Estima-se que o vômito agudo (CID R11) seja responsável por aproximadamente 4% de todas as visitas a serviços de urgência no Brasil, com picos em surtos de gastroenterite viral. Em crianças menores de 5 anos, a taxa de hospitalização por desidratação secundária a vômitos persistentes chega a 8,5 por 1.000 habitantes/ano (Fonte: Datasus 2025).
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID VOMITOS e quer saber o que significa? O código CID-10 R11 (Náusea e vômitos) é um dos mais comuns na prática clínica, aparecendo em prontuários de emergência, consultas ambulatoriais e até em atestados médicos. Embora na maioria das vezes o vômito seja um sintoma autolimitado de causas benignas, como uma gastroenterite viral, ele pode sinalizar condições graves que exigem investigação imediata. Neste artigo, você vai entender o significado do CID R11, quando ele realmente merece atenção e como lidar com o sintoma no dia a dia.
- Código: R11
- Descrição: Náusea e vômitos
- Categoria: Capítulo XVIII – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e laboratoriais, não classificados em outra parte
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O CID-10 não subdivide formalmente o R11 em subcategorias, mas na prática clínica utilizam-se especificadores como “vômito agudo”, “vômito crônico” ou associações com outros códigos (ex.: R11 associado a K52 para gastroenterite). O CID-11, já em adoção no Brasil, traz subdivisões como R11.0 (náusea) e R11.1 (vômito).
Paciente: Júlia, 29 anos, auxiliar administrativa
Queixa principal: “Estou vomitando há dois dias, não consigo nem beber água. Tontura e boca seca.”
Avaliação clínica: Exame físico revelou mucosas ressecadas, hipotensão postural (PA 90×60 mmHg em pé), frequência cardíaca de 98 bpm. Solicitados hemograma, eletrólitos e urina tipo 1. Hemograma normal, sódio 133 mEq/L (leve hiponatremia), ureia discretamente elevada. Teste rápido para rotavírus negativo.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID R11 (Náusea e vômitos) associado a desidratação leve a moderada – código complementar E86. A causa mais provável foi uma gastroenterite viral aguda.
Conduta terapeutica: Hidratação venosa com 1.500 mL de Ringer lactato em 2 horas; prescrição de ondansetrona 8 mg sublingual a cada 8 horas por 3 dias; orientação para reintrodução oral gradual com soro caseiro e dieta pastosa (canja, banana, maçã). Atestado médico de 3 dias.
Evolução: Após 48 horas, Júlia relatou melhora completa dos vômitos, aceitando dieta leve. Retornou ao trabalho no 4º dia. Exames de controle mostraram eletrólitos normais.
Lição clínica: O CID R11, embora genérico, exige avaliação do estado de hidratação e da causa base. Vômitos que impedem a ingesta hídrica por mais de 24h merecem hidratação venosa e antieméticos, mesmo em adultos jovens previamente saudáveis.
O que é o CID R11 na prática médica
O CID R11 é um código diagnóstico utilizado para registrar a presença de náusea e/ou vômitos como queixa principal ou associada. Ele não indica uma doença específica, mas sim um sintoma. Na prática, o médico o utiliza quando o vômito é o motivo da consulta e ainda não se tem um diagnóstico etiológico definitivo – ou quando o vômito é a manifestação dominante de uma condição já conhecida, como quimioterapia, gestação ou cetoacidose diabética. O código R11 é frequentemente empregado em prontuários de emergência, consultas de clínica médica e pronto-atendimento, e serve como base para solicitação de exames, prescrição de antieméticos e emissão de atestados.
Subcategorias e variantes do CID R11
Na classificação CID-10, o código R11 não possui subdivisões oficiais. No entanto, a transição para o CID-11 (adotado pela OMS em 2022 e em implementação no Brasil) introduz os códigos R11.0 (náusea) e R11.1 (vômito). Na prática codificadora brasileira, é comum o uso de combinações: R11 + código do capítulo específico (ex.: K52.9 para gastroenterite não especificada, O21.0 para hiperêmese gravídica leve). Por isso, ao receber um atestado com CID R11, é importante verificar se há um segundo código que detalhe a causa. Em pacientes oncológicos, o R11 pode aparecer como “vômito induzido por quimioterapia” (código Y43.3 associado).
