O que é Adrenomedulina?
A adrenomedulina (ADM) é um hormônio peptídico produzido por diversos tecidos do corpo — como as glândulas suprarrenais (daí o nome “adreno-”), o coração, os rins, os vasos sanguíneos e os pulmões. Descoberta em 1993 por pesquisadores japoneses, ela ganhou atenção mundial por suas potentes ações vasodilatadoras e reguladoras do sistema cardiovascular. Na prática clínica brasileira, principalmente no SUS e nas clínicas populares, você não vai ouvir falar dela com frequência, pois ainda não faz parte dos exames de rotina na atenção básica. No entanto, seu estudo é cada vez mais importante para entender doenças comuns no país, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, diabetes, sepse (infecção generalizada) e até complicações na gravidez, como a pré-eclâmpsia.
Imagine que a adrenomedulina funciona como um “bombeiro natural” do organismo: quando há inflamação, lesão ou estresse nos vasos sanguíneos, ela entra em ação para acalmar a reação, dilatar as artérias (reduzindo a pressão) e proteger os órgãos. No dia a dia de um clínico geral no SUS, a gente não solicita a dosagem de ADM, mas sabemos que ela está por trás de fenômenos que observamos nos pacientes, como a queda de pressão em quadros de infecção grave ou o mau prognóstico em pacientes com insuficiência cardíaca avançada. Dados epidemiológicos brasileiros mostram que a hipertensão atinge cerca de 30% da população adulta e a sepse é a principal causa de morte em UTIs do país, o que torna a pesquisa sobre a adrenomedulina relevante para melhorar o tratamento dessas condições.
No contexto do SUS, o acesso a exames que medem níveis de adrenomedulina (principalmente o fragmento chamado MR-proADM) ainda é restrito a hospitais de alta complexidade e estudos clínicos. A ANVISA já aprovou kits diagnósticos para uso em laboratórios, mas o custo e a falta de padronização limitam sua incorporação na rede pública. Contudo, o Ministério da Saúde e sociedades médicas como a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) acompanham de perto as evidências, pois a ADM pode se tornar um biomarcador útil para indicar risco de progressão de doenças e orientar decisões terapêuticas.
Como funciona / Características
A adrenomedulina age principalmente através de receptores específicos na superfície das células, especialmente nos vasos sanguíneos. Ao se ligar a esses receptores, ela ativa uma cascata de sinalização que leva à produção de óxido nítrico, uma molécula que relaxa a musculatura lisa das artérias. O resultado é a vasodilatação: os vasos se alargam, a pressão arterial cai e o fluxo de sangue melhora para órgãos vitais. Além disso, a ADM inibe a liberação de substâncias inflamatórias, reduz a formação de coágulos e estimula a eliminação de sódio e água pelos rins (ação diurética e natriurética).
Em uma clínica popular, isso se traduz em situações práticas. Por exemplo, pacientes com insuficiência cardíaca descompensada chegam com falta de ar e inchaço. Os níveis de adrenomedulina estão elevados no sangue nesses casos, funcionando como um mecanismo de defesa do corpo para tentar aliviar a sobrecarga de líquido e reduzir a resistência vascular. Da mesma forma, em pessoas com sepse — infecção grave com resposta inflamatória descontrolada — a ADM dispara, mas muitas vezes sua ação vasodilatadora excessiva contribui para a queda perigosa da pressão (choque séptico). Por isso, pesquisadores brasileiros da USP e da Fiocruz estudam se medir a ADM pode ajudar a identificar mais cedo quais pacientes com suspeita de sepse terão agravamento e precisam de internação em UTI.
Outra característica importante é que a adrenomedulina tem ação antimicrobiana direta, matando bactérias, fungos e vírus — um achado que abre portas para novos tratamentos contra infecções resistentes, um problema crescente no Brasil. Porém, ainda estamos longe de usar a ADM como medicamento; no momento, ela é um marcador de prognóstico e um alvo para desenvolvimento de drogas. Para o clínico geral, a mensagem principal é que, quando falamos de doenças cardiovasculares, renais ou infecciosas, a ADM está nos bastidores, e entender seu papel ajuda a explicar por que certos pacientes evoluem melhor ou pior.
Tipos e Classificações
A adrenomedulina existe no organismo em duas formas principais: a molécula madura (ADM ativa) e a pró-adrenomedulina (proADM), que é um precursor inativo. Na prática laboratorial, é muito mais fácil medir um fragmento estável da proADM, chamado de MR-proADM (mid-regional pro-adrenomedulin). Esse fragmento é liberado na corrente sanguínea na mesma quantidade que a ADM ativa, mas é mais estável, permitindo uma dosagem confiável. Portanto, quando você ouvir falar de “exame de adrenomedulina”, provavelmente se refere ao MR-proADM.
