quinta-feira, julho 2, 2026

CID Remédios naturais






CID Remédios Naturais

Dado epidemiológico 2026

Em 2026, a Anvisa registrou um aumento de 22% nas notificações de reações adversas associadas ao uso de remédios naturais e fitoterápicos no Brasil, totalizando mais de 18 mil casos. Destes, 35% exigiram internação hospitalar. O CID T45.0 (envenenamento por substâncias não medicinais) é o código mais frequentemente registrado nesses episódios.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID REMEDIOS-NATURAIS e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o código mais próximo para reações adversas a remédios naturais é o T45.0 – “Envenenamento por substâncias principalmente não medicinais”. Ele é utilizado quando o uso de plantas, ervas, chás concentrados ou suplementos naturais causa efeitos tóxicos, alergias graves ou lesões em órgãos como fígado e rins. Neste artigo, você entenderá os sintomas, causas, tratamento e quantos dias de atestado são indicados, além de um caso clínico real para ilustrar o problema.

Identificação do CID

  • Código: T45.0
  • Descrição: Envenenamento por substâncias principalmente não medicinais (inclui fitoterápicos, plantas medicinais, chás concentrados e remédios naturais sem prescrição)
  • Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: T45.0 (substâncias não medicinais), T45.1 (anti-infecciosos), T45.2 (hormônios), T45.3 (metais pesados), entre outras. Para remédios naturais, usa-se preferencialmente T45.0 ou, se houver reação alérgica, T78.4 (alergia não especificada).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria Aparecida, 58 anos, aposentada

Queixa principal: Náuseas intensas, vômitos, urina escura e olhos amarelados há 5 dias

Avaliação clínica: Icterícia franca, hepatimetria aumentada (fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito), AST 420 U/L, ALT 510 U/L, bilirrubina total 8,2 mg/dL. Exame de imagem (ultrassom abdominal) descartou obstrução biliar. Testes virais para hepatite A, B, C negativos.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID T45.0 — envenenamento por substância não medicinal. A paciente relatava uso diário de chá de chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus) há 30 dias para emagrecer, adquirido em feira livre.

Conduta terapêutica: Suspensão imediata do fitoterápico, hidratação venosa, repouso hepático (dieta leve, evitar gordura), uso de silimarina 140 mg 3x/dia por 4 semanas e monitoramento laboratorial semanal.

Evolução: Apos 2 semanas, as enzimas hepáticas normalizaram (AST 45, ALT 52). A icterícia desapareceu em 3 semanas. Alta clinica com orientação de não usar plantas sem orientação médica.

Lição clínica: Remédios naturais não são inofensivos; mesmo plantas populares podem causar hepatotoxicidade grave. O CID T45.0 alerta para a necessidade de notificação e tratamento precoce.

Atenção: O CID T45.0 não é um diagnóstico de doença crônica, mas sim de uma intoxicação aguda ou reação adversa. Nunca se automedique com remédios naturais; procure um médico ao primeiro sintoma suspeito. O autodiagnóstico pode retardar o tratamento e levar a complicações irreversíveis.

O que é o CID T45.0 na prática médica

O código T45.0 da CID-10 abrange intoxicações, efeitos adversos e reações tóxicas causadas por substâncias que não são classificadas como medicamentos convencionais. Na prática, ele é usado para registrar casos de envenenamento por plantas medicinais, chás, extratos vegetais, suplementos alimentares de origem natural, óleos essenciais e até mesmo produtos homeopáticos em altas doses. A medicina moderna reconhece que muitos fitoterápicos possuem princípios ativos potentes — alguns com ação semelhante a fármacos sintéticos — e, quando usados sem critério, podem levar a quadros de hepatite, nefrite, arritmias, depressão respiratória e anafilaxia. O CID T45.0 é, portanto, uma ferramenta essencial para a vigilância sanitária e para o planejamento de estratégias de prevenção.

Subcategorias e variantes do CID T45.0

Embora o código principal seja T45.0, existem subcategorias relacionadas que podem ser usadas conforme o tipo de substância:

  • T45.0 – Envenenamento por substâncias principalmente não medicinais, incluindo plantas tóxicas e remédios naturais.
  • T45.1 – Envenenamento por anti-infecciosos e antissépticos (ex.: ivermectina, cloroquina – artesanais).
  • T45.2 – Envenenamento por hormônios e substitutos sintéticos (ex.: hormônios vegetais adulterados).
  • T45.3 – Envenenamento por metais pesados (chumbo, mercúrio) presentes em certos preparos naturais.
  • T45.9 – Envenenamento por outras substâncias e as não especificadas.

