O que é O que é Adenoma?
O adenoma é um tumor benigno que se forma em tecidos glandulares do corpo. Em outras palavras, é um crescimento anormal, mas não canceroso, de células que produzem ou secretam substâncias – como hormônios, muco ou enzimas. Ele pode surgir em diversos órgãos, como tireoide, hipófise, glândulas adrenais, cólon (intestino grosso), fígado e próstata (hiperplasia adenomatosa, embora com características distintas). Na prática clínica do SUS e de clínicas populares brasileiras, o adenoma é um achado frequente, muitas vezes descoberto em exames de rotina ou durante investigações de queixas como dores abdominais, palpitações ou nódulos no pescoço.
No Brasil, os adenomas mais comuns que atendo no meu dia a dia são os tireoidianos (nódulos da tireoide) e os adenomas colorretais (pólipos intestinais). Segundo dados do Ministério da Saúde e do INCA, cerca de 60% da população acima dos 50 anos apresenta pelo menos um pólipo adenomatoso na colonoscopia de rastreio, sendo que 5 a 10% podem evoluir para câncer colorretal se não forem removidos. Já os nódulos de tireoide, que em grande parte são adenomas foliculares, afetam aproximadamente 10–15% dos brasileiros, especialmente mulheres. Embora benignos, alguns tipos de adenoma têm potencial de transformação maligna – por isso o acompanhamento médico é essencial.
Como médico clínico geral, explico aos pacientes que adenoma não é sinônimo de câncer, mas é um sinal de alerta que merece investigação. As diretrizes do CFM e da ANVISA orientam que todo adenoma diagnosticado seja avaliado quanto ao risco de malignidade – por meio de exames de imagem, biópsia ou análise histológica – e, quando indicado, removido ou monitorado. No SUS, o acesso a exames como colonoscopia, ultrassom de tireoide e punção aspirativa tem crescido, mas ainda enfrenta filas. Por isso, reforço a importância do rastreamento em populações de risco e da busca por atendimento quando surgirem sintomas sugestivos.
Como funciona / Características
O adenoma se desenvolve quando uma glândula ou tecido glandular sofre proliferação celular desordenada, mas controlada – diferente do carcinoma, que invade tecidos vizinhos e pode se espalhar. As células do adenoma ainda se parecem com as células normais do órgão de origem, embora possam apresentar alterações chamadas displasia (graus leve, moderado ou grave). Quanto maior o grau displásico, maior o risco de evolução para câncer.
No cotidiano das clínicas populares, vejo adenomas se apresentarem de formas distintas:
- Na tireoide: geralmente percebidos como um caroço no pescoço, que pode ser indolor ou causar sensação de aperto. Alguns adenomas produzem hormônios em excesso, levando ao hipertireoidismo (emagrecimento, tremores, coração acelerado). Outros são “frios” (não produzem hormônios) e só são descobertos em exames.
- No cólon: são os pólipos adenomatosos, que na maioria das vezes não causam sintomas. Sangramento oculto nas fezes, alteração do hábito intestinal ou dor abdominal podem ocorrer. O rastreio por colonoscopia (a partir dos 45–50 anos) é fundamental para retirá-los antes que virem câncer.
- Na hipófise: pequenos adenomas podem causar desequilíbrios hormonais (excesso de prolactina, GH, ACTH) e sintomas como galactorreia, gigantismo/acromegalia ou síndrome de Cushing. Já tumores maiores podem comprimir nervos ópticos, causando perda de visão.
- Nas adrenais: geralmente achados incidentais em tomografias abdominais. Podem produzir cortisol, aldosterona ou androgênios em excesso, levando a hipertensão, ganho de peso ou virilização.
O comportamento do adenoma depende do órgão, do tamanho, do padrão histológico (tubular, viloso, etc.) e da presença de displasia. Na prática da atenção primária, quando identifico um nódulo ou pólipo suspeito, encaminho o paciente para especialista (endocrinologista, gastroenterologista) e explico que a remoção ou biópsia é simples e, na grande maioria das vezes, definitiva.
Tipos e Classificações
Os adenomas são classificados de acordo com o órgão de origem e o tipo histológico. As principais classificações usadas no Brasil, baseadas nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM) e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, incluem:
- Adenoma colorretal: subdividido em tubular (mais comum, menor risco), viloso (maior risco de câncer) e tubuloviloso (misto). O tamanho (>1 cm) e a presença de displasia de alto grau também são critérios de risco.
