Estima-se que 1,5% da população adulta brasileira acima de 60 anos apresente úlcera venosa ativa, sendo a insuficiência venosa crônica a principal causa. Em 2026, projeta-se aumento de 12% nos casos devido ao envelhecimento populacional e ao sedentarismo.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID ÚLCERA VENOSA e quer saber o que significa? A úlcera venosa é uma ferida crônica nos membros inferiores causada por problemas na circulação das veias. O código específico na CID-10 é I83.0 (úlcera varicosa dos membros inferiores). Neste artigo completo, explicamos todos os aspectos dessa condição, desde os sintomas até o tratamento e os dias de afastamento do trabalho.
- Código: I83.0
- Descrição: Úlcera varicosa dos membros inferiores (úlcera venosa)
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (I00–I99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: I83.0 (úlcera varicosa), I83.1 (varizes com inflamação), I83.2 (varizes com úlcera e inflamação)
Paciente: Maria Aparecida, 68 anos, professora aposentada
Queixa principal: Ferida na perna direita que não cicatriza há 4 meses, com dor e inchaço no final do dia
Avaliação clínica: Ao exame, observou-se úlcera na região medial da perna direita, com bordas irregulares, exsudato amarelado moderado, edema de tornozelo, hiperpigmentação e lipodermatoesclerose. Ecodoppler venoso mostrou insuficiência das veias safena magna e perfurantes.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I83.0 – Úlcera varicosa dos membros inferiores (úlcera venosa)
Conduta terapêutica: Prescrita terapia compressiva com bandagem elástica de média compressão (30–40 mmHg), curativo com alginato de cálcio a cada 48 horas, elevação das pernas por 30 minutos três vezes ao dia, e orientação para caminhadas curtas. Encaminhada ao angiologista para avaliação de cirurgia venosa.
Evolução: Após 8 semanas de tratamento, a úlcera reduziu 60% de tamanho, com granulação ativa e diminuição do edema. A paciente segue em acompanhamento mensal.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e o uso correto da terapia compressiva são fundamentais para a cicatrização da úlcera venosa. O paciente deve entender a importância do autocuidado e da regularidade no tratamento.
O que é o CID I83.0 na prática médica
O código I83.0 da CID-10 corresponde à úlcera varicosa dos membros inferiores, popularmente conhecida como úlcera venosa. Trata-se de uma ferida cutânea crônica, geralmente localizada no terço distal da perna, resultante de hipertensão venosa crônica. A insuficiência das válvulas venosas e a obstrução do retorno sanguíneo levam ao acúmulo de sangue, edema, alterações tróficas na pele e, por fim, à ruptura epitelial. Na prática clínica, o CID I83.0 é utilizado para codificar casos em que a úlcera é a principal manifestação de doença venosa crônica. A diferenciação com outros tipos de úlcera (arterial, mista, neuropática) é essencial para o tratamento correto. O médico baseia-se no exame físico, no ecodoppler venoso e no histórico do paciente para firmar o diagnóstico e registrar o CID adequado.
Subcategorias e variantes do CID I83
Dentro do capítulo de doenças venosas, o código I83 apresenta subdivisões que permitem maior especificidade clínica:
- I83.0 – Úlcera varicosa: úlcera associada a varizes dos membros inferiores, com ou sem inflamação. É o código mais utilizado para úlcera venosa.
- I83.1 – Varizes com inflamação (flebite superficial): quando há dor, rubor e calor ao longo do trajeto venoso, mas sem úlcera.
- I83.2 – Varizes com úlcera e inflamação: combinação de úlcera e sinais inflamatórios, exigindo tratamento antibiótico além da terapia compressiva.
É importante que o médico especifique a subcategoria correta, pois isso impacta diretamente no plano terapêutico e no prognóstico. Por exemplo, na I83.2, o uso de antibióticos tópicos ou sistêmicos é frequentemente necessário.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sinais e sintomas da úlcera venosa evoluem gradualmente. Inicialmente, o paciente pode notar peso nas pernas, cansaço e inchaço ao final do dia, que melhora com a elevação. Com o tempo, surgem alterações cutâneas características:
- Hiperpigmentação acastanhada (dermatite ocre) – depósito de hemossiderina
- Lipodermatoesclerose – endurecimento e fibrose da pele e subcutâneo
- Eczema venoso – descamação, prurido e vermelhidão
- Edema maleolar que não desaparece completamente com o repouso
- Dor – geralmente leve a moderada, aliviada com a elevação das pernas
- A úlcera em si: bordas irregulares, fundo com tecido de granulação ou fibrina, exsudato variável
Quando não tratada, a úlcera pode se expandir, infectar e tornar-se crônica com odor fétido e drenagem purulenta. A infecção secundária por bactérias como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa é comum.
