Muitas mulheres passam anos sem saber que carregam uma estrutura curiosa dentro do próprio corpo. Uma leitora de 34 anos nos perguntou, depois de uma consulta de rotina: “A médica comentou sobre as glândulas de Skene, mas eu nunca ouvi falar. Isso é normal?”
É mais comum do que parece. Essas pequenas glândulas, também chamadas de glândulas parauretrais, ficam escondidas perto da uretra feminina e desempenham um papel importante na lubrificação e no prazer sexual. Mas, além disso, podem ser fonte de desconforto quando algo não vai bem.
Na prática, conhecer o próprio corpo ajuda a identificar cedo qualquer alteração. Vamos entender o que são, para que servem e quando você deve ficar atenta.
O que são as glândulas de Skene — explicação real, não de dicionário
As glândulas de Skene são um conjunto de pequenas glândulas localizadas na parede anterior da vagina, logo ao lado da uretra. Elas foram descritas pelo médico ginecologista Alexander Skene no século XIX. O que muitos não sabem é que a ciência as considera o equivalente feminino da próstata masculina — por isso também são chamadas de “próstata feminina”.
Essas glândulas produzem e secretam um líquido claro, rico em enzimas e proteínas, que é liberado durante a excitação sexual. Esse fluido contribui para a lubrificação e está associado ao fenômeno conhecido como ejaculação feminina. Uma pesquisa publicada no PubMed sobre glândulas de Skene e ejaculação feminina confirma que a estrutura é funcional e relevante para a resposta sexual.
Glândulas de Skene — função além do prazer
Embora a maioria das referências associe as glândulas de Skene ao prazer e à lubrificação, elas também têm um papel de proteção. A secreção produzida contém substâncias antimicrobianas que ajudam a manter o equilíbrio da flora vaginal e a prevenir infecções urinárias.
Segundo relatos de pacientes, a estimulação dessa área durante a masturbação ou o sexo pode gerar sensações intensas — por isso muitas mulheres confundem as glândulas de Skene com o famoso ponto G. Na verdade, o ponto G não é um único ponto anatômico, mas uma região de tecido erétil que envolve as glândulas parauretrais.
Vale destacar: nem toda mulher libera líquido visível durante o orgasmo, e isso é absolutamente normal. A ausência de ejaculação não indica disfunção ou falta de prazer.
Glândulas de Skene podem indicar algo grave?
Sim, em algumas situações. As glândulas parauretrais podem inflamar ou infeccionar, principalmente se houver obstrução dos ductos de drenagem. A condição é chamada de síndrome das glândulas de Skene ou parauretrite. Os sintomas incluem:
- Dor ou pressão na região da uretra
- Desconforto ao urinar
- Secreção anormal pela uretra
- Dor durante a relação sexual (dispareunia)
- Sensação de massa ou nódulo na parede vaginal anterior
Em casos mais graves, pode formar-se um abscesso, que exige drenagem e antibióticos. A FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) recomenda que qualquer sintoma persistente na região íntima seja avaliado por um ginecologista para descartar infecções ou outras lesões.
Causas mais comuns de problemas nas glândulas de Skene
Infecções bacterianas
Bactérias como Escherichia coli podem ascender pela uretra e colonizar as glândulas, causando inflamação. Isso é mais frequente em mulheres que já têm infecções urinárias de repetição. Entenda a função dos rins no sistema urinário.
Traumas ou irritações locais
Relações sexuais muito intensas, uso de duchas intravaginais ou produtos irritantes podem desencadear uma resposta inflamatória nas glândulas.
Obstrução dos ductos
Assim como acontece nas glândulas de Bartholin, os ductos das glândulas de Skene podem entupir, acumulando secreção e favorecendo infecções.
Alterações hormonais
Mudanças nos níveis de estrogênio, como na menopausa, podem reduzir a produção de secreção e alterar a saúde das glândulas, tornando-as mais vulneráveis.
Quer entender melhor a função de outros órgãos? Veja nosso artigo sobre glândulas de Skene função detalhada.
Sintomas associados a alterações nas glândulas de Skene
Os sinais mais comuns são:
- Queimação ou ardência ao urinar
- Necessidade frequente de urinar (polaciúria)
- Sensação de peso na vagina
- Corrimento uretral espesso ou amarelado
- Dor durante a penetração
Muitas mulheres confundem esses sintomas com cistite ou candidíase. Por isso, um diagnóstico diferencial feito pelo ginecologista é essencial.
