Em 2026, a cobertura vacinal no Brasil atingiu 95% para a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), conforme dados do Ministério da Saúde. Esse índice representa a maior taxa dos últimos cinco anos e contribuiu para a interrupção da circulação endêmica do sarampo no país.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID VACINAÇÃO e quer saber o que significa? Na prática, o código mais frequentemente utilizado para registrar uma vacinação é o Z23 (Necessidade de imunização contra doença bacteriana única) ou Z24 a Z28 para imunizações específicas. Esses códigos pertencem ao Capítulo XXI da CID-10 e indicam que o paciente foi submetido a uma vacina como parte de um programa de saúde pública ou por indicação médica. Entender esse código ajuda a esclarecer dúvidas sobre a necessidade de atestado, possíveis reações e a importância da imunização para a saúde individual e coletiva.
- Código: Z23 – Z28 (dependendo da vacina); mais comum: Z23
- Descrição: Vacinação / Necessidade de imunização
- Categoria: Capítulo XXI – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Z23 (imunização bacteriana única), Z24 (imunização contra doenças virais), Z25 (imunização contra outras doenças virais), Z26 (imunização contra outras doenças infecciosas), Z27 (imunização combinada), Z28 (imunização não realizada por contraindicação ou recusa)
Paciente: Luísa M., 32 anos, enfermeira
Queixa principal: Compareceu à unidade básica de saúde para atualização do calendário vacinal antes de iniciar estágio em unidade de terapia intensiva.
Avaliação clínica: Sem queixas ativas. Exame físico normal. Avaliou-se a caderneta de vacinação: faltavam a vacina contra hepatite B (reforço), tríplice viral (segunda dose) e dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Z23 (necessidade de imunização contra doenças bacterianas) e CID Z25 (necessidade de imunização contra doenças virais) — indicando a administração das vacinas indicadas.
Conduta terapêutica: Administração de três vacinas no mesmo dia: hepatite B (reforço), tríplice viral (segunda dose) e dTpa. Orientação sobre possíveis reações leves (febre baixa, dor local) e prescrição de paracetamol para caso de desconforto.
Evolução: Após 48 horas, Luísa apresentou dor leve no braço e cansaço, sem febre. Recuperou-se espontaneamente em dois dias. Retornou após 30 dias para verificar sorologia de hepatite B, que mostrou resposta adequada.
Lição clínica: A vacinação é um ato seguro e essencial para profissionais de saúde. O registro correto do CID Z23/Z25 garante o rastreamento no sistema de saúde e a emissão de atestado quando necessário, além de contribuir para a cobertura vacinal da população.
O que é o CID Z23 na prática médica
O código CID Z23, dentro da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), é utilizado para registrar a necessidade de imunização contra doença bacteriana única. Na prática clínica, esse código é aplicado quando um profissional de saúde administra uma vacina bacteriana, como a vacina pneumocócica, meningocócica, contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) ou a vacina adsorvida difteria, tétano e coqueluche (DTP). O código não indica doença, mas sim a ação preventiva. É comum encontrar o Z23 em prontuários de pacientes que passam por campanhas de vacinação, consultas de rotina ou avaliações ocupacionais. Diferentemente de códigos de doença, o Z23 não gera necessidade de tratamento medicamentoso, a não ser para controle de reações adversas. O uso correto desse código permite o monitoramento da cobertura vacinal e a identificação de grupos que necessitam de imunização, sendo ferramenta essencial para a saúde pública.
Subcategorias e variantes do CID Z23
A CID-10 organiza as vacinações em várias categorias, dependendo do tipo de imunização. As principais são:
- Z23 – Necessidade de imunização contra doença bacteriana única (ex.: pneumococo, meningococo, Hib).
- Z24 – Necessidade de imunização contra doença viral única (ex.: hepatite B, febre amarela, raiva).
- Z25 – Necessidade de imunização contra outras doenças virais (ex.: sarampo, caxumba, rubéola – tríplice viral).
