O Que é CID ITU?
“CID ITU” não é um código único — é o conjunto de códigos da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) utilizados para classificar as Infecções do Trato Urinário (ITU). Dependendo de qual parte do trato urinário está afetada e da especificidade do diagnóstico, o médico usará códigos diferentes.
A ITU é uma das infecções bacterianas mais comuns no mundo — afeta principalmente mulheres, mas também pode acometer homens, crianças e idosos. No Brasil, é uma das principais causas de consultas médicas em clínicas gerais e prontos-socorros, e entender os códigos CID correspondentes ajuda o paciente a compreender melhor seu diagnóstico, atestado ou laudo médico.
Veja também nossa explicação completa sobre como funciona a Classificação Internacional de Doenças para entender melhor o sistema de codificação.
Principais Códigos CID-10 para ITU
As infecções do trato urinário estão distribuídas principalmente no Capítulo XIV (N00–N99) da CID-10, que trata das doenças do aparelho geniturinário. Veja os códigos mais utilizados na prática clínica:
| Código CID | Diagnóstico | Estrutura afetada |
|---|---|---|
| N39.0 | Infecção do trato urinário de localização não especificada | Inespecífico |
| N30.0 | Cistite aguda | Bexiga |
| N30.1 | Cistite intersticial (crônica) | Bexiga |
| N30.9 | Cistite não especificada | Bexiga |
| N10 | Nefrite tubulointersticial aguda (pielonefrite aguda) | Rins |
| N11.9 | Nefrite tubulointersticial crônica não especificada | Rins |
| N34.1 | Uretrite não específica | Uretra |
| N41.0 | Prostatite aguda | Próstata |
| O23.4 | ITU não especificada na gravidez | Inespecífico (gestante) |
Na prática clínica, o código mais frequentemente usado é o N39.0 — especialmente quando o médico diagnostica uma ITU simples sem necessidade de especificar com mais detalhes qual estrutura está afetada.
O Que é a Infecção do Trato Urinário (ITU)?
A ITU é uma infecção causada por microrganismos — principalmente bactérias — que colonizam o trato urinário. O trato urinário é composto por:
- Rins: filtram o sangue e produzem a urina
- Ureteres: conduzem a urina dos rins à bexiga
- Bexiga: armazena a urina antes da micção — veja mais sobre problemas da bexiga
- Uretra: conduz a urina da bexiga para o exterior
As ITUs são classificadas em baixas (cistite, uretrite) e altas (pielonefrite, que afeta os rins). As baixas são mais comuns e geralmente mais fáceis de tratar; as altas são mais graves e podem levar a complicações sérias se não tratadas.
Tipos de ITU e Seus Códigos CID
Cistite (N30) — ITU baixa mais comum
A cistite é a inflamação da bexiga, quase sempre de origem infecciosa. É a forma mais comum de ITU, especialmente em mulheres. A bactéria Escherichia coli é responsável por cerca de 80% dos casos. Saiba mais sobre a cistite intersticial, uma forma crônica e não infecciosa da condição.
Pielonefrite (N10/N11) — ITU alta
A pielonefrite é a infecção que acomete os rins — uma das formas mais graves de ITU. Pode ser aguda (N10) ou crônica (N11). Requer tratamento mais agressivo e, em muitos casos, hospitalização. Conheça mais sobre a CID Pielonefrite e seus impactos na saúde renal.
ITU não especificada (N39.0)
Usada quando há diagnóstico de infecção urinária confirmado (geralmente por exame de urina ou urocultura), mas sem especificação precisa da localização. É o código mais frequente em atestados de ITU simples.
ITU na gravidez (O23.4)
Durante a gestação, as ITUs são mais comuns e mais perigosas — podem desencadear parto prematuro. O código O23.4 é usado quando a infecção ocorre em gestantes sem especificação da localização exata.
Causas da ITU
A grande maioria das ITUs é causada por bactérias da flora intestinal que colonizam a região perineal e ascendem pelo trato urinário:
Principais agentes causadores
- Escherichia coli: responsável por 70–85% das ITUs comunitárias
- Staphylococcus saprophyticus: segunda causa mais comum em mulheres jovens sexualmente ativas
- Klebsiella pneumoniae: mais frequente em ITUs hospitalares e recorrentes
- Proteus mirabilis: associado a cálculos renais e ITUs masculinas
- Enterococcus faecalis: comum em idosos e pacientes com cateter
Fatores de risco
- Sexo feminino: uretra mais curta facilita a ascensão das bactérias — mulheres têm 50x mais ITU que homens
- Atividade sexual: o coito facilita a introdução de bactérias na uretra
- Menopausa: queda do estrogênio altera a flora vaginal protetora
- Gravidez: alterações anatômicas e hormonais aumentam o risco
- Uso de cateter urinário: principal causa de ITU hospitalar
- Diabetes mellitus: glicosúria favorece o crescimento bacteriano
- Imunossupressão: reduz as defesas do trato urinário
- Obstrução urinária: cálculos urinários, hipertrofia prostática ou tumores que impedem o fluxo normal de urina
- Higiene inadequada: limpeza no sentido incorreto (de trás para frente) em mulheres
Sintomas da ITU
Os sintomas variam conforme a localização da infecção:
ITU baixa (cistite/uretrite)
- Disúria: ardência ou dor ao urinar — o sintoma mais característico
- Polaciúria: necessidade de urinar com frequência, em pequenas quantidades
- Urgência urinária: vontade imperiosa de urinar que não pode ser adiada
- Urina turva ou com odor forte
- Hematúria: sangue na urina — pode deixá-la avermelhada ou rosada
- Dor ou pressão na região pélvica ou suprapúbica
- Febre geralmente ausente ou baixa nas ITUs baixas não complicadas
ITU alta (pielonefrite)
- Todos os sintomas da cistite, mais:
- Febre alta (acima de 38,5°C) com calafrios
- Dor lombar — geralmente unilateral, na região do rim afetado
- Náuseas e vômitos
- Mal-estar geral intenso
- Sinal de Giordano positivo (dor à percussão da região lombar)
Quando é Emergência?
Procure atendimento urgente se apresentar:
- Febre alta com calafrios e dor lombar intensa — suspeita de pielonefrite
- Sepse urinária: confusão mental, pressão baixa, frequência cardíaca elevada
- Incapacidade de urinar (retenção urinária)
- ITU em gestante — sempre requer avaliação médica imediata
- ITU em recém-nascido ou criança pequena com febre sem causa aparente
Como é Feito o Diagnóstico
O diagnóstico de ITU combina avaliação clínica e exames laboratoriais:
- EAS (Exame de Urina Tipo 1): detecta leucocitúria (leucócitos na urina), nitritos positivos e hematúria — triagem rápida e acessível. Entenda mais sobre os CIDs dos exames de urina
- Urocultura: identifica a bactéria causadora e testa a sensibilidade aos antibióticos (antibiograma) — fundamental para ITUs complicadas ou recorrentes
- Hemograma: avalia sinais de infecção sistêmica em suspeitas de pielonefrite
- PCR e VHS: marcadores inflamatórios elevados na pielonefrite
- Ultrassonografia de vias urinárias: indicada em ITUs complicadas, recorrentes ou quando há suspeita de alterações estruturais do trato urinário
- Tomografia computadorizada: em casos graves com suspeita de abscesso renal ou complicações
Tratamento da ITU
ITU baixa não complicada (cistite em mulher adulta saudável)
Antibioticoterapia de curta duração — 3 a 7 dias. Os antibióticos mais utilizados incluem:
- Nitrofurantoína: primeira escolha para cistite não complicada
- Fosfomicina trometamol: dose única — alta adesão ao tratamento
- SMX-TMP (Sulfametoxazol + Trimetoprima): quando resistência local é baixa
- Quinolonas (ciprofloxacino): reservadas para casos mais complexos
Pielonefrite aguda
Antibioticoterapia por 10 a 14 dias, guiada pela urocultura. Casos moderados a graves requerem hospitalização para antibióticos intravenosos e suporte clínico.
ITU recorrente
Definida como 2 ou mais episódios em 6 meses, ou 3 ou mais em 1 ano. O tratamento pode incluir profilaxia antibiótica de longa duração, profilaxia pós-coital ou imunoestimulantes urinários.
ITU na gravidez
Sempre tratada com antibióticos — mesmo a bacteriúria assintomática em gestantes tem indicação de tratamento. A escolha do antibiótico deve considerar a segurança para o feto.
Prevenção da ITU
- Hidratação adequada: beber pelo menos 2 litros de água ao dia favorece o “efeito de lavagem” do trato urinário
- Higiene correta: limpeza sempre do sentido anterior para posterior (de frente para trás)
- Urinar após relações sexuais: reduz o risco de ITU pós-coital em mulheres
- Não segurar a urina: o esvaziamento regular da bexiga elimina as bactérias antes que se multipliquem
- Evitar duchas vaginais: alteram a flora protetora
- Suco de cranberry: evidências limitadas, mas pode reduzir a adesão bacteriana à mucosa urinária
- Controle do diabetes: manter a glicemia controlada reduz o risco de infecções urinárias
- Tratar obstruções: cálculos urinários e hipertrofia prostática que dificultam o esvaziamento da bexiga devem ser tratados
CID ITU em Atestados e Documentos Médicos
O código mais comum em atestados de ITU é o N39.0. Algumas informações práticas:
- Um atestado com N39.0 justifica afastamento do trabalho — geralmente 2 a 5 dias para ITU simples, podendo ser maior em pielonefrite
- Planos de saúde reconhecem todos os códigos N30–N39 para cobertura de consultas, exames e medicamentos
- ITU recorrente pode gerar atestados frequentes — nesses casos, o urologista ou ginecologista deve avaliar profilaxia
- O código O23.4 é usado exclusivamente para ITU em gestantes — tem cobertura obrigatória pelo pré-natal
Perguntas Frequentes sobre CID ITU
Qual o CID da infecção urinária?
O código mais usado é o N39.0 (infecção do trato urinário de localização não especificada). Para cistite específica, usa-se N30.0; para pielonefrite aguda, N10. O médico escolhe o código mais adequado ao diagnóstico.
ITU tem cura?
Sim — a grande maioria das ITUs tem cura completa com antibioticoterapia adequada. A ITU recorrente exige investigação da causa (anatômica, hormonal ou imunológica) e pode necessitar de profilaxia.
Homem pode ter ITU?
Sim, embora seja muito menos comum que em mulheres. Em homens jovens, a ITU é incomum e sempre exige investigação de causa subjacente (alteração anatômica, DST). Em homens acima de 50 anos, a hipertrofia prostática é o principal fator de risco.
ITU pode ir embora sozinha, sem antibiótico?
Raramente. Algumas cistites muito leves podem melhorar espontaneamente, mas o risco de progressão para pielonefrite torna o tratamento com antibiótico sempre recomendado. Nunca suspenda o antibiótico antes do prazo prescrito, mesmo que os sintomas melhorem.
ITU de repetição é normal?
Não é “normal”, mas é comum — cerca de 25% das mulheres que têm uma ITU terão outra dentro de 6 meses. Quando os episódios são muito frequentes (2 ou mais em 6 meses), é necessário investigar fatores predisponentes e considerar profilaxia com o urologista ou ginecologista.
Cranberry realmente previne ITU?
As evidências científicas são inconsistentes. Alguns estudos mostram redução modesta na frequência de ITU recorrente em mulheres, provavelmente pela inibição da adesão bacteriana à mucosa urinária. Não substitui o tratamento antibiótico quando a infecção já está instalada. Consulte seu médico antes de usar como medida preventiva.
Conclusão
O “CID ITU” representa um conjunto de códigos da CID-10 que classificam as infecções do trato urinário conforme sua localização e gravidade. O código mais utilizado na prática é o N39.0, mas o médico pode usar códigos mais específicos dependendo do diagnóstico — cistite (N30), pielonefrite (N10) ou uretrite (N34).
A ITU é uma condição muito comum e altamente tratável, mas que exige diagnóstico correto e antibioticoterapia adequada. Automedicação e uso incorreto de antibióticos são as principais causas de resistência bacteriana e ITU recorrente. Saiba mais sobre doenças infecciosas e seus códigos CID para entender melhor como funciona esse sistema de classificação.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Sempre busque orientação de um profissional de saúde qualificado para diagnóstico e tratamento.


