O que é Alergista?
O alergista é o médico especialista em Alergia e Imunologia, uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) sob a resolução nº 2.166/2017. No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, esse profissional é a referência para quem sofre com espirros constantes, coceira nos olhos, falta de ar, manchas na pele ou reações após comer algo. Diferente do que muitos pensam, o alergista não cuida apenas de “alergia comum” – ele investiga o sistema imunológico como um todo, ajudando a diagnosticar e tratar condições que vão desde rinite e asma até alergias alimentares, medicamentosas e até alguns tipos de imunodeficiência.
No Brasil, as doenças alérgicas são extremamente prevalentes. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cerca de 30% da população sofre de rinite alérgica – o equivalente a mais de 60 milhões de brasileiros. Já a asma atinge aproximadamente 20 milhões de pessoas, sendo uma das principais causas de atendimento de emergência, especialmente em crianças e idosos. Na prática do clínico geral que atende no SUS, é muito comum ver pacientes que usam antialérgicos de farmácia há meses sem melhora, quando na verdade precisam de um olhar especializado. Por isso, saber o que faz um alergista pode evitar automedicação excessiva e complicações como sinusites de repetição ou crises asmáticas graves.
Uma curiosidade importante: no Brasil, a especialidade é chamada oficialmente de Alergia e Imunologia, mas o termo “alergista” é o mais usado por pacientes e nos encaminhamentos das unidades básicas de saúde. O profissional precisa ter título de especialista conferido pela ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), além de registro de RQE (Registro de Qualificação de Especialista) no CFM. Em clínicas populares, é comum que o alergista trabalhe em regime de parceria com clínicos gerais, oferecendo consultas a preços acessíveis e ajudando a reduzir as filas de espera do sistema público.
Como funciona / Características
A consulta com um alergista começa com uma anamnese detalhada – muito mais longa que a de um clínico geral. O médico pergunta sobre o ambiente onde você mora, presença de animais, hábitos de limpeza, histórico familiar de alergias, época do ano em que os sintomas pioram e relação com alimentos ou medicamentos. Isso é fundamental porque cada tipo de alergia tem um gatilho diferente. Por exemplo, uma criança que espirra ao entrar no quarto pode ser alérgica a ácaros; um adulto que fica com urticária após comer camarão tem alergia alimentar.
Em seguida, o alergista pode solicitar testes complementares. Os mais comuns são:
- Teste cutâneo de puntura (prick test): aplicado na pele do antebraço, com pequenas gotas de extratos de alérgenos (poeira, pólen, pelo de animal, etc.). O resultado sai em cerca de 15 a 20 minutos. É simples, seguro e muito usado em clínicas populares e no SUS.
- Teste de contato (patch test): usado para suspeitas de alergia de contato, como a causada por níquel em bijuterias ou substâncias químicas. Fica aderido à pele por 48 horas.
- Exame de sangue (IgE específico): mede a quantidade de anticorpos contra alérgenos específicos. Útil quando o paciente não pode suspender o uso de anti-histamínicos para fazer o teste cutâneo.
- Teste de provocação oral ou inalatória: feito em ambiente controlado para confirmar alergia a alimentos ou medicamentos, especialmente nos casos de dúvida diagnóstica.
Um dos tratamentos mais conhecidos e eficazes oferecidos pelo alergista é a imunoterapia específica – popularmente chamada de “vacina para alergia”. Ela consiste na aplicação de doses crescentes do alérgeno causador dos sintomas, por via subcutânea ou sublingual, geralmente por um período de 3 a 5 anos. No SUS, esse tratamento está disponível em alguns centros de referência, mas a oferta ainda é limitada. Na clínica popular, muitos alergistas oferecem a versão sublingual, que é mais prática e pode ser feita em casa após orientação.
É importante destacar que o alergista também atua na prevenção – orienta sobre controle ambiental (capas impermeáveis para colchões, evitar tapetes, uso de purificadores de ar) e sobre dieta de exclusão em casos de alergia alimentar. Nas consultas de retorno, ele avalia a adesão ao tratamento e ajusta medicações, sempre com foco em reduzir o uso de antialérgicos orais e melhorar a qualidade de vida.
Tipos e Classificações
Embora o alergista seja um único especialista, a Alergia e Imunologia é dividida em áreas de atuação baseadas no mecanismo imunológico ou no órgão afetado. No dia a dia brasileiro, as classificações mais úteis para o paciente são:
- Alergias respiratórias: incluem rinite alérgica (sazonal ou perene) e asma brônquica. A rinite é a mais comum, atingindo cerca de 30% da população. A asma, quando mal controlada, pode levar a internações frequentes.
- Alergias cutâneas: como urticária (crônica ou aguda), dermatite atópica (eczema) e dermatite de contato. Na prática, vemos muitos pacientes com urticária crônica espontânea, que não tem causa óbvia e exige investigação aprofundada.
- Alergias alimentares: reações a leite, ovo, amendoim, castanhas, soja, trigo, peixes e frutos do mar. No Brasil, o leite e o ovo são os principais alergênicos em crianças pequenas. O alergista orienta a dieta de exclusão e prescreve fórmulas especiais quando necessário.
- Alergias medicamentosas: reações a antibióticos (especialmente penicilina), anti-inflamatórios (AINEs) e anestésicos. O diagnóstico é desafiador e muitas vezes requer testes de provocação.
- Alergia a venenos de insetos: picadas de abelhas, vespas, formigas (como a lava-pés) podem causar reações locais intensas ou anafilaxia. A imunoterapia com veneno é altamente eficaz.
- Anafilaxia: é a forma mais grave de reação alérgica, com risco de morte se não tratada imediatamente com adrenalina. O alergista treina o paciente e a família para reconhecer os sinais e usar o autoinjetor de adrenalina, que ainda é pouco


