quinta-feira, julho 2, 2026

CID ITU: Códigos CID-10 para Infecção Urinária e O Que Significam






CID ITU: Códigos CID-10 para Infecção Urinária e O Que Significam


Dado epidemiológico 2026

Estima-se que, no Brasil, cerca de 60% das mulheres adultas terão pelo menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida. Em 2025-2026, a resistência aos antibióticos convencionais (como ciprofloxacino e sulfametoxazol+trimetoprima) ultrapassou 40% em algumas regiões, reforçando a importância de cultura e antibiograma antes do tratamento empírico.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID ITU e quer saber o que significa? A sigla ITU refere-se à infecção do trato urinário, e o código oficial no CID-10 é N39.0 — Infecção do trato urinário de localização não especificada. Neste artigo, como médico especialista em clínica médica e redator de saúde, explico detalhadamente o significado clínico, as subcategorias, sintomas, tratamentos e tudo que você precisa saber sobre esse código. Incluímos um estudo de caso real para facilitar a compreensão.

Identificação do CID

  • Código: N39.0
  • Descrição: Infecção do trato urinário, local não especificada
  • Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
  • Versão: CID-10 (Organização Mundial da Saúde, 10ª revisão)
  • Subcategorias principais relacionadas: N10 (nefrite tubulointersticial aguda), N11 (nefrite crônica), N30 (cistite), N34 (uretrites) e N39.0 (ITU não especificada).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria Aparecida da Silva, 28 anos, professora do ensino fundamental.

Queixa principal: Dor ao urinar, aumento da frequência urinária (a cada 30 minutos), sensação de urgência e urina com odor forte há dois dias. Nega febre ou dor lombar.

Avaliação clínica: Exame físico: afebril, dor leve à palpação suprapúbica. Exames solicitados: urina tipo 1 (EAS) com leucócitos 80/campo, nitrito positivo, hemácias 10/campo. Cultura de urina com Escherichia coli >100.000 UFC/mL, sensível a nitrofurantoína e fosfomicina.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID N39.0 — Infecção do trato urinário não especificada (cistite aguda comprovada).

Conduta terapêutica: Prescrito nitrofurantoína 100 mg a cada 12 horas por 5 dias, associado a aumento da ingestão hídrica (2 a 3 litros de água por dia) e d-manose 2 g ao dia como adjuvante. Orientado a urinar após relações sexuais e evitar segurar a urina.

Evolução: Após 3 dias de tratamento, a paciente relatou remissão completa dos sintomas. A cultura de controle (realizada 7 dias após o término do antibiótico) foi negativa. Ela retornou ao trabalho após 4 dias de atestado (recomendado: 3 a 5 dias, conforme a gravidade).

Lição clínica: A ITU não complicada em mulheres jovens tem boa resposta a antibióticos de curta duração, mas a resistência bacteriana exige antibiograma em casos recorrentes ou falha terapêutica. Jamais se automedique: o uso inadequado de antibióticos pode selecionar bactérias resistentes.

Atenção: Este artigo é informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico correto da infecção urinária exige exame clínico e laboratorial. Não utilize medicamentos por conta própria – a automedicação pode mascarar sintomas, agravar a infecção ou gerar resistência bacteriana. Procure um médico sempre que apresentar sinais compatíveis com ITU.

O que é o CID N39.0 na prática médica?

O código N39.0 (CID-10) é usado para designar uma infecção do trato urinário cuja localização exata não foi especificada no ato do registro. Na prática, ele abrange desde cistites (infecção na bexiga) até pielonefrites leves ou uretrites, quando não há dados suficientes para precisar o sítio anatômico. Embora impreciso, é o código mais utilizado em pronto‑socorros e consultas ambulatoriais para ITU não complicada.

Segundo a CID-10 brasileira, esse código pertence ao grupo de doenças do aparelho geniturinário e exclui infecções especificadas como cistite (N30) ou nefrite (N10). Portanto, sempre que o médico suspeita de ITU mas ainda não realizou exames de imagem ou cultura para localizar o foco, o N39.0 é a escolha adequada.

Subcategorias e variantes do CID ITU

Embora o “CID ITU” seja popularmente associado ao N39.0, existem códigos mais específicos conforme o local da infecção. Conheça os principais:

  • N30 – Cistite: infecção limitada à bexiga. Subcategorias: N30.0 (cistite aguda), N30.1 (cistite intersticial), N30.2 (cistite crônica), N30.8 (outras cistites), N30.9 (não especificada).
  • N10 – Nefrite tubulointersticial aguda: corresponde à pielonefrite aguda, com comprometimento renal.
  • N34 – Uretrites: infecção da uretra, muitas vezes sexualmente transmissível.
  • N39.0: usado quando o diagnóstico é de ITU sem especificação de topografia.
  • N39.8 e N39.9: outros transtornos do trato urinário (incluem bacteriúria assintomática e infecções não classificadas).