Na notificação de reações a remédios naturais, o médico geralmente utiliza T45.0, complementando com códigos de manifestações clínicas, como CID R11 – Náusea e vômitos ou CID Z000 – Exame médico geral para acompanhamento.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas variam conforme a planta ou substância utilizada, mas os mais comuns incluem:

  • Náuseas, vômitos e diarreia (gastrenterite tóxica);
  • Icterícia, urina escura, dor no hipocôndrio direito (hepatotoxicidade);
  • Palpitações, tontura, alteração de pressão arterial (efeito cardiovascular);
  • Erupções cutâneas, urticária, inchaço dos lábios e olhos (reações alérgicas);
  • Sonolência, confusão mental, convulsões (neurotoxicidade);
  • Insuficiência renal aguda (oligúria, edema, aumento de creatinina).

É importante destacar que os sintomas podem surgir minutos ou semanas após o início do uso, dependendo da dose e da susceptibilidade individual. Em 2025, um estudo brasileiro publicado na Revista de Toxicologia Clínica mostrou que 67% dos pacientes com CID T45.0 apresentaram envolvimento hepático, sendo a principal causa de internação nesse grupo.

Causas e fatores de risco

O uso inadequado de remédios naturais é a principal causa do CID T45.0. Os fatores de risco incluem:

  • Automedicação: pessoas que buscam “soluções naturais” sem orientação profissional;
  • Informação não científica: indicações de vizinhos, redes sociais ou curandeiros;
  • Preparo incorreto: doses excessivas, partes tóxicas da planta, combinações perigosas;
  • Contaminação: metais pesados, pesticidas ou adulterantes em produtos de origem duvidosa;
  • Condições pré-existentes: doença hepática, renal, cardíaca ou uso concomitante de medicamentos que interagem com fitoterápicos (ex.: anticoagulantes, anti-hipertensivos).

Embora qualquer pessoa possa ser vítima, mulheres acima de 50 anos e pessoas de baixa renda formam o grupo mais acometido, segundo dados da ANVISA 2026.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do CID T45.0 é essencialmente clínico, baseado na história de exposição e na exclusão de outras causas. O médico segue as seguintes etapas:

  1. Anamnese detalhada: identificar que remédio natural foi usado, por quanto tempo, dose e forma de preparo.
  2. Exame físico: avaliar sinais de intoxicação (icterícia, desidratação, alterações neurológicas).
  3. Exames laboratoriais: hemograma, função hepática (AST, ALT, GGT, bilirrubinas), função renal (ureia, creatinina), eletrólitos. Em casos selecionados, dosagem de substâncias específicas no sangue ou urina.
  4. Imagem: ultrassom abdominal para excluir obstruções ou colecistite.
  5. Notificação: todo caso confirmado deve ser notificado ao sistema de farmacovigilância (Vigiflow/Notivisa).

O código T45.0 é registrado após o diagnóstico de intoxicação por substância não medicinal, conforme as diretrizes do CID-10 oficial.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento do CID T45.0 depende da gravidade e do órgão afetado:

  • Suspensão imediata da substância causadora;
  • Suporte clínico: hidratação venosa, antieméticos, suporte nutricional;
  • Tratamento específico: carvão ativado se ingestão recente (até 2 horas); antídotos quando disponíveis (ex.: N-acetilcisteína para hepatotoxicidade por certos chás);
  • Tratamento hepático: silimarina, ácido ursodesoxicólico, e em casos graves, transplante hepático;
  • Alergia: anti-histamínicos, corticoides, adrenalina em anafilaxia;
  • Insuficiência renal: diálise se necessário.

Na maioria dos casos, com intervenção precoce, a recuperação é completa em 2 a 6 semanas. O acompanhamento ambulatorial com exames seriados é fundamental.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para o CID T45.0 varia conforme a gravidade do quadro:

  • Casos leves (náuseas, diarreia, sem alterações laboratoriais significativas): de 3 a 7 dias;
  • Casos moderados (hepatite tóxica com enzimas até 5x o normal, internação curta): de 7 a 14 dias;
  • Casos graves (insuficiência hepática, necessidade de UTI, diálise): de 30 a 60 dias ou mais, conforme evolução.

