O que é Amaurose fugaz?
Amaurose fugaz é o nome técnico para uma perda temporária e repentina da visão em um dos olhos, que dura de alguns segundos a poucos minutos – geralmente entre 1 e 10 minutos – e depois volta ao normal completamente. Muitos pacientes descrevem como “uma cortina preta que desce sobre um olho” ou “um flash de cegueira que vai embora sozinho”. Apesar de o sintoma passar rápido, ele nunca deve ser ignorado: a amaurose fugaz costuma ser um sinal de alerta de que algo está obstruindo o fluxo de sangue para a retina, a parte do olho que capta a luz e envia a imagem para o cérebro.
No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, a amaurose fugaz aparece com frequência em pacientes acima de 50 anos que têm fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto ou tabagismo. Muitos procuram o clínico geral ou o oftalmologista depois de um episódio que durou “só uns segundos” e acabou passando, achando que foi cansaço ou “coisa da idade”. No entanto, para quem trabalha na atenção primária, esse sintoma tem um significado importante: ele pode ser a primeira manifestação de um acidente isquêmico transitório (AIT), isto é, um “mini-AVC” que afeta a visão, e que aumenta em até 20% o risco de um AVC completo nos próximos dias ou semanas.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 90 mil pessoas sofrem AVC por ano no Brasil, e a amaurose fugaz está presente em aproximadamente 1 em cada 10 casos de AIT. Embora não haja números exatos para a amaurose isolada, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia destaca que a condição é subdiagnosticada – muitos pacientes não relatam o episódio porque ele é breve e assustador. Por isso, é essencial que profissionais de saúde – e também os pacientes – saibam identificar esse sinal e busquem avaliação urgente. A amaurose fugaz é um dos principais motivos de encaminhamento para o pronto-atendimento na rede pública, especialmente em unidades de AVC e clínicas de oftalmologia referenciadas pelo SUS.
Como funciona / Características
A amaurose fugaz acontece porque um pequeno coágulo ou placa de gordura (chamada êmbolo) se solta de algum lugar do corpo – geralmente do coração ou das artérias carótidas, que ficam no pescoço – e viaja pela corrente sanguínea até a artéria que irriga o olho (a artéria oftálmica). Quando esse êmbolo bloqueia temporariamente o fluxo de sangue para a retina, a visão do olho afetado desaparece. Depois de alguns segundos ou minutos, o coágulo se desfaz ou é empurrado para um vaso menor, e a circulação é restaurada, fazendo a visão voltar.
Na prática clínica, o paciente geralmente conta que estava olhando para alguma coisa quando, de repente, um dos olhos “apagou” – a pessoa pode descrever um borrão, uma sombra ou uma perda total da visão naquele olho. Diferente daquelas manchas que ocorrem com enxaqueca (chamadas escotomas), a amaurose fugaz é indolor e não vem acompanhada de dor de cabeça ou de sintomas nos dois olhos ao mesmo tempo. O episódio pode ser desencadeado por mudanças de posição (levantar rápido), mas muitas vezes ocorre espontaneamente, em repouso.
É importante que o médico saiba perguntar sobre a duração exata: se o sintoma durou menos de 1 minuto, é mais típico de amaurose fugaz por êmbolo; se durou de 5 a 30 minutos, pode ser outro tipo de isquemia ocular. Além disso, a amaurose fugaz afeta sempre o mesmo olho em episódios repetidos, indicando a origem do problema. Em clínicas populares, muitas vezes o paciente chega sem saber que pode ser algo grave, achando que foi “um susto”. Cabe ao clínico geral explicar que o olho é um espelho da circulação cerebral e que a investigação deve ser feita com urgência, incluindo exames como ultrassom das carótidas (doppler), eletrocardiograma, ecocardiograma e exames de sangue.
Tipos e Classificações
Embora a amaurose fugaz seja um sintoma e não uma doença, os médicos e a literatura brasileira (inclusive o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do SUS para AVC) costumam classificá-la de acordo com sua causa subjacente. As principais classificações são:
- Amaurose fugaz de origem embólica: é a mais comum, causada por coágulos que vêm do coração (fibrilação atrial, válvulas cardíacas) ou das placas de aterosclerose nas artérias carótidas. Representa cerca de 70% dos casos e está diretamente ligada ao risco de AVC.
- Amaurose fugaz hemodinâmica: ocorre quando o fluxo sanguíneo para o olho diminui por causa de uma queda transitória da pressão arterial (ex.: após levantar rápido, em pacientes com estenose crítica de carótida). É menos frequente, mas importante em idosos com doença vascular grave.