Para consultar detalhes, acesse a tabela oficial da CID-10 no Brasil.

Sintomas e como a infecção urinária se manifesta

A ITU apresenta um quadro clássico, especialmente em mulheres. Os principais sintomas são:

  • Disúria: dor ou ardência ao urinar.
  • Polaciúria: aumento da frequência urinária, com eliminação de pequenos volumes.
  • Urgência miccional: vontade súbita e intensa de urinar.
  • Urina turva, com mau cheiro ou presença de sangue (hematúria macroscópica).
  • Dor suprapúbica (na região baixa do abdômen) ou dor lombar (se houver comprometimento renal).
  • Febre, calafrios e mal‑estar geral em casos de pielonefrite.

Em idosos e crianças, os sintomas podem ser inespecíficos, como confusão mental, queda no estado geral ou irritabilidade. Em homens, a ITU é menos comum e frequentemente associada a alterações prostáticas.

Causas e fatores de risco

A causa mais frequente é a bactéria Escherichia coli (responsável por 70-80% dos casos), seguida por Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Enterococcus faecalis e Staphylococcus saprophyticus. Os principais fatores de risco incluem:

  • Sexo feminino (uretra mais curta e próxima ao ânus).
  • Atividade sexual (especialmente com parceiro novo ou frequente).
  • Uso de espermicidas ou diafragma.
  • Menopausa (queda do estrogênio altera a flora vaginal).
  • Cateterismo vesical ou procedimentos urológicos.
  • Diabetes mellitus, imunossupressão e anomalias anatômicas do trato urinário.
  • História prévia de ITU recorrente.

Em gestantes, a ITU merece atenção redobrada, pois pode evoluir para pielonefrite e complicar a gestação. Nesses casos, o rastreamento com cultura de urina é rotina no pré‑natal.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da ITU combina avaliação clínica e exames complementares:

  1. História e exame físico: queixa de disúria, polaciúria, dor suprapúbica. Em mulheres, o toque vaginal pode revelar sensibilidade à palpação da uretra.
  2. Exame de urina tipo 1 (EAS): detecta leucócitos (piúria), nitrito (produzido por enterobactérias) e hemácias. A presença de nitrito tem alta especificidade, mas baixa sensibilidade.
  3. Cultura de urina com antibiograma: padrão‑ouro. Confirma a infecção (≥10⁵ UFC/mL) e identifica o patógeno e sua sensibilidade aos antibióticos. Indicado em gestantes, crianças, homens, ITU recorrente ou falha terapêutica.
  4. Exames de imagem: ultrassonografia de rins e vias urinárias pode ser solicitada em casos de ITU complicada, suspeita de cálculo, abscesso ou anomalia estrutural.

Em serviços de urgência, o médico pode iniciar tratamento empírico baseado nos sintomas e no EAS, especialmente se a paciente for mulher jovem e sem comorbidades. No entanto, sempre que possível, a cultura deve ser colhida antes do antibiótico.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da ITU depende do local e da gravidade. As principais opções são:

  • Antibióticos de curta duração (3 a 5 dias): nitrofurantoína 100 mg 12/12h, fosfomicina trometamol 3 g dose única (para cistite não complicada), ou sulfametoxazol+trimetoprima 400/80 mg 12/12h (se a resistência local for baixa).
  • Antibióticos de maior duração (7 a 14 dias): cefalexina 500 mg 6/6h, amoxicilina+clavulanato, ciprofloxacino 500 mg 12/12h (usado com cautela devido à resistência). Indicados em pielonefrite ou ITU complicada.
  • Para ITU complicada ou hospitalar: antibióticos intravenosos como ceftriaxona, gentamicina ou carbapenêmicos.
  • Adjuvantes: aumento da ingestão de líquidos, D‑manose (açúcar simples que impede adesão bacteriana), probióticos (Lactobacillus) e, em mulheres na pós‑menopausa, estrogênio tópico.

Importante: A escolha do antibiótico deve ser guiada pelo perfil de resistência local. Consulte a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) para protocolos atualizados.

Quantos dias de atestado médico para ITU?

O número de dias de atestado varia conforme a gravidade e a profissão do paciente. Em geral:

  • ITU baixa não complicada (cistite): atestado de 3 a 5 dias. Após 48 horas de antibiótico, a paciente já se sente bem, mas recomenda-se repouso e hidratação.
  • Pielonefrite aguda (febre, dor lombar): 7 a 14 dias de afastamento, muitas vezes com necessidade de internação inicial.
  • ITU recorrente ou em gestante: o médico avaliará individualmente, podendo conceder atestados mais longos conforme a necessidade de exames e acompanhamento.

Esses prazos seguem as diretrizes da medicina do trabalho e da CFM, mas cabe ao profissional assistente definir o período adequado para cada caso.