Sintomas e como a doença se manifesta
O vômito é a expulsão forçada do conteúdo gástrico pela boca, precedido de náusea (sensação de enjoo) e, frequentemente, de contrações abdominais e salivação excessiva. Os sintomas associados variam conforme a causa subjacente:
- Gastroenterite viral: vômitos explosivos, diarreia aquosa, dor abdominal em cólica, febre baixa.
- Enxaqueca: vômitos precedidos de aura visual, fotofobia, cefaleia unilateral pulsátil.
- Labirintite / vertigem: vômitos desencadeados por movimentos da cabeça, nistagmo, instabilidade postural.
- Gestacional: náuseas matinais que podem evoluir para vômitos frequentes (hiperêmese gravídica).
- Causas graves: vômito em jato (sugestivo de hipertensão intracraniana), hematêmese (vômito com sangue), vômito fecaloide (obstrução intestinal).
Em crianças e idosos, a desidratação pode instalar-se rapidamente, com sede intensa, olhos fundos, pele seca e diminuição da diurese.
Causas e fatores de risco
As causas do CID R11 são extremamente variadas, desde condições benignas até emergências médicas. Os principais grupos etiológicos incluem:
- Infecciosas: gastroenterites virais (rotavírus, norovírus), bacterianas (Salmonella, E. coli), parasitárias (Giardia), hepatite aguda.
- Gastrointestinais: DRGE, gastrite, úlcera péptica, pancreatite aguda, colecistite, obstrução intestinal, apendicite.
- Neurológicas: enxaqueca, vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), meningite, hipertensão intracraniana, tumor cerebral.
- Metabólicas/endócrinas: cetoacidose diabética, uremia, crise tireotóxica, insuficiência adrenal.
- Farmacológicas: quimioterapia, opioides, anticonvulsivantes, anti-inflamatórios.
- Gestação: hiperêmese gravídica (primeiro trimestre).
- Psiquiátricas: transtornos alimentares (bulimia), transtorno de ansiedade.
Fatores de risco: idade extrema (crianças < 5 anos e idosos > 65 anos), imunossupressão, diabetes mellitus, histórico de enxaqueca, gravidez, uso de medicamentos emetizantes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da causa do CID R11 é essencialmente clínico, baseado na anamnese (início, frequência, características do vômito, sintomas associados, medicações em uso, viagens, contato com doentes) e no exame físico (avaliação do estado de hidratação, exame abdominal, neurológico e sinais vitais). Exames complementares são solicitados de acordo com a suspeita:
- Exames laboratoriais: hemograma, eletrólitos (sódio, potássio), ureia, creatinina, glicemia, enzimas hepáticas e amilase/lipase (suspeita de pancreatite).
- Teste de gravidez (hCG): em mulheres em idade fértil.
- Exames de imagem: ultrassom abdominal (suspeita de colelitíase, apendicite), tomografia de crânio (suspeita de hipertensão intracraniana).
- Endoscopia digestiva alta: em casos de hematêmese ou vômitos crônicos.
- Avaliação otoneurológica: se houver vertigem associada.
Em crianças, a escala de desidratação (leve/moderada/grave) orienta a conduta, muitas vezes sem necessidade de exames laboratoriais imediatos.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID R11 é direcionado à causa base e ao alívio sintomático. As principais medidas incluem:
- Hidratação: via oral (soro caseiro, soluções de reidratação oral) para casos leves; via venosa (Ringer lactato ou soro fisiológico) para moderados a graves.
- Antieméticos: ondansetrona (4-8 mg, VO ou sublingual, a cada 8h), metoclopramida (10 mg, VO ou IM, a cada 8h), dimenidrinato (50 mg, VO, a cada 6h). Em crianças, a ondansetrona é a mais segura.
