O que é O que é Ablação?
No dia a dia de quem trabalha no SUS e em clínicas populares, o termo ablação aparece com frequência entre pacientes que chegam com arritmias cardíacas ou casos de câncer que não respondem aos tratamentos convencionais. De forma simples, ablação é um procedimento médico que usa calor, frio ou energia para destruir uma pequena área de tecido doente. Imagine que é como “queimar” ou “congelar” um ponto específico que está causando problemas, sem precisar de uma cirurgia aberta. Na prática clínica brasileira, a ablação mais comum é a ablação cardíaca por cateter, usada para tratar arritmias como a fibrilação atrial, que afeta milhões de brasileiros.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as arritmias cardíacas estão entre as principais causas de internação no SUS, com cerca de 40 mil procedimentos por ano relacionados a essas condições. A fibrilação atrial, em particular, atinge aproximadamente 1,5% da população brasileira, e esse número dobra em pessoas acima de 60 anos. A ablação é indicada quando os medicamentos não controlam os sintomas ou causam efeitos colaterais. No SUS, o procedimento é oferecido em centros de referência, respeitando os protocolos da ANVISA e as diretrizes do CFM. Infelizmente, as filas ainda são longas, e muitos pacientes recorrem a clínicas populares para fazer o acompanhamento inicial.
Além do coração, a ablação também é usada para tratar tumores hepáticos, de tireoide e de pulmão, principalmente em pessoas que não podem passar por uma cirurgia. Nessas situações, o procedimento é chamado de ablação por radiofrequência ou crioablação. Na minha experiência, os pacientes chegam com medo, confundindo ablação com algo agressivo, mas explico que é minimamente invasivo – muitas vezes feito por uma punção, com anestesia local e recuperação rápida. O importante é entender que a ablação não é uma cirurgia aberta, e sim uma técnica guiada por imagem (ecocardiograma, tomografia ou ultrassom) para mirar exatamente onde está o problema.
Como funciona / Características
Pense na ablação como uma “pontaria de alta precisão”. O médico insere um cateter (um fio fino e flexível) através de um vaso sanguíneo, geralmente na virilha ou no pescoço, e guia esse cateter até o coração ou o órgão alvo. Lá dentro, a ponta do cateter emite radiofrequência (calor) ou crioenergia (frio) para cauterizar o tecido anormal. O paciente fica acordado durante a ablação cardíaca – pode sentir um calorzinho no peito, mas a equipe monitora tudo. No caso de tumores, a ablação é feita com uma agulha especial, introduzida pela pele, guiada por ultrassom ou tomografia. O paciente recebe sedação e anestesia local.
Uma característica importante que vejo na rotina: o tempo de recuperação é curto. Em clínicas populares, encaminhamos pacientes que, após a alta no dia seguinte, voltam ao trabalho em 3 a 5 dias. A taxa de sucesso da ablação cardíaca para arritmias como taquicardia supraventricular ultrapassa 90% – no SUS, os resultados são semelhantes aos de hospitais privados, desde que o paciente seja bem selecionado. Existe um risco baixo de complicações, como perfuração cardíaca, hematoma ou infecção, mas a equipe está preparada. Por isso, o procedimento é feito apenas em hospitais com estrutura de emergência.
Outro ponto prático: a ablação não é indicada para todos. Por exemplo, na fibrilação atrial crônica com átrio muito dilatado, as chances de recorrência são maiores. Avaliamos cada caso com eletrocardiograma, ecocardiograma, e às vezes um estudo eletrofisiológico. No SUS, o paciente precisa passar por uma avaliação com cardiologista clínico e depois é referenciado para um centro de arritmias. A fila pode demorar meses, mas, quando o paciente é priorizado (sintomas graves ou risco de AVC), o acesso é mais rápido por meio de regulação médica.
Tipos e Classificações
No Brasil, as principais classificações usadas no dia a dia dos consultórios e hospitais são:
- Ablação cardíaca: indicada para arritmias – dividida em ablação por radiofrequência (calor) e crioablação (frio). A radiofrequência é a mais comum no SUS, enquanto a crioablação é usada em áreas próximas ao tecido cardíaco normal, para evitar danos.
