Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intoxicações acidentais por medicamentos representam cerca de 8% de todas as emergências toxicológicas no Brasil. Em 2025, mais de 45 mil casos foram notificados, especialmente com antibióticos e analgésicos. A correta classificação CID para medicamentos, como o T36, é essencial para a vigilância sanitária e para o manejo clínico adequado.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID MEDICAMENTOS-ENTENDA-A-CLASSIFICACAO-E-DIAGNOSTICOS-MEDICOS e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito para esclarecer de forma completa e acessível como os medicamentos são classificados na CID-10, o sistema internacional de codificação de doenças. Vamos abordar desde a definição dos códigos (especialmente o T36, referente a envenenamento por antibióticos sistêmicos) até orientações práticas sobre diagnóstico, tratamento e prevenção. Tudo baseado em evidências científicas e protocolos do Ministério da Saúde.
- Código: T36
- Descrição: Envenenamento por antibióticos sistêmicos
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: T36.0 (Penicilinas), T36.1 (Cefalosporinas), T36.2 (Cloranfenicol), T36.3 (Macrolídeos), T36.4 (Tetraciclinas), T36.5 (Aminoglicosídeos), T36.6 (Rifamicinas), T36.7 (Antibióticos antimicobacterianos), T36.8 (Outros antibióticos sistêmicos), T36.9 (Antibiótico sistêmico não especificado)
Paciente: Sr. Antônio Carlos, 62 anos, aposentado
Queixa principal: Náuseas intensas, diarreia aquosa e manchas avermelhadas na pele 30 minutos após tomar amoxicilina 500 mg prescrita para sinusite.
Avaliação clínica: Paciente chegou ao pronto-socorro com taquicardia (FC 110 bpm), hipotensão arterial (PA 90×60 mmHg) e urticária generalizada. Exames laboratoriais mostraram eosinofilia e elevação de IgE. Foi realizado teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (prick test) para penicilina, com resultado positivo.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID T36.0 — Envenenamento por penicilinas (reação adversa grave tipo I). A Classificação Internacional de Doenças para medicamentos (T36-T50) permitiu codificar a intoxicação exata.
Conduta terapeutica: Administração imediata de adrenalina 0,3 mg IM, anti-histamínico (difenidramina 50 mg EV), corticoide (hidrocortisona 200 mg EV) e hidratação vigorosa. Internação por 24h para observação. Suspensão definitiva de penicilinas e prescrição de antibiótico alternativo (claritromicina) com orientação de uso de pulseira de alerta para alergia.
Evolução: Após 2 horas, estabilização hemodinâmica e melhora do rash cutâneo. Recebeu alta no dia seguinte com encaminhamento ao alergologista. Em 4 semanas, sem novas reações; carteira de alergia emitida.
Lição clínica: A correta classificação CID para medicamentos (T36.0) permite rastrear reações adversas, orientar a prescrição segura e subsidiar a notificação ao sistema de farmacovigilância. Nunca subestime o histórico de alergia: antes de prescrever qualquer antibiótico, realize anamnese dirigida e, se necessário, testes de hipersensibilidade.
1. O que é o CID T36 na prática médica
O CID T36 faz parte do capítulo XIX da CID-10 (S00-T98), que cobre as lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas. Especificamente, o bloco T36-T50 é dedicado a envenenamentos por drogas, medicamentos e substâncias biológicas. O T36 abrange exclusivamente os antibióticos sistêmicos — ou seja, medicamentos administrados por via oral, intramuscular ou endovenosa que atuam contra infecções bacterianas. Na prática clínica, esse código é utilizado sempre que um paciente apresenta efeitos tóxicos, superdosagem ou reações adversas graves a esses fármacos. A classificação CID para medicamentos é fundamental para a estatística de morbimortalidade, para a farmacovigilância e para o planejamento de políticas de saúde. Por exemplo, um paciente que desenvolve choque anafilático após uso de penicilina terá seu quadro codificado como T36.0, permitindo que hospitais e órgãos reguladores monitorem a frequência desse evento e adotem medidas preventivas.
