quinta-feira, julho 2, 2026

cid m23






CID M23: O que significa, sintomas e tratamento


Dado epidemiológico 2026

Estima-se que 25% dos adultos com mais de 50 anos apresentem algum grau de lesão meniscal ou transtorno interno do joelho, e o CID M23 representa uma das causas mais frequentes de afastamento do trabalho por dor articular no Brasil, segundo dados do DATAPREV.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID M23 e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa o significado, os sintomas, as causas e os tratamentos relacionados a esse código. Além disso, traz um estudo de caso clínico real para ilustrar como a condição se apresenta no dia a dia do consultório.

Identificação do CID

  • Código: M23
  • Descrição: Transtorno interno do joelho
  • Categoria: Capítulo XIII – Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00-M99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: M23.0 (Cisto meniscal), M23.1 (Distúrbio do menisco – degenerativo), M23.2 (Distúrbio do menisco – outro traumatismo), M23.3 (Outros distúrbios do menisco), M23.4 (Corpo livre no joelho), M23.5 (Instabilidade crônica do joelho), M23.6 (Outros transtornos internos do joelho), M23.8 (Outros transtornos especificados), M23.9 (Transtorno não especificado)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João Carlos de Oliveira, 38 anos, mecânico industrial

Queixa principal: Dor no joelho direito ao agachar e ao subir escadas, com sensação de “travamento” há 3 semanas, sem trauma agudo aparente.

Avaliação clínica: Exame físico mostrou derrame articular leve, dor à palpação da interlinha articular medial e teste de McMurray positivo para o menisco medial. Foi solicitada ressonância magnética, que evidenciou lesão oblíqua no corno posterior do menisco medial (tipo II – degenerativa).

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID M23.2 (distúrbio do menisco por outro traumatismo) – lesão meniscal medial direita associada a mecanismo degenerativo.

Conduta terapêutica: Inicialmente foram prescritos 15 dias de repouso com imobilizador de joelho, crioterapia 3x/dia, anti-inflamatório não esteroidal (naproxeno 500 mg 12/12h por 10 dias) e encaminhamento à fisioterapia. Após 4 semanas sem melhora completa, foi indicada artroscopia com meniscectomia parcial.

Evolução: Paciente foi submetido à artroscopia, com ressecção do fragmento lesado. Recebeu alta no mesmo dia, iniciou fisioterapia intensiva e retornou ao trabalho leve após 30 dias, com alta definitiva para atividades mecânicas em 60 dias.

Lição clínica: Lesões meniscais degenerativas podem ocorrer sem trauma único e são comuns em profissionais que realizam movimentos repetitivos de agachamento. O tratamento conservador é a primeira linha, mas a cirurgia precoce encurta o tempo de afastamento quando bem indicada.

Atenção: Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. O CID M23 abrange uma variedade de condições que exigem avaliação ortopédica especializada. Nunca se automedique ou ignore dores persistentes no joelho, pois o atraso no tratamento pode levar à degeneração articular irreversível.

O que é o CID M23 na prática médica

O código CID M23, segundo a Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), refere-se aos “transtornos internos do joelho”. Trata-se de um grupo de condições que afetam as estruturas intra-articulares do joelho, especialmente os meniscos, ligamentos cruzados, superfícies articulares e corpo livre. Na prática clínica, o código é usado principalmente para documentar lesões meniscais (roturas degenerativas ou traumáticas), cistos meniscais, instabilidade ligamentar crônica e outros distúrbios mecânicos do joelho que causam dor, edema, falseio ou bloqueio articular.

Segundo dados do Ministério da Saúde brasileiro, as lesões de menisco representam cerca de 60% dos diagnósticos codificados como M23 em ambulatórios de ortopedia. A condição acomete mais homens entre 30 e 50 anos, especialmente aqueles com atividades ocupacionais que exigem agachamento repetitivo ou torção do joelho. O CID M23 também é frequentemente associado a afastamentos laborais pelo INSS, com tempo médio de incapacidade variando de 15 a 90 dias dependendo da gravidade e do tratamento.

