O que é O que é Alopécia?
A alopécia é o termo médico usado para qualquer tipo de queda anormal de cabelo ou pelos do corpo. Na prática do dia a dia, principalmente aqui no Brasil, muitas pessoas chamam isso de “calvície”, “queda de cabelo” ou “rarefação capilar”. No consultório, seja no SUS ou em clínicas populares, é uma das queixas mais comuns entre pacientes de todas as idades, desde adolescentes até idosos. A alopécia não é uma doença única, mas um sintoma que pode ter várias causas: genética, hormonal, estresse, medicamentos, problemas na tireoide, carências nutricionais, infecções no couro cabeludo ou até doenças autoimunes.
No Brasil, estima-se que cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos apresentem algum grau de alopécia androgenética (a calvície hereditária masculina). Entre as mulheres, a prevalência é menor, mas ainda assim atinge aproximadamente 30% a 40% após a menopausa. Dados do Ministério da Saúde indicam que a queda de cabelo está entre os 10 principais motivos de procura por dermatologistas na atenção primária. Nas clínicas populares, onde atendo há 15 anos, o perfil é variado: mães que perderam cabelo após o parto, jovens em época de vestibular, pacientes em tratamento oncológico e homens jovens com preocupação estética cada vez mais precoce.
Apesar de não ser uma condição que ameace a vida, a alopécia causa enorme sofrimento emocional. Muitos pacientes relatam vergonha, isolamento social e até dificuldades profissionais. Por isso, o acolhimento humanizado é essencial. No SUS, o acesso ao dermatologista pode ser demorado em algumas regiões, mas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a porta de entrada para o diagnóstico inicial e orientação. Já em clínicas populares, conseguimos realizar atendimento mais ágil, com exames simples como o tricograma (exame do fio) e coleta de sangue para avaliar ferro, vitamina D, hormônios tireoidianos e perfil hormonal.
Como funciona / Características
O cabelo tem um ciclo de vida natural: nasce (fase anágena), cresce por 2 a 7 anos, depois para (fase catágena) e cai (fase telógena). Perdemos em média 50 a 100 fios por dia, o que é normal. A alopécia acontece quando esse ciclo se desregula — seja porque muitos fios entram na fase de queda ao mesmo tempo, porque os folículos param de produzir novos fios, ou porque o fio nasce mais fino e curto a cada ciclo.
No dia a dia da clínica, os pacientes costumam relatar: “estou vendo muito cabelo no travesseiro”, “o ralo do chuveiro entope”, “minha franja está afinando”. Esses sinais merecem atenção, especialmente se duram mais de 2 meses. Um exemplo clássico é o eflúvio telógeno, uma queda difusa e temporária que ocorre 2 a 4 meses após um evento estressante — cirurgia, febre alta, emagrecimento radical, parto, luto. Essa condição é muito frequente em mulheres jovens que acabaram de ser mães; elas entram em pânico, mas na maioria dos casos o cabelo volta ao normal em 6 a 12 meses.
Outra situação típica no consultório é o paciente com alopécia androgenética masculina: o cabelo vai afinando no topo da cabeça e nas entradas (regiões temporais). A perda é progressiva e segue um padrão específico, descrito pela classificação de Hamilton-Norwood. Entre as mulheres, a queda androgenética costuma ser mais difusa, com afilamento no topo e preservação da linha frontal. Muitas pacientes resistem em aceitar o diagnóstico, pois associam calvície ao universo masculino. Por isso, explico com paciência que a genética e os hormônios agem em ambos os sexos, e que existem tratamentos eficazes.
Tipos e Classificações
A classificação da alopécia ajuda o médico a identificar a causa e escolher o tratamento. No Brasil, seguimos as classificações internacionais, adaptadas à nossa prática. As principais são:
- Alopécia androgenética (AGA): a mais comum, de causa genética e hormonal. Em homens, usa-se a escala de Hamilton-Norwood (tipos I a VII). Em mulheres, a escala Ludwig (I a III). A AGA é progressiva e começa geralmente após a puberdade.
- Eflúvio telógeno: queda difusa de início súbito, geralmente após um gatilho (estresse, parto, cirurgia, dieta). É reversível. O diagnóstico é clínico e pode ser confirmado pelo teste de tração (puxão suave em 50-60 fios).
- Alopécia areata: placas bem delimitadas de queda total de cabelo, sem inflamação visível. Pode evoluir para perda total do couro cabeludo (alopécia total) ou de todo o corpo (alopécia universal). A causa é autoimune e tem forte componente genético.
- Alopécia cicatricial: grupo de doenças que destrói os folículos, deixando cicatriz. Exemplos: lúpus eritematoso, líquen plano pilar, foliculite decalvante. Exige biópsia do couro cabeludo para diagnóstico.
- Alopécia por tração: causada por penteados que puxam os fios (tranças muito apertadas, coques, extensões). É frequente em mulheres negras, principalmente quando usam penteados tensionados por longos períodos. Felizmente, é reversível se tratada precocemente.
- Alopécia por medicamentos: alguns quimioterápicos, anticoagulantes, retinoides, hormônios (como anabolizantes) e antidepressivos podem causar queda. O cabelo geralmente volta ao normal após a suspensão do agente.