2. Subcategorias e variantes do CID T36
O CID T36 é subdividido em 10 categorias (T36.0 a T36.9), cada uma representando uma classe específica de antibióticos. As principais são:
- T36.0 – Penicilinas: inclui penicilina G, amoxicilina, ampicilina, entre outras.
- T36.1 – Cefalosporinas: cefalexina, ceftriaxona, cefepima.
- T36.2 – Cloranfenicol: antibiótico de amplo espectro, hoje pouco usado.
- T36.3 – Macrolídeos: eritromicina, azitromicina, claritromicina.
- T36.4 – Tetraciclinas: doxiciclina, tetraciclina.
- T36.5 – Aminoglicosídeos: gentamicina, amicacina.
- T36.6 – Rifamicinas: rifampicina, rifabutina.
- T36.7 – Antibióticos antimicobacterianos: isoniazida, etambutol, pirazinamida.
- T36.8 – Outros antibióticos sistêmicos: vancomicina, linezolida, daptomicina.
- T36.9 – Antibiótico sistêmico não especificado: usado quando o fármaco exato é desconhecido.
Dominar essas subcategorias é essencial para o médico registrar com precisão a substância envolvida. A CID para medicamentos também inclui outros blocos, como T37 (antiparasitários), T38 (hormônios), T39 (analgésicos) e T40 (narcóticos), formando um sistema completo de classificação de intoxicações.
3. Sintomas e como a doença se manifesta
O envenenamento por antibióticos (CID T36) pode se manifestar de formas variadas, dependendo do tipo de reação:
• Reações alérgicas imediatas (Tipo I): urticária, angioedema, broncoespasmo, choque anafilático. Ocorrem minutos após a exposição.
• Reações tardias (Tipo II, III, IV): exantema maculopapular, síndrome de Stevens-Johnson, hepatite medicamentosa, nefrite intersticial. Podem surgir dias após o início do tratamento.
• Toxicidade direta por superdosagem: náuseas, vômitos, diarreia, alterações neurológicas (convulsões com penicilinas em altas doses), nefrotoxicidade (aminoglicosídeos), ototoxicidade (aminoglicosídeos).
• Reações idiossincrásicas: por exemplo, anemia hemolítica por cefalosporinas.
Sinais de alerta incluem dificuldade respiratória, queda da pressão arterial, erupção cutânea extensa, febre alta e icterícia. A classificação CID para medicamentos ajuda a padronizar o relato desses sinais e a orientar a conduta.
4. Causas e fatores de risco
As principais causas do CID T36 incluem:
• Automedicação: uso de antibióticos sem prescrição, muitas vezes em doses inadequadas.
• Erro de prescrição: dose excessiva, interação medicamentosa, duplicidade terapêutica.
• Hipersensibilidade individual: predisposição genética para alergias medicamentosas.
• Uso prolongado ou repetido: maior chance de sensibilização.
• Condições clínicas pré-existentes: insuficiência renal ou hepática que alteram a farmacocinética.
• Idade avançada ou extrema: crianças e idosos têm maior risco de efeitos adversos.
Fatores de risco também incluem história prévia de alergia a antibióticos, polifarmácia e uso de medicamentos com estreito índice terapêutico. A correta classificação CID para medicamentos permite identificar populações vulneráveis e planejar estratégias de prevenção.
5. Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de intoxicação por antibióticos (CID T36) é eminentemente clínico e baseado em:
• Anamnese detalhada: história de uso do medicamento, tempo entre exposição e sintomas, antecedentes alérgicos.
• Exame físico: avaliação de sinais vitais, presença de rash, edema, estertores pulmonares, alterações neurológicas.
• Exames laboratoriais: hemograma (eosinofilia), função renal (creatinina, ureia), função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas), IgE total e específica.
• Testes alérgicos: prick test, intradérmico, teste de ativação de basófilos (em centros especializados).
• Dosagem sérica do fármaco: útil em superdosagens (ex.: vancomicina, aminoglicosídeos).
• Critérios de Naranjo (algoritmo de probabilidade de reação adversa): ferramenta padronizada para quantificar a causalidade.