- Procinéticos: domperidona (10 mg, VO, a cada 8h) para vômitos associados a gastroparesia ou DRGE.
- Tratamento específico: antibióticos para infecções bacterianas; insulina e hidratação para cetoacidose; corticoides para insuficiência adrenal; cirurgia para apendicite ou obstrução intestinal.
- Repouso e dieta: jejum inicial de 2-4 horas, seguido de reintrodução progressiva: líquidos claros, depois alimentos pastosos (arroz, banana, pão branco), evitando laticínios e gorduras.
Em casos de hiperêmese gravídica, pode ser necessária internação para hidratação venosa e suporte nutricional.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID R11 varia conforme a gravidade e a causa subjacente. Em geral:
- Gastroenterite viral leve a moderada (adultos): 1 a 3 dias de repouso.
- Gastroenterite com desidratação moderada (necessitou de hidratação venosa): 3 a 5 dias.
- Vômitos recorrentes ou crônicos (ex.: enxaqueca, DRGE): atestado por 1 a 2 dias para o episódio agudo, com orientação de seguimento ambulatorial.
- Hiperêmese gravídica com internação: 5 a 7 dias, podendo ser estendido conforme evolução.
- Crianças com desidratação: 3 a 5 dias, dependendo da idade e da resposta ao tratamento.
O médico pode prorrogar o atestado com base na avaliação clínica e na necessidade de exames ou procedimentos adicionais.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
O CID R11 pode ser grave e exigir atendimento de emergência quando acompanhado de:
- Sangue no vômito (hematêmese) – aspecto de borra de café ou sangue vermelho vivo.
- Vômito em jato (projétil) após trauma craniano ou em crianças com suspeita de estenose hipertrófica do piloro.
- Dor abdominal intensa e localizada (especialmente em fossa ilíaca direita – apendicite).
- Febre alta (>39°C) com calafrios, rigidez de nuca ou rebaixamento do nível de consciência.
- Sinais de desidratação grave: ausência de lágrimas, boca muito seca, olhos fundos, pele com prega persistente, urina escura ou ausente por mais de 8h.
- Taquicardia, hipotensão ortostática, tontura intensa ou síncope.
- Vômitos persistentes por mais de 24h sem conseguir ingerir líquidos.
- História de diabetes tipo 1 (suspeita de cetoacidose) – hálito cetônico, respiração ofegante.
- Em idosos: confusão mental ou queda da pressão arterial.
Prevenção e cuidados contínuos
Medidas preventivas para reduzir o risco de episódios de vômito incluem:
- Higiene alimentar: lavar as mãos antes das refeições, higienizar frutas e verduras, evitar alimentos malcozidos ou de procedência duvidosa.
- Vacinação: vacina contra rotavírus (disponível no SUS para crianças menores de 6 meses) reduz drasticamente os casos graves de gastroenterite.
- Controle de doenças de base: bom controle glicêmico no diabetes, profilaxia para enxaqueca com medicamentos prescritos pelo neurologista.
- Evitar automedicação: uso indiscriminado de anti-inflamatórios pode causar gastrite e vômitos.
- Hidratação adequada: em dias quentes ou durante atividades físicas intensas, repor líquidos com soro caseiro ou água de coco.
- Cuidados na gestação: fracionar a alimentação (pequenas refeições a cada 2-3 horas), evitar odores fortes, usar gengibre ou acupressão (ponto P6) conforme orientação médica.
- 01. Não pare de hidratar: mesmo vomitando, tente ingerir pequenos goles de soro caseiro (1 colher de chá de sal + 2 colheres de sopa de açúcar + 1 litro de água filtrada) a cada 5-10 minutos.
- 02. Evite leite e derivados: a lactose pode piorar a diarreia associada e aumentar a náusea.
- 03. Anote os horários dos vômitos: levar um registro para a consulta ajuda o médico a identificar padrões (pós-prandial, matinal, noturno).
