#
O que é O que é Ablação por radiofrequência?
A ablação por radiofrequência é um procedimento médico minimamente invasivo que utiliza energia elétrica de alta frequência para gerar calor e destruir tecidos doentes — como tumores, nódulos ou veias varicosas. No consultório de uma clínica popular, muitos pacientes chegam com dúvidas sobre essa técnica, especialmente aqueles que sofrem de varizes nas pernas ou nódulos na tireoide, condições muito comuns no Brasil.
A técnica funciona como uma “queimadura controlada” guiada por imagem (ultrassom ou tomografia). Uma agulha especial é inserida na região a ser tratada, e a ponta do eletrodo aquece o tecido alvo a temperaturas entre 60°C e 100°C, causando coagulação e morte celular. O corpo absorve naturalmente as células destruídas ao longo das semanas seguintes.
No cenário clínico brasileiro, a ablação por radiofrequência ganha destaque por sua eficácia no tratamento de varizes de membros inferiores, nódulos tireoidianos benignos e alguns tumores hepáticos, renais e ósseos. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 38% dos adultos brasileiros apresentam varizes em algum grau, e a ablação por radiofrequência tem se consolidado como uma alternativa moderna à cirurgia convencional (safenectomia). Já os nódulos de tireoide afetam aproximadamente 60% das pessoas acima de 60 anos, e a técnica permite tratar os que causam sintomas sem necessidade de incisão no pescoço.
É importante ressaltar que a ablação por radiofrequência é regulamentada pela ANVISA, que aprova os equipamentos utilizados no Brasil. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também estabelece diretrizes éticas e técnicas para sua realização. No SUS, o procedimento é oferecido em hospitais de referência para indicações específicas, como tratamento de carcinoma hepatocelular (câncer de fígado) e varizes complicadas, mas ainda enfrenta filas de espera em muitas regiões. Nas clínicas populares conveniadas ou particulares, o acesso é mais rápido e o custo, embora não seja baixo, é inferior ao de cirurgias abertas.
#
Como funciona / Características
O princípio é simples: uma corrente elétrica alternada de alta frequência (radiofrequência, entre 300 kHz e 500 kHz) passa por um eletrodo fino, gerando calor por atrito iônico nos tecidos adjacentes. O calor provoca desnaturação de proteínas, coagulação e necrose (morte) das células do tecido-alvo, poupando ao máximo as estruturas saudáveis ao redor.
Na prática clínica, vou dar exemplos que vejo quase semanalmente no consultório:
**Para varizes:** A veia doente (geralmente a safena) é identificada por ultrassom. Com anestesia local, uma cânula fina é inserida dentro da veia. O eletrodo aquece a parede da veia, fazendo-a colabar e ser substituída por fibrose. O sangue desvia naturalmente para veias profundas saudáveis. O paciente sai andando da clínica, com uma meia elástica, e retorna às atividades normais em 24 a 48 horas.
**Para nódulos de tireoide:** Um nódulo benigno que cresce e causa desconforto ou problemas estéticos pode ser reduzido. Sob ultrassom, uma agulha fina é introduzida no nódulo. O calor destrói as células do nódulo, que encolhe progressivamente. Estudos brasileiros mostram redução de 70% a 90% do volume em 6 a 12 meses.
**Para tumores hepáticos:** Em pacientes com cirrose ou carcinoma hepatocelular, a ablação por radiofrequência é uma opção curativa para tumores pequenos (até 3 cm). Com anestesia geral ou sedação, uma agulha especial é inserida pela pele até o fígado, guiada por tomografia ou ultrassom. O tumor é “queimado” in situ, sem necessidade de cirurgia aberta.
**Características importantes do procedimento:**
– **Mínima invasão:** Apenas uma agulha fina, sem cortes ou pontos.
– **Recuperação rápida:** O paciente geralmente tem alta no mesmo dia.
– **Menor risco de complicações:** Infecção, sangramento e dor pós-operatória são reduzidos em comparação com cirurgias abertas.
– **Resultados progressivos:** O tecido morto é reabsorvido pelo corpo ao longo de semanas.
– **Contraindicações:** Pacientes com marcapasso, coagulopatias não controladas ou infecção ativa no local devem evitar o procedimento.
