quarta-feira, junho 17, 2026

O que é Amigdalite

O que é O que é Amigdalite?

Amigdalite é a inflamação das amígdalas (ou tonsilas palatinas), duas pequenas massas de tecido linfático localizadas na parte de trás da garganta, uma de cada lado. Essas estruturas atuam como uma primeira linha de defesa do sistema imunológico contra microrganismos que entram pela boca e nariz. No meu dia a dia como clínico geral no SUS e em clínicas populares brasileiras, essa é uma das queixas mais comuns: “doutor, estou com a garganta inflamada”, “estou com pus na garganta”. A maioria dos casos ocorre em crianças e adolescentes, mas adultos também são afetados, especialmente quando há fatores de risco como baixa imunidade ou exposição a ambientes fechados.

No Brasil, a amigdalite está entre as principais causas de atendimento na atenção primária. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 5 a 10% das consultas em unidades básicas de saúde (UBS) são motivadas por dor de garganta, e boa parte delas envolve amigdalite. A forma aguda viral é a mais frequente (cerca de 70% dos casos), enquanto a bacteriana, especialmente pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A, corresponde a aproximadamente 30% e merece atenção especial por seu potencial de complicações, como febre reumática e glomerulonefrite. O Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de protocolos claros para diagnóstico e tratamento, incluindo a prescrição racional de antibióticos, seguindo as diretrizes da ANVISA para combate à resistência microbiana.

É importante diferenciar amigdalite de faringite (inflamação da faringe), embora frequentemente ocorram juntas (faringoamigdalite). No consultório, o paciente chega com queixa de dor de garganta intensa, dificuldade para engolir, febre e, em alguns casos, presença de placas brancas ou amareladas nas amígdalas (pus). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na observação da orofaringe, mas em casos selecionados pode-se solicitar teste rápido de estreptococo ou cultura de swab, disponíveis em alguns serviços do SUS. A abordagem correta evita o uso desnecessário de antibióticos – um problema comum que enfrentamos diariamente: muitos pacientes insistem em “remédio forte” (como amoxicilina ou benzetacil), mas a orientação é tratar apenas a amigdalite bacteriana comprovada ou altamente suspeita.

Como funciona / Características

O mecanismo da amigdalite começa quando vírus ou bactérias invadem as amígdalas, desencadeando uma resposta inflamatória. Os vasos sanguíneos locais se dilatam, aumentam a permeabilidade e atraem células de defesa, o que provoca vermelhidão, inchaço, dor e acúmulo de pus (exsudato). O paciente sente a garganta “arranhando”, depois vem a dor que piora com a deglutição – muitos relatam que até engolir saliva dói. A febre pode ser alta (acima de 38,5°C), principalmente na forma bacteriana. Outros sintomas comuns são mal-estar, dor de cabeça, perda de apetite e, em crianças, irritabilidade.

No cotidiano da clínica popular, quando atendo uma criança de 6 anos com febre de 39°C e amígdalas “cheias de pus”, logo penso em amigdalite bacteriana. Mas nem todo pus significa bactéria – alguns vírus como o adenovírus também podem produzir exsudato. Por isso, o contexto clínico é fundamental. A palpação dos gânglios (linfonodos) no pescoço ajuda: se estão aumentados e doloridos, reforça a suspeita bacteriana. A amigdalite viral geralmente vem acompanhada de coriza, tosse, conjuntivite ou rouquidão, diferentemente da bacteriana que costuma ser mais localizada.

A evolução natural da amigdalite viral é autolimitada em 5 a 7 dias, com melhora gradual. Já a bacteriana, se não tratada, pode persistir e evoluir para complicações. O tratamento com antibiótico (geralmente penicilina ou amoxicilina por 10 dias) reduz o risco de febre reumática e acelera a recuperação. No SUS, a penicilina benzatina (benzetacil) é uma opção muito utilizada, especialmente quando há dúvida sobre a adesão ao tratamento oral. É importante alertar os pais: mesmo melhorando em 2-3 dias, o antibiótico deve ser tomado pelo período completo para evitar complicações.

Tipos e Classificações

A amigdalite pode ser classificada de várias formas, mas as mais relevantes na prática clínica brasileira são:

  • Quanto ao agente causador: Viral (adenovírus, influenza, Epstein-Barr – na mononucleose) ou Bacteriana (principalmente estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Em crianças menores de 3 anos, predominam vírus; após os 5 anos, o estreptococo é mais comum.
  • Quanto ao tempo de evolução: Aguda (até 2 semanas) – a maioria dos casos; Crônica (recorrente com episódios frequentes, ou persistente com halitose, sensação de corpo estranho e amígdalas cripticas com caseum). A amigdalite crônica é um dos principais motivos de encaminhamento para avaliação cirúrgica (amigdalectomia) no SUS.
  • Quanto à apresentação clínica: Eritematosa (vermelha, sem pus) ou Eritematopultácea (com placas de pus). Esta última não é sinônimo de bacteriana, mas eleva a suspeita.

