sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Adenocarcinoma de mama

O que é O que é Adenocarcinoma de mama?

O Adenocarcinoma de mama é o tipo mais comum de câncer de mama, responsável por cerca de 80% de todos os casos diagnosticados no Brasil. Ele se origina nas células que revestem os ductos (canais que levam o leite até o mamilo) ou nos lóbulos (glândulas que produzem o leite). Tecnicamente, é um tumor maligno que começa no tecido epitelial da mama. No meu dia a dia como clínico geral, atendo muitas mulheres – e também alguns homens – que chegam com nódulos palpáveis ou com alterações em exames de rotina. A primeira reação costuma ser medo, mas explico que o diagnóstico precoce, feito através da mamografia e da ultrassonografia, muda completamente o prognóstico.

No Brasil, o câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres, excluindo o câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 73 mil casos novos por ano para cada triênio. A mortalidade ainda é alta, especialmente em regiões com menor acesso ao diagnóstico, como Norte e Nordeste. Nas clínicas populares onde atendo em Fortaleza, vejo que o atraso na procura por atendimento é o principal fator que agrava o quadro. Muitas vezes, a paciente descobre o nódulo em casa, mas espera meses por medo da cirurgia ou por não ter condições de pagar uma consulta. O SUS oferece mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos, mas na prática ainda enfrentamos filas e falta de informação.

O Adenocarcinoma de mama surge quando há uma mutação no DNA das células mamárias, fazendo com que elas se multipliquem de forma descontrolada. Essas células podem invadir tecidos vizinhos ou se espalhar para outras partes do corpo (metástase). Não existe uma causa única – envolve fatores genéticos (como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2), hormonais (exposição prolongada ao estrogênio) e ambientais (obesidade, sedentarismo, consumo de álcool). Na consulta, sempre pergunto sobre histórico familiar, idade da primeira menstruação, uso de anticoncepcionais e hábitos de vida. Isso ajuda a classificar o risco e orientar a prevenção.

Como funciona / Características

Na prática clínica, o Adenocarcinoma de mama se apresenta de várias formas. A maioria das pacientes que atendo relata ter descoberto um caroço duro, indolor, que não se move ao toque. Outros sinais incluem alterações na pele da mama (como aspecto de “casca de laranja”), vermelhidão, saída de secreção pelo mamilo (especialmente se for sanguinolenta), retração do mamilo ou aumento dos gânglios na axila. É importante lembrar que nem todo nódulo é câncer – a maioria dos casos de nódulos palpáveis em mulheres jovens são benignos, como fibroadenomas ou cistos. Mas a regra é: qualquer alteração persistente por mais de uma semana merece avaliação médica.

O crescimento do tumor varia conforme o subtipo. Os Adenocarcinomas podem ser de crescimento lento (bem diferenciados) ou agressivos (pouco diferenciados). Em clínicas populares, vejo que as pacientes com tumores triplo-negativos (que não expressam receptores de estrogênio, progesterona e HER2) tendem a ter uma evolução mais rápida e maior chance de recidiva. Por isso, a biópsia é essencial: não só confirma o diagnóstico, mas também define o perfil molecular, que guiará o tratamento hormonal, quimioterápico ou com terapias-alvo.

O diagnóstico no SUS segue um fluxo: a mulher passa pela Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a enfermeira ou médico faz o exame clínico. Se houver suspeita, é solicitada mamografia (para maiores de 40 anos) e/ou ultrassonografia. Com imagem suspeita, ela é encaminhada para um centro de referência (como CACON ou UNACON) para biópsia por punção (PAAF ou core biopsy). O tempo entre a suspeita e o resultado pode levar semanas, mas desde 2023 a lei de 60 dias para início do tratamento no SUS (Lei 12.732/2012) tenta agilizar esse processo – na prática, ainda enfrentamos atrasos.

Tipos e Classificações

Os Adenocarcinomas de mama são classificados de acordo com a origem e o comportamento celular. No Brasil, os patologistas usam a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os protocolos do Ministério da Saúde. Os principais tipos são:

  • Carcinoma ductal invasivo (ou infiltrativo): o mais comum, originado nos ductos. Representa cerca de 70-80% dos casos. Pode ser subdividido em graus I, II e III conforme o aspecto microscópico (bem, moderadamente ou pouco diferenciado). No consultório, explico que quanto mais baixo o grau, mais lento o crescimento e melhor o prognóstico.
  • Carcinoma lobular invasivo: surge nos lóbulos, corresponde a 10-15% dos casos. Costuma ser mais difícil de detectar na mamografia porque cresce em fileiras (não forma um nódulo bem definido). Pode causar espessamento difuso da mama.
  • Carcinoma ductal in situ (CDIS): é uma lesão pré-invasiva, ou seja, as células cancerosas ainda não ultrapassaram a membrana basal do ducto. É considerado não invasivo, mas tem alto potencial de se tornar invasivo se não tratado. Nos programas de rastreamento, o CDIS corresponde a cerca de 20% dos cânceres detectados.
  • Carcinoma lobular in situ (CLIS): não é considerado um câncer verdadeiro, mas um marcador de risco aumentado. Muitas vezes é descoberto incidentalmente em biópsias.
  • Subtipo triplo-negativo: não expressa receptores de estrogênio, progesterona e HER2. É mais agressivo, mais comum em mulheres jovens e negras. No Brasil, estudos mostram maior prevalência em mulheres afrodescendentes.
  • Subtipo HER2 positivo: superexpressa a proteína HER2, sendo agressivo, mas com excelente resposta a terapias-alvo como trastuzumabe, disponível no SUS pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

