sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Afaquia

O que é O que é Afaquia?

A afaquia é a ausência do cristalino, a lente natural do olho que fica atrás da íris (a parte colorida) e é responsável por focar a luz na retina para formar imagens nítidas. Em um olho saudável, o cristalino ajusta seu formato para permitir que enxerguemos de perto e de longe — processo chamado de acomodação. Quando essa lente é retirada ou está ausente, o olho perde a capacidade de focar corretamente, resultando em visão muito embaçada e hipermetropia extrema (dificuldade para enxergar de longe e de perto).

No dia a dia das clínicas populares brasileiras e do SUS, a afaquia é quase sempre consequência da cirurgia de catarata, procedimento em que o cristalino opaco (catarata) é removido. Antigamente, especialmente antes da popularização das lentes intraoculares (LIOs) nos anos 1990 e 2000, muitos pacientes operados pelo SUS ficavam temporariamente afácicos e precisavam usar óculos de lentes grossas (como “fundo de garrafa”) ou lentes de contato para enxergar. Hoje, a pseudofacia — substituição do cristalino por uma lente artificial — é a regra. Segundo dados do Ministério da Saúde, o SUS realiza cerca de 600 mil cirurgias de catarata por ano; a maioria já implanta a LIO na mesma operação, reduzindo os casos de afaquia prolongada.

Porém, a afaquia ainda ocorre em situações específicas: trauma ocular que desloca ou destrói o cristalino, complicações cirúrgicas que impedem o implante da lente, ou em crianças com catarata congênita que não recebem LIO imediatamente. Em comunidades atendidas por clínicas populares, também vemos pacientes que, por falta de acesso ou orientação, deixam de operar a catarata e convivem com a afaquia acidental após trauma. É um quadro que exige cuidado oftalmológico, pois a ausência do cristalino pode levar a complicações como glaucoma e descolamento de retina ao longo do tempo.

Como funciona / Características

O olho normal tem o cristalino como uma lente biconvexa que muda de forma (acomodação) para focar objetos próximos. Na afaquia, essa lente não existe mais. O olho fica com um poder dióptrico muito baixo (cerca de +10 a +12 dioptrias mais fraco que o normal), e a luz atinge a retina de forma desfocada. Na prática, o paciente enxerga tudo embaçado, como se olhasse através de uma névoa. A visão de perto é quase impossível sem correção, e a visão de longe também é muito ruim. Muitos descrevem que “tudo fica fora de foco” e que “precisam apertar os olhos” para tentar melhorar.

No consultório, o médico detecta a afaquia ao exame com lâmpada de fenda: a pupila aparece muito escura e funda, porque não há a lente natural. O olho pode parecer mais “profundo”. O reflexo pupilar fica diferente. Além disso, o paciente apresenta hipermetropia de alto grau ao exame de refração (medida do grau). Em bebês com afaquia congênita, a ausência do cristalino atrapalha o desenvolvimento da visão (ambliopia), sendo essencial o tratamento precoce com lentes de contato ou óculos especiais, disponíveis pelo SUS através de protocolos de oftalmologia pediátrica.

Em clínicas populares, é frequente encontrarmos pacientes idosos que operaram catarata há décadas e não receberam LIO, usando óculos com lentes muito grossas (“fundo de garrafa”). Outros, traumatizados, chegam com história de “pancada no olho” e visão piorada de repente. O tratamento padrão é a correção óptica com óculos de alto grau (lentes convexas espessas) ou lentes de contato especiais para afaquia. Mas a solução definitiva e mais segura é o implante cirúrgico de uma lente intraocular (LIO), que pode ser inserida no saco capsular (se a cápsula do cristalino estiver íntegra) ou fixada de outras formas.

Tipos e Classificações

A afaquia pode ser classificada de acordo com sua causa e momento de aparecimento. No Brasil, as classificações mais utilizadas em oftalmologia são:

  • Afaquia cirúrgica primária: ocorre imediatamente após a remoção do cristalino durante a cirurgia de catarata, quando não é possível implantar a LIO (ex.: por fragilidade capsular, falta de material ou infecção). Atualmente é rara no SUS, pois a LIO é implantada na maioria das cirurgias eletivas.
  • Afaquia cirúrgica secundária: quando a LIO é removida depois de implantada, por complicações como luxação (deslocamento) da lente, endoftalmite (infecção) ou intolerância. O paciente fica momentaneamente afácico até uma nova cirurgia.
  • Afaquia traumática: causada por trauma contuso ou penetrante que rompe o cristalino (catarata traumática) e exige sua remoção de emergência. Comum em homens jovens e em regiões com violência urbana ou acidentes de trabalho.
  • Afaquia congênita: a criança nasce sem o cristalino, geralmente associada a síndromes como Lowe ou Microftalmia. É rara, mas grave, pois exige tratamento nos primeiros meses de vida para evitar cegueira por ambliopia.

