No Brasil, as queimaduras correspondem a cerca de 1 milhão de atendimentos anuais no SUS, sendo a segunda causa de morte por trauma em crianças de 1 a 4 anos. Em 2025, o Ministério da Saúde reportou aumento de 12% nos casos relacionados a acidentes domésticos com líquidos aquecidos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID QUEIMADURA e quer saber o que significa? Queimaduras são lesões nos tecidos do corpo provocadas por calor, eletricidade, radiação ou produtos químicos. A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) utiliza os códigos T20 a T32 para classificar diferentes tipos e extensões de queimaduras. Entender esse código ajuda a compreender o tratamento, os dias de afastamento e a gravidade da lesão.
- Código: T30 – Queimadura de grau não especificado
- Descrição: Queimadura de localização e grau não especificados
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: T20-T25 (queimaduras externas), T26-T28 (olhos, via aérea, trato gastrointestinal), T29-T32 (múltiplas regiões e grau não especificado)
Paciente: Laura S., 34 anos, cozinheira profissional
Queixa principal: “Me queimei com óleo quente no braço direito há duas horas, estou com muita dor e uma bolha grande.”
Avaliação clínica: Ao exame, apresentava eritema, edema e flictena (bolha) de aproximadamente 8 cm no antebraço direito, com base úmida e sensibilidade dolorosa preservada. Sem sinais de infecção ou comprometimento sistêmico. Classificada como queimadura de segundo grau superficial (espessura parcial).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID T22.2 (Queimadura de segundo grau do braço) — caracteriza lesão térmica com bolha e dor intensa, sem atingir camadas profundas da pele.
Conduta terapêutica: Limpeza com soro fisiológico, aplicação de curativo com sulfadiazina de prata a 1% e cobertura estéril. Prescrito analgésico (dipirona 500 mg 6/6h) e orientação para manter curativo diário, evitar exposição solar e retorno em 48 horas para reavaliação.
Evolução: Após 10 dias, a bolha reabsorveu, formou-se nova pele sem cicatriz hipertrófica. Paciente retornou ao trabalho no 12º dia, com uso de protetor solar no local. Sem sequelas funcionais.
Lição clínica: Queimaduras superficiais de segundo grau podem ser tratadas ambulatorialmente, mas exigem curativos adequados e monitoramento para evitar infecção. O afastamento depende da profissão e extensão da lesão — para cozinheiras, o retorno deve ser apenas com proteção local.
O que é o CID T30 na prática médica
O código T30 (Queimadura de grau não especificado) é utilizado quando não há informação suficiente sobre a profundidade ou localização exata da queimadura no momento do registro. Na prática, é comum em prontuários de pronto-socorro quando a avaliação inicial é limitada. Ele não substitui a classificação detalhada (T20-T29), mas serve como código de trabalho até que o paciente receba avaliação especializada. Médicos devem sempre que possível especificar o grau (1º, 2º, 3º) e a região anatômica, pois isso define prognóstico e tratamento.
Subcategorias e variantes do CID queimadura
A CID-10 divide as queimaduras em vários códigos de acordo com localização e profundidade:
- T20-T25 – Queimaduras superficiais da cabeça, pescoço, tronco, membros e áreas genitais.
- T26-T28 – Queimaduras de olho, via aérea superior e trato gastrointestinal (raro).
- T29 – Queimaduras de múltiplas regiões.
- T30 – Queimadura de grau não especificado.
- T31/T32 – Queimaduras classificadas conforme a porcentagem de superfície corporal (ex: T31.0 – <10%, T31.1 – 10-19%, etc.).
Essa categorização ajuda a padronizar a gravidade e orientar a referência para centros de queimados.
Sintomas e como a queimadura se manifesta
Os sintomas variam conforme a profundidade:
- 1º grau: eritema, dor leve, descamação após 3-4 dias. Ex.: queimadura solar.
- 2º grau superficial: bolhas (flictenas), base úmida, dor intensa, cicatriza em 1-2 semanas.
- 2º grau profundo: bolhas, base pálida, dor reduzida, cicatrização mais lenta e risco de cicatriz hipertrófica.
- 3º grau: pele carbonizada ou branca e apergaminhada, indolor (destruição das terminações nervosas), necessidade de enxerto.
Sintomas sistêmicos (febre, taquicardia, hipovolemia) podem surgir em queimaduras extensas.
Causas e fatores de risco
As principais causas incluem:
- Térmicas: fogo, líquidos quentes, vapor, superfícies aquecidas.
- Elétricas: contato com corrente elétrica doméstica ou industrial.
- Químicas: ácidos, álcalis, produtos de limpeza.
- Radiação: exposição excessiva ao sol ou radioterapia.
Fatores de risco: crianças pequenas, idosos, epilepsia, uso de álcool, profissões que lidam com calor (cozinheiros, soldadores), falta de equipamentos de proteção.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do acidente e no exame físico. O médico avalia:
- Profundidade: usando a classificação de graus (superficial, espessura parcial, espessura total).
- Extensão: “regra dos nove” em adultos (cabeça 9%, cada braço 9%, tronco anterior 18%, etc.).
- Localização: face, mãos, genitais, articulações (queimaduras especiais).
- Sinais de lesão inalatória: estridor, escarro carbonáceo, dispneia.
Examens complementares (hemograma, eletrólitos, raio-X) são reservados para queimaduras extensas ou suspeita de trauma associado.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da gravidade:
- Primeiros socorros: resfriar com água corrente (15-20 min), remover roupas não aderidas, cobrir com pano limpo.
- Curativos: sulfadiazina de prata (queimaduras de 2º grau), hidrogel (para desbridamento autolítico), alginato de cálcio (para exsudato).