A CID para medicamentos (T36) só deve ser registrada após confirmação ou forte suspeita clínica. O médico deve documentar a substância, a via de administração e a gravidade (leve, moderada, grave).
6. Tratamento disponível e opções terapêuticas
O manejo do CID T36 depende do tipo e gravidade da reação:
• Reação anafilática: adrenalina IM (0,3-0,5 mg no vasto lateral da coxa) é a primeira linha. Associar anti-histamínico (difenidramina 25-50 mg EV/IM), corticoide (hidrocortisona 200 mg EV ou metilprednisolona 125 mg EV), oxigênio e fluidos.
• Reações cutâneas leves: suspensão do antibiótico, anti-histamínico oral e corticoide tópico ou sistêmico.
• Reações graves tardias (ex.: Stevens-Johnson): internação em UTI, suspensão de todos os fármacos suspeitos, cuidados com pele, suporte intensivo.
• Superdosagem: lavagem gástrica (se recente), carvão ativado, medidas de suporte e, para alguns antibióticos, hemodiálise (ex.: aminoglicosídeos).
• Dessensibilização: indicada quando o antibiótico é indispensável e não há alternativa (ex.: penicilina para sífilis em grávida alérgica). Deve ser realizada em ambiente hospitalar.
A classificação CID para medicamentos (T36) guia a notificação ao sistema de farmacovigilância (ANVISA) e a escolha de alternativas terapêuticas seguras.
7. Quantos dias de atestado médico
Para o CID T36, a duração do afastamento depende da gravidade:
• Reação alérgica leve (urticária, prurido): 1 a 3 dias de repouso.
• Reação moderada (angioedema, broncoespasmo leve): 3 a 7 dias.
• Reação grave (anafilaxia, Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica): 14 a 30 dias ou mais, podendo exigir licença médica prolongada e reabilitação.
• Superdosagem com internação: 5 a 10 dias, a depender da função renal e hepática.
O médico assistente define o período com base na evolução do paciente. A CID Z000 – Exame Médico Geral pode ser usado para acompanhamento após a alta. Atestados para intoxicação por medicamentos devem conter o código T36 e o tempo estimado, respeitando as diretrizes do Conselho Federal de Medicina.
8. Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure imediatamente um serviço de emergência se, após uso de antibiótico, você apresentar:
• Dificuldade para respirar, chiado no peito ou sensação de garganta fechada.
• Inchaço súbito nos lábios, língua, face ou pescoço.
• Manchas vermelhas ou bolhas na pele que se espalham rapidamente.
• Queda da pressão (tontura, desmaio, palidez intensa).
• Batimento cardíaco acelerado ou irregular.
• Convulsões, confusão mental ou perda de consciência.
• Febre alta persistente, icterícia (olhos amarelados) ou urina escura.
Mesmo sintomas leves devem ser comunicados ao médico que prescreveu. A classificação CID para medicamentos (T36) é uma ferramenta que auxilia no pronto reconhecimento dessas situações. Nunca espere o quadro piorar — reações anafiláticas podem ser fatais em minutos.
9. Prevenção e cuidados contínuos
Para evitar o CID T36, adote estas medidas:
• Use antibióticos apenas com prescrição médica e respeite a dose e horários.
• Informe sempre o médico sobre alergias anteriores a medicamentos.
• Mantenha uma lista atualizada dos fármacos que você não tolera.
• Em caso de alergia comprovada, use pulseira ou carteira de identificação.
• Ao iniciar um antibiótico novo, fique atento nas primeiras horas e tenha acesso a um serviço de emergência.
• Participe de programas de farmacovigilância: notifique qualquer reação adversa à ANVISA.
• Profissionais de saúde: documentem corretamente o código CID T36 para subsidiar políticas de prevenção.
Cuidados contínuos incluem acompanhamento com alergologista, realização de testes cutâneos quando indicado e educação do paciente sobre sinais precoces de intoxicação.
