Índice
Introdução
Você já sentiu aquela ansiedade leve antes de dormir e pensou em tomar um chá de maracujá ou um comprimido de passiflora? Muitas pessoas buscam alternativas naturais para aliviar sintomas do dia a dia, e os medicamentos fitoterápicos ganham cada vez mais espaço. Mas será que você sabe exatamente como eles funcionam, quando são indicados e quais cuidados tomar? Neste guia completo, escrito por um farmacêutico clínico, você vai descobrir tudo o que precisa para usar fitoterápicos com segurança e eficácia, com base nas normas da ANVISA e nas melhores evidências científicas.
Ficha Técnica
| Classe: | Medicamento fitoterápico (MIP – Medicamento Isento de Prescrição, para sintomas leves) |
| Princípio ativo: | Extrato seco de Passiflora incarnata L. (maracujá-vermelho) padronizado a 3,0% de flavonoides totais expressos em vitexina |
| Fabricante: | EMS S/A (ou similar – Genérico Fitoterápico) |
| Apresentações: | Comprimidos revestidos de 100 mg e 200 mg; frasco com 30 ou 60 comprimidos |
| Receita: | Isento de prescrição médica (venda livre), mas recomenda-se orientação profissional |
| Registro ANVISA: | 1.2345.6789 (fictício) |
Caso Prático
Paciente: Maria, 42 anos, professora, sem comorbidades. Relata “nervosismo” antes de reuniões e dificuldade em pegar no sono duas a três vezes por semana. Nega uso de outros medicamentos ou álcool. Após avaliação farmacêutica, foi sugerido o fitoterápico Passiflora incarnata 100 mg, 1 comprimido 30 a 60 minutos antes de deitar, por até 4 semanas. Maria usou por 10 dias e relatou melhora subjetiva na latência do sono e redução da ansiedade diurna leve. Não apresentou efeitos adversos.
Nota didática: Este caso ilustra o uso racional de fitoterápico para sintomas leves e temporários. Sempre avalie a gravidade dos sintomas e a necessidade de acompanhamento médico.
Para que serve medicamento fitoterápico — indicações oficiais
Os medicamentos fitoterápicos à base de Passiflora incarnata (maracujá) são oficialmente indicados para o tratamento de estados leves de ansiedade e como auxiliar no combate à insônia leve, conforme aprovado pela ANVISA e por monografias da Organização Mundial da Saúde (OMS). A passiflora possui compostos flavonoides (vitexina, isovitexina, orientina) que atuam no sistema nervoso central modulando os receptores GABA, promovendo efeito calmante e sedativo suave, sem causar dependência química significativa quando usada por períodos curtos (até 4 semanas).
Além disso, a fitoterapia com passiflora é frequentemente utilizada em situações de:
- Ansiedade leve a moderada: tensão pré-menstrual, ansiedade situacional (antes de exames, viagens, apresentações).
- Distúrbios do sono: dificuldade para iniciar o sono, despertares noturnos associados a preocupações.
- Síndrome pré-menstrual (SPM): irritabilidade, insônia e ansiedade relacionados ao ciclo menstrual.
- Agitação psicomotora leve: em crianças (apenas sob orientação médica) e adultos.
É importante frisar que as indicações oficiais baseiam-se em estudos clínicos controlados, embora muitos ainda necessitem de maior robustez metodológica. A ANVISA exige que os fitoterápicos comercializados no Brasil comprovem segurança e eficácia por meio de ensaios clínicos ou uso tradicional documentado. Por isso, escolha sempre produtos registrados e prefira marcas com selo de qualidade.
Você pode saber mais sobre o tratamento de ansiedade no nosso artigo sobre CID F41 — Ansiedade.
Como tomar — dosagem e administração
A dosagem usual do extrato seco de Passiflora incarnata (padronizada a 3% de flavonoides) é de 100 mg a 200 mg por dose, de 1 a 3 vezes ao dia, conforme a intensidade dos sintomas e a orientação do farmacêutico ou médico. Para insônia, recomenda-se tomar 1 comprimido de 100 mg (ou 200 mg, se necessário) 30 a 60 minutos antes de deitar. Para ansiedade diurna, pode-se tomar 100 mg até três vezes ao dia, com intervalos de pelo menos 6 horas.
Modo de administração: Os comprimidos devem ser ingeridos inteiros, com um copo de água, preferencialmente após as refeições para minimizar eventual desconforto gástrico. Evite mastigar ou partir o comprimido, a menos que haja recomendação específica do fabricante.
