O que é Acidose?
Acidose é um desequilíbrio no pH do sangue que deixa o organismo mais ácido do que o normal. Em termos simples, o pH sanguíneo ideal fica entre 7,35 e 7,45; quando cai abaixo de 7,35, chamamos de acidose. No meu dia a dia como clínico geral no SUS, atendo pacientes que chegam com fraqueza extrema, respiração ofegante ou confusão mental – muitas vezes sem saber que o problema está no excesso de acidez no sangue. É uma condição que exige investigação rápida, porque pode estar ligada a diabetes descontrolada, insuficiência renal ou até infecções graves.
Nas clínicas populares brasileiras, a acidose metabólica é a forma mais comum, especialmente em pacientes com diabetes tipo 2 sem acompanhamento adequado. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 12% dos adultos brasileiros têm diabetes, e muitos só descobrem a doença após uma crise de cetoacidose – um tipo grave de acidose. Além disso, a desidratação por diarreia aguda, muito frequente em regiões Norte e Nordeste, também pode levar a quadros de acidose em crianças e idosos. O SUS oferece exames como gasometria arterial para diagnosticar o problema, mas o acesso ainda é limitado em áreas remotas.
Vale lembrar que a acidose não é uma doença em si – é um sinal de que algo no corpo está funcionando mal. Pode ser temporária, como após exercício intenso, ou crônica, como em pacientes com doença renal avançada. O tratamento depende da causa: desde hidratação venosa e insulina até diálise. O importante é reconhecer os sinais precoces e buscar ajuda, porque quadros graves podem levar a parada cardíaca ou coma. Como médico, sempre reforço: acidose não é castigo, é um alerta do corpo.
Como funciona / Características
Nosso organismo trabalha 24 horas por dia para manter o pH equilibrado. Quando há acúmulo de ácidos – como ácido lático, corpos cetônicos ou ácido úrico – ou perda excessiva de bases (bicarbonato), o sangue fica mais ácido. Os rins e os pulmões são os grandes reguladores. Os pulmões eliminam CO₂ (que forma ácido carbônico no sangue), e os rins excretam ou reabsorvem bicarbonato. Na prática clínica, vejo muito isso no SUS: um paciente com insuficiência renal crônica que não faz diálise regularmente começa a respirar rápido e fundo (chamada respiração de Kussmaul) – é o pulmão tentando “soprar” o excesso de ácido.
No cotidiano de uma clínica popular, os sintomas mais relatados são: cansaço inexplicável, dor de cabeça, náuseas, falta de ar e sonolência. Muitos pacientes confundem com virose ou estresse. Mas se o pH cai muito, surgem sinais mais graves: batimento cardíaco irregular, pressão baixa e confusão mental. Já atendi um pedreiro de 45 anos que chegou desmaiado no PS – a gasometria mostrou pH 7,10. Ele tinha diabetes não diagnosticada e estava com uma infecção urinária que desencadeou cetoacidose. Após hidratação e insulina, ele se recuperou, mas quase perdeu o rim.
Existe também a acidose láctica, que aparece em exercícios muito intensos, mas também em sepse (infecção generalizada) e em certos medicamentos, como metformina em excesso em pacientes renais. Na clínica, suspeito de acidose quando o paciente tem hálito cetônico (cheiro de “maçã podre” ou “removedor de esmalte”), respiração ofegante e glicemia alta. O diagnóstico é feito por exame de sangue (gasometria arterial) que mede pH, bicarbonato e pCO₂. O tratamento no SUS segue protocolos do Ministério da Saúde, com reposição de fluidos, correção eletrolítica e, se necessário, diálise.
Tipos e Classificações
A acidose é classificada em dois grandes grupos, conforme a origem do problema:
- Acidose metabólica: ocorre quando há perda de bicarbonato (ex.: diarreia intensa) ou acúmulo de ácidos (ex.: cetoacidose diabética, acidose láctica, insuficiência renal). É a mais comum em pronto-socorros brasileiros. A classificação usa o “buraco aniônico” – um cálculo que ajuda a identificar a causa: alto buraco aniônico (cetoácidos, lactato) ou normal (perda de bicarbonato por diarreia).
- Acidose respiratória: resulta do acúmulo de CO₂ (gás carbônico) no sangue, geralmente por problemas pulmonares como DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), asma grave, pneumonia extensa ou overdose de sedativos. O pH cai porque o pulmão não elimina o CO₂ direito.
