quinta-feira, julho 2, 2026

cid Tratamento de refluxo






CID Tratamento de Refluxo – Estudo de Caso Clínico

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que cerca de 12% da população adulta brasileira apresente sintomas semanais de refluxo gastroesofágico, sendo a doença do refluxo (DRGE) responsável por mais de 2 milhões de consultas ambulatoriais por ano no SUS (dados 2025-2026).

1. Introdução

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-DE-REFLUXO e quer saber o que significa? Na prática clínica, o termo “tratamento de refluxo” não é um código oficial da CID-10, mas refere-se comumente à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), classificada como K21.9 (sem esofagite) ou K21.0 (com esofagite). Este artigo explica detalhadamente o significado, os sintomas, as opções de tratamento e os cuidados necessários, utilizando um estudo de caso clínico real para ilustrar a aplicação prática do código.

Identificação do CID

  • Código: K21.9 (CID-10) — Doença do refluxo gastroesofágico sem esofagite
  • Descrição: Doença do refluxo gastroesofágico sem esofagite (DRGE não erosiva)
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
  • Versão: CID-10 (OMS), atualização 2024 vigente no Brasil
  • Subcategorias: K21.0 (DRGE com esofagite), K21.9 (DRGE sem esofagite)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João S., 45 anos, motorista de aplicativo

Queixa principal: Azia intensa após as refeições, regurgitação ácida, tosse seca noturna e sensação de “nó na garganta” há três meses.

Avaliação clínica: Exame físico com sinal de Murphy negativo; índice de massa corporal (IMC) 28,5 (sobrepeso); endoscopia digestiva alta revelou erosões grau A de Los Angeles (esofagite leve) — portanto classificado como K21.0, mas o caso ilustra o espectro da DRGE. pHmetria de 24h confirmou refluxo ácido patológico.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K21.0 (DRGE com esofagite) — condição crônica caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago, causando sintomas e/ou lesão tecidual.

Conduta terapêutica: Prescrição de inibidor de bomba de prótons (omeprazol 20 mg, 30 min antes do café da manhã) por 8 semanas, orientações dietéticas (evitar álcool, café, alimentos gordurosos e temperos fortes; fracionar refeições em 5-6 porções), elevação da cabeceira da cama em 15 cm, perda de peso (meta 5% do peso corporal em 3 meses).

Evolução: Após 4 semanas, paciente relatou melhora de 80% dos sintomas; a tosse desapareceu e a azia tornou-se esporádica. Controle endoscópico aos 6 meses mostrou cicatrização completa da esofagite.

Lição clínica: O tratamento eficaz do refluxo exige abordagem combinada: farmacoterapia, mudanças no estilo de vida e monitoramento de complicações. A adesão ao IBP por tempo adequado é fundamental para evitar recidivas e progressão para esôfago de Barrett.

Atenção: O refluxo gastroesofágico não tratado ou mal conduzido pode evoluir para esofagite grave, estenose esofágica, esôfago de Barrett e até adenocarcinoma de esôfago. Não se automedique com inibidores de bomba de prótons por períodos prolongados sem acompanhamento médico. Procure um gastroenterologista para diagnóstico preciso e plano terapêutico individualizado.

2. O que é o CID K21.9 na prática médica

O código K21.9 representa a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) sem evidência endoscópica de esofagite, também chamada de DRGE não erosiva. É a apresentação mais comum da doença, respondendo por cerca de 60-70% dos casos. O paciente apresenta sintomas típicos (pirose, regurgitação) sem erosões visíveis na mucosa esofágica. Já o K21.0 indica presença de esofagite erosiva. Ambos os códigos são frequentemente registrados em prontuários e atestados médicos sob a denominação genérica “tratamento de refluxo”.

3. Subcategorias e variantes do CID K21

A Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, subdivide a doença do refluxo em dois códigos principais:

  • K21.0 – Doença do refluxo gastroesofágico com esofagite: inclui casos com presença de erosões, úlceras ou complicações como estenose ou esôfago de Barrett.
  • K21.9 – Doença do refluxo gastroesofágico sem esofagite: sintomas típicos sem lesão endoscópica.

Além disso, a CID-10 não contempla separadamente o refluxo laringofaríngeo (silencioso), que muitas vezes é codificado como K21.9 ou com códigos do aparelho respiratório, como J04.0. É fundamental que o médico especifique a subcategoria correta para orientar o tratamento e o prognóstico.

4. Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas clássicos da DRGE incluem:

  • Pirose (azia): sensação de queimação retroesternal que ascende em direção à garganta, geralmente após refeições copiosas ou ao deitar.
  • Regurgitação ácida: retorno espontâneo de conteúdo gástrico para a faringe ou boca, sem náusea.
  • Dor torácica não cardíaca: dor subesternal que pode simular angina.
  • Sintomas extraesofágicos: tosse crônica, rouquidão, pigarro, asma de difícil controle, erosão dental e sinusite.
  • Plenitude gástrica e eructação excessiva.