Duração do tratamento: O uso contínuo não deve ultrapassar 4 semanas sem reavaliação médica. Se os sintomas persistirem ou piorarem, consulte um profissional para investigação de causas orgânicas ou transtornos de ansiedade mais sérios.
Grupos especiais: Idosos, crianças (acima de 12 anos com orientação), gestantes e lactantes devem evitar o uso sem acompanhamento. Não há estudos conclusivos sobre segurança durante a gravidez e lactação. Para crianças menores de 12 anos, o uso só deve ser feito sob prescrição médica.
Para mais detalhes sobre outros medicamentos, veja Omeprazol: para que serve e como tomar.
Efeitos colaterais
Embora bem tolerado, o fitoterápico de passiflora pode causar efeitos adversos, especialmente em altas doses ou uso prolongado. Os mais comuns incluem:
- Sonolência diurna (principalmente se tomado em excesso ou associado a outros sedativos)
- Tontura leve e sensação de “cabeça pesada”
- Desconforto gastrointestinal (náuseas, dor abdominal, diarreia)
- Alterações na pressão arterial (raro, mas pode ocorrer hipotensão em indivíduos sensíveis)
- Reações alérgicas (urticária, prurido, inchaço – muito raras)
Em casos de superdosagem (acima de 500 mg/dia), podem surgir confusão mental, ataxia e bradicardia. Se você apresentar qualquer sintoma grave, suspenda o uso e procure atendimento médico. A passiflora não é recomendada para uso combinado com bebidas alcoólicas, pois potencializa a sedação.
É fundamental lembrar que cada organismo reage de forma diferente. Inicie sempre com a menor dose eficaz e observe sua resposta antes de aumentar.
Contraindicações e quem não deve usar
O fitoterápico de Passiflora incarnata é contraindicado nos seguintes casos:
- Gravidez e lactação: Não há dados suficientes de segurança. Por precaução, não deve ser usado por gestantes ou mulheres que amamentam.
- Crianças menores de 12 anos: A segurança e eficácia não foram estabelecidas; o uso pediátrico deve ser estritamente supervisionado por médico.
- Hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula (incluindo excipientes).
- Pacientes com doença hepática ou renal grave (risco de acúmulo de metabólitos).
- Pessoas com tendência à sonolência excessiva ou que necessitem de atenção constante (como motoristas profissionais, operadores de máquinas) – usar apenas sob avaliação.
- Em combinação com sedativos, benzodiazepínicos, barbitúricos, lítio ou álcool – o efeito depressor do SNC pode ser potencializado, aumentando o risco de sedação excessiva e queda.
Antes de iniciar qualquer fitoterápico, informe seu médico ou farmacêutico sobre todas as condições de saúde e medicamentos em uso.
Interações medicamentosas
A passiflora pode interagir com diversos fármacos, aumentando ou diminuindo seus efeitos. As principais interações incluem:
- Sedativos e hipnóticos (benzodiazepínicos, zolpidem, barbitúricos): potencialização do efeito sedativo, com risco de sedação excessiva e depressão respiratória.
- Antidepressivos (ISRS, tricíclicos, IMAO): possível potencialização de efeitos colaterais (náusea, tontura, sonolência).
- Álcool: aumento do efeito depressor do SNC, prejuízo da coordenação motora e do julgamento.
- Anticoagulantes orais (varfarina, rivaroxabana): relatos de aumento do INR; recomenda-se monitoramento.
- Anti-hipertensivos: risco de hipotensão aditiva.
- Inibidores da MAO: teoricamente, a passiflora contém traços de tiamina e harmina, podendo precipitar crises hipertensivas (embora raro).
Sempre consulte um profissional antes de associar passiflora com outros medicamentos. Mais informações sobre interações em Dipirona: para que serve, dosagem e efeitos.
Preço e genérico disponível
Os medicamentos fitoterápicos de Passiflora incarnata são amplamente encontrados em farmácias e drogarias, tanto em versões de marca (como Pasalix, Calmactive) quanto genéricos (extrato seco de passiflora). Os preços variam entre R$ 18,00 e R$ 45,00 para frascos com 30 comprimidos de 100 mg. O genérico costuma ser a opção mais econômica, com valor médio de R$ 22,00 a R$ 30,00, e tem a mesma eficácia que o produto de referência, desde que registrado pela ANVISA. Verifique sempre o lote, prazo de validade e selo de qualidade. Em algumas regiões, o fitoterápico pode ser adquirido sem receita, mas recomenda-se a orientação farmacêutica para escolha da dose adequada e esclarecimento de dúvidas.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o uso de qualquer medicamento fitoterápico, inclusive a passiflora, faça as seguintes perguntas ao seu médico ou farmacêutico:
- Este fitoterápico é adequado para o meu quadro de sintomas (ansiedade, insônia) ou existem outras causas que precisam ser investigadas?
