sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Adenocarcinoma vulvar

O que é O que é Adenocarcinoma vulvar?

O adenocarcinoma vulvar é um tipo raro de câncer que se origina nas glândulas presentes na região da vulva – a parte externa do aparelho genital feminino. Diferente do carcinoma espinocelular, que corresponde a cerca de 80% dos cânceres vulvares e surge na pele, o adenocarcinoma começa nas células glandulares, como as glândulas de Bartholin (responsáveis pela lubrificação vaginal) ou glândulas sudoríparas. No consultório de uma clínica popular ou no SUS, esse diagnóstico é menos frequente, mas exige atenção porque muitas vezes a paciente chega com um nódulo ou inchaço na região genital que pode ser confundido com uma infecção ou cisto benigno.

No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer de vulva representa menos de 1% dos tumores malignos femininos, e o adenocarcinoma responde por cerca de 5 a 10% desses casos. A média de idade ao diagnóstico é entre 60 e 70 anos, mas mulheres mais jovens também podem ser acometidas, especialmente em associação com o HPV ou com doenças crônicas como o líquen escleroso. No dia a dia da atenção básica, muitas pacientes relatam atraso na procura por atendimento por vergonha ou por acharem que se trata de uma “espinha” ou “caroço” que vai sumir sozinho. Por isso, o exame ginecológico regular e a biópsia precoce são fundamentais para o diagnóstico correto.

O tratamento no SUS é oferecido por meio de hospitais oncológicos credenciados e inclui cirurgia (vulvectomia), radioterapia e, em alguns casos, quimioterapia. O acesso ao diagnóstico depende da suspeita clínica levantada pelo médico da UBS ou do ginecologista, que encaminha a paciente para exames de imagem e biópsia. A rede pública conta com protocolos do Ministério da Saúde para o manejo do câncer vulvar, mas a demora na fila de espera ainda é um desafio, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros.

Como funciona / Características

O adenocarcinoma vulvar se desenvolve quando as células glandulares sofrem mutações genéticas e começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor. Esse tumor pode invadir tecidos vizinhos (como a vagina, o ânus ou a uretra) e, com o tempo, se espalhar para os linfonodos da virilha (região inguinal) e para outros órgãos (metástase). Diferente do carcinoma espinocelular, que geralmente aparece como uma lesão ulcerada ou verrucosa, o adenocarcinoma costuma se apresentar como um nódulo sólido, indolor, profundo, que pode ser confundido com um cisto de Bartholin infectado ou um abscesso.

Na prática clínica de uma clínica popular, um caso típico: Maria, 65 anos, atendente aposentada, procurou a unidade com queixa de “um caroço na entrada da vagina” há 4 meses, sem dor, mas que estava crescendo lentamente. Na avaliação, percebeu-se um nódulo endurecido na região da glândula de Bartholin direita. O médico solicitou ultrassom de partes moles e, diante da suspeita de malignidade, encaminhou para biópsia guiada. O resultado confirmou adenocarcinoma de glândula de Bartholin. Maria foi então referenciada para um hospital oncológico do SUS, onde realizou vulvectomia parcial e linfadenectomia inguinal. O diagnóstico precoce evitou que o tumor atingisse estágios mais avançados.

As principais características clínicas que devem acender o alerta são: nódulo ou massa persistente na vulva, dor ou desconforto na relação sexual, sangramento anormal, coceira crônica, ferida que não cicatriza em 4 semanas e aumento dos linfonodos na virilha. No entanto, muitos casos são assintomáticos no início, o que reforça a importância de exames ginecológicos periódicos e da palpação cuidadosa das glândulas de Bartholin durante o exame especular.

Tipos e Classificações

O adenocarcinoma vulvar pode ser subdividido de acordo com o tipo de glândula de origem. As principais classificações usadas no Brasil (baseadas na classificação da OMS e recomendadas pelo INCA) são:

  • Adenocarcinoma de glândula de Bartholin – o mais comum entre os adenocarcinomas vulvares, surge na glândula responsável pela lubrificação vaginal. Representa cerca de 2 a 5% de todos os cânceres vulvares.
  • Adenocarcinoma de glândulas sudoríparas – origina-se das glândulas que produzem suor na região vulvar; é extremamente raro.
  • Adenocarcinoma de glândulas sebáceas – ainda mais raro, surge nas glândulas que produzem sebo.
  • Adenocarcinoma metastático – quando o tumor primário é de outro órgão (mama, pulmão, endométrio) e atinge a vulva por disseminação.

Além da origem celular, os médicos usam o estadiamento (estágio) da doença, conforme a classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), que considera o tamanho do tumor, o comprometimento de linfonodos e a presença de metástases. O estadiamento é essencial para definir o tratamento e o prognóstico, e é realizado com exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética, disponíveis na rede do SUS para casos confirmados.

Quando procurar um médico

Qualquer mulher que perceba um nódulo persistente na vulva, uma ferida que não cicatriza, coceira localizada há mais de duas semanas, dor durante a relação sexual ou sangramento anormal (fora do período menstrual ou após a menopausa) deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um ginecologista. Na clínica popular, o médico pode fazer a primeira avaliação e, se houver suspeita, encaminhar para exames complementares. Não se deve ter vergonha: o exame ginecológico é rápido e pode salvar vidas.

Se você tem mais de 50 anos e nunca fez exame preventivo ou de toque vulvar, é hora de agendar uma consulta. Mulheres com histórico de HPV, lesões pré-cancerosas (como neoplasia intraepitelial vulvar – VIN) ou doenças autoimunes (como líquen escleroso) têm risco maior e devem fazer acompanhamento regular. O diagnóstico precoce, com biópsia e tratamento adequado, aumenta muito as chances de cura. No SUS, a paciente pode procurar a UBS mais próxima, solicitar encaminhamento para o ginecologista e, em caso de confirmação, ser referenciada para um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) ou Unidade de Assistência de Alta Complexidade (UNACON).

Termos Relacionados

Veja Também