Aquela dor no estômago que parece uma queimação, que vem e vai, mas que insiste em voltar. Muitas pessoas tentam conviver com ela, atribuindo ao “nervoso” ou a algo que comeram. O que começa como um incômodo pode, na verdade, ser o sinal de uma ferida aberta na parede do seu estômago: uma úlcera gástrica.
É mais comum do que se imagina. Segundo relatos de pacientes, a dor muitas vezes é confundida com uma simples indigestão, levando a um atraso perigoso no diagnóstico. Uma leitora de 38 anos nos contou que sentia uma “pontada” constante logo após as refeições, mas só buscou ajuda quando o desconforto se tornou insuportável. Na prática, entender o que está por trás dessa dor é o primeiro passo para proteger sua saúde.
O que é úlcera gástrica — explicação real, não de dicionário
Imagine o revestimento interno do seu estômago, uma mucosa que nos protege do ácido gástrico potente necessário para a digestão. A úlcera gástrica é uma ferida, uma lesão que se forma nessa barreira protetora. É como se uma “casca” fosse removida, deixando o tecido mais profundo exposto à ação corrosiva do suco gástrico. Essa exposição é o que causa a dor característica, que pode variar de uma queimação leve a uma pontada aguda. O código CID K25.9, mencionado em prontuários, é justamente a classificação médica para quando essa úlcera no estômago está presente, mas sua natureza (se aguda de início recente ou crônica de longa data) não foi especificada no momento do registro.
Úlcera gástrica é normal ou preocupante?
É normal sentir dor de estômago ocasionalmente, mas uma úlcera gástrica NÃO é uma condição normal ou que deva ser negligenciada. É um problema de saúde que requer atenção. Enquanto algumas úlceras menores podem até cicatrizar sozinhas, outras podem progredir e causar complicações sérias. A preocupação deve aumentar se a dor for persistente, piorar com o estômago vazio ou acordar você no meio da noite. Ignorar esses sinais é arriscado.
Úlcera gástrica pode indicar algo grave?
Sim, pode. A principal preocupação são as complicações, que, embora não sejam frequentes, são potencialmente graves. A úlcera pode sangrar (hemorragia digestiva), perfurar a parede do estômago (causando uma peritonite, uma infecção grave) ou obstruir a passagem do alimento. Por isso, o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais. É importante lembrar que a maioria das úlceras gástricas não é câncer, mas a úlcera em si precisa ser examinada para afastar essa possibilidade, como destaca o Instituto Nacional de Câncer (INCA) em suas orientações sobre lesões estomacais.
Causas mais comuns
Durante muito tempo, se acreditou que o estresse ou alimentos picantes eram os grandes vilões. Hoje, sabe-se que as duas causas principais são bem definidas:
1. Infecção pela bactéria H. pylori
É a causa número um no mundo. Essa bactéria se instala no estômago e, em muitas pessoas, consegue enfraquecer a barreira protetora da mucosa, permitindo que o ácido cause a ferida. Nem todo mundo com H. pylori desenvolve úlcera, mas a grande maioria das úlceras está associada a ela.
2. Uso prolongado de anti-inflamatórios
Medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno e até a aspirina, conhecidos como AINEs, interferem na produção da mucosa protetora do estômago. Seu uso frequente ou em altas doses, sem a devida proteção gástrica, é um fator de risco enorme. Isso é especialmente relevante para quem trata dores crônicas, como artrite.
Outros fatores, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, não causam úlcera sozinhos, mas agridem a mucosa e atrapalham a cicatrização, piorando muito o quadro. O estresse emocional intenso pode agravar os sintomas e retardar a cura.
Sintomas associados
Os sinais podem variar, mas há um conjunto clássico que merece sua atenção:
• Dor ou queimação na “boca do estômago” (epigástrio): É o sintoma mais emblemático. Pode melhorar momentaneamente ao comer ou tomar antiácidos e piorar quando o estômago está vazio.
• Sensação de empachamento e náusea: A digestão fica prejudicada. Você pode se sentir cheio muito rápido, mesmo comendo pouco. As náuseas e vômitos também são comuns.
• Perda de apetite e peso sem explicação: O medo da dor pode fazer a pessoa evitar comer.
• Inchaço abdominal e arrotos frequentes.
É crucial observar: se a dor mudar de padrão, ficar muito aguda e fixa, ou se surgirem sinais de sangramento (vômito com sangue ou aspecto de “borra de café” e fezes escuras e pastosas), a busca por ajuda deve ser imediata.