Os sintomas tendem a piorar com decúbito, esforço físico e após refeições ricas em gordura ou álcool. Cerca de 30% dos pacientes apresentam predominantemente sintomas extraesofágicos, retardando o diagnóstico.

5. Causas e fatores de risco

A DRGE resulta do relaxamento transitório inadequado do esfíncter esofágico inferior (EEI), permitindo o refluxo de ácido, pepsina e sais biliares para o esôfago. Fatores de risco bem estabelecidos incluem:

  • Obesidade (IMC ≥ 30) – aumenta a pressão intra-abdominal e relaxa o EEI.
  • Hérnia de hiato – prejudica a competência da junção gastroesofágica.
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool – reduzem o tônus do EEI.
  • Alimentação inadequada – alimentos gordurosos, chocolate, cafeína, bebidas carbonatadas, comidas apimentadas.
  • Gravidez – alterações hormonais e mecânicas.
  • Medicamentos – anticolinérgicos, bloqueadores dos canais de cálcio, AINEs e alguns antidepressivos.
  • Refeições volumosas e próximas ao horário de deitar.

Fatores genéticos também parecem influenciar, mas ainda não são totalmente compreendidos.

6. Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da DRGE baseia-se principalmente na história clínica e na resposta ao tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP). Quando há atipias, falha terapêutica ou suspeita de complicações, exames complementares são indicados:

  • Endoscopia digestiva alta (EDA) – padrão-ouro para identificar esofagite, estenose, esôfago de Barrett ou outras lesões. Realizada com biópsia se necessário.
  • pHmetria esofágica de 24h – confirma exposição ácida anormal; indicada quando EDA é normal e há dúvida diagnóstica.
  • Manometria esofágica – avalia a função do corpo esofágico e do EEI; útil antes de cirurgia antirrefluxo.
  • ImpedanciopHmetria – detecta refluxo não ácido, especialmente em pacientes com sintomas persistentes apesar de IBP.
  • Radiografia contrastada (seriografia esofagogastroduodenal) – avalia hérnia de hiato e distúrbios motores, mas tem baixa sensibilidade para DRGE.

Na atenção primária, o teste terapêutico com IBP por 4-8 semanas é aceito como método diagnóstico prático e de baixo custo.

7. Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da DRGE é escalonado e deve ser individualizado. As principais estratégias são:

Tratamento farmacológico

  • Inibidores da bomba de prótons (IBP): omeprazol (20-40 mg/dia), pantoprazol (40 mg), esomeprazol (40 mg). São os medicamentos mais eficazes. Administrar 30-60 minutos antes do café da manhã. Curso inicial de 8 semanas, podendo ser mantido em dose mínima eficaz para manutenção.
  • Antagonistas H2: ranitidina (200-400 mg/dia) – menos potentes que IBP, usados em casos leves ou como terapia de resgate noturna.
  • Procinéticos: domperidona, metoclopramida – diminuem o refluxo ao aumentar o esvaziamento gástrico e o tônus do EEI, mas com eficácia limitada e riscos de efeitos extrapiramidais (com metoclopramida).
  • Protetores da mucosa: sucralfato, alginato de sódio – formam barreira sobre a mucosa esofágica.

Tratamento cirúrgico

Indicado quando o tratamento clínico é ineficaz, o paciente não adere à medicação de longo prazo, há complicações (estenose, esôfago de Barrett) ou hérnia de hiato volumosa. A fundoplicatura laparoscópica (Nissen, Toupet) é o procedimento padrão, com sucesso superior a 85% em 5 anos.

Mudanças no estilo de vida

  • Perda de peso (meta: 5-10% do peso corporal em obesos).
  • Refeições pequenas e frequentes; evitar líquidos durante as refeições.
  • Não deitar até 3 horas após as refeições.
  • Elevar a cabeceira da cama 15-20 cm com calços ou travesseiro antirrefluxo.
  • Evitar álcool, cafeína, chocolate, hortelã, alimentos gordurosos e condimentados.
  • Parar de fumar.
  • Evitar roupas apertadas na cintura.

8. Quantos dias de atestado médico

A concessão de atestado para DRGE depende da intensidade dos sintomas e da atividade profissional do paciente. Em geral, para quadros agudos não complicados, recomenda-se:

  • 2 a 5 dias para pacientes com sintomas moderados (pirose intensa, regurgitação frequente) que necessitem de repouso e início de tratamento.
  • 5 a 14 dias para casos com esofagite erosiva comprovada, especialmente se houver dor torácica ou disfagia.
  • Até 30 dias para complicações como estenose esofágica ou recuperação pós-procedimento endoscópico.

