terça-feira, junho 2, 2026

O que é Alergia

O que é O que é Alergia?

Alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias que, na maioria das pessoas, são inofensivas — os chamados **alérgenos**. No Brasil, essa condição é extremamente comum: estima-se que cerca de 30% da população brasileira tenha algum tipo de alergia, segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, recebemos pacientes com queixas recorrentes de espirros, coceira nos olhos, urticária, falta de ar ou crises de asma, muitas vezes associadas a mudanças de estação, contato com poeira doméstica, pelos de animais, pólen ou alimentos.

Na prática clínica, é comum o paciente chegar dizendo “doutor, estou alérgico de novo” — e precisamos explicar que não se trata de um estado único, mas de uma condição que pode se manifestar de diferentes formas, desde sintomas leves até quadros graves como a **anafilaxia**. O sistema imunológico, ao entrar em contato com o alérgeno, produz anticorpos da classe **IgE**, que desencadeiam a liberação de **histamina** e outras substâncias inflamatórias. No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece a relevância das doenças alérgicas e as inclui nos protocolos de atenção básica. A ANVISA regula medicamentos antialérgicos como anti-histamínicos e corticoides tópicos, que devem ser usados com prescrição e acompanhamento médico, especialmente em crianças e idosos.

É importante desmistificar que alergia é “frescura” ou algo psicológico. Ela tem bases biológicas bem definidas e pode impactar a qualidade de vida, o sono, o trabalho e os estudos. O acesso ao diagnóstico e tratamento adequado no SUS inclui consultas com clínico geral e encaminhamento para especialistas (alergologistas, pneumologistas e dermatologistas), além de medicamentos básicos na farmácia popular. A prevenção e o manejo correto são fundamentais para evitar complicações e hospitalizações, principalmente em casos de asma grave.

Para mais informações, consulte o Portal do Ministério da Saúde sobre alergia e o site da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Como funciona / Características

O corpo humano desenvolve uma **memória imunológica** contra alérgenos comuns, como ácaros, pólen, látex, picadas de insetos, medicamentos ou alimentos. Quando uma pessoa alérgica entra em contato pela primeira vez com o alérgeno, o sistema imune cria anticorpos IgE específicos. Já na segunda exposição, ocorre a **ativação de mastócitos** e **basófilos**, liberando histamina e provocando os sintomas típicos: coceira, inchaço, vermelhidão, secreção nasal, espirros, tosse, chiado no peito ou lesões na pele.

Em uma clínica popular, vemos exemplos clássicos: uma mãe que traz o filho com **dermatite atópica** (eczema) após uso de sabonete perfumado; um trabalhador da construção civil com **rinite alérgica** desencadeada por cimento e poeira; ou um jovem que passa mal depois de comer camarão. O que difere uma reação alérgica de uma irritação comum é a participação do sistema imunológico. A alergia pode ser **imediata** (ocorre em minutos) ou **tardia** (horas a dias depois).

No Brasil, os alérgenos mais frequentes são os ácaros da poeira domiciliar (muito comuns em climas úmidos como o do Nordeste), baratas, pelos de gato e cachorro, pólens de gramíneas (capim) e fungos. Na alimentação, destacam-se leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim e castanhas. A **histamina** é a principal responsável pela coceira e vermelhidão, por isso os anti-histamínicos são tão usados, mas é preciso cuidado: nem toda reação a um alimento ou medicamento é alérgica — muitas são **intolerâncias** ou efeitos colaterais, que não envolvem o sistema imune.

Tipos e Classificações

As alergias são classificadas de acordo com o mecanismo imunológico e o órgão afetado. No Brasil, a classificação mais usada na prática clínica é pela **via de exposição** e pelo tipo de sintoma:

– **Alergias respiratórias**: rinite alérgica (sazonal ou perene) e asma brônquica. Correspondem à maioria dos atendimentos em clínicas populares e no SUS. A rinite afeta cerca de 20% da população brasileira, enquanto a asma atinge aproximadamente 10% das crianças e 5% dos adultos (dados do Ministério da Saúde e IBGE).
– **Alergias cutâneas**: dermatite atópica (eczema), urticária (lesões elevadas e coceira) e dermatite de contato (como alergia a níquel em bijuterias ou a cosméticos).
– **Alergias alimentares**: resposta imune a proteínas de alimentos. No Brasil, leite de vaca e ovo são os mais comuns em crianças, enquanto frutos do mar e amendoim predominam em adultos.
– **Alergias a medicamentos**: penicilinas, sulfas, anti-inflamatórios (AINEs) e anestésicos locais são os principais causadores.
– **Anafilaxia**: forma grave e sistêmica que pode levar à queda de pressão, dificuldade respiratória e risco de morte – uma emergência médica que exige atendimento imediato no pronto-socorro.