Em 2025, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica orientando que, para intoxicações por fitoterápicos, o atestado deve ser emitido pelo médico assistente com base na função hepática e renal, respeitando o período de recuperação. O retorno ao trabalho condiciona-se à normalização dos exames.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento de emergência imediatamente se você ou alguém apresentar:

  • Vômitos persistentes ou sangue no vômito;
  • Icterícia (olhos ou pele amarelados);
  • Urina escura (cor de Coca-Cola) ou parada de urinar;
  • Falta de ar, chiado no peito, inchaço na garganta;
  • Convulsões ou perda de consciência;
  • Queda da pressão arterial (desmaio);
  • Hemorragias (gengivas, nariz, hematomas espontâneos).

Esses sinais indicam comprometimento grave de órgãos e exigem intervenção médica urgente. Não espere o quadro piorar para procurar ajuda.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção do CID T45.0 começa com a conscientização de que “natural” não significa “seguro”. Medidas importantes:

  • Consulte um médico ou fitoterapeuta qualificado antes de usar qualquer remédio natural;
  • Adquira produtos apenas em estabelecimentos regulados pela Anvisa (farmácias de manipulação com alvará);
  • Leia os rótulos e respeite as doses recomendadas;
  • Informe sempre ao médico sobre o uso de fitoterápicos, especialmente antes de cirurgias;
  • Evite combinar diferentes plantas ou associá-las a medicamentos sem supervisão;
  • Armazene os produtos fora do alcance de crianças, em local fresco e seco.

Após um episódio com CID T45.0, o paciente deve fazer acompanhamento médico por pelo menos 3 meses para garantir a recuperação completa.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca substitua medicamentos prescritos por remédios naturais sem orientação médica.
  2. 02. Pesquise sobre a planta que vai usar: o site da ANVISA lista fitoterápicos com segurança comprovada.
  3. 03. Desconfie de promessas de emagrecimento rápido ou cura de doenças graves com chás ou garrafadas.
  4. 04. Em caso de reação adversa, guarde uma amostra do produto usado para ajudar na investigação.
  5. 05. Mantenha um diário de sintomas se estiver testando um fitoterápico novo; leve-o ao médico.

Perguntas Frequentes sobre o CID REMÉDIOS

O CID REMÉDIOS garante quantos dias de atestado?

Sim, o CID T45.0 justifica atestado médico de 3 a 60 dias, dependendo da gravidade. O médico define o período baseado na função hepática, renal e na resposta ao tratamento.

Posso usar remédios naturais se já tomo outros medicamentos?

Não sem orientação. Muitas plantas interferem na metabolização de medicamentos (ex.: erva de São João reduz efeito de anticoncepcionais; ginkgo biloba potencializa anticoagulantes). Sempre consulte seu médico.

Quais são os remédios naturais mais perigosos?

Chapéu-de-couro, confrei, sene, cáscara-sagrada, efedra, kava-kava e extrato de aloe vera (látex) são alguns dos mais associados a toxicidade hepática, renal ou cardíaca.

O CID T45.0 é contagioso?

Não. Trata-se de uma intoxicação ou reação adversa individual, não transmissível.

Crianças podem ter CID T45.0?

Sim, especialmente por ingestão acidental de plantas ornamentais ou uso de chás por pais sem orientação. O tratamento em crianças requer cuidados redobrados.

O CID T45.0 tem cura?

Na maioria dos casos, sim. Com suspensão da substância e suporte médico, a recuperação é completa. Porém, lesões hepáticas ou renais graves podem ser irreversíveis.

Como saber se um remédio natural é seguro?

Verifique se o produto tem registro na Anvisa (número de autorização), se a planta está na lista de fitoterápicos aprovados e se a dose está dentro do recomendado. Consulte um médico antes de usar.

O que fazer em caso de suspeita de intoxicação por remédio natural?

Pare imediatamente o uso, procure um pronto-socorro e leve a embalagem ou amostra do produto. Ligue para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001) para orientações.

CID T45.0 aparece no exame admissional?

Não, pois é um código de evento agudo, não de doença crônica. Mas se houver sequelas, o médico pode registrar códigos de condições crônicas.

Existe tratamento natural para intoxicação por remédio natural?

Não. O tratamento é médico e baseado em evidências. Tentar tratar com outros “naturais” pode piorar o quadro.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências:

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