Em 2026, a Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que aproximadamente 40% dos adultos brasileiros apresentam níveis elevados de colesterol LDL (‘colesterol ruim’), condição que aumenta significativamente o risco de infarto e AVC. A detecção precoce e o tratamento adequado podem reduzir esses eventos em até 30%.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID RECEITAS-PARA-COLESTEROL-ALTO e quer saber o que significa? Na prática clínica, a referência mais comum para colesterol alto é o código E78.0 da CID-10, denominado Hipercolesterolemia pura. Este artigo explica detalhadamente o significado desse código, como é feito o diagnóstico, quais tratamentos estão disponíveis e o que esperar do seu acompanhamento médico.
- Código: E78.0
- Descrição: Hipercolesterolemia pura
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E78.0 (Hipercolesterolemia pura), E78.1 (Hipergliceridemia pura), E78.2 (Hiperlipidemia mista), E78.3 (Hiperquilomicronemia), E78.4 (Outras hiperlipidemias), E78.5 (Hiperlipidemia não especificada)
Paciente: Maria Aparecida, 55 anos, professora aposentada
Queixa principal: Cansaço frequente e dores nas pernas ao caminhar há cerca de 3 meses. Exame de rotina do trabalho mostrou colesterol elevado.
Avaliação clínica: IMC 29 (sobrepeso), pressão arterial 130/85 mmHg, ausculta cardíaca normal. Exames laboratoriais: colesterol total 298 mg/dL, LDL 210 mg/dL, HDL 38 mg/dL, triglicérides 180 mg/dL. Glicemia de jejum normal. Ecocardiograma sem alterações significativas.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E78.0 – Hipercolesterolemia pura, indicando colesterol LDL muito elevado com necessidade de intervenção farmacológica imediata.
Conduta terapêutica: Prescrição de atorvastatina 20 mg/dia, orientação nutricional com redução de gorduras saturadas e carboidratos simples, estímulo a caminhadas diárias de 30 minutos e acompanhamento trimestral com perfil lipídico.
Evolução: Após 3 meses, colesterol total caiu para 220 mg/dL, LDL para 130 mg/dL, HDL subiu para 42 mg/dL. Paciente relata melhora da disposição e redução das dores nas pernas. Manterá a estatina por tempo indeterminado, com reavaliação anual.
Lição clínica: O diagnóstico precoce da hipercolesterolemia, mesmo em pacientes assintomáticos, é fundamental para prevenir doenças cardiovasculares. A adesão ao tratamento combinado (medicamentoso + mudança de estilo de vida) proporciona resultados rápidos e sustentáveis.
O que é o CID E78.0 na prática médica?
O código E78.0 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) corresponde à Hipercolesterolemia pura. Na prática, essa é a condição mais comum associada a níveis elevados de colesterol total e LDL (lipoproteína de baixa densidade), sem elevação significativa de triglicérides. O médico utiliza esse código para registrar o diagnóstico em prontuários, atestados e laudos, sendo essencial para fins de acompanhamento, prescrição de medicamentos e justificativa de afastamento do trabalho quando necessário. Vale destacar que o termo “receitas para colesterol alto” não é um código oficial; o correto é E78.0, mas muitos pacientes associam a expressão “receitas” ao atestado ou à orientação médica para controlar o colesterol. O tratamento inclui tanto mudanças no estilo de vida quanto o uso de estatinas, e o código é usado em todo o sistema de saúde brasileiro, inclusive no SUS.
Subcategorias e variantes do CID E78.0
A CID-10 agrupa os distúrbios do metabolismo lipídico no bloco E78. As principais subcategorias são:
- E78.0 – Hipercolesterolemia pura: Aumento isolado do colesterol total e LDL, comum em pacientes com predisposição genética ou hábitos alimentares inadequados.
- E78.1 – Hipergliceridemia pura: Elevação isolada dos triglicérides, frequentemente associada a resistência insulínica e diabetes.
- E78.2 – Hiperlipidemia mista: Aumento simultâneo do colesterol e dos triglicérides, forma mais grave e de maior risco cardiovascular.