Causas e fatores de risco
A causa fundamental da úlcera venosa é a hipertensão venosa crônica, geralmente decorrente de insuficiência valvular primária ou obstrução venosa (trombose venosa profunda prévia). Os principais fatores de risco incluem:
- Idade avançada (maior prevalência após 60 anos)
- Sexo feminino (2:1 em relação aos homens)
- História familiar de varizes e insuficiência venosa
- Obesidade – aumenta a pressão intra-abdominal e dificulta o retorno venoso
- Trabalho que exige longos períodos em pé ou sentado
- Gestacões múltiplas (aumento do volume sanguíneo e compressão pélvica)
- Tabagismo – compromete a microcirculação e retarda a cicatrização
- Diabetes mellitus – interfere na regeneração tecidual
A prevenção primária inclui controle de peso, exercícios físicos regulares, uso de meias elásticas em casos de varizes e elevação periódica das pernas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da úlcera venosa é essencialmente clínico, complementado por exames de imagem. O médico avalia:
- Anamnese: tempo da ferida, sintomas associados, histórico de trombose, cirurgias, ocupação.
- Exame físico: inspeção da úlcera (localização, tamanho, aspecto do leito), palpação de pulsos periféricos, avaliação de edema e sinais de insuficiência venosa (veias varicosas, hiperpigmentação).
- Teste do torniquete (profundo): manobra para identificar incompetência valvular.
- Ecodoppler venoso: exame padrão-ouro para avaliar a anatomia e a função das veias superficiais e profundas, detectar refluxo e obstruções.
- Índice tornozelo-braquial (ITB): para excluir doença arterial periférica associada (úlcera mista).
- Cultura da ferida: indicada quando há sinais de infecção.
O diagnóstico diferencial inclui úlcera arterial (dolorosa, em áreas de pressão, pulsos diminuídos), úlcera neuropática (pé diabético), vasculite e neoplasia cutânea.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da úlcera venosa é multidisciplinar e baseado em três pilares: compressão, cuidados locais com a ferida e correção da insuficiência venosa.
Terapia compressiva: é a base do tratamento. Meias ou bandagens elásticas de compressão graduada (30–40 mmHg) reduzem o edema, melhoram o retorno venoso e estimulam a cicatrização. A compressão deve ser usada durante o dia e retirada à noite, exceto em casos de bandagens de longa permanência.
Cuidados com a ferida: limpeza com soro fisiológico morno, desbridamento de tecido necrótico (mecânico, autolítico ou enzimático), uso de curativos modernos (alginato de cálcio, hidrocoloide, espuma de poliuretano) conforme o exsudato. Curativos antimicrobianos (prata, PHMB) são reservados para feridas infectadas.
Tratamento cirúrgico: indicado quando há insuficiência venosa superficial significativa. Opções incluem safenectomia, ablação a laser ou radiofrequência, e escleroterapia de varizes. A cirurgia reduz a recorrência e acelera a cicatrização.
Medicamentos adjuvantas: venotônicos (diosmina, hesperidina) podem auxiliar na redução do edema, mas não substituem a compressão. Antibióticos são usados apenas quando há infecção confirmada.
O tempo médio de cicatrização varia de 6 a 12 semanas com tratamento adequado, mas úlceras maiores ou crônicas podem levar meses. A adesão do paciente ao uso da compressão é o principal preditor de sucesso.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de afastamento do trabalho depende da gravidade da úlcera, do estado geral do paciente e da profissão. Para úlceras venosas não complicadas, o repouso relativo com elevação das pernas é fundamental, especialmente nas primeiras semanas. Geralmente, o atestado inicial varia de 7 a 14 dias. Caso a úlcera seja extensa, infectada ou exija procedimentos cirúrgicos, o afastamento pode se estender por 30 a 60 dias. Trabalhos que exigem longos períodos em pé (como professor, comerciário, cabeleireiro) podem necessitar de licença maior ou readaptação de função. A prorrogação deve ser avaliada pelo médico assistente com base na evolução clínica. O CID I83.0, por si, não determina um prazo fixo; cabe ao profissional de saúde definir o período necessário para cada caso.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sinais indicam complicações que exigem atendimento imediato:
- Infecção grave: aumento da dor, pus com odor fétido, vermelhidão ao redor da úlcera, febre, calafrios.
- Celulite: eritema extenso, calor local, edema progressivo.
- Trombose venosa profunda (TVP) associada: dor súbita na panturrilha, edema unilateral, perna quente e endurecida.
- Sangramento ativo da úlcera: pode ocorrer se houver erosão de vaso superficial.
- Deterioração rápida da ferida: aumento de tamanho ou aparecimento de tecido necrótico escuro.
- Dor intensa e desproporcional (suspeita de isquemia): pode indicar componente arterial.
Pacientes com diabetes ou doença arterial periférica devem redobrar a atenção, pois a infecção pode progredir rapidamente para sepse ou gangrena.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da úlcera venosa e de suas recorrências baseia-se no controle dos fatores de risco e na adoção de hábitos saudáveis:
- Elevar as pernas acima do nível do coração por 20–30 minutos, 3 a 4 vezes ao dia.