- Medicamentos: analgesia (dipirona, paracetamol, opioides se necessário), anti-inflamatórios tópicos.
- Cirurgia: desbridamento, enxertia de pele para queimaduras de 3º grau ou 2º grau profundo.
- Suporte sistêmico: reposição volêmica (fórmula de Parkland), suporte nutricional, prevenção de infecção.
Queimaduras de 1º grau e 2º grau pequenas são tratadas ambulatorialmente; as demais exigem internação em centro de queimados.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de afastamento depende da profundidade, extensão e localização da queimadura, além da profissão do paciente. Em geral:
- 1º grau: 1 a 3 dias.
- 2º grau superficial (pequena área): 5 a 10 dias.
- 2º grau profundo ou extenso: 15 a 30 dias.
- 3º grau (com enxerto): 30 a 60 dias ou mais, dependendo da reabilitação.
Para profissionais que usam as mãos (cozinheiros, mecânicos) ou que trabalham em ambientes de risco (exposição a calor ou sujeira), o afastamento tende a ser maior. A avaliação médica individual é essencial.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se:
- Queimadura atinge face, mãos, pés, genitais ou articulações.
- Área queimada maior que 10% da superfície corporal (aproximadamente o tamanho da palma da mão da vítima equivale a 1%).
- Sinais de infecção: pus, vermelhidão que se espalha, febre, calafrios.
- Dificuldade para respirar, tosse com fuligem, rouquidão (possível lesão inalatória).
- Queimadura elétrica ou química.
- Vítima com consciência rebaixada, tontura, palidez intensa.
Não furte bolhas, não aplique substâncias caseiras e mantenha a área limpa e coberta até chegar ao serviço de saúde.
Prevenção e cuidados contínuos
Medidas práticas reduzem significativamente o risco de queimaduras:
- Instalar detectores de fumaça em casa.
- Manter crianças longe do fogão, panelas com cabos virados para dentro.
- Usar luvas térmicas, avental e calçados fechados ao cozinhar ou soldar.
- Verificar temperatura da água do banho (máx. 49°C).
- Armazenar produtos químicos fora do alcance de crianças e com rótulo adequado.
- Não sobrecarregar tomadas; usar protetores em tomadas acessíveis a crianças.
Após a queimadura, cuidados com cicatriz: hidratação da pele, protetor solar FPS 50+ por pelo menos 6 meses, massagem para evitar aderências e fisioterapia se necessário.
- 01. Em caso de queimadura, resfrie com água corrente em temperatura ambiente por 15-20 minutos — nunca com gelo diretamente sobre a pele.
- 02. Não aplique manteiga, pasta de dente, café ou clara de ovo; esses produtos aumentam o risco de infecção e dificultam a avaliação médica.
- 03. Mantenha a bolha intacta se possível; se romper, faça curativo com gaze estéril e procure orientação.
- 04. Após a cicatrização, use protetor solar FPS 50+ no local por ao menos 6 meses para prevenir manchas e cicatrizes hipertróficas.
- 05. Em queimaduras químicas, remova a roupa contaminada e lave abundantemente com água corrente por 20 minutos — mesmo antes de ir ao hospital.
- 06. Avalie a cobertura vacinal antitetânica; se a última dose foi há mais de 5 anos ou a queimadura for suja, pode ser necessário reforço.
Perguntas Frequentes sobre o CID QUEIMADURA
O CID queimadura garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Atestado é definido pelo médico conforme extensão, profundidade e profissão. Para queimaduras de 2º grau pequenas, a média é 7–14 dias; para 3º grau, 30 dias ou mais.
Qual a diferença entre CID T30 e T31?
T30 é para queimadura de grau não especificado (sem detalhar profundidade ou localização exata). T31 classifica a queimadura pela porcentagem de superfície corporal atingida (ex: T31.0 = menos de 10%).
Queimadura de 1º grau precisa de atestado?
Sim, se houver dor ou impossibilidade de trabalhar normalmente. Geralmente 1-3 dias de repouso, mas depende da atividade profissional.
Posso usar pomada caseira em queimadura de 2º grau?
Não. O tratamento deve ser orientado por médico. Pomadas caseiras contaminam o local e podem retardar a cicatrização. O padrão ouro é sulfadiazina de prata ou hidrogel.
Quando uma queimadura vira cicatriz hipertrófica?
Queimaduras de 2º grau profundo e 3º grau, especialmente em áreas de tensão (ombros, tórax), têm maior risco. O uso precoce de silicone gel e massagem pode reduzir esse risco.
O CID T30 pode ser usado para queimaduras elétricas?
Sim, queimaduras elétricas são classificadas dentro do mesmo capítulo (T20-T32). É importante especificar a causa externa (código adicional de W86).
Queimadura química tem CID específico?
Sim, T20-T25 com o código da causa (X49 – exposição a outros produtos químicos). O tratamento é semelhante, mas requer lavagem abundante.
Criança com queimadura de 2º grau na mão: quantos dias de atestado para o responsável?
Geralmente a criança necessita de cuidados intensivos nos primeiros dias. O médico pode emitir atestado para o acompanhante por 5 a 15 dias, dependendo da necessidade de curativos diários.
Queimadura solar é CID?
Sim. Queimadura solar é classificada como L55 (Queimadura solar) no CID-10, não no grupo T20-T32. Porém, se houver bolhas e febre, pode ser enquadrada como queimadura de 2º grau (T20).
Posso trabalhar normalmente com queimadura de 1º grau no braço?
Depende da exposição. Se houver dor ao movimento ou risco de contaminação (ex: cozinha), recomenda-se afastamento de 1-2 dias até melhora do eritema.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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