Quando procurar um médico

Diante de qualquer sinal de alerta, a orientação é procurar a UBS ou uma clínica de atenção primária. Os principais sinais que merecem investigação incluem:

  • Nódulo ou espessamento na mama ou axila que não desaparece após a menstruação.
  • Alterações no tamanho ou formato de uma das mamas.
  • Pele da mama com aspecto de casca de laranja (peau d’orange), vermelhidão, descamação ou feridas.
  • Mamilo retraído, desviado ou com secreção espontânea (especialmente se clara, amarelada ou com sangue).
  • Dor localizada persistente (embora a maioria dos cânceres não cause dor inicialmente).
  • Inchaço nos gânglios da axila (ínguas).

O autoexame das mamas não substitui exames de imagem, mas é uma ferramenta de autoconhecimento. Recomendo que as mulheres conheçam suas mamas e observem qualquer mudança. A mamografia de rastreamento é indicada a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos no SUS, mas para grupos de alto risco (história familiar forte, mutação genética) o rastreamento deve começar mais cedo, com 30-35 anos, com ressonância magnética associada. Homens também devem ser avaliados se apresentarem nódulo mamário – o câncer de mama em homens é raro (cerca de 1% dos casos), mas o atraso no diagnóstico costuma ser maior.

Nas clínicas populares, atendo muitas pacientes que adiam a consulta por vergonha ou medo. Meu papel é acolher, explicar que o exame clínico é rápido e que o tratamento precoce pode salvar vidas. Se o diagnóstico for confirmado, o SUS garante todo o tratamento: cirurgia (mastectomia ou segmentectomia), radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia (tamoxifeno, inibidores de aromatase) e terapia alvo, conforme o caso. A porta de entrada é a UBS, e a regulação para centros especializados é feita pelo sistema local.

Termos Relacionados

  • Mamografia: exame de raios-X que detecta nódulos e microcalcificações suspeitas. É o principal método de rastreamento no Brasil, disponível no SUS para mulheres de 50 a 69 anos.
  • Biópsia de mama: retirada de um fragmento do tecido mamário para análise patológica. Pode ser por agulha fina (PAAF) ou grossa (core biopsy). Confirma o diagnóstico de Adenocarcinoma de mama.
  • Imunohistoquímica: exame que identifica os receptores hormonais (estrogênio, progesterona) e a proteína HER2. Essencial para definir o tratamento personalizado.
  • Mastectomia: cirurgia de retirada total da mama. Pode ser simples (apenas a mama) ou radical (inclui gânglios axilares). Indicada em tumores grandes ou multifocais.
  • Quadrantectomia (segmentectomia): cirurgia conservadora que remove apenas o tumor com margem de segurança. Geralmente seguida de radioterapia.
  • Hormonioterapia: uso de medicamentos que bloqueiam a ação do estrogênio (ex: tamoxifeno) ou reduzem sua produção (ex: anastrozol). Indicada para tumores com receptores hormonais positivos.
  • Quimioterapia: tratamento com drogas que matam células de rápida divisão. Usada antes (neoadjuvante) ou depois (adjuvante) da cirurgia, ou em casos metastáticos.
  • Metástase: disseminação do câncer para outros órgãos (ossos, fígado, pulmão, cérebro). O Adenocarcinoma de mama metastático é incurável, mas tratável para prolongar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes sobre O que é Adenocarcinoma de mama

1. O adenocarcinoma de mama tem cura?

Sim, quando diagnosticado em estágios iniciais (tumor localizado, sem metástase), as chances de cura são altas – acima de 90% em cinco anos. A cura é definida como ausência de sinais da doença após o tratamento completo. No SUS, o tratamento é oferecido de forma integral. Infelizmente, quando a doença já se espalhou (estágio IV), o objetivo passa a ser o controle da progressão e a melhora da qualidade de vida, mas não a cura definitiva. Por isso reforço a importância do diagnóstico precoce.

2. Homens também podem ter adenocarcinoma de mama?

Sim, embora seja raro (0,5% a 1% de todos os cânceres de mama). No meu consultório, já atendi alguns homens que apresentaram nódulo no mamilo. Por não haver rastreamento rotineiro, eles tendem a chegar com tumores mais avançados. Os sintomas são os mesmos: nódulo, retração do mamilo, secreção. O tratamento segue os mesmos princípios, mas a hormonioterapia é mais comum porque a maioria dos tumores masculinos expressa receptores de estrogênio.

3. O que causa o adenocarcinoma de mama?

Não há uma causa única, mas fatores de risco conhecidos incluem: idade (a partir dos 40 anos), histórico familiar (mãe, irmã, filha com câncer de mama ou ovário), mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2), menarca precoce (antes dos 12 anos), menopausa tardia (após 55 anos), uso prolongado de terapia hormonal, obesidade, sedentarismo, consumo de álcool e radiação torácica prévia. Cerca de 90% dos casos ocorrem em mulheres sem história familiar, por isso todos precisam ficar atentos.

4. É possível prevenir o adenocarcinoma de mama?

Não existe prevenção total, mas medidas reduzem o risco: manter peso saudável, praticar atividade física, limitar álcool, amamentar (quanto mais tempo, maior a proteção) e evitar uso prolongado de hormônios. Para mulheres com alto risco hereditário, há opções como mastectomia


Veja Também