O que é Andrologia?
A Andrologia é a especialidade médica dedicada ao estudo, diagnóstico e tratamento das condições de saúde específicas do homem. Em outras palavras, é a contraparte masculina da Ginecologia, cuidando de tudo que envolve o aparelho reprodutor masculino, as funções sexuais, os hormônios e também a saúde geral do homem, especialmente após os 40 anos. No Brasil, a Andrologia é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como uma área de atuação da Urologia, ou seja, todo andrologista é primeiro um urologista que se especializou nessa subárea. Por isso, nos consultórios do SUS e nas clínicas populares, é comum o paciente ser atendido por um urologista que também domina a Andrologia.
No dia a dia de uma clínica popular brasileira, a Andrologia aparece frequentemente em queixas silenciosas: homens que demoram anos para procurar ajuda por vergonha, medo ou desconhecimento. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10 a 15 milhões de brasileiros sofrem de disfunção erétil em algum grau, e a infertilidade masculina está presente em aproximadamente 40% dos casos de casais que não conseguem engravidar. No Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso a essa especialidade ocorre principalmente através da atenção primária, com encaminhamento para urologia quando há suspeita de problemas como dificuldade de ereção, queda de libido, alterações no sêmen ou sintomas urinários. A Política Nacional de Saúde do Homem, do Ministério da Saúde, busca justamente reduzir a resistência masculina à prevenção — e a Andrologia é uma porta de entrada essencial para isso.
É fundamental que o paciente entenda que a Andrologia não se limita a questões sexuais. Ela abrange também o diagnóstico do hipogonadismo (baixa produção de testosterona), o rastreamento do câncer de próstata, o tratamento de infecções genitais, varicocele, fimose, e até orientações sobre planejamento familiar masculino (vasectomia). Na prática, o médico andrologista atua como um clínico especializado na saúde masculina, muitas vezes atuando em conjunto com endocrinologistas e psicólogos, especialmente quando o problema mexe com a autoestima e a qualidade de vida.
Como funciona / Características
A Andrologia clínica funciona por meio de uma abordagem cuidadosa e humanizada. O primeiro passo é a anamnese detalhada — o médico faz perguntas sobre a vida sexual, hábitos de vida (tabagismo, álcool, atividade física), uso de medicamentos, antecedentes de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, colesterol) e saúde emocional. Muitos homens chegam ao consultório depois de anos de sofrimento, e uma escuta respeitosa é essencial. Em clínicas populares, o tempo de consulta pode ser mais curto, mas a prioridade é identificar rapidamente os sinais de alerta, como disfunção erétil persistente, dor testicular ou alterações no jato urinário.
Os exames complementares variam conforme a queixa. Para investigação de infertilidade masculina, o exame mais comum é o espermograma (análise do sêmen), disponível no SUS via laboratórios de apoio. Para problemas hormonais, a dosagem de testosterona total e livre, LH e FSH é fundamental. Já na disfunção erétil, exames como a Dopplervelocimetria peniana (ultrassom com fluxo) e testes noturnos de ereção podem ser indicados, mas na atenção básica prioriza-se a avaliação clínica e o uso de escalas validadas, como o IIEF-5. A ANVISA regula os medicamentos utilizados, como os inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafila, tadalafila), que são amplamente prescritos e disponíveis também em versões genéricas nas farmácias populares.
Uma característica marcante da Andrologia no Brasil é a abordagem multiprofissional. O andrologista muitas vezes trabalha com psicólogos, endocrinologistas e nutricionistas, porque problemas sexuais frequentemente têm raízes emocionais ou metabólicas. Além disso, o médico precisa orientar sobre mudanças no estilo de vida: prática de exercícios, perda de peso, controle do estresse e sono adequado. Na clínica popular, onde o acesso a especialistas é limitado, o próprio urologista-andrologista assume o papel de educador, explicando de forma simples que a testosterona não é um “milagre” e que a saúde masculina começa com hábitos saudáveis.
Tipos e Classificações
A Andrologia pode ser dividida em grandes áreas de atuação, conforme a classificação adotada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e pelo CFM:
- Andrologia Clínica: voltada para diagnóstico e tratamento não cirúrgico de disfunção erétil, ejaculação precoce, baixa libido, hipogonadismo, infertilidade masculina e infecções genitais (prostatite, uretrite).
- Andrologia Cirúrgica: inclui procedimentos como vasectomia, cirurgia de varicocele, correção de fimose, implante de prótese peniana, tratamento de priapismo e cirurgias de reconstrução uretral.
- Andrologia Endócrina: foco na reposição hormonal (testosterona), diagnóstico de tumores testiculares produtores de hormônios e distúrbios da puberdade masculina.
- Andrologia Oncológica: relacionada ao câncer de próstata, testículo, pênis e bexiga, onde o andrologista atua no rastreamento, diagnóstico precoce e acompanhamento dos efeitos colaterais dos tratamentos (ex: disfunção erétil pós-cirurgia ou radioterapia).
Na prática brasileira, a maioria dos andrologistas atua em todas essas áreas, mas a subespecialização ocorre em centros de referência, como os hospitais universitários e as clínicas privadas de grande porte. No SUS, o urologista geralmente cobre todas as demandas andrológicas, exceto em casos muito específicos que exigem encaminhamento para serviços de alta complexidade.
Quando procurar um médico
Muitos homens acreditam que certos sintomas são “normais” com o envelhecimento, mas isso nem sempre é verdade. Você deve procurar um médico especialista em Andrologia (ou um urologista) quando notar um ou mais dos seguintes sinais:
- Dificuldade para obter ou manter a ereção por mais de três meses consecutivos, especialmente se atrapalhar a vida sexual ou emocional.
- Queda acentuada da libido (vontade sexual) acompanhada de cansaço, ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular ou alterações de humor.
- Alterações no sêmen: ejaculação dolorosa, sangue no sêmen, redução do volume ou ausência de ejaculação.
- Infertilidade conjugal — se após um ano tentando engravidar (seis meses para casais acima de 35 anos) sem sucesso, o homem deve ser avaliado.
- Dor, inchaço ou nódulos nos testículos — mesmo que indolores, podem indicar tumores ou infecções.
- Sintomas urinários: dificuldade para urinar, jato fraco, aumento da frequência urinária (principalmente à noite), urgência ou dor ao urinar — podem estar associados à próstata aumentada ou infecções.
- Ejaculação precoce ou ejaculação retardada que cause sofrimento.
- Histórico de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, obesidade, colesterol alto — essas condições afetam diretamente a função sexual e hormonal.
Na rede pública, procure primeiro uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O clínico geral ou enfermeiro fará a avaliação inicial e, se necessário, encaminhará para o urologista. É importante saber que não precisa ter vergonha: esses problemas são comuns e têm tratamento. O Programa Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde incentiva homens acima de 20 anos a realizarem consultas periódicas, mesmo sem sintomas, para prevenção.
Termos Relacionados
- Urologia: especialidade mãe da Andrologia, cuida de todo o trato urinário (rins, ureteres, bexiga, uretra) e do sistema genital masculino. Todo andrologista é urologista.
- Disfunção erétil