Como é feito o diagnóstico
O médico inicia com a conversa sobre os sintomas e um exame físico cuidadoso. Durante o toque vaginal, ele pode palpar a parede anterior da vagina e identificar aumento de volume ou sensibilidade nas glândulas. Exames complementares podem incluir:
- Ultrassonografia transvaginal ou de partes moles
- Cultura de secreção uretral
- Ressonância magnética em casos suspeitos de abscesso profundo
Segundo as diretrizes atuais do Ministério da Saúde, a avaliação precoce evita que um quadro inflamatório simples se transforme em uma infecção mais complexa. Confira também o artigo sobre função dos rins para entender outros órgãos do sistema urinário.
Tratamentos disponíveis
O tratamento depende da causa identificada:
- Infecções bacterianas: uso de antibióticos orais por 7 a 14 dias, escolhidos conforme cultura e antibiograma.
- Inflamação leve: anti-inflamatórios não hormonais (como ibuprofeno), repouso sexual e compressas mornas na região perineal.
- Abscesso: drenagem cirúrgica ambulatorial ou em centro cirúrgico, seguida de antibióticos.
- Obstrução do ducto: massagem local ou marsupialização (procedimento que cria uma abertura permanente para drenagem).
Em todos os casos, é importante tratar também fatores associados, como infecções urinárias recorrentes ou alterações hormonais.
Para uma visão geral da anatomia feminina, veja o conteúdo sobre região sacral importância e função.
O que NÃO fazer quando suspeitar de problema nas glândulas de Skene
- Não use duchas vaginais: elas alteram a flora e podem piorar a inflamação.
- Não ignore a dor: adiar a consulta pode transformar uma infecção simples em abscesso.
- Não tente “espremer” o local: manipular a região sem técnica pode levar a infecções profundas.
- Não automedique: antibióticos errados ou anti-inflamatórios mal indicados mascararão os sintomas e dificultarão o diagnóstico.
- Não pare o tratamento antes do prazo estipulado pelo médico: infecções incompletamente tratadas tendem a recidivar.
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério nas glândulas de Skene. Uma avaliação médica rápida pode evitar cirurgias e infecções de repetição.
Perguntas frequentes sobre glândulas de Skene
Glândulas de Skene e ponto G são a mesma coisa?
Não exatamente. As glândulas de Skene fazem parte da região conhecida como ponto G. O ponto G é uma área de tecido erétil que inclui as glândulas parauretrais, ductos e terminações nervosas. A estimulação dessa região pode gerar prazer intenso e, em algumas mulheres, ejaculação.
Homem também tem glândulas de Skene?
Não. O equivalente masculino é a próstata, que também produz fluido para o sêmen. As glândulas de Skene são exclusivas do sistema reprodutor feminino.
Toda mulher que tem orgasmo ejacula líquido pelas glândulas de Skene?
Não. A ejaculação feminina varia muito. Estima-se que apenas 10% a 40% das mulheres liberem líquido visível durante o orgasmo. A ausência não significa problema.
Infecção nas glândulas de Skene pode causar infertilidade?
Geralmente não. Porém, infecções recorrentes ou abscessos não tratados podem levar a cicatrizes locais que, em teoria, poderiam interferir na elasticidade vaginal. Casos graves devem ser acompanhados.
Como diferenciar cistite de inflamação das glândulas de Skene?
A cistite provoca dor ao urinar e urina com sangue, enquanto a parauretrite causa mais dor localizada na parede vaginal e secreção. O exame de urina e a palpação ajudam no diagnóstico.
Glândulas de Skene podem ser vistas em exames de imagem?
Sim, especialmente na ultrassonografia transvaginal ou na ressonância magnética. Em exames comuns, elas são pequenas demais para serem visualizadas.
É possível prevenir problemas nas glândulas de Skene?
Manter uma boa hidratação, evitar duchas vaginais, urinar após as relações sexuais e tratar infecções urinárias precocemente reduz os riscos.
O que fazer se eu sentir um caroço na vagina próximo à uretra?
Procure um ginecologista. Pode ser um cisto das glândulas de Skene, um abscesso ou mesmo uma lesão benigna. A palpação e a imagem confirmarão o diagnóstico.
Veja também nosso glossário sobre região inguinal importância e função e entenda melhor a anatomia pélvica.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Entenda seus sintomas, conheça os tratamentos e saiba quando buscar ajuda médica.
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