O que é Amaurose?
Amaurose é o termo médico usado para descrever a perda total da visão em um ou ambos os olhos. Diferente de um simples “embaçamento” ou “visão turva”, a amaurose é uma condição em que a pessoa não consegue perceber nenhuma luz ou imagem. No dia a dia de um clínico geral no SUS ou em clínicas populares, esse termo aparece com mais frequência em dois cenários: quando um paciente relata uma cegueira súbita (que dura segundos ou minutos) ou quando uma criança já nasce sem capacidade visual.
No Brasil, a amaurose não é uma doença em si, mas um sintoma de várias condições que podem afetar a retina, o nervo óptico ou o cérebro. Dados do IBGE (Censo 2010) indicam que aproximadamente 6,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual grave, sendo que uma parcela significativa corresponde a casos de cegueira total (amaurose). O Ministério da Saúde estima que cerca de 1,5% da população com mais de 60 anos sofre com cegueira irreversível, muitas vezes relacionada a doenças como glaucoma, catarata não operada ou degeneração macular.
Na prática clínica, quando um paciente chega ao pronto-atendimento ou ao posto de saúde com queixa de “apagão visual”, o médico precisa agir rápido. Pode ser um sinal de amaurose fugaz (passageira), que muitas vezes indica risco de AVC ou problema na artéria carótida. Já a amaurose permanente, especialmente em crianças, exige investigação genética e acompanhamento multidisciplinar. O SUS oferece o exame de eletrorretinografia e o mapeamento de retina nos centros de referência em oftalmologia, mas o acesso ainda é desigual nas regiões Norte e Nordeste.
Como funciona / Características
A visão depende de um caminho complexo: a luz entra no olho, atravessa a córnea e o cristalino, chega à retina (como uma “tela” no fundo do olho), onde é transformada em sinais elétricos. Esses sinais viajam pelo nervo óptico até o cérebro. A amaurose pode ocorrer por um bloqueio em qualquer ponto dessa via.
No consultório de uma clínica popular, é comum atender pacientes que descrevem a amaurose como “uma cortina preta que desce do nada” ou “sumiço total da visão por alguns minutos”. Esses episódios fugazes, chamados de amaurose fugaz, geralmente duram de 2 a 30 minutos e podem ser o primeiro alerta de uma obstrução transitória da artéria oftálmica (que leva sangue ao olho). Muitas vezes estão associados a placas de gordura no pescoço (aterosclerose carotídea).
Já a amaurose congênita (presente desde o nascimento) tem características diferentes: o bebê não fixa o olhar, não segue objetos com os olhos e pode apresentar movimentos oculares repetitivos (nistagmo). Nas consultas de puericultura na atenção básica, pediatras treinados conseguem suspeitar do problema e encaminhar para o teste do olhinho (reflexo vermelho), que é obrigatório pelo SUS. Quando o reflexo está ausente ou alterado, o bebê precisa de avaliação oftalmológica urgente.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos a amaurose de duas formas principais:
- Quanto à duração: amaurose fugaz (transitória, dura minutos ou horas) e amaurose permanente (definitiva).
- Quanto à causa: vascular (ex: embolia retiniana), neurológica (ex: neurite óptica), retiniana (ex: retinose pigmentar) ou congênita (ex: amaurose congênita de Leber).
Existe ainda uma classificação específica para a Amaurose Congênita de Leber (ACL), uma doença genética rara que afeta cerca de 1 em cada 80 mil nascidos vivos. O SUS realiza o teste genético para as mutações mais comuns (como no gene RPE65) nos centros de referência em doenças raras. A ACL é uma das principais causas de cegueira infantil evitável com diagnóstico precoce e reabilitação visual.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) recomendam o uso da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), na qual a amaurose aparece nos códigos H54.0 (cegueira binocular) ou H54.1 (cegueira monocular). Isso é importante para o registro em prontuários e para a solicitação de benefícios como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) para pessoas com deficiência visual grave.
Quando procurar um médico
Procure atendimento médico imediatamente se:
- Você perder a visão de repente, mesmo que por poucos segundos ou minutos (pode ser amaurose fugaz e sinal de AVC iminente).
- Notar que seu filho bebê não reage a estímulos luminosos ou não fixa o olhar em rostos após os 3 meses de vida.