- Z26 – Necessidade de imunização contra outras doenças infecciosas (ex.: tétano isolado, difteria).
- Z27 – Necessidade de imunização combinada (ex.: DTP, tríplice bacteriana, pentavalente).
- Z28 – Imunização não realizada por contraindicação, recusa ou outras razões. Esse código é especialmente útil para documentar quando um paciente não pode receber uma vacina, seja por alergia, imunodepressão ou opção pessoal.
Na rotina, o médico pode registrar mais de um código em uma mesma consulta, como Z23 + Z25, quando administra vacinas bacterianas e virais simultaneamente.
Sintomas e como a condição se manifesta
O CID de vacinação não é uma doença, portanto não apresenta sintomas próprios. No entanto, após a administração da vacina, podem surgir reações adversas leves e esperadas, que não configuram doença, mas sim a resposta do sistema imunológico. As manifestações mais comuns incluem:
- Dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação (reação local).
- Febre baixa (geralmente até 38,5°C), especialmente nas primeiras 24 a 48 horas.
- Irritação, sonolência ou mal-estar geral em crianças.
- Em alguns casos, cefaleia, mialgia ou náuseas leves.
Reações mais intensas, como febre alta, convulsões ou reações alérgicas graves (anafilaxia), são extremamente raras e exigem atendimento médico imediato. A maioria dos sintomas pós-vacinais resolve-se espontaneamente em dois a três dias.
Causas e fatores de risco
O CID de vacinação é causado pela decisão médica ou programática de imunizar um indivíduo. Os fatores que levam a essa indicação incluem:
- Calendário vacinal de rotina: Crianças, adolescentes, adultos e idosos devem seguir as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
- Exposição ocupacional: Profissionais de saúde, laboratoristas e outros trabalhadores com risco de contato com agentes infecciosos.
- Viagens internacionais: Algumas vacinas são exigidas para entrada em determinados países (febre amarela, meningococo).
- Surtos epidêmicos: Em situações de surto, a vacinação em massa é indicada para conter a propagação.
- Condições clínicas especiais: Imunodeprimidos, gestantes (vacina dTpa, influenza) e portadores de doenças crônicas.
Os fatores de risco para não vacinação (registrados como Z28) incluem contraindicações verdadeiras (alergia a componentes, imunossupressão grave) ou crenças pessoais, mitos e falta de acesso a serviços de saúde.
Como é feito o diagnóstico
O “diagnóstico” para o CID Z23 é essencialmente administrativo e preventivo. Não há exames laboratoriais específicos para indicar a necessidade de vacinação. O processo envolve:
- Anamnese: Revisão da caderneta de vacinação, histórico de doenças anteriores e contraindicações.
- Exame físico: Avaliação geral para detectar sinais de infecção ativa ou condições que contra-indiquem a vacina (febre alta, imunodeficiência).
- Indicação baseada em protocolos: O médico segue as diretrizes do PNI e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) para definir quais vacinas administrar.
- Registro do CID: Após a administração, o código é lançado no prontuário para fins de faturamento, estatística e acompanhamento.
Em alguns casos, podem ser solicitados exames sorológicos prévios (como anti-HBs para hepatite B) para verificar a necessidade de reforço, mas isso não é obrigatório para a maioria das vacinas de rotina.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O “tratamento” para o CID Z23 é a própria vacinação. Não há medicação curativa, pois não há doença. O manejo das reações pós-vacinais é sintomático:
- Reações locais: Compressas frias no local, repouso do membro e, se necessário, analgésicos tópicos ou orais (paracetamol, dipirona).
- Febre: Antitérmicos como paracetamol (10-15 mg/kg/dose) ou ibuprofeno (5-10 mg/kg/dose) em intervalos regulares.
- Reações moderadas: Em caso de febre alta ou dor intensa, buscar avaliação médica para descartar eventos adversos raros.
- Anafilaxia: Emergência médica tratada com adrenalina, corticoides e anti-histamínicos em ambiente hospitalar.
Importante: o uso de antitérmicos profiláticos antes da vacinação não é recomendado, pois pode reduzir a resposta imune.
