CID S934: O que significa, sintomas e tratamento
Estima-se que, em 2026, as entorses de tornozelo representem cerca de 15% de todas as lesões musculoesqueléticas atendidas em pronto‑socorros brasileiros, com pico em jovens de 15 a 35 anos praticantes de esportes de contato ou corrida.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID S934 e quer saber o que significa? Esse código se refere à entorse e distensão do tornozelo, uma das lesões ortopédicas mais comuns, especialmente entre esportistas. Neste artigo completo com estudo de caso clínico, explicamos os sintomas, causas, tratamento, dias de atestado e tudo que você precisa saber sobre o CID S934.
- Código: S934
- Descrição: Entorse e distensão do tornozelo (ankle sprain and strain)
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00‑T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O código S934 não possui subcategorias adicionais. Lesões similares incluem S930 (luxação do tornozelo) e S935 (ruptura de ligamentos do tornozelo), que são codificados separadamente.
Paciente: Lucas Oliveira, 28 anos, vendedor e atleta amador de futebol.
Queixa principal: “Torci o pé direito durante uma partida e não consigo apoiar o pé.”
Avaliação clínica: Edema moderado na região lateral do tornozelo, equimose local, dor à palpação dos ligamentos talofibulares anteriores e limitação da dorsiflexão. Realizado raio‑X (regras de Ottawa) que descartou fratura. Teste de gaveta anterior sugestivo de lesão grau II.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID S934 — Entorse de tornozelo grau II (ligamento talofibular anterior parcialmente roto).
Conduta terapêutica: Protocolo RICE por 48h, bota imobilizadora por 10 dias, anti‑inflamatório não esteroidal (ibuprofeno 600 mg 3×/dia por 5 dias) e encaminhamento para fisioterapia após esse período.
Evolução: Após 14 dias, o paciente apresentava melhora significativa da dor e do edema, com retorno gradual às atividades laborais após 10 dias afastado. A fisioterapia foi mantida por mais 4 semanas, com fortalecimento e propriocepção, permitindo retorno aos esportes em 6 semanas.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e a imobilização adequada previnem instabilidade crônica e recidivas. Nunca subestime uma entorse “simples”.
O que é o CID S934 na prática médica
O código CID‑10 S934 designa “Entorse e distensão do tornozelo”. Na prática clínica, isso significa uma lesão traumática dos ligamentos do tornozelo — principalmente dos ligamentos laterais (talofibular anterior, calcaneofibular e talofibular posterior) — causada por um movimento de inversão ou eversão excessiva. A entorse é classificada em três graus:
- Grau I (leve): estiramento ligamentar sem ruptura, dor leve, edema pequeno.
- Grau II (moderado): ruptura parcial, edema moderado, equimose e dificuldade de deambulação.
- Grau III (grave): ruptura completa, instabilidade articular, edema intenso e incapacidade de apoiar o pé.
O CID S934 abrange tanto entorses recentes quanto distensões agudas, e é fundamental para o registro preciso do diagnóstico em prontuários, atestados médicos e guias de tratamento.
Subcategorias e variantes do CID S934
O código S934 não possui subcategorias oficiais na CID‑10. No entanto, para fins clínicos e de codificação, os médicos frequentemente especificam o local exato da lesão (tornozelo esquerdo ou direito) e o grau de gravidade (I, II ou III). Outros códigos relacionados incluem:
- S930: Luxação do tornozelo
- S931: Luxação do pé
- S935: Ruptura traumática de ligamentos do tornozelo e do pé
É importante diferenciar o S934 de fraturas (S82‑) e de lesões isoladas de tendões (S86‑), que possuem códigos distintos.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas clássicos da entorse de tornozelo incluem dor no local da lesão, que piora ao tentar apoiar o pé ou movimentar a articulação. O edema (inchaço) aparece nas primeiras horas e pode ser acompanhado de hematoma (equimose) na região lateral ou medial. A amplitude de movimento fica limitada, e o paciente sente instabilidade — sensação de que o tornozelo “vai ceder”. Em casos graves (grau III), o pé pode apresentar deformidade ou “pseudo‑paralisia” devido à dor intensa.
Causas e fatores de risco
A causa mais comum é um movimento de inversão forçada do pé, como ao pisar em um buraco, durante uma queda ou em esportes que exigem mudanças bruscas de direção (futebol, basquete, corrida). Fatores de risco incluem:
- História prévia de entorse de tornozelo (recidiva é frequente)
- Falta de fortalecimento muscular e propriocepção
- Uso de calçados inadequados ou superfícies irregulares
- Fraqueza ou fadiga dos músculos peroneiros
- Prática esportiva de alto impacto sem aquecimento adequado
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID S934 é essencialmente clínico. O médico ortopedista ou clínico realiza uma avaliação detalhada com palpação dos ligamentos, testes de estresse (gaveta anterior, inclinação talar) e verificação dos pontos dolorosos. As regras de Ottawa ajudam a indicar a necessidade de radiografia: se o paciente não consegue apoiar o pé por quatro passos consecutivos ou apresenta dor óssea em pontos específicos, o raio‑X é recomendado para descartar fratura. Em casos de suspeita de lesão ligamentar grave ou instabilidade crônica, a ressonância magnética pode ser solicitada.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia conforme o grau da entorse:
- Grau I: Protocolo RICE (repouso, gelo 20 min a cada 2h, compressão elástica, elevação do membro), anti‑inflamatórios tópicos ou orais e retorno gradual às atividades em 7‑10 dias.