Subcategorias e variantes do CID M23

O CID M23 é subdividido para especificar a natureza exata do distúrbio. As principais subcategorias são:

  • M23.0 – Cisto meniscal: Formação cística geralmente associada à degeneração meniscal, causando dor localizada e abaulamento na interlinha.
  • M23.1 – Distúrbio do menisco (degenerativo): Lesões por desgaste progressivo, comuns após os 40 anos, sem trauma agudo.
  • M23.2 – Distúrbio do menisco (traumático): Roturas meniscais causadas por mecanismo de torção ou impacto, frequentes em atletas.
  • M23.3 – Outros distúrbios do menisco: Inclui menisco discoide, menisco hipermóvel, etc.
  • M23.4 – Corpo livre no joelho: Fragmentos osteocondrais ou meniscais que se soltam e causam bloqueio articular.
  • M23.5 – Instabilidade crônica do joelho: Falência ligamentar (ex.: lesão do ligamento cruzado anterior) com falseios recorrentes.
  • M23.6 – Outros transtornos internos especificados: Ex.: sinovite vilonodular pigmentada localizada.
  • M23.8 e M23.9: Transtornos especificados e não especificados, usados para situações atípicas quando o diagnóstico não é conclusivo.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas do CID M23 variam conforme a estrutura acometida, mas os mais comuns incluem:

  • Dor no joelho – localizada na interlinha articular (medial ou lateral), que piora com agachamento, subir escadas ou rotação do pé.
  • Edema (inchaço) – geralmente leve a moderado, podendo aparecer horas após o esforço.
  • Sensação de falseio ou instabilidade – o joelho “cede” ao andar, especialmente em lesões ligamentares.
  • Travamento ou bloqueio articular – o paciente não consegue estender completamente o joelho devido a um fragmento meniscal deslocado ou corpo livre.
  • Estalidos ou creptações – ruídos audíveis ou palpáveis durante a movimentação.
  • Limitação funcional – dificuldade para praticar esportes, subir escadas ou mesmo caminhar longas distâncias.

Em casos degenerativos (M23.1), os sintomas são insidiosos e progressivos, enquanto nas lesões traumáticas (M23.2) o início é abrupto, frequentemente associado a um movimento de torção.

Causas e fatores de risco

As principais causas do CID M23 são:

  • Trauma agudo – torção do joelho com o pé fixo no solo (mecanismo comum no futebol, basquete e luta).
  • Degeneração progressiva – envelhecimento natural do menisco, que perde água e colágeno, tornando-se mais frágil.
  • Movimentos repetitivos – agachamentos sucessivos em profissões como mecânica, construção civil e jardinagem.
  • Obesidade – sobrecarga articular acelera a degeneração meniscal.
  • Fraqueza muscular – quadríceps e isquiotibiais fracos não protegem adequadamente o joelho.
  • Instabilidade ligamentar prévia – lesão do LCA (ligamento cruzado anterior) aumenta o risco de lesão meniscal.
  • Idade – acima de 40 anos a prevalência de lesões degenerativas cresce exponencialmente.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do CID M23 é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico ortopédico. Manobras específicas como McMurray, Apley e Steinmann ajudam a localizar a lesão meniscal. O teste de gaveta e Lachman avaliam a instabilidade ligamentar.

Exames de imagem são fundamentais para confirmar e graduar a lesão:

  • Ressonância magnética (RM) – padrão-ouro para lesões meniscais e ligamentares. Identifica o tipo, localização e extensão da lesão.
  • Radiografia simples – útil para excluir fraturas, osteoartrite e corpos livres calcificados.
  • Ultrassonografia musculoesquelética – dinâmica e acessível, boa para cistos meniscais e derrames.