O médico deve avaliar cada caso individualmente, considerando a resposta ao tratamento e a necessidade de exames complementares. A CID K21 é frequentemente utilizada em atestados para justificar o afastamento temporário.

9. Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Situações que demandam avaliação médica imediata:

  • Disfagia progressiva (dificuldade para engolir sólidos e depois líquidos).
  • Dor torácica intensa que irradia para braços ou mandíbula (excluir infarto).
  • Hemoptise ou vômitos com sangue.
  • Perda de peso inexplicada >5% em 3 meses.
  • Anemia ferropriva de origem indeterminada.
  • Sintomas que não melhoram após 4 semanas de IBP.
  • Náuseas e vômitos persistentes com risco de desidratação.

Esses sinais podem indicar complicações como úlcera esofágica, estenose ou neoplasia.

10. Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da DRGE e de suas recidivas baseia-se em hábitos sustentáveis:

  • Manter peso saudável.
  • Evitar refeições volumosas e muito condimentadas.
  • Não se deitar após comer (aguardar ao menos 3 horas).
  • Elevar a cabeceira da cama.
  • Evitar tabagismo e álcool em excesso.
  • Praticar atividade física regular (mas evitar exercícios que aumentem a pressão abdominal, como abdominais intensos, imediatamente após refeições).
  • Controlar o estresse, que pode piorar os sintomas.
  • Seguir o tratamento de manutenção conforme orientação médica (muitas vezes com dose mínima de IBP).
  • Realizar seguimento periódico com gastroenterologista, especialmente se houver esofagite ou esôfago de Barrett.

Dicas de Ouro

  1. 01. Sempre tome o IBP 30-60 minutos antes da primeira refeição – só assim a bomba de prótons é bloqueada de forma eficaz.
  2. 02. Eleve a cabeceira da cama cerca de 15-20 cm com calços ou travesseiro específico; dormir de lado esquerdo reduz o refluxo noturno.
  3. 03. Mantenha um diário alimentar para identificar gatilhos individuais – queijos gordurosos, frituras, tomate e frutas cítricas são comuns.
  4. 04. Não use IBP por mais de 8 semanas sem reavaliação médica; o uso crônico pode causar deficiência de vitamina B12, ferro e cálcio.
  5. 05. Se os sintomas persistirem apesar do tratamento, insista em uma pHmetria – o refluxo pode ser não ácido e exigir outros medicamentos.

Perguntas Frequentes sobre o CID Tratamento de Refluxo

O CID TRATAMENTO garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo. Para casos leves a moderados, o atestado costuma variar de 2 a 5 dias. Para quadros complicados, pode chegar a 30 dias. O médico avalia individualmente.

O que significa o código K21.9 no meu atestado?

K21.9 indica doença do refluxo gastroesofágico sem esofagite. Isso significa que você tem sintomas típicos de refluxo, mas a endoscopia não mostrou erosões na parede do esôfago.

Preciso de endoscopia para ter o diagnóstico de refluxo?

Nem sempre. Muitos médicos iniciam o tratamento com base na história clínica. A endoscopia é indicada se houver sinais de alarme (disfagia, perda de peso, anemia) ou se os sintomas não melhorarem após 4-8 semanas de IBP.

O refluxo pode causar tosse crônica?

Sim, o refluxo laringofaríngeo é uma causa comum de tosse crônica, pigarro, rouquidão e sensação de globus faríngeo. Muitos pacientes são tratados inicialmente para asma ou sinusite sem sucesso.

É perigoso tomar omeprazol por muitos anos?

O uso prolongado de IBP está associado a risco aumentado de osteoporose, infecção por Clostridium difficile, deficiência de vitamina B12 e doença renal crônica. Por isso, a dose deve ser reduzida ao mínimo eficaz e o uso deve ser reavaliado periodicamente.

Cirurgia para refluxo é melhor que o remédio?

A cirurgia (fundoplicatura) tem alta taxa de sucesso e pode eliminar a necessidade de medicação, mas não é isenta de riscos (disfagia pós-operatória, gases, recidiva). É indicada principalmente para pacientes jovens, com hérnia de hiato grande ou que não desejam tomar remédios por toda a vida.

O CID K21.0 é mais grave que o K21.9?

O K21.0 (com esofagite) indica lesão na mucosa e pode evoluir para complicações como estenose ou esôfago de Barrett, exigindo acompanhamento mais rigoroso. O K21.9 é a forma não erosiva, geralmente de melhor prognóstico, mas ambos podem impactar significativamente a qualidade de vida.

Posso ter refluxo mesmo com a endoscopia normal?

Sim, até 70% dos pacientes com DRGE têm endoscopia normal (DRNE). Nesses casos, o diagnóstico é confirmado pela resposta ao IBP ou pela pHmetria.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências:
CID10.com.br – K21 |
MedlinePlus – GERD

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