- E78.3 – Hiperquilomicronemia: Forma rara e grave, com níveis extremamente altos de triglicérides, podendo causar pancreatite aguda.
- E78.4 – Outras hiperlipidemias: Inclui alterações específicas como a deficiência familiar de lipase lipoproteica.
- E78.5 – Hiperlipidemia não especificada: Usado quando o tipo exato de dislipidemia não é determinado.
Na maioria dos consultórios, o código E78.0 é o mais utilizado para se referir ao “colesterol alto”, mas é importante que o médico especifique a subcategoria correta para guiar o tratamento.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipercolesterolemia pura é frequentemente assintomática por muitos anos. A maioria dos pacientes descobre o problema em exames de rotina. Quando o colesterol está muito elevado (>300 mg/dL) ou por tempo prolongado, podem surgir sinais indiretos:
- Xantomas tendíneos: Depósitos de gordura sob a pele, especialmente nos tendões das mãos, cotovelos e joelhos.
- Xantelasmas: Placas amareladas ao redor dos olhos.
- Arco corneano: Anel esbranquiçado ao redor da íris, mais comum em jovens com hipercolesterolemia familiar.
- Claudicação intermitente: Dor nas pernas ao caminhar devido a aterosclerose periférica.
- Sintomas cardiovasculares: Dor no peito (angina), falta de ar ou palpitações quando já há doença arterial coronariana.
Por isso, a prevenção e o rastreamento são tão importantes: o colesterol alto não dói, mas danifica silenciosamente as artérias. A manifestação mais temida é o infarto agudo do miocárdio, que pode ser a primeira apresentação da doença.
Causas e fatores de risco
A hipercolesterolemia pode ser de origem genética (primária) ou adquirida (secundária). As principais causas e fatores de risco incluem:
- Hereditariedade: A hipercolesterolemia familiar é uma condição autossômica dominante que eleva drasticamente o LDL desde a infância.
- Alimentação inadequada: Consumo excessivo de gorduras saturadas (carnes gordurosas, frituras, laticínios integrais) e gorduras trans (alimentos industrializados).
- Sedentarismo: Falta de atividade física reduz os níveis de HDL e favorece o acúmulo de LDL.
- Obesidade e sobrepeso: O excesso de peso, especialmente a obesidade abdominal, está fortemente associado a dislipidemias.
- Diabetes mellitus: A resistência insulínica altera o metabolismo lipídico, elevando triglicérides e reduzindo HDL.
- Hipotireoidismo não tratado: O baixo hormônio tireoidiano reduz a depuração do LDL.
- Doenças renais e hepáticas: Síndrome nefrótica, colestase e outras condições hepáticas podem elevar o colesterol.
- Medicamentos: Esteroides, alguns diuréticos e betabloqueadores podem alterar o perfil lipídico.
A identificação da causa é essencial para direcionar o tratamento e avaliar o risco cardiovascular global.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da hipercolesterolemia é baseado em exames laboratoriais de sangue. O perfil lipídico completo inclui:
- Colesterol total
- LDL-colesterol (calculado ou diretamente medido)
- HDL-colesterol
- Triglicérides
Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (atualização 2025), valores desejáveis para adultos sem fatores de risco são: LDL < 130 mg/dL; colesterol total < 190 mg/dL; HDL > 40 mg/dL em homens e > 50 mg/dL em mulheres; triglicérides < 150 mg/dL. Para pacientes com alto risco cardiovascular (diabéticos, hipertensos, histórico de infarto), as metas são mais agressivas: LDL < 70 mg/dL ou até < 55 mg/dL nos casos de muito alto risco.
Além dos exames, o médico avalia fatores de risco (tabagismo, hipertensão, diabetes, idade, sexo) e pode solicitar exames complementares como ecografia de carótidas, escore de cálcio coronariano ou teste ergométrico para estratificar o risco e definir a conduta.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipercolesterolemia é dividido em duas grandes estratégias: não farmacológica e farmacológica. Na maioria dos casos, ambas são combinadas para atingir as metas.