O Ministério da Saúde, através do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para uso racional de antimicrobianos, orienta que o diagnóstico de amigdalite bacteriana deve considerar critérios clínicos (febre alta, exsudato purulento, linfadenomegalia cervical anterior dolorosa, ausência de tosse/resfriado) – conhecido como Escala de Centor. Quanto mais critérios presentes, maior a probabilidade de infecção estreptocócica e indicação de antibiótico. Essa abordagem é seguida nas UBS e nas clínicas populares para evitar prescrições desnecessárias.

Quando procurar um médico

Todo paciente com dor de garganta intensa que dure mais de 48 horas, febre acima de 38,5°C, dificuldade para engolir ou presença de pus nas amígdalas deve procurar atendimento médico. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com imunossupressão merecem atenção redobrada. Sinais de alarme que exigem avaliação rápida incluem:

  • Dificuldade para respirar ou sensação de “fechamento” da garganta;
  • Salivação excessiva com incapacidade de engolir (pode indicar abscesso periamigdaliano);
  • Voz abafada (como “batata quente na boca”);
  • Desidratação (boca seca, pouca urina, prostração) – comum em crianças que se recusam a comer ou beber;
  • Febre que persiste por mais de 3 dias ou que melhora e volta;
  • Rouquidão prolongada ou estridor (ruído ao respirar).

No contexto do SUS, a recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação inicial. Nas clínicas populares, também oferecemos esse acolhimento. Se houver suspeita de complicações, o paciente é referenciado para unidades de urgência. Lembre-se: automedicação com anti-inflamatórios (como ibuprofeno) ou antibióticos pode mascarar sintomas e atrasar o tratamento adequado. O médico saberá diferenciar se é viral ou bacteriano e indicar o melhor tratamento, que nem sempre inclui antibióticos.

Termos Relacionados

  • Amigdalectomia: cirurgia de retirada das amígdalas, indicada em casos de amigdalite recorrente (mais de 3 episódios por ano, apesar de tratamento adequado) ou complicações como abscesso, apneia do sono ou hipertrofia obstrutiva. No SUS, segue critérios do CFM e pode ser realizada em hospitais públicos.
  • Faringite: inflamação da faringe (parte posterior da garganta), que muitas vezes acompanha a amigdalite. Diferencia-se pela localização da dor e pela ausência de comprometimento primário das amígdalas.
  • Abscesso periamigdaliano: coleção de pus formada ao redor da amígdala, geralmente como complicação de uma amigdalite bacteriana não tratada. Causa dor intensa, trismo (dificuldade para abrir a boca) e desvio da úvula. Requer drenagem e antibióticos intravenosos.
  • Febre reumática: doença inflamatória sistêmica que pode ocorrer após uma infecção de garganta por estreptococo do grupo A não tratada. Afeta especialmente o coração (cardite reumática), articulações, sistema nervoso e pele. A prevenção é tratar adequadamente a amigdalite bacteriana com antibióticos.
  • Escarlatina: doença bacteriana causada pelo mesmo estreptococo, que além da amigdalite produz uma erupção vermelha na pele (exantema) e língua “em framboesa”. É mais comum em crianças entre 5 e 15 anos e também requer antibióticos.
  • Caseum: pequenas massas brancas ou amareladas que se formam nas criptas das amígdalas, compostas por restos de alimentos, células mortas e bactérias. Não é sinal de infecção ativa, mas pode causar halitose e sensação de corpo estranho. Higiene bucal e gargarejos ajudam.
  • Teste rápido de estreptococo: exame que detecta antígenos do estreptococo do grupo A em swab da garganta. Disponível em algumas UBS e emergências, permite resultado em 10-15 minutos, auxiliando na decisão de usar antibióticos.

Perguntas Frequentes sobre O que é Amigdalite

1. Amigdalite é contagiosa?

Sim. A amigdalite viral é transmitida por gotículas respiratórias (espirros, tosse, contato com secreções) e tem período de incubação de 2 a 7 dias. A bacteriana também é contagiosa, principalmente nos primeiros dias de sintomas e enquanto houver febre. O contato próximo em creches, escolas e ambientes familiares favorece a disseminação. Recomenda-se lavar as mãos com frequência, evitar compartilhar copos e talheres e manter o paciente em repouso em casa até melhora dos sintomas. Após 24 horas de antibiótico, o risco de transmissão da bacteriana diminui expressivamente.

2. Preciso tomar antibiótico para toda amigdalite?

Não. Cerca