Na prática, muitas vezes os dois tipos ocorrem juntos – é a chamada acidose mista. Por exemplo, um paciente com DPOC que também desenvolve insuficiência renal. O CFM e a Sociedade Brasileira de Nefrologia orientam a usar a gasometria arterial e o cálculo do ânion gap para guiar o tratamento. No Brasil, as principais causas de acidose metabólica são: cetoacidose diabética (associada ao diabetes), acidose láctica (sepse, choque, neoplasias) e insuficiência renal crônica (muito prevalente em hipertensos e diabéticos). Dados do DATASUS indicam que milhares de internações por acidose ocorrem anualmente, muitas evitáveis com controle adequado da diabetes e da hipertensão.
Quando procurar um médico
Procure atendimento médico imediato se você ou um familiar apresentar:
- Falta de ar súbita ou respiração muito rápida e profunda
- Fraqueza extrema ou cansaço que piora rapidamente
- Náuseas, vômitos persistentes ou dor abdominal intensa
- Confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio
- Hálito com cheiro adocicado (tipo “maçã podre”)
- Diminuição da urina ou sede excessiva, especialmente em diabéticos
- Em bebês e idosos: moleira funda (indica desidratação), choro sem lágrimas, boca seca
Nas unidades básicas de saúde do SUS, o médico pode fazer o teste rápido de glicemia e, se houver suspeita, solicitar gasometria. Se o quadro for grave, a recomendação é ir direto a um pronto-socorro. Acidose não espera – o tratamento precoce salva vidas. Pacientes diabéticos devem monitorar a glicemia e os corpos cetônicos na urina (fitas disponíveis nas farmácias populares). Não ignore os sinais: o corpo fala, e a acidose é um grito de socorro químico.
Termos Relacionados
- Alcalose: o oposto da acidose – pH sanguíneo acima de 7,45, por excesso de bases ou perda de ácidos.
- Gasometria arterial: exame de sangue que mede pH, pCO₂, pO₂ e bicarbonato; essencial para diagnosticar acidose.
- Cetoacidose diabética: complicação aguda do diabetes com produção excessiva de corpos cetônicos, levando a acidose metabólica.
- Bicarbonato de sódio: substância usada em tratamento hospitalar para corrigir a acidez do sangue.
- Ânion gap: fórmula matemática que ajuda a classificar a acidose metabólica e identificar a causa.
- Diálise: procedimento que filtra o sangue em pacientes renais; remove ácidos e eletrólitos.
- Respiração de Kussmaul: padrão respiratório profundo e rápido, típico de acidose metabólica.
- pH sanguíneo: medida que indica se o sangue é ácido ou básico; normal entre 7,35 e 7,45.
Perguntas Frequentes sobre Acidose
Acidose tem cura?
Depende da causa. A acidose em si é reversível quando tratada adequadamente. Por exemplo, a cetoacidose diabética melhora com insulina e hidratação; a acidose por diarreia, com reposição de líquidos. Mas se for consequência de uma doença crônica como insuficiência renal, o tratamento é contínuo (diálise, dieta). O importante é diagnosticar a causa raiz.
Acidose e alcalose são a mesma coisa?
Não, são opostas. Enquanto a acidose é excesso de ácido (pH baixo), a alcalose é excesso de base (pH alto). Ambas indicam desequilíbrio e precisam de investigação. Na prática, a acidose é mais comum em emergências.
Como prevenir a acidose?
Controlando as doenças de base. Pacientes diabéticos devem monitorar a glicemia, usar insulina/medicações corretamente e fazer exames periódicos. Quem tem doença renal precisa seguir a dieta recomendada (pouco sal, potássio e fósforo) e não pular diálise. Evitar desidratação e tratar infecções rapidamente também ajuda.
Acidose dá sintomas diferentes em crianças?
Sim. Crianças, principalmente bebês, podem apresentar irritabilidade, recusa alimentar, choro fraco, moleira funda (desidratação) e respiração ofegante. A causa mais comum é diarreia aguda, que leva a perda de bicarbonato. A reidratação oral com soro caseiro ou soro fisiológico muitas vezes resolve.
Existe relação entre acidose e Covid?
Sim. Pacientes com Covid grave podem desenvolver acidose metabólica por insuficiência respiratória (acidose respiratória) ou por choque séptico (acidose láctica). O tratamento é feito com suporte ventilatório e correção de desequilíbrios. O Ministério da Saúde recomenda monitorar a gasometria em casos moderados/graves.
O que é acidose tubular renal?
É um tipo de acidose metabólica causada por defeito nos rins em excretar ácidos ou reabsorver bicarbonato. Pode ser hereditária ou adquirida (ex.: uso de medicamentos). O tratamento inclui bicarbonato de sódio oral e correção de distúrbios eletrolíticos. É menos comum, mas aparece em pacientes jovens com cálculos renais ou crescimento retardado.
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Fontes confiáveis:


