quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Acidúria oxálica

O que é O que é Acidúria oxálica?

A acidúria oxálica é o termo médico usado para descrever a presença em excesso de oxalato na urina. O oxalato é uma substância naturalmente produzida pelo nosso organismo e também encontrada em muitos alimentos, como espinafre, beterraba, nozes e chocolate. Quando os níveis de oxalato ficam muito altos na urina, ele pode se combinar com o cálcio e formar cristais, que são os precursores dos cálculos renais (as famosas pedras nos rins). Na prática clínica do SUS e em clínicas populares, esse problema aparece com frequência em pacientes que chegam com dores lombares intensas, sangue na urina ou infecções urinárias de repetição. Muitas vezes, a pessoa já teve vários episódios de pedra nos rins sem saber que a causa era um distúrbio metabólico como a acidúria oxálica.

No Brasil, a acidúria oxálica pode ser dividida em dois grandes grupos: a forma primária, que é uma doença genética rara, e a forma secundária, muito mais comum e relacionada a hábitos alimentares, doenças intestinais (como a doença de Crohn) ou ao uso de certos medicamentos. Embora não existam números exatos da prevalência no Brasil, estudos indicam que a hiperoxalúria secundária afeta até 10% das pessoas com litíase renal recorrente. O Ministério da Saúde, por meio do SUS, oferece acompanhamento multidisciplinar para esses pacientes, que inclui nefrologista, nutricionista e, em casos graves, cirurgia para remoção de cálculos ou até transplante renal. A ANVISA regula os medicamentos usados no tratamento, como a piridoxina (vitamina B6) e quelantes de oxalato, que são incorporados na lista de medicamentos essenciais do SUS.

Do ponto de vista do paciente leigo, o que importa é entender que a acidúria oxálica não é uma doença em si, mas um sinal de que algo está errado no metabolismo do oxalato. Se não for diagnosticada e tratada, as pedras nos rins podem crescer, causar obstrução urinária, infecções e, no longo prazo, levar à insuficiência renal. Por isso, todo paciente que tem história de cálculos renais repetidos deve ser investigado para hiperoxalúria. Em clínicas populares, muitas vezes a gente vê pessoas que passaram anos com dor e só descobrem a causa quando fazem exames de urina de 24 horas para medir o oxalato.

Como funciona / Características

O oxalato é uma molécula que nosso corpo produz a partir da quebra de certos aminoácidos (como a glicina) e também absorvida diretamente dos alimentos. Em condições normais, ele é eliminado pelos rins na urina. Quando há excesso – seja por produção aumentada (como na forma genética) ou por absorção aumentada (como em doenças intestinais) – a urina fica supersaturada de oxalato, favorecendo a formação de cristais de oxalato de cálcio. Esses cristais podem se agregar e formar cálculos, que são os responsáveis pela cólica renal e pelo dano ao tecido renal.

No dia a dia de uma clínica popular, vejo muitos pacientes que têm uma alimentação rica em oxalato (refrigerantes à base de cola, chá preto, chocolate, espinafre) e pouca ingestão de água. Eles desenvolvem a chamada hiperoxalúria dietética, que é a forma mais simples de acidúria oxálica. Outro grupo comum são os pacientes que fizeram cirurgia bariátrica de derivação gástrica, pois a alteração no trânsito intestinal aumenta a absorção de oxalato. Esses pacientes costumam ter pedras de repetição e, muitas vezes, não associam o problema à cirurgia. Uma característica importante é que o excesso de oxalato não está apenas na urina, mas também pode se depositar em outros tecidos (rins, ossos, coração) na forma primária, causando danos sistêmicos.