- Adenoma tireoidiano: pode ser folicular (mais frequente), células de Hürthle (variante), colóide (cístico) ou adenoma tóxico (produtor de hormônios). A classificação de Bethesda para punção aspirativa (categorias I a VI) é usada para definir conduta.
- Adenoma hipofisário: classificado por tamanho (microadenoma <1 cm, macroadenoma ≥1 cm) e por produção hormonal (prolactinoma, somatotrófico, corticotrófico, tireotrófico, gonadotrófico, não funcionante).
- Adenoma adrenal: geralmente classificado como não funcionante (incidentaloma) ou funcionante (aldosteronoma, cortisoloma, andrógeno). O escore de Weiss auxilia na distinção com carcinoma adrenal.
- Adenoma de fígado: adenoma hepatocelular, mais comum em mulheres jovens após uso de anticoncepcionais orais. Pode se romper ou malignizar, exigindo avaliação cuidadosa.
No SUS, a classificação de risco para adenomas colorretais é padronizada pelo Protocolo de Retirada de Pólipos do Ministério da Saúde, que determina intervalos de colonoscopia de seguimento. Já para nódulos de tireoide, o fluxo segue a recomendação da SBEM e do INCA, com base na ultrassonografia (padrão TI-RADS) e na punção guiada.
Quando procurar um médico
Muitos adenomas são silenciosos e descobertos por acaso. No entanto, existem sinais que devem levar o paciente a buscar atendimento em uma clínica popular ou UBS:
- Na tireoide: aparecimento de nódulo ou inchaço no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, palpitações, tremores, perda de peso inexplicada ou sudorese excessiva.
- No cólon: sangramento visível ou oculto nas fezes (fezes escuras ou vermelhas), mudança no ritmo intestinal (diarreia ou prisão de ventre que dura mais de 3 semanas), dor abdominal ou sensação de evacuação incompleta. Pessoas acima de 45 anos, com histórico familiar de câncer colorretal ou de adenoma, devem fazer rastreio mesmo sem sintomas.
- Na hipófise: dores de cabeça frequentes, alterações visuais (visão dupla, perda de campo), produção de leite nas mamas (fora de gestação/amamentação), crescimento excessivo de mãos, pés ou face, ou sintomas de síndrome de Cushing (rosto arredondado, estrias roxas, obesidade central).
- Nas adrenais: hipertensão de difícil controle, fraqueza muscular, ganho de peso abdominal inexplicado, puberdade precoce ou sinais de virilização em mulheres.
Mesmo sem esses sintomas, recomendo que pacientes com histórico familiar de câncer (especialmente colorretal, tireoidiano ou de hipófise) e mulheres com uso prolongado de anticoncepcionais conversem com o médico sobre rastreio. Na atenção primária, o exame clínico, a palpação da tireoide e o toque retal (quando indicado) ainda são passos fundamentais. O diagnóstico precoce de um adenoma pode evitar sua progressão para malignidade e reduzir complicações.
Termos Relacionados
- Neoplasia benigna: crescimento anormal de células que não invade tecidos vizinhos nem se espalha para outras partes do corpo. O adenoma é um tipo de neoplasia benigna glandular.
- Pólipo: projeção na mucosa de um órgão (geralmente cólon, estômago, útero). Pólipos adenomatosos são adenomas.
- Carcinoma: tumor maligno com capacidade de invasão e metástase. O adenoma pode evoluir para carcinoma se houver displasia de alto grau ou transformação maligna.
- Displasia: alteração celular pré‑maligna. Nos adenomas, a displasia é classificada em leve, moderada ou grave/alta.
- Hipertireoidismo: condição em que a tireoide produz hormônios em excesso, muitas vezes causado por um adenoma tóxico (nódulo quente).
- Colonoscopia: exame endoscópico que permite visualizar todo o cólon e retirar pólipos (adenomas). É o padrão‑ouro para diagnóstico e prevenção do câncer colorretal.
- Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): procedimento guiado por ultrassom para coletar células de um nódulo (ex.: tireoide). Ajuda a diferenciar adenoma de carcinoma.
- Incidentaloma: tumor descoberto acidentalmente em exames de imagem (TC, RM, ultrassom). Muitos adenomas adrenais e hipofisários são incidentalomas.
Perguntas Frequentes sobre O que é Adenoma
1. Adenoma vira câncer?
Sim, alguns tipos de adenoma podem evoluir para câncer, mas nem todos. O risco depende do órgão, do tamanho, do padrão histológico e do grau de displasia. Por exemplo, adenomas vilosos e maiores que 1 cm no cólon têm maior chance de se transformar em carcinoma. Já a maioria dos adenomas tireoidianos permanece benigna


