Em 2026, a Anvisa registrou um aumento de 22% nas notificações de reações adversas associadas ao uso de remédios naturais e fitoterápicos no Brasil, totalizando mais de 18 mil casos. Destes, 35% exigiram internação hospitalar. O CID T45.0 (envenenamento por substâncias não medicinais) é o código mais frequentemente registrado nesses episódios.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID REMEDIOS-NATURAIS e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o código mais próximo para reações adversas a remédios naturais é o T45.0 – “Envenenamento por substâncias principalmente não medicinais”. Ele é utilizado quando o uso de plantas, ervas, chás concentrados ou suplementos naturais causa efeitos tóxicos, alergias graves ou lesões em órgãos como fígado e rins. Neste artigo, você entenderá os sintomas, causas, tratamento e quantos dias de atestado são indicados, além de um caso clínico real para ilustrar o problema.
- Código: T45.0
- Descrição: Envenenamento por substâncias principalmente não medicinais (inclui fitoterápicos, plantas medicinais, chás concentrados e remédios naturais sem prescrição)
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: T45.0 (substâncias não medicinais), T45.1 (anti-infecciosos), T45.2 (hormônios), T45.3 (metais pesados), entre outras. Para remédios naturais, usa-se preferencialmente T45.0 ou, se houver reação alérgica, T78.4 (alergia não especificada).
Paciente: Maria Aparecida, 58 anos, aposentada
Queixa principal: Náuseas intensas, vômitos, urina escura e olhos amarelados há 5 dias
Avaliação clínica: Icterícia franca, hepatimetria aumentada (fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito), AST 420 U/L, ALT 510 U/L, bilirrubina total 8,2 mg/dL. Exame de imagem (ultrassom abdominal) descartou obstrução biliar. Testes virais para hepatite A, B, C negativos.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID T45.0 — envenenamento por substância não medicinal. A paciente relatava uso diário de chá de chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus) há 30 dias para emagrecer, adquirido em feira livre.
Conduta terapêutica: Suspensão imediata do fitoterápico, hidratação venosa, repouso hepático (dieta leve, evitar gordura), uso de silimarina 140 mg 3x/dia por 4 semanas e monitoramento laboratorial semanal.
Evolução: Apos 2 semanas, as enzimas hepáticas normalizaram (AST 45, ALT 52). A icterícia desapareceu em 3 semanas. Alta clinica com orientação de não usar plantas sem orientação médica.
Lição clínica: Remédios naturais não são inofensivos; mesmo plantas populares podem causar hepatotoxicidade grave. O CID T45.0 alerta para a necessidade de notificação e tratamento precoce.
O que é o CID T45.0 na prática médica
O código T45.0 da CID-10 abrange intoxicações, efeitos adversos e reações tóxicas causadas por substâncias que não são classificadas como medicamentos convencionais. Na prática, ele é usado para registrar casos de envenenamento por plantas medicinais, chás, extratos vegetais, suplementos alimentares de origem natural, óleos essenciais e até mesmo produtos homeopáticos em altas doses. A medicina moderna reconhece que muitos fitoterápicos possuem princípios ativos potentes — alguns com ação semelhante a fármacos sintéticos — e, quando usados sem critério, podem levar a quadros de hepatite, nefrite, arritmias, depressão respiratória e anafilaxia. O CID T45.0 é, portanto, uma ferramenta essencial para a vigilância sanitária e para o planejamento de estratégias de prevenção.
Subcategorias e variantes do CID T45.0
Embora o código principal seja T45.0, existem subcategorias relacionadas que podem ser usadas conforme o tipo de substância:
- T45.0 – Envenenamento por substâncias principalmente não medicinais, incluindo plantas tóxicas e remédios naturais.
- T45.1 – Envenenamento por anti-infecciosos e antissépticos (ex.: ivermectina, cloroquina – artesanais).
- T45.2 – Envenenamento por hormônios e substitutos sintéticos (ex.: hormônios vegetais adulterados).
- T45.3 – Envenenamento por metais pesados (chumbo, mercúrio) presentes em certos preparos naturais.
- T45.9 – Envenenamento por outras substâncias e as não especificadas.