Tratamento não farmacológico:
- Dieta balanceada: redução de gorduras saturadas (menos de 7% das calorias totais), aumento de fibras solúveis (aveia, psyllium, leguminosas), consumo de gorduras insaturadas (azeite, abacate, oleaginosas) e ômega-3 (peixes de água fria).
- Perda de peso: mesmo uma redução de 5-10% do peso corporal melhora significativamente o perfil lipídico.
- Atividade física: pelo menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico moderado (caminhada, bicicleta, natação).
- Cessar tabagismo e moderar consumo de álcool.
Tratamento farmacológico:
- Estatinas: Primeira linha de tratamento. Atorvastatina, sinvastatina, rosuvastatina reduzem o LDL em 30-50%. São seguras e bem toleradas, com raros efeitos colaterais musculares.
- Ezetimiba: Inibidor da absorção intestinal de colesterol, usado em associação com estatinas quando a meta não é atingida.
- Fibratos: Principalmente para hipertrigliceridemia (gemfibrozila, fenofibrato).
- Inibidores de PCSK9: Medicamentos injetáveis (evolocumabe, alirocumabe) para casos de hipercolesterolemia familiar ou intolerância a estatinas.
- Resinas sequestradoras de ácidos biliares: Opção de segunda linha (colestiramina).
A escolha do medicamento depende do perfil lipídico, risco cardiovascular, comorbidades e tolerância individual. O tratamento é geralmente para a vida toda, com ajustes periódicos.
Quantos dias de atestado médico?
O CID E78.0 (hipercolesterolemia pura) não é uma doença aguda que gere afastamento do trabalho por si só. No entanto, situações específicas podem justificar atestado médico:
- Para realização de exames: O médico pode conceder 1 dia de atestado para o paciente realizar exames laboratoriais de jejum (perfil lipídico).
- Consulta de rotina: A consulta médica para avaliação e ajuste de tratamento pode ser justificada com meio período ou 1 dia, dependendo da jornada.
- Início de tratamento medicamentoso com efeitos adversos: Caso o paciente apresente dores musculares ou fadiga intensa ao iniciar estatina, o médico pode recomendar repouso por 2 a 3 dias até adaptação.
- Eventos cardiovasculares relacionados: Se o colesterol alto já resultou em infarto, AVC ou cirurgia cardíaca, o atestado segue as regras dessas condições (semanas a meses).
Na prática, o atestado mais comum para E78.0 é de 1 dia para exames ou consulta, e raramente ultrapassa 3 dias. O médico deve avaliar cada caso individualmente. Em geral, a hipercolesterolemia não impede o trabalho, exceto em profissões de alto risco (pilotos, motoristas) se houver sintomas de doença cardiovascular estabelecida.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora o colesterol alto seja crônico, certos sintomas indicam complicações agudas que necessitam de atendimento médico imediato:
- Dor torácica opressiva ou em aperto que irradia para braço esquerdo, costas ou mandíbula – pode ser infarto.
- Falta de ar súbita associada a dor no peito ou palpitações.
- Desmaio ou síncope sem causa aparente.
- Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo – sinal de AVC.
- Dor intensa na panturrilha ou coxa com inchaço e vermelhidão – pode ser trombose venosa profunda.
- Dores abdominais intensas e persistentes – em casos de pancreatite por hipertrigliceridemia associada.
Pacientes com diagnóstico de hipercolesterolemia devem estar atentos a esses sinais e procurar um pronto-socorro imediatamente. O controle inadequado do colesterol é uma das principais causas de eventos cardiovasculares fatais.
Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a hipercolesterolemia e suas complicações depende de ações contínuas ao longo da vida. As principais recomendações são:
- Check-up anual: Dosar colesterol e triglicérides a partir dos 20 anos de idade, ou antes se houver histórico familiar de dislipidemia ou doença cardiovascular precoce.
- Alimentação saudável: Priorizar frutas, verduras, grãos integrais, proteínas magras (peixe, frango sem pele) e gorduras boas (abacate, azeite, castanhas). Evitar frituras, embutidos, refrigerantes e alimentos ultraprocessados.