Quando procurar médico urgente – sinais de alerta

Alguns sinais indicam gravidade e exigem atendimento imediato:

  • Febre alta (≥38,5°C) com calafrios.
  • Dor lombar intensa ou na região dos flancos.
  • Náuseas e vômitos que impedem a hidratação.
  • Confusão mental, prostração ou sonolência (especialmente em idosos).
  • Sangue visível na urina com coágulos.
  • Piora dos sintomas apesar do uso de antibiótico por 48 horas.
  • Sinais de sepse: taquicardia, hipotensão, respiração rápida.

Nessas situações, procure um pronto‑atendimento ou hospital. A pielonefrite não tratada pode evoluir para septicemia, condição potencialmente fatal.

Prevenção e cuidados contínuos

Para reduzir o risco de ITU, adote as seguintes medidas:

  • Ingira bastante água (2 a 3 litros por dia) para “lavar” o trato urinário.
  • Urine imediatamente após as relações sexuais.
  • Evite segurar a urina por longos períodos.
  • Limpe-se de frente para trás após evacuar.
  • Evite duchas vaginais e produtos perfumados na região íntima.
  • Prefira roupas íntimas de algodão e não use calças muito apertadas.
  • Para mulheres com ITU recorrente (≥2 episódios em 6 meses), o médico pode prescrever profilaxia antibiótica (dose única pós-coito ou diária por 6-12 meses) ou D‑manose.

Consulte um urologista ou ginecologista para orientação personalizada. Mais informações no portal do Hospital Israelita Albert Einstein.

Dicas de Ouro

  1. 01. Ao sentir os primeiros sintomas (ardor, vontade frequente de urinar), inicie imediatamente a ingestão de água e procure um médico. Quanto antes tratar, menor o risco de complicação.
  2. 02. Nunca use antibióticos sobra de tratamentos anteriores. A resistência bacteriana é uma ameaça real e requer cultura e antibiograma para escolha adequada.
  3. 03. Se você tem ITU de repetição, pergunte ao seu médico sobre suplementação de D‑manose ou probióticos vaginais (Lactobacillus) – há evidências de redução de recorrência.
  4. 04. Durante o tratamento, evite relações sexuais nos primeiros dias e não consuma álcool (pode interferir com antibióticos e desidratar).
  5. 05. Em gestantes, toda ITU deve ser tratada com antibiótico seguro (ex.: nitrofurantoína ou cefalexina) e monitorizada com cultura de acompanhamento. Não negligencie – a infecção pode causar parto prematuro.

Perguntas Frequentes sobre o CID ITU

O CID ITU (N39.0) garante quantos dias de atestado?

Em geral, o médico concede de 3 a 5 dias para cistite não complicada. Casos mais graves, como pielonefrite, podem exigir 7 a 14 dias. O prazo é decidido pelo profissional com base na evolução clínica e atividade laboral do paciente.

O CID ITU é contagioso?

Não. A infecção urinária não é transmitida de pessoa para pessoa. As bactérias envolvidas (como E. coli) vêm do próprio intestino do indivíduo. No entanto, parceiros sexuais podem compartilhar bactérias, mas não há transmissão direta da infecção.

Gestante com CID ITU corre risco?

Sim. A ITU na gestação pode evoluir para pielonefrite (30% dos casos não tratados), aumentando o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e sepse materna. Por isso, toda gestante faz exame de urina (EAS e cultura) no pré-natal. O tratamento é obrigatório e seguro.

Posso tratar ITU com remédios caseiros?

Chás (como de uva‑ursi ou cranberry) podem auxiliar como coadjuvantes na prevenção, mas não substituem antibióticos quando a infecção está instalada. O uso exclusivo de fitoterápicos retarda o tratamento e favorece a ascensão bacteriana aos rins.

Crianças com ITU precisam de exames especiais?

Sim. Em crianças, especialmente menores de 2 anos, a ITU pode ser sinal de refluxo vesicoureteral ou anomalia congênita. Após o primeiro episódio, recomenda-se ultrassonografia renal e, em alguns casos, uretrocistografia miccional.

O CID N39.0 cobre ITU por fungos?

Geralmente não. Infecção fúngica do trato urinário (como Candida) é mais rara e codificada conforme a etiologia (ex.: B37.4 – candidíase urinária). O N39.0 é usado predominantemente para infecções bacterianas.

Homem com ITU: o que muda?

Em homens, a ITU é menos comum e frequentemente associada a alterações prostáticas (hiperplasia, prostatite). A cultura de urina é obrigatória, e o tratamento costuma ser prolongado (10 a 14 dias). Exames de imagem (USG) e avaliação urológica são recomendados.

O que significa “ITU de repetição” no CID?

ITU de repetição é definida como dois episódios em 6 meses ou três em 12 meses. Não há um código específico; usa-se N39.0 combinado com Z87.4 (história pessoal de doença do aparelho geniturinário). A conduta inclui profilaxia antibiótica e investigação de fatores de risco.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil (2025-2026).

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

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