Outra classificação importante é a de **Gell e Coombs**, usada em imunologia, mas para o paciente leigo basta entender que existem reações imediatas (tipo I, mediadas por IgE) e tardias (tipo IV, mediadas por células T). No SUS, os testes alérgicos (puntura cutânea ou dosagem de IgE específica) podem ser solicitados, mas o diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história e nos sintomas.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um **médico clínico geral** ou um **alergologista** sempre que os sintomas alérgicos começarem a atrapalhar a sua qualidade de vida ou quando surgirem sinais de gravidade. Na rotina das clínicas populares, orientamos os pacientes a buscar atendimento nos seguintes casos:

– Crises frequentes de espirros, coceira nasal, congestão ou olhos lacrimejantes que não melhoram com medidas simples (lavagem nasal com soro fisiológico ou antialérgicos de venda livre).
– **Chiado no peito**, falta de ar, tosse seca persistente (principalmente à noite ou após exercícios) que podem indicar asma.
– **Lesões de pele** que coçam muito, não cicatrizam ou pioram com hidratantes comuns.
– **Sinais de anafilaxia**: inchaço nos lábios, língua ou garganta, dificuldade para respirar, queda de pressão, tontura, náusea intensa, diarreia ou desmaio – nesse caso, vá imediatamente a um serviço de emergência (SAMU 192 ou UPA).
– **Urticária** generalizada que persiste por mais de 24 horas ou que surge após uso de medicamento ou picada de inseto.
– **Reações a alimentos** que causam vômito, diarreia, dor abdominal forte ou lesões na pele – principalmente em crianças pequenas, pois podem levar à desnutrição ou atraso no crescimento.

No SUS, o **Programa Nacional de Asma** oferece atendimento e distribuição de medicamentos controlados. É importante não automedicar por longos períodos sem orientação, pois o uso indiscriminado de corticoides ou anti-histamínicos pode causar efeitos colaterais ou mascarar doenças mais graves.

Termos Relacionados

  • Alérgeno: substância capaz de desencadear uma reação alérgica. Exemplos: pólen, ácaro, pelo de animal, ovos, trigo, poeira doméstica.
  • Anti-histamínico: medicamento que bloqueia a ação da histamina, aliviando sintomas como coceira, espirros e urticária. Existem de primeira geração (que dão sono) e segunda geração (menos sonolência). São vendidos em farmácias populares.
  • Anafilaxia: reação alérgica grave e potencialmente fatal, que afeta múltiplos órgãos. O tratamento é com adrenalina (epinefrina) injetável, disponível em serviços de urgência.
  • Dermatite atópica: inflamação crônica da pele, muito comum em crianças, caracterizada por coceira intensa, vermelhidão e ressecamento da pele. Ocorre em associação com asma e rinite alérgica (tríade atópica).
  • Rinite alérgica: inflamação da mucosa nasal causada por alérgenos. Sintomas: espirros, coriza, coceira no nariz e olhos, obstrução nasal. Pode ser sazonal ou perene (durante o ano todo).
  • Asma brônquica: doença inflamatória das vias aéreas, com episódios de chiado, falta de ar, aperto no peito e tosse. No Brasil, é uma das principais causas de internação em crianças.
  • Teste alérgico: exame que identifica a quais alérgenos uma pessoa é sensível. Os mais comuns são o teste cutâneo (puntura) e a dosagem de IgE específica no sangue. São realizados na rede pública em centros de referência.
  • Imunoterapia: tratamento a longo prazo que consiste em administrar doses crescentes do alérgeno para reduzir a sensibilidade. Indicada para rinite, asma e alergia a insetos. É disponível no SUS em alguns serviços especializados.

Perguntas Frequentes sobre O que é Alergia

Alergia tem cura?

Na maior parte dos casos, a alergia é uma condição crônica que pode ser controlada, mas não tem cura definitiva. Algumas pessoas, especialmente crianças com alergia alimentar ao leite ou ovo, podem apresentar melhora natural com o passar dos anos. Outras, como rinite alérgica e asma, podem ter os sintomas reduzidos com tratamentos adequados e imunoterapia (vacinas para alergia). O importante é o acompanhamento médico regular para evitar crises e complicações.

Posso tomar antialérgico todo dia?

Depende. Anti-histamínicos de segunda geração (como loratadina, desloratadina, fexofenadina) são mais seguros para uso contínuo por meses, sob orientação médica. Já os de primeira geração (como hidroxizina, dexclorfeniramina) causam sonolência e podem prejudicar a concentração. Nunca tome corticoides orais ou injetáveis por conta própria para alergia, pois eles têm efeitos adversos sérios a longo prazo (ganho de peso, diabetes, osteoporose). Consulte sempre um médico.

Qual a diferença entre alergia e intolerância?

Alergia envolve o sistema imunológico (produção de anticorpos IgE) e pode causar reações graves, inclusive anafilaxia. Intolerância alimentar, por exemplo, é uma dificuldade de digerir certos alimentos (como intolerância à lactose, por deficiência de lactase) e não


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