Para o diagnóstico, o exame padrão-ouro é a dosagem de oxalato na urina de 24 horas. Valores acima de 45 mg/dia indicam hiperoxalúria. O SUS disponibiliza esse exame em laboratórios de referência, mas a demora pode ser grande. Em clínicas populares, muitas vezes começamos com exames simples como urina tipo I e ultrassom de rins, e já orientamos aumento da ingestão de água e redução de alimentos ricos em oxalato, enquanto aguardamos a confirmação. O tratamento inicial é sempre clínico: hidratação abundante, dieta pobre em oxalato e, quando indicado, uso de medicamentos que reduzem a absorção de oxalato (como o citrato de potássio ou o colestiramina).

Tipos e Classificações

Acidúria oxálica primária (AOP): é uma doença genética rara, com herança autossômica recessiva. Existem três subtipos principais, dependendo da enzima defeituosa:

  • Tipo 1 (AOP1): deficiência da enzima alanina-glioxilato aminotransferase (AGT). É a forma mais grave, com início geralmente na infância, causando insuficiência renal progressiva, litíase renal e deposição de oxalato em todo o corpo (oxalose).
  • Tipo 2 (AOP2): deficiência da enzima glicerato desidrogenase (GRHPR). Também causa litíase, mas costuma ser menos agressiva.
  • Tipo 3 (AOP3): deficiência da enzima 4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase (HPD). Geralmente apresenta cursos mais leves e pode ser descoberta apenas na vida adulta.

No Brasil, a classificação é feita com base em testes genéticos disponíveis no SUS através de centros de referência em doenças raras. A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) recomenda que todo paciente com hiperoxalúria grave associada à litíase renal de repetição na infância seja encaminhado para investigação genética.

Acidúria oxálica secundária: é a forma adquirida, muito mais frequente. As principais causas são:

  • Hiperoxalúria enterica: associada a doenças intestinais (doença de Crohn, retocolite ulcerativa, síndrome do intestino curto) ou a cirurgias bariátricas (principalmente derivação gástrica em Y de Roux).
  • Hiperoxalúria dietética: ingestão excessiva de alimentos ricos em oxalato combinada com baixa ingesta de cálcio (o cálcio no intestino se liga ao oxalato e impede sua absorção).
  • Hiperoxalúria medicamentosa: uso de altas doses de vitamina C (ácido ascórbico) que é metabolizada a oxalato.

A classificação secundária não requer exames genéticos e é tratada corrigindo a causa de base. No SUS, o diagnóstico é feito por exclusão, com história clínica e exames de urina.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um médico clínico geral ou nefrologista imediatamente se apresentar algum dos seguintes sinais de alerta:

  • Dor lombar intensa e em cólica (pode irradiar para a virilha ou abdômen).
  • Sangue visível na urina (urina avermelhada ou rosada) ou detectado em exame.
  • Dificuldade para urinar, ardência ou sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
  • Febre associada a dor nas costas, que pode indicar infecção urinária com obstrução (pioneffrose).
  • História de múltiplos episódios de pedras nos rins (3 ou mais em 2 anos).
  • Parentes de primeiro grau com diagnóstico de pedras nos rins ou doença renal crônica.
  • Cirurgia bariátrica prévia (principalmente derivação gástrica) ou doença inflamatória intestinal.

No SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). O médico da UBS pode solicitar exames iniciais como urina tipo I e ultrassom de rins e vias urinárias. Se houver confirmação de litíase ou suspeita de hiperoxalúria, o paciente será encaminhado ao nefrologista. Não adie a consulta, pois o acúmulo de cristais pode danificar os rins de forma silenciosa. Em clínicas populares, a gente vê muitos pacientes que normalizam a hidratação e perdem peso, mas continuam com pedras porque não investigaram a causa metabólica.

Termos Relacionados

  • Hiperoxalúria: excesso de oxalato na urina, o sinal laboratorial da acidúria oxálica.
  • Oxalato de cálcio: o tipo mais comum de cristal formador de pedras nos rins, composto por oxalato e cálcio.
  • Litíase renal: termo médico para “pedra nos rins”.
  • Insuficiência renal: perda