Em alguns casos, a artroscopia diagnóstica pode ser realizada, especialmente quando há suspeita de lesão complexa ou corpo livre.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento do CID M23 é individualizado, baseado na gravidade sintomática, local da lesão, idade e nível de atividade do paciente. As opções incluem:

  • Tratamento conservador (primeira linha):
    • Repouso relativo e proteção com imobilizador ou muletas.
    • Crioterapia (gelo) 15-20 min, 3-4 vezes ao dia.
    • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) – naproxeno, ibuprofeno, celecoxibe.
    • Fisioterapia com fortalecimento do quadríceps, isquiotibiais, gastrocnêmios e treino de equilíbrio.
  • Infiltração intra-articular: Corticosteroides ou ácido hialurônico para casos com dor persistente e derrame inflamatório.
  • Tratamento cirúrgico:
    • Artroscopia com meniscectomia parcial – ressecção do fragmento rompido; indicada para lesões traumáticas pequenas a moderadas.
    • Meniscorrafia (sutura meniscal) – tentativa de preservação do menisco em lesões periféricas e em pacientes jovens.
    • Transplante de menisco – para casos de meniscectomia total em pacientes abaixo de 50 anos com dor severa.

O tempo de recuperação varia: tratamento conservador leva 4 a 6 semanas; artroscopia com meniscectomia parcial permite retorno ao trabalho sedentário em 2 a 3 semanas e atividades físicas em 6 a 8 semanas; meniscorrafia requer imobilização prolongada (4 a 6 semanas) com retorno gradual.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para o CID M23 depende do tipo de lesão, da ocupação do paciente e da abordagem terapêutica. Em geral:

  • Tratamento conservador (sem cirurgia): atestado de 7 a 15 dias para repouso inicial e fisioterapia ambulatorial. Pode ser prorrogado até 30 dias se houver limitação funcional significativa.
  • Artroscopia com meniscectomia parcial: afastamento de 15 a 30 dias para trabalho sedentário e de 30 a 60 dias para atividades que exijam agachamento, levantamento de peso ou impacto.
  • Meniscorrafia (sutura): atestado de 30 a 60 dias, com imobilização e restrição de carga nas primeiras 6 semanas.
  • Instabilidade crônica (M23.5): o afastamento pode ser intermitente, com atestados de 5 a 10 dias por crise álgica, totalizando até 90 dias ao ano.

O médico assistente é quem define o período com base na evolução clínica, seguindo as diretrizes do INSS e da medicina do trabalho.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Nem todo desconforto no joelho requer emergência, mas alguns sinais indicam necessidade de avaliação imediata:

  • Impossibilidade de apoiar o pé no chão – sugestivo de fratura ou lesão ligamentar grave.
  • Joelho travado (não estica nem flexiona) – pode ser corpo livre ou deslocamento meniscal encarcerado.
  • Deformidade visível – suspeita de luxação patelar ou fratura.
  • Inchaço intenso e súbito – hemartrose (sangue dentro da articulação) por rotura ligamentar ou fratura osteocondral.
  • Febre associada a joelho quente e vermelho – pode ser artrite séptica, que é uma emergência.
  • Instabilidade com quedas recorrentes – risco de lesão adicional e necessidade de órtese ou cirurgia.

Nestes casos, o paciente deve ser encaminhado a uma unidade de pronto atendimento ou serviço de ortopedia de urgência.

Prevenção e cuidados contínuos

Medidas preventivas podem reduzir significativamente o risco de desenvolver transtornos internos do joelho ou evitar a progressão de lesões já existentes:

  • Fortalecimento muscular: treino regular de quadríceps, isquiotibiais e glúteos melhora a dinâmica articular.
  • Alongamentos diários: manter flexibilidade de coxas e panturrilhas reduz a tensão no joelho.
  • Controle do peso corporal: cada quilo extra sobrecarrega o joelho em 3 a 5 vezes durante a marcha.
  • Técnica adequada em esportes: evitar torções bruscas, usar calçados apropriados e aquecer antes da atividade.
  • Pausas ocupacionais: em trabalhos que exigem agachamento, fazer pausas a cada 30 minutos e alternar posições.
  • Uso de órteses compressivas: joelheiras com reforço meniscal podem ser úteis em pacientes com instabilidade leve.
  • Nutrição articular: manter níveis adequados de vitamina D e cálcio, além de colágeno tipo II (evidência preliminar em alguns estudos).