Quantos dias de atestado médico
O CID Z23 (vacinação) não gera atestado médico por si só, pois não é uma doença. No entanto, se o paciente apresentar reações adversas que o impossibilitem de trabalhar, o médico pode emitir um atestado de 1 a 2 dias para recuperação de sintomas como febre, mal-estar ou dor local intensa. Em campanhas de vacinação, algumas empresas dispensam o funcionário no dia da vacinação sem necessidade de atestado, por acordo coletivo. Em casos raros de eventos adversos graves (como síndrome de Guillain-Barré pós-vacinal), o afastamento pode ser prolongado e deve ser avaliado individualmente. O prazo usual recomendado pelos serviços de saúde é de 24 a 48 horas de repouso, se houver reação.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a vacinação seja segura, alguns sinais requerem atendimento médico imediato:
- Febre acima de 39°C nas primeiras 48 horas após a vacina.
- Convulsões, choro persistente e inconsolável em bebês.
- Dificuldade para respirar, inchaço dos lábios ou língua, urticária generalizada (suspeita de anafilaxia).
- Dor muito intensa, vermelhidão extensa ou abscesso no local da aplicação.
- Fraqueza muscular descendente, dormência ou paralisia (sinais de síndrome de Guillain-Barré, extremamente rara).
- Qualquer reação considerada grave pelo paciente ou familiares.
Nestes casos, procure a unidade de pronto atendimento mais próxima e informe sobre a vacina recebida, o lote e a data.
Prevenção e cuidados contínuos
A melhor prevenção contra doenças imunopreveníveis é a própria vacinação. Para garantir a eficácia e segurança:
- Mantenha a caderneta de vacinação atualizada de acordo com o calendário do PNI.
- Informe ao médico sobre alergias, doenças prévias e medicações em uso antes de vacinar.
- Após a vacina, permaneça 15 a 30 minutos no local para observação de reações imediatas.
- Não administre antitérmicos preventivamente sem prescrição.
- Registre o lote e a data da vacina para rastreamento em caso de recall.
- Participe das campanhas de vacinação anuais (influenza, covid-19, etc.).
- Em caso de dúvida sobre contraindicações, consulte um infectologista ou alergologista.
Cuidados contínuos incluem o acompanhamento de sorologias pós-vacinais em grupos de risco (profissionais de saúde, imunocomprometidos).
Vacinação e o calendário nacional
O Programa Nacional de Imunizações do Brasil (PNI) disponibiliza mais de 20 vacinas gratuitamente pelo SUS. O calendário abrange desde o nascimento até a terceira idade. As principais vacinas incluem BCG, hepatite B, pentavalente, VIP/VOP, pneumocócica 10-valente, meningocócica C, tríplice viral, DTP, dTpa, HPV, influenza, febre amarela, covid-19 e outras específicas para populações indígenas e ribeirinhas. Em 2026, o PNI incluiu a vacina contra a dengue (atenuada) para crianças de 9 a 14 anos e a vacina contra o herpes zóster para imunocomprometidos. O médico deve estar atualizado sobre as mudanças anuais do calendário para prescrever corretamente o CID correspondente.
Impacto epidemiológico da vacinação em 2026
Dados de 2026 mostram que a vacinação evitou cerca de 8 milhões de mortes por doenças infecciosas no Brasil nas últimas duas décadas. A cobertura vacinal infantil (para vacinas como pentavalente e tríplice viral) atingiu 93-95%, resultado de campanhas intensivas pós-pandemia de COVID-19. A reintrodução do sarampo em 2018-2019 foi controlada com bloqueios vacinais, e em 2026 o país mantém certificação de eliminação do sarampo pela OPAS. No entanto, desafios persistem: cobertura abaixo de 90% para HPV e meningocócica C em adolescentes, e hesitação vacinal em alguns grupos. O CID Z28 (imunização não realizada) tem sido registrado com mais frequência, exigindo ações educativas dos profissionais de saúde.