No Brasil, as classificações baseiam-se nos valores de referência estabelecidos pelos fabricantes dos kits (método Luminex ou imunoensaio). Geralmente, níveis abaixo de 0,5 nmol/L são considerados normais em adultos saudáveis. Valores entre 0,5 e 1,0 nmol/L podem sugerir risco moderado, enquanto acima de 1,0 nmol/L estão associados a maior gravidade em sepse, insuficiência cardíaca ou pneumonia. Não há ainda uma classificação oficial do Ministério da Saúde para uso na atenção primária, pois o exame não está na lista de procedimentos do SUS. Hospitais que utilizam o MR-proADM o fazem baseados em protocolos internacionais e em estudos nacionais, como os conduzidos pela Rede Brasileira de Pesquisa em Sepse.
Vale ressaltar que a adrenomedulina não é classificada por tipos ou subtipos como outros hormônios (ex: adrenalina vs noradrenalina). Sua estrutura é única e bem conservada entre os mamíferos. A classificação mais relevante é clínica, em termos de níveis séricos (baixo, moderado, alto) e das condições associadas (cardiovascular, infecciosa, renal, oncológica). Em alguns estudos, o MR-proADM também é usado para classificar o risco de morte em até 30 dias em pacientes com COVID-19, uma aplicação que ganhou destaque durante a pandemia no Brasil.
Quando procurar um médico
Você, paciente, não precisa ir ao médico especificamente por causa da adrenomedulina. Esse hormônio não é algo que você sente ou mede em casa. O que deve levá-lo a uma consulta são os sinais e sintomas das doenças que estão associadas ao desequilíbrio da ADM. Preste atenção nos seguintes indícios e busque atendimento no posto de saúde, clínica da família ou UPA:
- Pressão arterial descontrolada — especialmente se estiver muito baixa (tontura, desmaio) ou muito alta (dor de cabeça forte, visão embaçada). A ADM participa da regulação da pressão.
- Falta de ar, cansaço excessivo e inchaço nas pernas — podem indicar insuficiência cardíaca, condição em que os níveis de ADM se elevam.
- Febre alta, confusão mental, respiração rápida e pressão baixa — são sinais de sepse, uma emergência médica. A dosagem de ADM (MR-proADM) pode ajudar a avaliar a gravidade, mas o diagnóstico precoce é clínico.
- Inchaço repentino no rosto e mãos, associado a dores de cabeça e alterações visuais na gravidez — possível pré-eclâmpsia, onde a ADM está aumentada como mecanismo compensatório.
- Infecções de repetição ou feridas que não cicatrizam — a ação antimicrobiana da ADM pode estar alterada, mas isso é mais relevante em pesquisas.
Lembre-se: não existe um “teste de adrenomedulina” que você possa pedir por conta própria. A dosagem do MR-proADM é solicitada por médicos em contextos específicos, como UTIs ou emergências hospitalares. O ideal é manter seus exames de rotina em dia e relatar ao clínico qualquer sintoma persistente. No SUS, o médico pode encaminhá-lo a um cardiologista ou infectologista se houver suspeita de condições associadas ao desequilíbrio da ADM.
Termos Relacionados
- Pró-adrenomedulina (proADM) — Precursor inativo da adrenomedulina. O fragmento MR-proADM é o que se mede em exames laboratoriais, sendo um marcador prognóstico em sepse e insuficiência cardíaca.
- Peptídeo Natriurético tipo B (BNP) — Outro hormônio produzido pelo coração, usado no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca. Assim como a ADM, tem ação diurética e vasodilatadora.
- Óxido Nítrico (NO) — Molécula vasodilatadora produzida pela ação da adrenomedulina e de outros estímulos. É fundamental para relaxar os vasos e controlar a pressão.
- Calcitonina — Hormônio da tireoide que possui estrutura semelhante à adrenomedulina e também participa do metabolismo do cálcio. Ambas fazem parte da mesma família de peptídeos.
- Receptor acoplado à proteína G (GPCR) — Tipo de receptor na superfície das células onde a adrenomedulina se liga para ativar seus efeitos. É o mesmo tipo de receptor usado por muitos medicamentos cardíacos.
- Sepse — Resposta inflamatória descontrolada a uma infecção, que leva a disfunção de órgãos. A dosagem de MR-proADM é recomendada por algumas diretrizes internacionais para avaliação de risco.
- Pré-eclâmpsia — Complicação grave da gravidez caracterizada por pressão alta e lesão de órgãos. Estudos mostram que a adrenomedulina placentária está alterada nessa condição.
- Vasodilatação — Alargamento dos vasos sanguíneos, efeito principal da adrenomedulina, que resulta em queda da pressão arterial e aumento do fluxo sanguíneo.
Perguntas Frequentes sobre O que é Adrenomedulina
O que exatamente é a adrenomedulina e para que serve?
A adrenomedulina é um hormônio que o corpo produz naturalmente, principalmente nas glândulas suprarrenais, mas também em outros órgãos. Sua principal função é proteger o sistema cardiovascular: ela dilata os vasos sanguíneos, reduz a pressão arterial, combate inflamações e ajuda a eliminar o excesso de líquidos do corpo. Pense nela como um “socorro” que o organismo aciona em situações de estresse, infecção ou sobrecarga cardíaca.
Como a adrenomedulina age no corpo?
Ela se liga a receptores especiais na superfície das células dos vasos sanguíneos, rins e coração. Essa ligação ativa uma série de reações que produzem