- 04. Não use metoclopramida (Plasil) em crianças menores de 1 ano sem prescrição: risco de reações extrapiramidais graves.
- 05. Após o episódio agudo, reintroduza a alimentação de forma progressiva: comece com líquidos claros (caldo de legumes, chá fraco), depois pastosos (canja, purê de batata) e só então alimentos sólidos.
- 06. Se você tem enxaqueca com vômitos, converse com seu neurologista sobre um plano de ação: triptanos sublinguais ou antieméticos de uso precoce podem encurtar a crise.
Perguntas Frequentes sobre o CID VOMITOS
O CID VOMITOS garante quantos dias de atestado?
O CID R11 (Náusea e vômitos) pode justificar de 1 a 5 dias de atestado, dependendo da gravidade e da causa. Na prática, para gastroenterite viral leve, o atestado é de 1 a 3 dias. Casos com desidratação moderada que exigiram hidratação venosa costumam receber 3 a 5 dias. Crianças e idosos podem precisar de períodos maiores.
Vômitos com sangue são sempre graves?
Sim, hematêmese (vômito com sangue) é um sinal de alerta que requer avaliação médica imediata. Pode indicar úlcera péptica, varizes esofágicas, gastrite erosiva ou laceração de Mallory-Weiss. O sangue pode ser vivo (vermelho) ou escuro (em borra de café).
O que significa vômito em jato?
É a expulsão violenta do conteúdo gástrico, que pode alcançar grande distância. Em bebês, pode indicar estenose hipertrófica do piloro. Em adultos, após trauma craniano, sugere hipertensão intracraniana. Em ambos os casos, exige atendimento urgente.
Posso tomar dramin (dimenidrinato) para vômitos de qualquer causa?
Não. O dimenidrinato é indicado principalmente para vômitos de origem labiríntica (enjoo de movimento, vertigem). Para outras causas, como gastroenterite, a ondansetrona ou a metoclopramida são mais eficazes. O uso inadequado pode mascarar sintomas importantes.
Grávidas com vômitos frequentes devem se preocupar?
Náuseas e vômitos matinais são comuns no primeiro trimestre, mas quando são tão intensos que impedem a alimentação e a hidratação, caracterizam hiperêmese gravídica. Essa condição pode levar a desnutrição, perda de peso e distúrbios eletrolíticos, necessitando de acompanhamento médico e, às vezes, internação.
Qual a diferença entre CID R11 e CID K52?
O CID R11 (Náusea e vômitos) é um código de sintomas, enquanto o CID K52 (Outras gastroenterites e colites não infecciosas) é um diagnóstico específico para inflamação intestinal. Um paciente com gastroenterite pode receber ambos os códigos: R11 para o vômito e K52 para a causa.
Crianças com vômito devem sempre ir ao hospital?
Nem sempre. Vômitos isolados, sem sinais de desidratação (boca úmida, choro com lágrimas, urina normal), podem ser manejados em casa com soro caseiro e observação. Porém, se a criança não aceitar líquidos por mais de 6h, apresentar vômitos repetidos após cada tentativa de hidratação, sangue nas fezes ou vômito, febre alta ou prostração intensa, deve ser levada ao pronto-socorro.
O CID R11 pode ser usado para vômitos por quimioterapia?
Sim, o CID R11 é frequentemente utilizado para registrar náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia. Nesses casos, o médico pode acrescentar um código adicional para o agente causador (ex.: Y43.3) ou para o tipo de vômito (R11.1 no CID-11). O tratamento inclui antieméticos de alta potência, como ondansetrona, aprepitanto e dexametasona.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Links de referência:
CID-10 R11 no CID10.com.br |
MedlinePlus – Nausea and Vomiting |
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)
Artigos relacionados:
CID R11 – Náusea e Vômitos |
CID K21 – Refluxo |
Omeprazol para que serve |
Dipirona para que serve |
Ibuprofeno para que serve |
Amoxicilina para que serve |
Azitromicina para que serve |
Nimesulida para que serve |
Paracetamol para que serve
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