- Atividade física regular: Combinar exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) com treino de força (musculação) pelo menos 3-5 vezes por semana.
- Controle de peso: Manter índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9 e circunferência abdominal abaixo de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres.
- Não fumar e evitar álcool em excesso.
- Tratar comorbidades: Manter diabetes, hipertensão e hipotireoidismo sob controle.
- Adesão ao tratamento: Tomar os medicamentos prescritos diariamente e comparecer às consultas de reavaliação. Não interromper estatinas sem orientação médica, mesmo que os níveis melhorem.
A prevenção é a ferramenta mais poderosa contra o colesterol alto. Pequenas mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco cardiovascular em até 50%.
- 01. Nunca ignore o “colesterol alto” só porque não sente nada – ele é um dos maiores fatores de risco para infarto silencioso.
- 02. Troque a manteiga por azeite de oliva extravirgem e inclua aveia no café da manhã; essas mudanças reduzem o LDL em 10-15%.
- 03. Se você fuma, pare. O tabaco reduz o HDL e acelera a aterosclerose – deixar de fumar é o melhor remédio gratuito.
- 04. Meça o colesterol em jejum de 12 horas e repita o exame 3 meses após iniciar qualquer tratamento para verificar a resposta.
- 05. Não suspenda a estatina por conta própria diante de dores musculares – informe seu médico, que poderá ajustar a dose ou trocar a medicação.
Perguntas Frequentes sobre o CID RECEITAS
O CID RECEITAS garante quantos dias de atestado?
O código E78.0 (hipercolesterolemia pura) não é uma condição que gere atestado prolongado automaticamente. O médico pode conceder 1 dia para exames ou consulta, e até 3 dias em casos de reação adversa ao iniciar tratamento. Para afastamentos maiores, é preciso que haja complicações cardiovasculares associadas.
Posso tomar remédio para colesterol só com o resultado do exame?
Não. O tratamento medicamentoso deve ser prescrito por um médico após avaliação clínica completa, incluindo risco cardiovascular, comorbidades e contraindicações. Automedicação pode causar efeitos colaterais graves e interações medicamentosas.
Como sei se meu colesterol está alto?
A única forma segura é através do exame de sangue chamado perfil lipídico. Valores de LDL acima de 130 mg/dL em pessoas de baixo risco já indicam a necessidade de intervenção. Converse com seu médico para saber a meta ideal para o seu perfil.
O que significa LDL e HDL?
LDL é o “colesterol ruim”, que se deposita nas artérias. HDL é o “colesterol bom”, que remove o excesso de colesterol do sangue e protege o coração. Quanto mais alto o HDL e mais baixo o LDL, melhor.
Qual é a diferença entre hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia?
Hipercolesterolemia (E78.0) é o aumento do colesterol total e LDL; hipertrigliceridemia (E78.1) é o aumento dos triglicérides. Muitas pessoas apresentam as duas condições (hiperlipidemia mista, E78.2).
Preciso tomar estatina para o resto da vida?
Na maioria dos pacientes com hipercolesterolemia, sim. O tratamento com estatina é crônico porque a tendência ao colesterol alto é genética ou metabólica. Interromper o medicamento faz os níveis voltarem ao patamar anterior em semanas.
Quais alimentos ajudam a baixar o colesterol?
Alimentos ricos em fibras solúveis (aveia, psyllium, feijão, maçã, cenoura), ômega-3 (salmão, sardinha, chia, linhaça), esteróis vegetais (oleaginosas, óleos vegetais) e gorduras insaturadas (abacate, azeite) são eficazes. Reduza carnes gordurosas, manteiga, queijos amarelos e frituras.
O CID E78.0 aparece em atestados de óbito?
Sim, quando a hipercolesterolemia contribui diretamente para a causa da morte (por exemplo, infarto ou AVC). O médico legista ou assistente pode citar E78.0 como condição contribuinte na declaração de óbito.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências úteis:
CID-10 E78.0 no cid10.com.br |
MedlinePlus – Hipercolesterolemia
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