#
Tipos e Classificações
A ablação por radiofrequência pode ser classificada de acordo com a área de aplicação e a técnica utilizada. No Brasil, as classificações mais relevantes são:
**Por área de tratamento:**
1. **Ablação cardíaca:** Usada para tratar arritmias, como fibrilação atrial. Realizada por eletrofisiologistas cardiologistas.
2. **Ablação vascular:** Principalmente para varizes de membros inferiores. Regida pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
3. **Ablação tumoral:** Fígado, rim, pulmão, osso e tireoide. Diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.
4. **Ablação ginecológica:** Para miomas uterinos (técnica guiada por ultrassom), ainda menos comum no Brasil.
5. **Ablação neurológica:** Para dor crônica, como nevralgia do trigêmeo, realizada por neurocirurgiões.
**Por via de acesso:**
– **Percutânea:** Através da pele, guiada por imagem (ultrassom ou tomografia). É a mais comum no dia a dia.
– **Endoscópica:** Através de um endoscópio (ex: para tumores esofágicos ou gástricos).
– **Intravascular:** Usada para varizes (cateter dentro da veia) ou para arritmias (cateter dentro do coração).
**Quanto ao tipo de eletrodo:**
– **Eletrodo único:** Para lesões pequenas e regulares.
– **Eletrodo multipolar** ou em arranjo: Para lesões maiores, permitindo maior volume de ablação.
– **Eletrodo resfriado:** Reduz aquecimento excessivo da pele ou tecidos superficiais.
No Brasil, a classificação mais usada nas discussões clínicas é por indicação terapêutica, pois cada especialidade tem suas particularidades. Por exemplo: a SBACV publica consensos específicos para ablação de varizes, enquanto a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) tem diretrizes para ablação de nódulos tireoidianos.
#
Quando procurar um médico
A ablação por radiofrequência não é um tratamento para qualquer condição. Você deve procurar avaliação médica nas seguintes situações:
**Sinais de alerta que podem indicar necessidade de investigação:**
– **Varizes:** Se você tem veias dilatadas, tortuosas e dolorosas nas pernas, com sensação de peso, cansaço, inchaço ou dermatite (pele escurecida/coçando). Varizes podem evoluir para úlceras venosas se não tratadas.
– **Nódulo na tireoide:** Se notou um caroço no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou sensação de “bolo” na garganta. Nem todo nódulo precisa de ablação, mas nódulos benignos que crescem ou causam sintomas são candidatos.
– **Tumor hepático:** Pacientes com cirrose, hepatite B ou C crônica devem fazer ultrassom de vigilância a cada 6 meses. Se detectado um nódulo suspeito, a ablação pode ser considerada.
– **Arritmia:** Palpitações frequentes, tontura, desmaio ou falta de ar inexplicada. A ablação cardíaca é indicada em casos específicos.
**Orientações ao paciente:**
– Marque consulta com clínico geral ou médico de família. Ele avaliará seu caso e, se necessário, encaminhará para especialista (cirurgião vascular, endocrinologista, cardiologista, cirurgião oncológico).
– No SUS, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e solicite encaminhamento para o serviço especializado. Para varizes, por exemplo, você pode ser referenciado a um hospital com angiologia.
– Em clínicas populares, muitos especialistas realizam consultas com preços acessíveis. Leve exames anteriores (ultrassom, exames de sangue) se tiver.
**Não ignore sintomas persistentes.** O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento e evita complicações.
#
Termos Relacionados
- Crioablação: Técnica que congela o tecido em vez de aquecê-lo. Usa nitrogênio líquido para destruir células, especialmente em tumores renais e ósseos.
- Micro-ondas: Outra forma de ablação térmica que utiliza ondas eletromagnéticas de frequência maior que a radiofrequência. Pode gerar calor mais rápido e em maior volume.
- Escleroterapia: Tratamento de varizes pequenas (telangiectasias e vasinhos) com injeção de substância que irrita a parede da veia e a fecha. Não é ablação térmica, mas é complementar.
- Bópsia por agulha fina: Coleta de células de um nódulo com agulha fina para análise. Exame fundamental antes de indicar ablação para nódulos de tireoide.