10. Entenda a classificação de medicamentos na CID-10
A CID-10 classifica os medicamentos principalmente no capítulo XIX (T36-T50) e também no capítulo XX (Y40-Y59) para efeitos adversos em uso terapêutico. Enquanto o T36-T50 descreve o envenenamento (acidental, intencional ou por superdosagem), o bloco Y40-Y59 é usado para “medicamentos, drogas e substâncias biológicas que causam efeitos adversos em seu uso terapêutico”. Por exemplo, uma anafilaxia por penicilina durante tratamento correto é codificada como Y40.0 (efeito adverso das penicilinas). Já uma ingestão acidental de amoxicilina em criança é T36.0. Essa distinção é crucial para a estatística de saúde pública. Além disso, o capítulo XXI (Z00-Z99) inclui Z79 para uso prolongado de medicamentos. Conhecer a estrutura da CID para medicamentos permite ao médico registrar com precisão e contribuir para a qualidade dos dados epidemiológicos. A OMS atualiza periodicamente a classificação, e o Brasil adota a CID-10 desde 1996, com previsão de transição para CID-11 em 2027.
- 01. Mantenha sempre um registro pessoal de todos os medicamentos que você já usou e as reações que teve. Isso ajuda o médico a escolher o CID T36 correto e evitar novos episódios.
- 02. Se você tem alergia a antibióticos, use uma pulseira de identificação médica (medic alert) e informe todos os profissionais de saúde antes de qualquer prescrição.
- 03. Nunca compartilhe antibióticos com outras pessoas — o que é seguro para um pode ser tóxico para outro.
- 04. Guarde antibióticos em local seguro, fora do alcance de crianças, e nunca os use após a data de validade.
- 05. Ao receber um atestado com CID T36, pergunte ao seu médico qual foi exatamente a reação e se há necessidade de dessensibilização ou substituição do medicamento.
- 06. Participe de campanhas de farmacovigilância: notifique reações adversas pelo sistema Notivisa da ANVISA — sua contribuição salva vidas.
❓ Perguntas Frequentes sobre o CID T36
O CID T36 garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia conforme a gravidade da reação: leve (1-3 dias), moderada (3-7 dias) ou grave (14-30 dias ou mais). O médico responsável define com base na evolução clínica. Consulte a seção “Quantos dias de atestado médico” acima para detalhes.
Qual a diferença entre CID T36 e CID Y40?
O T36 é usado para envenenamento (acidental, intencional ou superdosagem) com antibióticos. O Y40 se aplica a efeitos adversos que ocorrem durante o uso terapêutico correto (ex.: anafilaxia em tratamento padrão). Ambos são importantes para a classificação CID-10 para medicamentos.
Posso ter reação alérgica mesmo sem histórico anterior?
Sim. Muitas alergias medicamentosas ocorrem na primeira exposição (sensibilização) ou após exposições repetidas. Por isso, todo uso de antibiótico deve ser monitorado. O CID T36 pode ser usado mesmo em primeira reação.
O que fazer se eu esquecer de informar uma alergia ao médico?
Comunique imediatamente o profissional antes de receber o medicamento. Se já tomou e surgiram sintomas, vá ao pronto-socorro. O médico registrará o CID T36 apropriado e ajustará o tratamento.
T36 é só para antibióticos orais?
Não. O CID T36 abrange antibióticos sistêmicos por qualquer via (oral, intramuscular, endovenosa). Para antibióticos tópicos (pomadas), o código é T49.0 (medicamentos tópicos).
Crianças podem ser registradas com T36?
Sim. Crianças com intoxicação ou reação adversa a antibióticos recebem o mesmo código. A faixa etária é um fator de risco importante. Em pediatria, a CID para medicamentos deve ser usada com cuidado para garantir a notificação adequada.
Como saber se meu medicamento é classificado como T36?
Verifique o princípio ativo: antibióticos como amoxicilina, azitromicina, cefalexina, gentamicina, vancomicina etc. estão no T36. Para dúvidas, consulte o manual da CID-10 ou pergunte ao médico. Amoxicilina para que serve — saiba mais sobre este antibiótico comum.
O CID T36 cobre reações a medicamentos veterinários?
Não. A CID-10 é para humanos. Intoxicações por antibióticos veterinários são classificadas em capítulos específicos de causas externas (X49) ou em códigos de lesões. Sempre use o código humano adequado.
👨⚕️ Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
📅 Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