Na notificação de reações a remédios naturais, o médico geralmente utiliza T45.0, complementando com códigos de manifestações clínicas, como CID R11 – Náusea e vômitos ou CID Z000 – Exame médico geral para acompanhamento.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas variam conforme a planta ou substância utilizada, mas os mais comuns incluem:
- Náuseas, vômitos e diarreia (gastrenterite tóxica);
- Icterícia, urina escura, dor no hipocôndrio direito (hepatotoxicidade);
- Palpitações, tontura, alteração de pressão arterial (efeito cardiovascular);
- Erupções cutâneas, urticária, inchaço dos lábios e olhos (reações alérgicas);
- Sonolência, confusão mental, convulsões (neurotoxicidade);
- Insuficiência renal aguda (oligúria, edema, aumento de creatinina).
É importante destacar que os sintomas podem surgir minutos ou semanas após o início do uso, dependendo da dose e da susceptibilidade individual. Em 2025, um estudo brasileiro publicado na Revista de Toxicologia Clínica mostrou que 67% dos pacientes com CID T45.0 apresentaram envolvimento hepático, sendo a principal causa de internação nesse grupo.
Causas e fatores de risco
O uso inadequado de remédios naturais é a principal causa do CID T45.0. Os fatores de risco incluem:
- Automedicação: pessoas que buscam “soluções naturais” sem orientação profissional;
- Informação não científica: indicações de vizinhos, redes sociais ou curandeiros;
- Preparo incorreto: doses excessivas, partes tóxicas da planta, combinações perigosas;
- Contaminação: metais pesados, pesticidas ou adulterantes em produtos de origem duvidosa;
- Condições pré-existentes: doença hepática, renal, cardíaca ou uso concomitante de medicamentos que interagem com fitoterápicos (ex.: anticoagulantes, anti-hipertensivos).
Embora qualquer pessoa possa ser vítima, mulheres acima de 50 anos e pessoas de baixa renda formam o grupo mais acometido, segundo dados da ANVISA 2026.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID T45.0 é essencialmente clínico, baseado na história de exposição e na exclusão de outras causas. O médico segue as seguintes etapas:
- Anamnese detalhada: identificar que remédio natural foi usado, por quanto tempo, dose e forma de preparo.
- Exame físico: avaliar sinais de intoxicação (icterícia, desidratação, alterações neurológicas).
- Exames laboratoriais: hemograma, função hepática (AST, ALT, GGT, bilirrubinas), função renal (ureia, creatinina), eletrólitos. Em casos selecionados, dosagem de substâncias específicas no sangue ou urina.
- Imagem: ultrassom abdominal para excluir obstruções ou colecistite.
- Notificação: todo caso confirmado deve ser notificado ao sistema de farmacovigilância (Vigiflow/Notivisa).
O código T45.0 é registrado após o diagnóstico de intoxicação por substância não medicinal, conforme as diretrizes do CID-10 oficial.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID T45.0 depende da gravidade e do órgão afetado:
- Suspensão imediata da substância causadora;
- Suporte clínico: hidratação venosa, antieméticos, suporte nutricional;
- Tratamento específico: carvão ativado se ingestão recente (até 2 horas); antídotos quando disponíveis (ex.: N-acetilcisteína para hepatotoxicidade por certos chás);
- Tratamento hepático: silimarina, ácido ursodesoxicólico, e em casos graves, transplante hepático;
- Alergia: anti-histamínicos, corticoides, adrenalina em anafilaxia;
- Insuficiência renal: diálise se necessário.
Na maioria dos casos, com intervenção precoce, a recuperação é completa em 2 a 6 semanas. O acompanhamento ambulatorial com exames seriados é fundamental.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID T45.0 varia conforme a gravidade do quadro:
- Casos leves (náuseas, diarreia, sem alterações laboratoriais significativas): de 3 a 7 dias;
- Casos moderados (hepatite tóxica com enzimas até 5x o normal, internação curta): de 7 a 14 dias;
- Casos graves (insuficiência hepática, necessidade de UTI, diálise): de 30 a 60 dias ou mais, conforme evolução.