Como é feito o diagnóstico
O médico, geralmente um gastroenterologista ou clínico geral, irá ouvir sua história e examiná-lo. O exame padrão-ouro para confirmar uma úlcera gástrica é a endoscopia digestiva alta. Nesse procedimento, um tubo flexível com uma câmera na ponta é introduzido pela boca, permitindo visualizar diretamente o esôfago, estômago e o início do intestino. Assim, o médico vê a úlcera, avalia seu tamanho, local e aspecto, e pode coletar pequenas amostras (biópsias) para testar a presença do H. pylori e afastar outras alterações. Exames de sangue e de fezes podem ser usados como testes preliminares para detectar o H. pylori. Para entender melhor como funcionam exames internos, você pode ler sobre a cistoscopia, que segue um princípio semelhante para outra parte do corpo.
O diagnóstico preciso é essencial para direcionar o tratamento correto, como orienta o Ministério da Saúde em seus protocolos clínicos.
Tratamentos disponíveis
O tratamento é eficaz e tem dois grandes objetivos: cicatrizar a úlcera e eliminar a causa para evitar que ela volte.
1. Medicamentos para reduzir o ácido: Os inibidores da bomba de prótons (como omeprazol, pantoprazol) são a base do tratamento. Eles diminuem drasticamente a produção de ácido gástrico, criando o ambiente ideal para a cicatrização da ferida.
2. Eradicação do H. pylori: Se a bactéria for encontrada, será prescrito um esquema de antibióticos específicos, combinados com o medicamento para reduzir o ácido. É crucial seguir o tratamento à risca até o fim, mesmo que os sintomas melhorem nos primeiros dias.
3. Proteção gástrica ao usar AINEs: Se você precisa tomar anti-inflamatórios por longo prazo, o médico pode receitar um protetor gástrico em conjunto.
4. Mudanças no estilo de vida: Evitar cigarro, álcool e alimentos que você percebe que pioram a dor (cafeína, frituras, alimentos muito ácidos) auxilia na recuperação. Controlar o estresse também é um aliado.
5. Cirurgia: Felizmente, é necessária hoje em dia apenas em casos raros de complicações, como perfuração ou sangramento que não para com a endoscopia. Conhecer os tipos de cirurgias mais comuns pode ajudar a entender o procedimento, caso seja indicado.
O que NÃO fazer
• NÃO se automedique com anti-inflamatórios comuns para aliviar a dor da úlcera. Isso vai piorar a ferida.
• NÃO interrompa o tratamento com antibióticos ou protetores gástricos assim que a dor sumir. A cicatrização completa leva tempo.
• NÃO ignore os sinais de alerta de sangramento pensando que vai passar.
• NÃO acredite em “dietas milagrosas” ou soluções caseiras sem conversar com seu médico. Alguns chás e misturas podem irritar ainda mais o estômago.
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre úlcera gástrica
Úlcera no estômago e gastrite são a mesma coisa?
Não. A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago, enquanto a úlcera é uma ferida, uma erosão mais profunda. A gastrite pode ser um estágio anterior, mas nem toda gastrite vira úlcera.
Comer alimentos picantes causa úlcera?
Por si só, não. Mas se você já tem uma úlcera, alimentos muito condimentados, ácidos ou gordurosos podem irritar a ferida e piorar significativamente a dor e o desconforto.
O estresse causa úlcera?
O estresse emocional grave não é mais considerado a causa principal, mas é um fator de agravo importante. Ele pode aumentar a produção de ácido, piorar os sintomas e atrasar a cicatrização. Controlar a ansiedade é parte do tratamento.
Como diferenciar a dor da úlcera de outras dores abdominais?
A dor da úlcera gástrica tem uma relação clara com as refeições (melhora ou piora ao comer) e costuma ser uma queimação ou pontada localizada na região superior central do abdômen. Dores de outras origens, como problemas na vesícula ou pâncreas, têm características diferentes. Só um médico pode fazer essa distinção com segurança.
Úlcera tem cura?
Sim, a grande maioria das úlceras gástricas tem cura completa com o tratamento adequado, que inclui eliminar a causa (como o H. pylori) e permitir a cicatrização com medicamentos.
Depois de curada, a úlcera pode voltar?
Pode, principalmente se a causa original não for eliminada (por exemplo, se a infecção por H. pylori não for totalmente tratada) ou se a pessoa voltar a usar anti-inflamatórios sem proteção. O acompanhamento médico é importante.
Fazer endoscopia dói?
O exame é feito sob sedação, o que significa que você dorme e não sente dor ou desconforto durante o procedimento. Pode haver um leve incômodo na garganta depois, que passa rapidamente. É um exame seguro e fundamental.
Meu exame deu CID K25.9. O que isso significa?
Significa que foi diagnosticada uma úlcera no estômago (K25), mas no prontuário ou na guia não foi especificado se ela é aguda ou crônica (por isso o “.9”). Isso não muda a necessidade de tratamento, que será definido pelo médico com base no que ele viu na endoscopia e nos seus sintomas. Para entender outros códigos, veja o que significa disritmia cerebral no EEG, por exemplo.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
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