- Amaurose fugaz inflamatória: associada a doenças como arterite de células gigantes (arterite temporal), uma inflamação dos vasos que pode causar perda visual definitiva se não tratada com corticoides. Ocorre mais em pessoas acima de 60 anos, com dor no couro cabeludo e mal-estar.
- Amaurose fugaz por vasoespasmo: rara, provocada por contração temporária dos vasos da retina, às vezes relacionada a enxaqueca, uso de drogas ou certos medicamentos.
A classificação ajuda a guiar o tratamento no SUS: se a causa é embólica, o paciente pode precisar de anticoagulantes (como varfarina ou rivaroxabana) ou de cirurgia da carótida; se é inflamatória, usa-se corticoides. O diagnóstico correto depende de exames que estão disponíveis na rede pública, especialmente em hospitais de referência em AVC.
Quando procurar um médico
Qualquer episódio de perda súbita e temporária da visão em um olho deve ser considerado uma urgência médica. Mesmo que a visão volte completamente em menos de 15 minutos, você precisa procurar atendimento imediatamente. Se não for possível ir ao pronto-socorro no mesmo dia, agende uma consulta com um clínico geral ou oftalmologista nas próximas 24 horas. No SUS, você pode ir a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou a um hospital geral com serviço de oftalmologia e neurologia.
Os sinais de alerta que indicam a necessidade de socorro urgente são:
- Perda de visão que dura mais de 10 minutos (pode ser um AVC em evolução).
- Fraqueza em um braço ou perna, dificuldade para falar, boca torta – isso sugere um AIT ou AVC que afeta outras áreas do cérebro.
- Dor de cabeça intensa, especialmente em pessoas acima de 55 anos.
- Episódios repetidos de amaurose fugaz (mais de um por semana).
- Histórico de fibrilação atrial, infarto recente ou cirurgia cardíaca.
Na consulta, o médico irá perguntar sobre a duração, o lado afetado, o que você estava fazendo no momento, se já teve outros episódios e seus fatores de risco. Exames como medida da pressão, ausculta do coração e das carótidas, e um exame de fundo de olho (oftalmoscopia) podem revelar sinais de coágulos (êmbolos de Hollenhorst) ou placas na retina. Se o diagnóstico de amaurose fugaz for confirmado, você será encaminhado para investigação cardiovascular e, possivelmente, para o neurologista.
Não caia na armadilha de achar que “passou, então não é nada”. Na prática popular, muitos pacientes demoram dias ou semanas para procurar ajuda, e acabam chegando ao SUS com um AVC já instalado. Lembre-se: a amaurose fugaz pode ser a única chance de prevenir uma sequela permanente.
Termos Relacionados
- AVC (Acidente Vascular Cerebral): interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro. A amaurose fugaz é um fator de risco para AVC isquêmico (derrame).
- AIT (Acidente Isquêmico Transitório): “mini-AVC” com sintomas que duram menos de 24 horas. A amaurose fugaz é um dos sintomas mais comuns do AIT.
- Êmbolo de Hollenhorst: pequena placa de colesterol ou coágulo visível no exame de fundo de olho, típica da amaurose fugaz embólica.
- Estenose de carótida: estreitamento da artéria carótida no pescoço, principal causa de amaurose fugaz mecânica.
- Retina: camada do olho que transforma a luz em impulsos nervosos. Sem circulação adequada, ela deixa de funcionar.
- Fibrilação atrial: arritmia cardíaca que favorece a formação de coágulos, frequentemente responsável pela amaurose fugaz.
- Arterite de células gigantes (arterite temporal): inflamação dos vasos que pode causar amaurose fugaz e cegueira definitiva se não tratada.
- Doppler de carótidas: exame de ultrassom para verificar obstruções nas artérias do pescoço, padronizado pelo SUS.
Perguntas Frequentes sobre O que é Amaurose fugaz
A amaurose fugaz pode voltar mais de uma vez?
Sim, e isso é comum. Se a causa não for tratada, os episódios podem se repetir, às vezes com maior frequência. Cada episódio representa um novo risco de AVC. Por isso, mesmo que você já tenha tido um episódio há semanas, é fundamental buscar avaliação para evitar que um coágulo maior cause dano permanente.
A amaurose fugaz afeta os dois olhos ao mesmo tempo?
Geralmente não. O term