- Grau II: Além do RICE, imobilização com bota imobilizadora ou tala por 7‑14 dias, muletas para evitar carga, fisioterapia precoce com exercícios de amplitude e fortalecimento. Atestado de 10‑21 dias.
- Grau III: Imobilização prolongada (bota gessada ou órtese articular por 3‑6 semanas), repouso absoluto, e em alguns casos cirurgia para reparo ligamentar. Atestado pode chegar a 30‑45 dias.
Para todas as entorses, a reabilitação com fisioterapia é fundamental para recuperar a estabilidade e prevenir lesões futuras. O uso de tornozeleiras funcionais pode auxiliar no retorno esportivo.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID S934 depende do grau da lesão e da atividade profissional do paciente:
- Grau I (leve): 5 a 7 dias para atividades leves; 7 a 10 dias para trabalhos que exijam deambulação.
- Grau II (moderado): 10 a 21 dias, geralmente 14 dias, com possibilidade de prorrogação conforme evolução.
- Grau III (grave): 21 a 45 dias, podendo ser necessário afastamento por mais tempo se houver cirurgia.
O médico avaliará a capacidade funcional do paciente para definir o período adequado. É importante o seguimento com retornos periódicos.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se:
- Dor muito intensa que não melhora com analgésicos comuns
- Incapacidade total de apoiar o pé (suspeita de fratura ou lesão grave)
- Deformidade visível ou alteração de cor/acabamento da pele (sinais de isquemia)
- Formigamento, dormência ou perda de movimento do pé
- Febre ou sinais de infecção (calor, rubor, pus) – raro em entorses, mas possível em ferimentos abertos
- Sensação de instabilidade que persiste após o período inicial de repouso
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de novas entorses inclui:
- Fortalecimento muscular: exercícios para os músculos peroneiros e tibial posterior.
- Treino proprioceptivo: equilíbrio em superfícies instáveis (disco de propriocepção, bosu).
- Uso de calçados adequados com bom suporte lateral.
- Alongamento antes de atividades físicas.
- Tornozeleiras ou bandagens funcionais durante esportes de risco, especialmente em atletas com histórico de entorse.
Manter o peso corporal adequado e evitar superfícies irregulares também reduz o risco.
- 01. Aplique gelo por 20 minutos a cada 2 horas nas primeiras 48 horas – nunca diretamente na pele.
- 02. Eleve o tornozelo acima do nível do coração para reduzir o inchaço.
- 03. Use muletas se houver dor ao apoiar o pé – não force a articulação.
- 04. Evite calor ou massagem na fase aguda (primeiros 2 dias) – isso pode piorar o edema.
- 05. Retorne à atividade física apenas quando recuperar amplitude total de movimento, força e equilíbrio; isso reduz o risco de recidiva.
Perguntas Frequentes sobre o CID S934
O CID S934 garante quantos dias de atestado?
Em geral, 5 a 10 dias para entorse grau I; 10 a 21 dias para grau II; e 21 a 45 dias para grau III (com ou sem cirurgia). O período é individualizado pelo médico.
Precisa de raio‑X para diagnosticar S934?
Nem sempre. A radiografia é indicada pelas regras de Ottawa quando há suspeita de fratura. Muitas entorses leves são diagnosticadas apenas pelo exame clínico.
Pode andar com entorse de tornozelo grau II?
Não é recomendado andar sem apoio nas primeiras semanas. Muletas e bota imobilizadora ajudam a evitar carga e permitem deambulação limitada.
Quanto tempo leva para voltar a correr após S934?
Para grau I: 2‑3 semanas; grau II: 4‑6 semanas; grau III: 8‑12 semanas, sempre com liberação médica e fisioterápica.
O CID S934 pode ser usado para entorse de tornozelo esquerdo e direito?
Sim, o código é o mesmo. O médico pode especificar o lado no prontuário, mas o código CID‑10 não diferencia lateralidade.
É necessário cirurgia para S934?
Apenas em casos de ruptura completa (grau III) com instabilidade grave e falha do tratamento conservador. A maioria das entorses é tratada de forma não cirúrgica.
O que acontece se não tratar a entorse de tornozelo?
Pode evoluir para instabilidade crônica, artrose pós‑traumática e maior risco de novas entorses. O tratamento adequado previne complicações.
Entorse de tornozelo é a mesma coisa que distensão muscular?
Não. Entorse envolve ligamentos; distensão (strain) envolve músculos ou tendões. O CID S934 abrange ambas as lesões na região do tornozelo, mas o termo “entorse” é mais específico para ligamentos.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID‑10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Para mais informações sobre códigos CID relacionados, consulte CID R11 – Náusea e Vômitos, CID Z000 – Exame Médico Geral e CID 010 – Tuberculose Pulmonar.
Além disso, veja nossos artigos sobre Omeprazol para que serve e Ibuprofeno para que serve.
Fontes confiáveis: CID‑10, MedlinePlus – Ankle Sprain.