Além disso, a ANVISA regula os implantes de LIO, classificando-os quanto ao material (acrílico, silicone), design (monofocal, multifocal, tórica) e local de implante. O CFM estabelece diretrizes para a cirurgia de catarata e uso de LIOs, incluindo a necessidade de consentimento informado sobre riscos e benefícios. Em clínicas populares, orientamos que a correção da afaquia com óculos ou LIO é coberta pelo SUS, desde que o paciente seja encaminhado ao serviço de referência em oftalmologia.

Quando procurar um médico

Qualquer pessoa que perceba visão embaçada persistente após trauma ou cirurgia ocular deve procurar um oftalmologista. No entanto, há sinais específicos que indicam a afaquia:

  • Visão muito ruim, que não melhora com óculos comuns;
  • Sensação de que o olho “perdeu a profundidade” ou que a pupila está mais escura que o normal;
  • Dificuldade extrema para enxergar de perto (a ponto de não conseguir ler nem com o texto muito próximo);
  • Olhos que parecem “vibrar” ou tremer (nistagmo) em bebês não tratados;
  • Após cirurgia de catarata, se a visão não melhorar significativamente.

Para pacientes do SUS, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, que fará o encaminhamento para o serviço de oftalmologia. Em clínicas populares, realizamos o exame de refração e a lâmpada de fenda, e se confirmada a afaquia sem LIO, indicamos a correção óptica provisória e agendamos o encaminhamento cirúrgico. Casos de afaquia traumática ou com dor, vermelhidão ou fotofobia (sensibilidade à luz) podem ser urgências e devem ser avaliados o quanto antes para descartar complicações como glaucoma ou descolamento de retina.

Na atenção primária, é importante lembrar que a afaquia não corrigida aumenta o risco de quedas e acidentes em idosos, por isso o tratamento deve ser priorizado. A Portaria MS nº 2.320/2022 reforça a oferta de cirurgia de catarata com implante de LIO como procedimento essencial no SUS.

Termos Relacionados

  • Catarata: opacificação do cristalino que impede a passagem da luz. A principal causa de afaquia cirúrgica.
  • Pseudofacia: condição em que o cristalino natural é substituído por uma lente intraocular artificial. É o oposto da afaquia.
  • Lente Intraocular (LIO): implante artificial de material biocompatível (acrílico, silicone) colocado no olho durante a cirurgia de catarata para restaurar o poder de foco.
  • Hipermetropia: dificuldade para enxergar de perto. Na afaquia, o grau de hipermetropia é muito alto (superior a +10 dioptrias).
  • Acomodação: capacidade do cristalino de mudar sua curvatura para focar objetos próximos. Perdida na afaquia.
  • Ambliopia (olho preguiçoso): desenvolvimento visual inadequado na infância, que pode ser causado por afaquia congênita não tratada.
  • Facoemulsificação: técnica moderna de cirurgia de catarata que usa ultrassom para fragmentar o cristalino opaco e aspirá-lo, permitindo o implante de LIO.
  • Glaucoma: doença que aumenta a pressão intraocular. Pode ser secundário à afaquia, especialmente por trauma ou cirurgia complicada.

Perguntas Frequentes sobre O que é Afaquia

A afaquia é uma doença grave?

Não é uma doença em si, mas uma condição que deixa o olho sem sua lente natural. Sem correção, a visão fica muito prejudicada, e há riscos de complicações como glaucoma e descolamento de retina. Felizmente, com os tratamentos disponíveis no SUS (óculos, lentes de contato ou implante de LIO), a grande maioria dos pacientes recupera a visão de forma satisfatória.

Quem tem afaquia precisa sempre de cirurgia?

Não necessariamente. Muitas pessoas convivem com afaquia usando óculos de alto grau ou lentes de contato. Porém, a melhor solução para a qualidade de vida é o implante de lente intraocular, que evita o uso de óculos muito grossos e reduz o risco de complicações futuras. A cirurgia é indicada pela equipe oftalmológica conforme cada caso.

A afaquia tem cura?

Sim, a afaquia pode ser corrigida. A “cura” funcional é alcançada com a correção óptica adequada (óculos, lentes de contato) ou, de forma definitiva, com o implante cirúrgico de uma LIO. O olho não voltará a ter o cristalino natural, mas a visão pode se tornar muito boa com o tratamento correto.

O SUS cobre o tratamento da afaquia?

Sim. O tratamento da afaquia