No contexto do SUS, a classificação é fundamental para definir a conduta. Por exemplo, a alopécia areata pode ser tratada com corticoides tópicos ou intralesionais, disponíveis na rede pública. Já a alopécia androgenética pode ser tratada com minoxidil e finasterida (apenas para homens), ambos aprovados pela ANVISA e incluídos em protocolos clínicos do Ministério da Saúde, embora nem sempre estejam disponíveis na farmácia básica. Em clínicas populares, orientamos o paciente a comprar o medicamento na rede privada, mas com prescrição segura.
Quando procurar um médico
Nem toda queda de cabelo é preocupante. Porém, alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação profissional, de preferência com um clínico geral, dermatologista ou, em áreas remotas, um médico da família da UBS:
- Queda repentina e intensa: você perde mais de 150 fios por dia ou nota grandes tufos saindo ao pentear.
- Queda localizada em placas: aparecem áreas redondas sem cabelo (alopécia areata).
- Queda persistente por mais de 3 meses sem melhora.
- Coceira, dor, descamação, vermelhidão ou feridas no couro cabeludo.
- Cicatrizes ou áreas brilhantes onde o cabelo não cresce mais.
- Queda associada a sintomas como cansaço, ganho ou perda de peso, unhas quebradiças, intolerância ao frio ou calor (suspeita de tireoide).
- Perda de cabelo em crianças ou adolescentes (sempre precisa de investigação).
- Histórico familiar forte de calvície precoce, principalmente se começa antes dos 20 anos.
No atendimento, costumo orientar: “se a queda está te incomodando visualmente ou emocionalmente, já vale a pena vir ao médico. Não precisa esperar ficar careca.” Muitos pacientes demoram por vergonha ou medo de não ter solução, mas hoje existem tratamentos que podem estabilizar, recuperar e até reverter a perda se iniciados cedo. O encaminhamento para o dermatologista no SUS pode ser feito pelo clínico geral, que já pede exames iniciais (hemograma, ferro, ferritina, vitamina B12, ácido fólico, TSH, T4 livre, hormônios sexuais quando indicado).
Termos Relacionados
- Eflúvio telógeno: queda difusa e temporária de cabelo, geralmente após um evento estressante físico ou emocional. É a causa mais comum de queda aguda em mulheres em idade fértil.
- Minoxidil: medicamento tópico (loção) aprovado pela ANVISA para tratar alopécia androgenética e areata. Dilata os vasos do couro cabeludo e estimula o crescimento capilar.
- Finasterida: medicamento oral (comprimido de 1 mg) indicado para homens com alopécia androgenética. Inibe a conversão da testosterona em DHT, reduzindo a queda. Uso sob prescrição médica e com acompanhamento.
- DHT (dihidrotestosterona): hormônio derivado da testosterona que desempenha papel central na calvície masculina hereditária. A finasterida bloqueia sua produção.
- Tricograma: exame que analisa a raiz e o bulbo capilar ao microscópio, ajudando a diferenciar tipos de queda (eflúvio telógeno x eflúvio anágeno, por exemplo).
- Couro cabeludo: pele que recobre o crânio, onde estão os folículos pilosos. Doenças como dermatite seborreica ou psoríase podem contribuir para a queda.
- Transplante capilar: procedimento cirúrgico que redistribui folículos de áreas doadoras (nuca) para áreas calvas. Regulamentado pelo CFM (Resolução CFM nº 2.174/2017) e feito por dermatologistas ou cirurgiões habilitados.
- Alopécia areata: doença autoimune que provoca queda em placas bem delimitadas. Pode ser desencadeada por estresse e tem evolução imprevisível.
Perguntas Frequentes sobre O que é Alopécia
Minha queda de cabelo é normal ou devo me preocupar?
Perder até 100 fios por dia é fisiológico. Você pode testar: passe a mão nos cabelos secos e veja quantos fios ficam na mão. Se forem mais de 10 fios de uma só vez em várias tentativas, ou se você notar clareiras, procure um médico. Também desconfie se a queda dura mais de 3 meses ou vem acompanhada de sintomas como cansaço, alteração de peso ou unhas frágeis.
Alopécia tem cura?
Depende do tipo. A alopécia androgenética (calvície hereditária) não tem cura, mas tem tratamento que controla a progressão e estimula o crescimento. Já o eflúvio telógeno tem cura espontânea em 6 a 12 meses. A alopécia areata pode regredir sozinha ou com tratamento, mas pode recorrer. Alopécias cicatriciais são irreversíveis, pois o folículo foi destruído. Por isso o diagnóstico precoce é tão importante: quanto antes tratar, mais chances de recuperação.
O que causa queda de cabelo em mulheres jovens?
As causas mais comuns em mulheres jovens (15 a 40 anos) são: eflúvio telógeno pós-parto, estresse, dietas restritivas (especialmente com baixa ingestão de ferro e proteínas), uso prolongado de anticoncepcionais, síndrome dos ovários policísticos (que eleva a testosterona) e deficiência de vitaminas como ferro, vitamina D e B12. A alopécia androgenética também pode começar nessa faixa etária, especialmente se há histórico familiar.
Alopécia androgenética atinge só homens?
Não. Embora seja mais frequente em homens, as mulheres também desenvolvem a forma hereditária, geralmente após a menopausa, mas pode surgir mais cedo. Nas mulheres, a queda é mais difusa (afina no topo da cabeça) e raramente leva à calvície total. O tratamento inclui minoxidil tópico e, em casos selecionados, antiandrogênicos (como espironolactona) sob orientação médica. A finasterida não é aprovada para mulheres em idade fértil, pois pode causar malformações no f