- Qual a dose inicial e a duração máxima do tratamento recomendada para mim?
- Existem interações com os medicamentos que já uso (inclusive anticoncepcionais, anti-hipertensivos, etc.)?
- Posso usar este fitoterápico se estiver grávida, amamentando ou planejando engravidar?
- Quais sinais de alerta indicam que devo parar o uso e procurar ajuda médica?
- Existe alguma contraindicação específica relacionada à minha saúde (doença hepática, renal, cardíaca)?
- O produto tem registro na ANVISA? Onde posso verificar o número de lote e a procedência?
Essas perguntas ajudam a garantir um uso seguro e eficaz. Lembre-se: o fitoterápico não substitui uma avaliação médica completa.
- Verifique o registro na ANVISA: todo fitoterápico legalizado no Brasil tem um número de registro no órgão. Consulte o site da ANVISA para confirmar.
- Comece com doses baixas: sempre inicie com a menor dose recomendada para observar como seu corpo reage.
- Respeite o tempo de uso: não utilize por mais de 4 semanas sem reavaliação profissional.
- Evite automedicação combinada: não associe passiflora com álcool, chás calmantes ou outros sedativos sem orientação.
- Armazene corretamente: mantenha em local fresco (15-30°C), seco e fora do alcance de crianças e animais.
- Leia a bula: mesmo sendo isento de prescrição, a bula contém informações essenciais sobre contraindicações e reações adversas.
- Informe seu médico: em consultas ou exames, sempre diga quais fitoterápicos está usando – eles podem interferir em resultados.
Perguntas frequentes
1. Fitoterápico é a mesma coisa que planta medicinal?
Não exatamente. Planta medicinal é a matéria-prima vegetal. Fitoterápico é o medicamento produzido a partir dela, com processo industrial padronizado, concentração definida e registro sanitário. Chás caseiros não passam pelo mesmo controle de qualidade.
2. Posso tomar passiflora junto com meu antidepressivo?
Deve-se ter cautela. A passiflora pode potencializar a sedação e alguns efeitos colaterais de antidepressivos (especialmente ISRS e tricíclicos). Consulte seu médico antes de associar.
3. Qual a diferença entre fitoterápico e medicamento alopático?
Os fitoterápicos têm princípios ativos de origem vegetal, muitas vezes com múltiplos compostos agindo sinergicamente. Já os alopáticos geralmente contêm uma única substância sintética. Ambos passam por rigoroso controle da ANVISA, mas os fitoterápicos podem ter menor potência e ação mais lenta.
4. Crianças podem usar passiflora?
Em crianças acima de 12 anos, com orientação médica, pode ser usado para ansiedade leve. Abaixo dessa idade, não há estudos de segurança suficientes; evite. Consulte um pediatra.
5. Passiflora causa dependência?
Não há evidências de dependência química significativa, mas o uso prolongado (> 4 semanas) pode levar a tolerância (necessidade de doses maiores para o mesmo efeito). Por isso, recomenda-se ciclos curtos.
6. Posso dirigir após tomar passiflora?
Depende da dose e da resposta individual. A passiflora pode causar sonolência. Se você sentir sono, reflexos lentos ou tontura, evite dirigir ou operar máquinas. Inicie o uso em casa para avaliar.
7. Onde posso comprar fitoterápico de qualidade?
Em farmácias e drogarias credenciadas, tanto presenciais quanto online, desde que sejam estabelecimentos autorizados pela ANVISA. Prefira marcas conhecidas e verifique se o produto tem o número de registro no rótulo.
8. Passiflora interfere em exames laboratoriais?
Potencialmente, pode alterar testes de coagulação (INR) e função hepática em altas doses. Informe ao laboratório sobre o uso de fitoterápicos antes de realizar exames.
9. Gestante pode usar passiflora para ansiedade?
Não é recomendado. A segurança durante a gestação não foi estabelecida. Alternativas não farmacológicas (terapia, relaxamento) devem ser priorizadas. Consulte seu obstetra.
10. Qual a validade de um fitoterápico?
Geralmente de 2 a 3 anos, desde que armazenado corretamente. Não use produtos com prazo vencido, pois a eficácia e a segurança podem estar comprometidas.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 30/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
Leia mais:
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária |
Bula.Med – Passiflora incarnata |
MedlinePlus – Passionflower (espanhol)


