por Helicobacter pylori, pode ser transmitida de pessoa para pessoa (via fecal-oral, água e alimentos contaminados). A transmissão é mais comum entre familiares na infância.
Preciso fazer endoscopia sempre que tenho azia?
Não. A endoscopia é indicada para pacientes com sintomas persistentes por mais de 4-6 semanas, sinais de alarme (emagrecimento, sangramento, disfagia) ou idade acima de 50 anos. Para sintomas leves e ocasionais, o tratamento empírico pode ser iniciado após avaliação clínica.
Gastrite pode virar câncer?
A gastrite crônica atrófica (K29.4) e a metaplasia intestinal aumentam o risco de adenocarcinoma gástrico, especialmente se associadas a H. pylori não tratado. O risco absoluto é baixo (cerca de 0,5-1% dos pacientes), mas justifica vigilância endoscópica.
Qual a diferença entre gastrite e úlcera?
Gastrite é a inflamação da mucosa gástrica sem perda de tecido; úlcera péptica é uma lesão mais profunda que atinge a submucosa ou muscular. A úlcera costuma causar dor mais intensa e tem maior risco de sangramento e perfuração. Ambas podem coexistir.
Antiácidos resolvem a gastrite?
Antiácidos (como hidróxido de alumínio) aliviam os sintomas temporariamente, mas não tratam a causa inflamatória. Para gastrite confirmada, o tratamento com IBP e, se presente, erradicação do H. pylori é necessário para cura efetiva.
A dieta sozinha pode curar a gastrite?
Em gastrites leves e agudas (ex.: alcoólica ou por abuso alimentar), a dieta pode ajudar na recuperação, mas a base do tratamento é farmacológica. Sem a correção da causa (como cessar AINEs ou erradicar H. pylori), a dieta apenas controla sintomas.
Quando a gastrite precisa de cirurgia?
A cirurgia é excepcional, indicada apenas em complicações graves: úlcera gástrica perfurada, sangramento refratário à hemostasia endoscópica, ou neoplasia gástrica detectada na vigência de gastrite atrófica. Menos de 2% dos casos evoluem para cirurgia.
O que significa o código K29.7 no atestado?
K29.7 é “Gastrite não especificada” – usado quando o médico confirma clinicamente ou endoscopicamente a gastrite, mas não detalha o subtipo (ex.: falta de biópsia ou diagnóstico incompleto). Idealmente, deve-se evoluir para um código mais específico (K29.0 a K29.6) com exames complementares.
Gastrite crônica tem cura?
Sim, na maioria dos casos. Se associada a H. pylori, a erradicação leva à regressão da inflamação em 80-90% dos pacientes. A gastrite atrófica autoimune é controlada com reposição de vitamina B12, mas a perda de glândulas pode ser irreversível.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes: CID10 – K29 Gastrite e Duodenite | MedlinePlus – Gastritis
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