- Sentir uma “cortina escura” descendo sobre a visão de um dos olhos, com ou sem dor.
- Já tiver diagnóstico de diabetes, hipertensão ou arritmia cardíaca e apresentar perda visual repentina.
Na atenção primária do SUS, o médico clínico geral ou o pediatra podem realizar o exame de fundo de olho com oftalmoscópio, verificar o reflexo vermelho (teste do olhinho) e medir a pressão intraocular (tonometria). Caso identifiquem alguma alteração, encaminham para o oftalmologista na unidade de referência. Não espere o problema passar sozinho: a amaurose fugaz pode ser um aviso de que você está prestes a ter um derrame cerebral.
Termos Relacionados
- Amaurose fugaz: perda temporária da visão, geralmente causada por redução do fluxo sanguíneo para o olho. É um sinal de alerta para AVC.
- Amaurose congênita de Leber: doença hereditária que leva à cegueira severa já nos primeiros meses de vida. Atualmente, existem terapias gênicas aprovadas no Brasil para alguns casos.
- Neurite óptica: inflamação do nervo óptico que pode causar amaurose temporária ou permanente, muitas vezes associada a doenças autoimunes como esclerose múltipla.
- Retinose pigmentar: doença degenerativa da retina que começa com perda da visão noturna e pode evoluir para amaurose ao longo dos anos.
- Glaucoma avançado: aumento da pressão intraocular que lesa o nervo óptico de forma irreversível; uma das principais causas de amaurose no Brasil.
- Catarata total: opacificação completa do cristalino que, se não operada, leva à cegueira. O SUS realiza a cirurgia gratuitamente.
- Baixa visão: termo usado para visão subnormal – diferente da amaurose, ainda há algum resíduo visual útil.
- Eletrorretinograma (ERG): exame que mede a atividade elétrica da retina; essencial para diagnosticar amauroses congênitas e retinopatias.
Perguntas Frequentes sobre O que é Amaurose
Amaurose tem cura?
Depende da causa. A amaurose fugaz (temporária) pode ser revertida se a causa for tratada a tempo, como uma placa de gordura na carótida. Já as formas permanentes, como a amaurose congênita de Leber, ainda não têm cura definitiva, mas existem terapias que podem melhorar a visão residual em alguns pacientes. O SUS oferece reabilitação visual, incluindo uso de lupas, softwares de leitura e orientação para mobilidade.
Amaurose é hereditária?
Sim, muitos casos de amaurose congênita (como a de Leber) são transmitidos por genes recessivos. Se houver histórico na família, o aconselhamento genético está disponível nos serviços de genética médica do SUS. A amaurose adquirida, causada por doenças como glaucoma ou diabetes, não é hereditária, mas a predisposição a essas doenças pode ser.
O que fazer se eu tiver um episódio de amaurose fugaz?
Pare o que está fazendo, sente-se e acione o serviço de emergência (SAMU 192) ou vá imediatamente a uma UPA. Não espere o episódio passar completamente. Esse tipo de amaurose é um sinal de alerta para acidente vascular cerebral (AVC). O médico vai solicitar exames como ultrassom de carótidas e ecocardiograma para investigar a origem do problema.
Criança com amaurose congênita pode aprender a ler?
Sim. A criança pode aprender a ler em braille e usar tecnologias assistivas. O SUS garante o acesso à educação especializada, ao sistema braille e a recursos de acessibilidade desde a primeira infância. Além disso, a reabilitação visual precoce ajuda no desenvolvimento motor e cognitivo.
Amaurose pode ser prevenida?
Em parte. A prevenção da amaurose adquirida passa pelo controle de doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto. O uso de óculos escuros com proteção UV diminui o risco de degeneração macular. No caso da amaurose congênita, o aconselhamento genético pode ajudar famílias a entender os riscos. O pré-natal adequado e o teste do olhinho em todos os recém-nascidos são essenciais.
O SUS cobre o tratamento da amaurose?
Sim, o SUS cobre desde o diagnóstico (exames de imagem, eletrorretinograma, mapeamento de retina) até o tratamento cirúrgico (ex: cirurgia de catarata ou glaucoma) e a reabilitação visual. Para casos raros, existe o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para doenças como a amaurose congênita de Leber, que inclui a terapia gênica em centros autorizados. Consulte a unidade de saúde próxima para saber os encaminhamentos.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