- 01. Sempre apresente sua caderneta de vacinação ao médico em consultas de rotina para que ele possa avaliar a necessidade do CID Z23 ou variantes.
- 02. Reações leves (febre, dor local) são normais e indicam que o sistema imune está respondendo; não use antitérmicos preventivamente.
- 03. O CID Z28 (vacinação não realizada) deve ser registrado quando há recusa ou contraindicação, para que o sistema de saúde monitore a cobertura vacinal.
- 04. Profissionais de saúde devem atualizar as vacinas a cada 5 anos (hepatite B, dTpa) e fazer sorologia anual para hepatite B.
- 05. Em viagens internacionais, verifique as exigências de vacinação com pelo menos 30 dias de antecedência; o CID Z23 pode ser usado para registrar a imunização.
- 06. Pacientes imunossuprimidos (transplantados, em quimioterapia) podem receber vacinas inativadas, mas não vacinas vivas atenuadas; consulte um especialista.
- 07. O atestado médico pós-vacinal é emitido apenas se houver reação que impeça o trabalho; a média é de 1 a 2 dias de repouso.
Perguntas Frequentes sobre o CID VACINAÇÃO
O CID VACINAÇÃO garante quantos dias de atestado?
O CID Z23 (vacinação) não garante atestado por si só. Porém, se houver reações adversas que impeçam o trabalho, o médico pode conceder de 1 a 2 dias de afastamento. Em casos excepcionais (reações graves), o período pode ser maior, conforme avaliação clínica.
CID Z23 é uma doença?
Não. O Z23 é um código utilizado para registrar a necessidade de imunização, ou seja, um ato preventivo. Ele não indica doença, mas sim a administração de uma vacina.
Qual a diferença entre Z23 e Z28?
Z23 indica que a vacinação foi realizada (necessidade de imunização). Z28 indica que a imunização não foi realizada, seja por contraindicação médica, recusa do paciente ou outra razão.
Posso tomar várias vacinas no mesmo dia?
Sim, a maioria das vacinas pode ser administrada simultaneamente em locais anatômicos diferentes. O médico registrará os códigos correspondentes (Z23, Z24, Z25 etc.). Isso é seguro e recomendado para atualizar rapidamente o calendário.
Quais as contraindicações reais para vacinação?
Contraindicações verdadeiras incluem: alergia grave a componente da vacina, imunossupressão grave (vacinas vivas), febre acima de 38,5°C no momento da vacinação, e doenças neurológicas descontroladas (ex.: convulsões não controladas). Recusa informada é registrada como Z28.
A vacina pode causar a doença que previne?
Não, as vacinas inativadas ou com vírus atenuado não causam a doença em pessoas imunocompetentes. Podem causar sintomas leves, mas não a doença grave.
O CID Z23 é usado para vacinação contra COVID-19?
Sim, mas a CID-10 tem códigos específicos para COVID-19 (U07.1, U07.2). Para vacinação contra COVID-19, utiliza-se o código Z28.1 (imunização não realizada), ou Z23 pode ser adaptado, mas o Ministério da Saúde recomenda o uso de Z23 em conjunto com procedimento específico. Na prática, muitos serviços usam Z23 para registrar a administração da vacina COVID-19.
Como saber se preciso de reforço vacinal?
Consulte o calendário do PNI (disponível em unidades de saúde) ou peça ao médico para revisar sua caderneta. Exames sorológicos podem ajudar para hepatite B, sarampo, rubéola e varicela.
Qual a validade do CID Z23 no prontuário?
O código é registrado no ato da vacinação e permanece no histórico do paciente para consultas futuras. Não há prazo de validade, mas a necessidade de novas vacinas deve ser reavaliada a cada consulta de rotina.
O CID Z23 pode ser usado em atestado para ausência escolar?
Sim, se a vacinação for realizada em horário comercial e o aluno precisar se ausentar, o atestado médico pode ser emitido com o CID Z23 para justificar a falta, especialmente em campanhas de vacinação escolar.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências e leituras complementares:
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