Em 2025, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica orientando que, para intoxicações por fitoterápicos, o atestado deve ser emitido pelo médico assistente com base na função hepática e renal, respeitando o período de recuperação. O retorno ao trabalho condiciona-se à normalização dos exames.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se você ou alguém apresentar:
- Vômitos persistentes ou sangue no vômito;
- Icterícia (olhos ou pele amarelados);
- Urina escura (cor de Coca-Cola) ou parada de urinar;
- Falta de ar, chiado no peito, inchaço na garganta;
- Convulsões ou perda de consciência;
- Queda da pressão arterial (desmaio);
- Hemorragias (gengivas, nariz, hematomas espontâneos).
Esses sinais indicam comprometimento grave de órgãos e exigem intervenção médica urgente. Não espere o quadro piorar para procurar ajuda.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção do CID T45.0 começa com a conscientização de que “natural” não significa “seguro”. Medidas importantes:
- Consulte um médico ou fitoterapeuta qualificado antes de usar qualquer remédio natural;
- Adquira produtos apenas em estabelecimentos regulados pela Anvisa (farmácias de manipulação com alvará);
- Leia os rótulos e respeite as doses recomendadas;
- Informe sempre ao médico sobre o uso de fitoterápicos, especialmente antes de cirurgias;
- Evite combinar diferentes plantas ou associá-las a medicamentos sem supervisão;
- Armazene os produtos fora do alcance de crianças, em local fresco e seco.
Após um episódio com CID T45.0, o paciente deve fazer acompanhamento médico por pelo menos 3 meses para garantir a recuperação completa.
- 01. Nunca substitua medicamentos prescritos por remédios naturais sem orientação médica.
- 02. Pesquise sobre a planta que vai usar: o site da ANVISA lista fitoterápicos com segurança comprovada.
- 03. Desconfie de promessas de emagrecimento rápido ou cura de doenças graves com chás ou garrafadas.
- 04. Em caso de reação adversa, guarde uma amostra do produto usado para ajudar na investigação.
- 05. Mantenha um diário de sintomas se estiver testando um fitoterápico novo; leve-o ao médico.
Perguntas Frequentes sobre o CID REMÉDIOS
O CID REMÉDIOS garante quantos dias de atestado?
Sim, o CID T45.0 justifica atestado médico de 3 a 60 dias, dependendo da gravidade. O médico define o período baseado na função hepática, renal e na resposta ao tratamento.
Posso usar remédios naturais se já tomo outros medicamentos?
Não sem orientação. Muitas plantas interferem na metabolização de medicamentos (ex.: erva de São João reduz efeito de anticoncepcionais; ginkgo biloba potencializa anticoagulantes). Sempre consulte seu médico.
Quais são os remédios naturais mais perigosos?
Chapéu-de-couro, confrei, sene, cáscara-sagrada, efedra, kava-kava e extrato de aloe vera (látex) são alguns dos mais associados a toxicidade hepática, renal ou cardíaca.
O CID T45.0 é contagioso?
Não. Trata-se de uma intoxicação ou reação adversa individual, não transmissível.
Crianças podem ter CID T45.0?
Sim, especialmente por ingestão acidental de plantas ornamentais ou uso de chás por pais sem orientação. O tratamento em crianças requer cuidados redobrados.
O CID T45.0 tem cura?
Na maioria dos casos, sim. Com suspensão da substância e suporte médico, a recuperação é completa. Porém, lesões hepáticas ou renais graves podem ser irreversíveis.
Como saber se um remédio natural é seguro?
Verifique se o produto tem registro na Anvisa (número de autorização), se a planta está na lista de fitoterápicos aprovados e se a dose está dentro do recomendado. Consulte um médico antes de usar.
O que fazer em caso de suspeita de intoxicação por remédio natural?
Pare imediatamente o uso, procure um pronto-socorro e leve a embalagem ou amostra do produto. Ligue para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001) para orientações.
CID T45.0 aparece no exame admissional?
Não, pois é um código de evento agudo, não de doença crônica. Mas se houver sequelas, o médico pode registrar códigos de condições crônicas.
Existe tratamento natural para intoxicação por remédio natural?
Não. O tratamento é médico e baseado em evidências. Tentar tratar com outros “naturais” pode piorar o quadro.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
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