- Usar meias de compressão elástica (prescrição médica) durante o dia, especialmente se houver varizes ou história de úlcera.
- Praticar exercícios físicos regulares, como caminhada, natação ou ciclismo, que ativam a bomba muscular da panturrilha.
- Evitar permanecer em pé ou sentado por longos períodos sem movimentação.
- Manter peso corporal adequado – a obesidade aumenta a pressão venosa.
- Hidratar a pele das pernas com cremes emolientes para evitar ressecamento e eczema.
- Parar de fumar – o tabagismo prejudica a microcirculação e a cicatrização.
- Controlar doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
- Realizar acompanhamento periódico com angiologista ou clínico geral, principalmente após a cicatrização da úlcera.
A educação do paciente é a chave para evitar recidivas, que ocorrem em até 70% dos casos sem medidas preventivas.
- 01. Nunca use curativos caseiros como açúcar, plantas ou pomadas sem orientação médica – eles podem piorar a infecção.
- 02. A terapia compressiva é indispensável; use as meias ou bandagens exatamente como prescrito.
- 03. Anote o tamanho da úlcera a cada semana (tire foto com régua) para monitorar a evolução.
- 04. Alimente-se bem, priorizando proteínas e vitaminas A, C e zinco, que auxiliam a cicatrização.
- 05. Se a úlcera não reduzir em 4 semanas de tratamento adequado, retorne ao médico para reavaliação.
- 06. Evite cruzar as pernas ao sentar – isso comprime as veias e piora o retorno venoso.
- 07. Consulte um angiologista para avaliação de cirurgia venosa, que reduz drasticamente a chance de recorrência.
Perguntas Frequentes sobre o CID ÚLCERA
O CID I83.0 garante quantos dias de atestado?
O número de dias é definido pelo médico conforme a gravidade. Em média, são de 7 a 14 dias para úlceras simples, podendo chegar a 60 dias em casos complexos ou com infecção.
Úlcera venosa tem cura?
Sim, a úlcera venosa pode cicatrizar completamente com tratamento adequado (compressão, curativos e eventual cirurgia). Porém, a doença venosa de base é crônica e requer cuidados contínuos para evitar recidivas.
Qual a diferença entre úlcera venosa e arterial?
A úlcera venosa geralmente está na região medial da perna, tem bordas irregulares, exsudato e pouca dor (alivia com elevação). A arterial é mais dolorosa, localizada em áreas de pressão (calcanhar, dedos), tem bordas bem definidas e pulsos diminuídos.
Posso tomar banho com a úlcera?
Sim, desde que proteja a ferida com curativo impermeável ou filme plástico. Evite molhar o curativo. Após o banho, seque delicadamente a região e aplique novo curativo conforme orientação.
Qual o melhor curativo para úlcera venosa?
Depende da fase. Em feridas com exsudato moderado a intenso, usa-se alginato de cálcio ou espuma de poliuretano. Em feridas secas, hidrocoloide ou hidrogel. O médico ou enfermeiro especializado indicará o mais adequado.
Preciso de cirurgia para tratar úlcera venosa?
Nem sempre. Muitas úlceras cicatrizam apenas com terapia compressiva e cuidados locais. A cirurgia (safenectomia, laser) é indicada quando há insuficiência venosa superficial significativa, especialmente em casos recorrentes.
Úlcera venosa pode causar infecção generalizada?
Sim, se não tratada, a úlcera pode evoluir para celulite, abscessos e sepse, quadro grave que requer hospitalização e antibióticos intravenosos. Por isso, sinais de infecção (febre, pus, vermelhidão extensa) exigem atendimento urgente.
O que é lipodermatoesclerose?
É o endurecimento da pele e do tecido subcutâneo devido à inflamação crônica causada pela hipertensão venosa. A pele fica espessa, enrijecida e com aspecto de “garrafa de vinho” invertida. É um marcador de insuficiência venosa avançada.
Pessoas jovens podem ter úlcera venosa?
Sim, embora seja mais comum em idosos. Jovens com fatores de risco como obesidade, histórico familiar forte, trombose venosa profunda ou trabalho que exige longas horas em pé também podem desenvolver úlcera venosa.
O uso de meias de compressão previne o aparecimento da úlcera?
Sim. O uso regular de meias elásticas com compressão adequada (20–30 mmHg ou 30–40 mmHg) em pacientes com varizes ou insuficiência venosa reduz significativamente o risco de desenvolver úlcera e impede a progressão da doença.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links externos:
CID I83.0 no site CID10.com.br
Úlcera venosa – MedlinePlus (NIH)
Links internos:
CID R11 – Náusea e Vômitos
CID Z000 – Exame Médico Geral
CID F41 – Ansiedade
CID M54 – Dorsalgia
Omeprazol para que serve
Dipirona para que serve
Ibuprofeno para que serve
Amoxicilina para que serve
Azitromicina para que serve
Nimesulida para que serve
Paracetamol para que serve


