O que é O que é Adenovírus canino?
O adenovírus canino é um vírus que causa doenças infecciosas em cães, principalmente respiratórias e hepáticas. Ele é diferente dos adenovírus que afetam os seres humanos – ou seja, não é transmitido para pessoas. Na minha rotina como clínico geral no SUS e em clínicas populares, recebo frequentemente perguntas de tutores preocupados: “Doutor, meu cachorro está espirrando, posso pegar gripe dele?”. Aproveito para explicar que, embora existam vírus que saltam de animais para humanos (zoonoses), o adenovírus canino não é um deles. O que pode acontecer é uma infecção cruzada por outros agentes, como a bactéria Bordetella bronchiseptica, causadora da tosse dos canis.
No Brasil, a circulação do adenovírus canino é mais comum em áreas com baixa cobertura vacinal e em populações de cães abandonados. Dados de levantamentos realizados por ONGs de proteção animal indicam que cerca de 30 a 40% dos cães de rua nas grandes capitais já tiveram contato com o vírus. Em clínicas veterinárias populares e unidades de zoonoses do SUS (os Centros de Controle de Zoonoses), os casos de hepatite infecciosa canina – forma mais grave causada pelo tipo 1 – ainda são diagnosticados, principalmente em filhotes não vacinados.
A boa notícia é que existe vacina eficiente e amplamente disponível no Brasil. As vacinas múltiplas caninas (V8, V10) protegem contra os dois tipos principais de adenovírus canino. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) regula a produção e comercialização dessas vacinas, enquanto a ANVISA atua indiretamente na vigilância de eventos adversos que possam envolver humanos (como reações alérgicas raras em aplicadores). O SUS oferece vacinação antirrábica gratuita, mas as vacinas polivalentes (V8/V10) são encontradas em clínicas particulares e em campanças promovidas por prefeituras. Confira no site do MAPA as orientações oficiais sobre vacinação canina.
Como funciona / Características
O adenovírus canino é um vírus de DNA, bastante resistente no ambiente – pode sobreviver por semanas em superfícies contaminadas, como comedouros, roupas de cama e até nas mãos dos tutores. A transmissão ocorre pelo contato direto com secreções respiratórias (tosse, espirro) ou fezes de cães infectados. O período de incubação varia de 4 a 9 dias.
Na prática clínica, o que vejo com mais frequência é o seguinte: um tutor chega dizendo que o cachorro está com “gripe”, com tosse seca, secreção ocular e falta de apetite. Em filhotes, os sintomas podem evoluir para vômito, diarreia com sangue e icterícia (olhos e gengivas amarelados) – sinais de hepatite infecciosa canina. É importante lembrar que o adenovírus canino tipo 2 causa principalmente doença respiratória, enquanto o tipo 1 ataca o fígado. Nos dois casos, o cão pode apresentar febre.
Um exemplo real que atendi: uma senhora trouxe o cãozinho de 4 meses, não vacinado, com pus nos olhos e coriza. Após exames, foi confirmado adenovírus tipo 2. Com suporte veterinário (hidratação, antibióticos para infecções secundárias e repouso), o animal se recuperou em 10 dias. A lição que fica: a prevenção com a vacina é a ferramenta mais barata e eficaz.
Tipos e Classificações
No Brasil, os veterinários e os laboratórios de diagnóstico classificam o adenovírus canino em dois tipos principais, com base na doença que provocam:
- Tipo 1 (CAV-1): Causa a hepatite infecciosa canina, uma doença sistêmica que afeta o fígado, rins e vasos sanguíneos. Pode ser fatal, especialmente em filhotes. Os sintomas incluem febre alta, dor abdominal, vômito, diarreia e icterícia.
- Tipo 2 (CAV-2)