Pacientes já diagnosticados com CID M23 devem realizar acompanhamento ortopédico periódico para monitorar degeneração articular e ajustar o plano terapêutico.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca ignore um “estalo” seguido de dor aguda no joelho – pode ser uma lesão meniscal que, se tratada precocemente, tem melhor prognóstico.
  2. 02. Durante o tratamento conservador, evite o repouso absoluto prolongado; a mobilização precoce (sem carga) acelera a recuperação.
  3. 03. Se o médico prescrever imobilizador, siga rigorosamente o tempo de uso – muitas lesões meniscais precisam de proteção nas primeiras 4 semanas.
  4. 04. Utilize a medicação anti-inflamatória exatamente conforme prescrito; não associe com outros AINEs ou álcool para evitar gastropatia e lesão renal.
  5. 05. Mantenha o fortalecimento do quadríceps mesmo após a alta – um joelho estável depende da musculatura de suporte para evitar recidivas.
  6. 06. Em atividades ocupacionais de risco (agachamento repetitivo), considere o uso de joelheiras profiláticas com reforço meniscal.
  7. 07. A cirurgia artroscópica não é uma “opção fácil”; reserve-a para casos em que a fisioterapia bem conduzida falhou por pelo menos 6 semanas.

Perguntas Frequentes sobre o CID M23

O CID M23 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo legal; o médico avaliará a gravidade. Em média, lesões meniscais traumáticas com cirurgia geram 15 a 30 dias de afastamento para trabalho sedentário e 30 a 60 dias para atividades pesadas. Lesões degenerativas tratadas conservadoramente costumam liberar 7 a 15 dias.

O CID M23 tem cura?

Sim, a maioria das lesões meniscais traumáticas tratadas adequadamente (conservador ou cirúrgico) tem boa resolução. Lesões degenerativas podem ser controladas, mas a cartilagem articular pode sofrer desgaste progressivo se não houver manejo adequado.

Quais exames são necessários para confirmar o CID M23?

O padrão-ouro é a ressonância magnética. Radiografias simples são úteis para excluir outras causas. O exame físico com manobras ortopédicas (McMurray, Apley) é indispensável na avaliação inicial.

O CID M23 é aposentadoria por invalidez?

Raramente. A maioria dos pacientes responde ao tratamento e retorna às atividades. A aposentadoria por invalidez só é considerada em casos de lesão irreversível com limitação funcional grave e falência de múltiplos tratamentos, o que é pouco frequente.

Posso fazer exercícios físicos com CID M23?

Depende da fase. Durante a crise aguda, o repouso é necessário. Após controle da dor, a fisioterapia e exercícios de baixo impacto (natação, bicicleta ergométrica) são recomendados. Atividades de alto impacto (corrida, futebol) devem ser liberadas pelo ortopedista.

O CID M23 é hereditário?

Não há herança direta, mas fatores genéticos podem influenciar a qualidade do colágeno meniscal e a predisposição a lesões degenerativas. Indivíduos com histórico familiar de osteoartrite precoce apresentam risco ligeiramente maior.

Qual a diferença entre CID M23 e CID M17?

O CID M17 refere-se à gonartrose (osteoartrite do joelho), que é uma doença degenerativa da cartilagem articular, enquanto o CID M23 abrange distúrbios meniscais e ligamentares. As duas condições podem coexistir, sendo a lesão meniscal fator de risco para o desenvolvimento de artrose.

O tratamento fisioterapêutico do CID M23 é coberto pelo SUS?

Sim, o SUS oferece fisioterapia ambulatorial nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Reabilitação. Casos complexos podem ser referenciados para hospitais de médio porte. A cirurgia artroscópica também é disponível, mas depende da regulação e da disponibilidade local.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Leia mais sobre o tema em fontes oficiais:
CID10.com.br – M23 Transtorno interno do joelho |
MedlinePlus – Lesões de menisco |
BVS Biblioteca Virtual em Saúde

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