- Ablação tumoral: realizada em fígado, tireoide, pulmão e ossos. Classificada como radiofrequência, micro-ondas e crioablação. A escolha depende da localização e do tamanho do tumor.
- Ablação endometrial: usada em ginecologia para tratar sangramento uterino anormal. Menos comum, mas presente em serviços de referência.
- Ablação por laser ou ultrassom focalizado: técnicas mais modernas, disponíveis principalmente em grandes centros privados, mas com aprovação da ANVISA.
No sistema público, o CFM regulamenta a prática da ablação cardíaca através de resoluções específicas (ex.: Resolução CFM nº 2.217/2018), que estabelecem os requisitos mínimos de equipamento e treinamento da equipe. A classificação é importante porque guia o planejamento: por exemplo, no SUS, a ablação de fibrilação atrial é feita em hospitais de alta complexidade, enquanto a ablação de taquicardia de vias acessórias pode ser realizada em serviços menores com suporte.
Quando procurar um médico
Muitos pacientes só descobrem que precisam de ablação após anos com sintomas. Como clínico geral, oriento: procure um médico se você tem:
- Palpitações frequentes (coração acelerado, “batendo na garganta”, pulso irregular) associadas a tontura ou desmaio.
- Diagnóstico de arritmia cardíaca (fibrilação atrial, taquicardia supraventricular, flutter atrial) que não melhora com remédios ou causa efeitos colaterais.
- Nódulo ou tumor no fígado, tireoide ou pulmão que não pode ser retirado cirurgicamente (por exemplo, em pacientes idosos ou com outras doenças).
- Sangramento uterino intenso sem causa aparente, após avaliação ginecológica, quando outras opções falham.
- Insuficiência cardíaca descompensada associada a arritmia rápida – em alguns casos, a ablação melhora a função cardíaca.
Os sinais de alerta para procurar atendimento de urgência incluem dor no peito, falta de ar súbita, desmaio ou paralisia de um lado do corpo (sinal de AVC). No SUS, a porta de entrada é a UBS ou o pronto atendimento. O médico clínico fará o eletrocardiograma, solicitará exames e, se necessário, encaminhará ao cardiologista. Nunca tente tratar palpitações com chás ou remédios caseiros – a ablação salva vidas quando indicada corretamente.
Termos Relacionados
- Arritmia cardíaca: Qualquer alteração no ritmo normal do coração. A ablação é um dos tratamentos para arritmias específicas.
- Cateter: Fino tubo flexível usado para acessar o coração ou órgãos sem cirurgia aberta.
- Radiofrequência: Tipo de energia de alta frequência que gera calor, usada na ablação para destruir tecido alvo.
- Crioablação: Ablação que utiliza frio extremo (gases como óxido nitroso) para congelar e destruir tecido anormal.
- Eletrofisiologia: Especialidade médica que estuda e trata os distúrbios elétricos do coração, responsável por realizar as ablações cardíacas.
- Taquicardia supraventricular: Arritmia comum e curável com ablação, que causa episódios de coração acelerado.
- Fibrilação atrial: Arritmia que aumenta o risco de AVC. A ablação é indicada em casos selecionados, principalmente quando os remédios não funcionam.
- Estudo eletrofisiológico (EEF): Exame prévio à ablação que mapeia a atividade elétrica do coração para identificar o ponto exato a ser tratado.
Perguntas Frequentes sobre O que é Ablação
1. A ablação dói?
Durante o procedimento, você recebe sedação e anestesia local. Pode sentir um leve desconforto ou calor no peito quando a radiofrequência é aplicada, mas a equipe controla a dor. A maioria dos pacientes relata que não dói, apenas uma sensação diferente. Depois, pode haver um pequeno hematoma no local da punção, que passa em alguns dias.
2. Quanto tempo dura o procedimento?
Geralmente, de 1 a 3 horas, dependendo da complexidade da arritmia ou do tumor. A preparação e a recuperação pós-procedimento podem levar mais algumas horas. O paciente fica em observação por 24 horas após a ablação cardíaca, e a alta é no dia seguinte.
3. A ablação é permanente? A arritmia pode voltar?
Na maioria dos casos, a


